Monday, August 06, 2018

Desvontade

Eu já chamei de preguiça.
Já chamei de ausência do desejo, ausência de motivação.
Mas não faltam motivos! Não exatamente. Às vezes eles até abundam! Mas ter motivos não bastam.
Então, não era nada disso.
Porque a ausência de uma coisa não a explica.
Como a ausência da fala não explica o que não foi dito. E, sendo assim, desdizer traz em si uma oposição maior do que simplesmente calar.
Desfazer, desistir, descartar, destruir... "desquerer", "desdesejar", sentir "desvontade". Neologismos, às vezes, sáo imprescindiveis!
Agora, sei que não me falta nada. Ao contrário, estou plena! Desvontade é o que tenho de sobra!
É maior e mais fundo do que as ausências, embora filha delas.
Tenho desvontade.
Desvontades doem...

EmmyLibra
Aug 6, 2018 - 2:08 p.m.

Friday, August 03, 2018

Correnteza

Tem horas que pensar dói.
Mas a correnteza dos pensamentos é tão forte, que não conseguimos nadar contra ela...
E afogamos.

EmmyLibra
Aug. 3rd, 2018 - 11:00 a.m.

Wednesday, August 01, 2018

Algoz

Numa hora falavas comigo
E tua fala me chegava
Tão doce… Um bálsamo,
Suavizando as dores!
No instante seguinte
Ela me parece torpe, cruel!
Já não é mais a mesma.

Depois que me mataste um pouco
Depois que vi em ti pensamentos loucos
Estranhos, comestíveis, desenfreados
Despejados sobre esse meu corpo,
Estremeci.

E, ao ouvir-te de novo
“Meu bem” - dizias, quase como antes!
Mas nunca como antes.
- Nunca será como antes!
Esfriei sob a pele,
Doeu por dentro.

Porque antes desejei viver
Para ti também, por ti também.
Um pouco.

Mas, sepultaste minh’alma
À sombra das árvores frondosas
Das tuas falas fortes,
Imperatrizes, inconsequentes.

Acaso não percebeste
Quando respirei o teu ar?
Quando segui teus caminhos?
Quando te contemplei?

Acaso não viste nas horas nuas,
Quando me deste um pouco de vida,
Que eu já estava prestes a sucumbir?
Que era um pouco por ti que viveria
Dali por diante?

Jogaste fora esta vida
Decepaste os seus ramos
Destruíste a sua raiz.
Teus sons tornaram-se lâminas!

Hoje, murcham os sonhos
Os planos, as coisas todas
Que plantaste com tuas palavras
Quando elas ainda tinham doçura.

Já não te reconheço.

Talvez agora, simplesmente,
Te conheça - enfim!

Mas preferia aquel’outro
Que me ergueu das cinzas
Mesmo que agora
Ele já  me pareça tão falso.
Utópico. Irreal.

Esse a quem ora me apresento
É o algoz que me fere,
Que transpassa meu coração
Com a espada gélida e tóxica
Da desesperança.

EmmyLibra
Aug 1st, 2018 - 2:48 p.m.

Morte em vida

Há quem pense que "Não matarás" referia-se ao corpo físico.
Grande engano! Matar os sonhos, a esperança de alguém é ainda mais hediondo. É matar o outro em vida.
Porque quando morre a esperança do homem, todo o homem já está morto.
=(

EmmyLibra
Aug 1st, 2018 - 12:57 p.m.