Tuesday, August 07, 2007

De médico e de louco...



Todo mundo é estranho um pouco. Fazendo, aliás, valer aquele velho dito popular: “de médico e de louco todo mundo tem um pouco”.
Estou ouvindo meu vizinho cantar. Acho que ele sonha fazer isso diante de multidões, ser famoso. Ele me assusta, quase sempre. Temo, porque me falaram coisas horríveis a seu respeito: que usa drogas, rouba, assalta... Até que é meio violento com a avó, que o criou desde bebezinho. Eles costumam brigar muito. Sempre que ele tem “mercadorias” disponíveis, os amigos – nada simpáticos, diga-se de passagem – ficam num frenético ritual de visitas sucessivas à sua casa.
Pobre avó! Já teve até um derrame, a infeliz. Acho até que, no fundo, ela se culpa um pouco pelo fracasso na criação desse desajustado.
Mas, voltando à estranheza, me vi fazendo o mesmo: cantarolando. E pior, eu cantarolava músicas árabes! Vamos ser estranhos, cada um à sua medida e ao seu timbre, mas, música árabe?! Acho que a estranheza dele é um cisco, perto da que me permiti mostrar!
De médico podemos até não ter grandes coisas, mas de loucos... Todos nós, jovens, velhos, homens, mulheres, ricos ou pobres, um dia, numa bela manhã de sol, vamos querer mostrar nossos secretos desejos de ser algo que não somos, fazer algo diferente – importante ou não –, que nos torne únicos na multidão, nos dê a chance dessa singularidade que a vida cronometrada, padronizada e repetitiva nos rouba.

“Eu quero ser alguém que não se perca, alguém com um brilho, uma cor, um olhar diferente. Quero ser eu mesma, deixar no mundo um recado: Eu – pessoa única, sem duplicação, sem réplicas, sem espelhos, sem clones – estive aqui tempo suficiente para ser inesquecível!”

É assim que nos comportamos, todos. Indistintamente. Todos! Admitindo ou não, tudo o que queremos é a singularidade. Não sermos números na estatística do censo ou da pesquisa eleitoral. Não sermos CPF ou RG. Sermos mais do que simplesmente gente, mais do que simplesmente respeitados: queremos ser ímpares, inconfundíveis!
Eu tenho dó do meu vizinho... Espero estar enganada, mas talvez um dia ele descubra que a única platéia que teve em seus shows de rock n’roll terá sido uma vizinha antipática a ouvi-lo por cima do muro que separa nossas casas.
Eu continuo assustada com ele, por tudo de mal que é supostamente capaz de me fazer. Mas hoje, nesse dia singular, ímpar, sem cópias nem repetição, eu percebo que senti algo igualmente novo e diferente por ele: piedade.
Me apiedo dele por sua desviada juventude, por sua incerta velhice, por sua desperdiçada e mal-conduzida infância. Ele não é o único culpado pelos seus fracassos, nem por estar hoje no lado errado do script... A avó tampouco é dona dessa responsabilidade, nem os pais, menos ainda o governo ou o “sistema”. Também não são culpados a TV ou as bandas de rock, nem as frustrações por que ele deve ter passado e pelas quais todos nós, mais cedo ou mais tarde, passamos, quando descobrimos que Papai Noel e os outros muitos personagens que nos encheram de esperança não passavam de mitos.
Não há culpados. Há apenas uma seqüência confusa de passos e oportunidades que nos levam para cima ou para baixo. Não podemos afirmar que tal ou tal seqüência é a certa ou a errada, como não podemos prever o próximo instante de nossas vidas.
– E se estivéssemos, eu e o meu vizinho, em lados trocados, ele com minha construção, eu com a dele, ele assustado, eu cantando no meu quintal e sonhando ser, um dia, sui-generis aos olhos do mundo?
Nossas seqüências, nossos passos e oportunidades nos puseram em quintais vizinhos, num duelo de medo e sonhos, nos deu essa “estranheza”, essa parcela de loucura, cada um à sua medida e ao seu timbre.
– Quem foi mesmo de nós que tomou o caminho que leva para cima?!
Vou fazer um chá. Meu filho está com dor de barriga. É hora de pôr à prova a primeira parte daquele velho dito popular: “de médico e de louco...”
Espero, minha parcela de médica seja maior do que a que me faz cantarolar em árabe!



EmmyLibra
July 22nd, 2006


Saturday, August 04, 2007

Liberdade


Quero o gosto bom da liberdade,

andar descalça na chuva,

colher os lírios que crescem alheios

à beira do meu caminho.



Quero ter caminhos!


EmmyLibra

Aug 6th 2005 - 2 16pm

Saturday, July 14, 2007

Me, me, me, mahcelo and Lilica (up-down)





Lilica n me twice, me, me, me. (up-down)






Um salto no abismo

O medo do desconhecido mata em nós o desejo à liberdade.
A não-liberdade mata em nós a capacidade de sentir felicidade.
A não-felicidade faz com que a vida não valha a pena.
É preciso esquecer o medo e lançar-se no abismo, às vezes,
Mesmo sem saber se há redes de proteção à nossa espera.
Muitos desses abismos nos fazem reconhecer em nós mesmos
Asas que só a nossa coragem é capaz de abrir
para que aprendamos
a voar.

Elena Matias
(july 14, 2007 - 2:35pm)

Monday, July 09, 2007

Contemplando estrelas

...sobre uma antiga paixão, coisa de criancice, que alimentei, nem sei por quê.
Sabe quando a gente se apaixona por um artista e entende que ele está a kilômetros-fama de distância do nosso insignificante anonimato? Aí de repente a gente recebe desse artista um convite pra subir ao palco, dançar com ele, e ele nos beija na boca...
É a glória!
Daí eu fiquei olhando estrelas e achava que jamais as tocaria....
Mas eis que do nada alguém que é dono das estrelas trouxe uma delas e me deu de presente.
Quando perguntei por quê, ele fugiu de mim, sem resposta.
E disse: "Vou dormir. É tarde, vou trabalhar muito cedo amanhã. Bye."
Essa estrela não é nada.. Nunca vai ser nada. É como você sonhar com os diamantes de uma coleção, alguém lhe dá a menor das pedras, você fica deslumbrado... Mas jamais terá a coleção inteira, sabe?
Tenho consciência disso.
Mesmo assim aquela estrelinha miúda brilha tanto!
Parece que a luz do mundo todo está dentro dela! Que é capaz de iluminar a vida por longos anos...
A gente morre contemplando a luz e nem percebe que morreu!

EmmyLibra, july 10, 2007 - 2:01am

Wednesday, July 04, 2007

Kiss-illusion (review)

I kiss your mouth every day in a cold picture of you as a lie, a lie-kiss that I want to kiss to feel lonely more and more. Cause you're just a dream.

I kiss your mouth every night in my dreams, in my sweetest dreams, as a truth, a truth-kiss I want to kiss to stay alive day after day. Cause you're my own wish of life.

I kiss your mouth every moment in my thoughts, in my foolish thoughts as a foolish-kiss I want to kiss to make believe i will survive this missing, this empty mouth, this hungry...

Maybe someday I will look behind and notice that you were here all the time, in a fantasy, in my deepest despair, in a kind of love I never knew. Inside of me... all the time.

Maybe i will find what love is, after all.  That moment I’ll way see how stupid I’ve been, how weak, how silly I’ve been for having no courage to tell you that you are my sweetest dream, my best thought, my most real fantasy, my whole life. Life that I spent for fear – stupid fear! Iwas afraid of opening my heart and afraid of the answers that I could hear from you.

Maybe I will find that I wasn't living but waiting for life all the time. Waiting for you to come from my desires, to make my existence finally come true.

Will it be late? Yes, maybe. Maybe it's already late for me to close my eyes and dream about this precious kiss of you. About this precious heart of you. About you...

I wanna kiss the mouth of an angel!

Monday, July 02, 2007

Midnight

It's midnight, i am sitting here, looking at u, cold eyes, frozen in time.  And a smile in which i cannot recognize myself.  I see your mouth, your skin, but i cannot touch or kiss them in this silent screen...  Life is not kind to me!

Sunday, July 01, 2007

:(

Wishing u were here with me...

EmmyLibra, july 1st, 2007 - 8:33pm

Lilica n me


                      >>>>>>> Lilica n me <<<<<<<
EmmyLibra, july 1st, 2007

Kiss-illusion

I kiss your mouth every day
In a cold picture of you
As a lie, a lie-kiss that i wanna kiss
To feel lonely more and more
For you are just a dream.

I kiss your mouth every night
In my dreams
In my sweetest dreams
As a truth, a truth-kiss i wanna kiss
To stay alive day after day
For you are my own wish for life.

I kiss your mouth every moment
In my thoughts
In my foolish thoughts
As a foolish-kiss i wanna kiss
To make believe i will survive
This missing, this empty mouth
This hungry...

Maybe someday i will look behind
And notice that you were here all the time
In a fantasy
In my deepest despair
In a kind of love i never knew
Inside of me... all the time.

Maybe i will find
What love is, after all.
In that moment i'll way see
How stupid i've been
How weak, how silly i've been
For having no courage to tell you
That you are my sweetest dream
My best thought
My most real fantasy
My whole life.
Life that i spent
With a fear, a stupid fear
Afraid of opening my heart,
Afraid of the answers
That i could hear from you.

Maybe i will find that i wasn't living
But waiting for life all the time
Waiting for you to come from my desires
To make my existence finally come true.

Will it be late?
Yeah, maybe.
Maybe is already too late now
For me to close my eyes and dream
With this precious kiss of you
With this precious heart of you
With you...

I wanna kiss the mouth of an angel!


EmmyLibra, july 1st, 2007 - 9:15am

Sunday, June 03, 2007

Preto e pobre


O país onde eu nasci me discrimina.
Sou preto. Pobre. Nasci favelado, marginal, uma ameaça.
Vem uma ong, me tira da cola, do banco de praça, da fome, da falta de instrução. Isso é bom. Muito bom. Mas mesmo assim não sou ninguém. Comer a esmola de uma ong não me faz cidadão. Jogar fora o tubo de cola, o baseado, não me faz gente. Saber ler e escrever não me garante emprego. Porque nenhuma dessas coisas me torna branco, nem me enche de dinheiro ou faz a favela desaparecer das minhas origens.
Conheci o esporte numa noite de chuva e frio. Estava roubando um pacote de biscoitos, tipo bolinho de goma, numa padaria. O segurança viu, me seguiu por quilômetros, acionou a polícia. O povo todo queria me ver tropeçar e cair, para ser capturado. Acho que queriam descontar em mim a raiva que têm de suas próprias vidas mesquinhas, encarceradas pelo medo dos verdadeiros bandidos.
Eu corri. Corri como nunca havia corrido antes, e isso me daria um pódio em qualquer prova de velocidade, porque aquele pacotinho que eu levava escondido dentro da camisa tinha cem gramas de esperança de não dormir mais uma noite com fome.
Eu corria com fome. O que me mantinha a força das pernas para continuar fugindo? Acho que era o alimento desespero. E eu corria. Apenas corria. Um Forrest Gump suburbano e tupiniquim, mestiço, feio, de cabelo ruim e sem os profundos olhos azuis do original do cinema, que talvez tivessem sido suficientes para que ficassem abertas algumas das muitas portas que me foram batidas na cara toda a vida.
Ser preto pesa!
Sem olhar para trás, não me dei conta em que momento desistiram de mim. Eu já corria sem razão, acho que queria fugir de quem eu era. Sair do corpo. Minha alma queria ter o poder de ir mais longe do que minhas pernas me podiam levar.
Já não era a fome ou o medo que me fazia correr. Era a vontade de bater de frente com um muro ou com um caminhão e passar através dele. Era a vontade de sentir o vento no rosto, a chuva que caía, o chão sob os meus pés, porque já não sentia mais nada disso. Era agora um misto de ninguém e coisa alguma com movimentos automáticos de fuga, querendo ser mais veloz do que meu próprio pensamento.
Também não sei em qual momento estacionei e acordei daquele torpor. Que eu era ainda aquele mesmo preto e pobre de antes, e agora fugitivo. Por causa de um mísero pacote de biscoitos eu era um fugitivo.
Lembrei-me então da razão da minha fuga. Procurei o precioso embrulho dentro da camisa encharcada, mas doeu engolir. Comi cada pequeno biscoito daqueles como se representassem minhas muitas dores, as pessoas que me feriram, que me rejeitaram; a escola que não me deu conhecimento do que era realmente importante e necessário, e que só tentou me fazer decorar um monte de regras de gramática e uma matemática que jamais somaria a meu favor. Engoli, naqueles bolinhos que se dissolviam na língua, os nãos que recebi, os olhares de nojo que as pessoas me dirigiam na rua, quando na companhia de um tubo de cola eu delirava e esmolava. Mastiguei minha solidão, minha orfandade, minha vida inteira à margem da margem da margem...
Dizem que os criminosos sempre voltam ao local do crime. Isso é a mais pura verdade. No dia seguinte lá estava eu, espreitando a mesma padaria. Não para roubar de novo. Eu não era tão ingênuo de pensar que não me reconheceriam. Nem sei bem por que, mas fiquei ali, observando o movimento como quem confere que o mal praticado não foi tão grande a ponto de quebrar alguma rotina ou levar o outro à falência. Acho que era um consolo de não ter feito algo assim tão grave.
Fiquei lembrando o gosto da goma se derretendo na saliva, chegando ao estômago oco, garantindo que estaria vivo por mais algumas horas, até o próximo furto ou a próxima esmola...
Estava tão absorto em meus pensamentos, olhar fixo nas pessoas que entravam e saíam, que não vi que alguém se aproximava de mim. Alguém que, por certo, também lembrou que o criminoso geralmente volta ao local de seu erro.
– Você corre muito! – Disse ela.
Tive ímpetos de sair em disparada, mas havia um ímã no seu olhar, uma doçura tão grande na sua voz, que não consegui me mover. Vi-me, pela primeira vez na vida, num instante de vácuo de todos os medos que antes respirei.
– Eu te vi correndo ontem. Devia fazer disso uma profissão. Ganhar alguma coisa, sabe? Eu posso ajudar, se você quiser.
Titubeei. Achei que fosse uma armadilha para me jogarem outra vez numa daquelas instituições para menores delinqüentes.
Mas a suavidade daqueles olhos e o tom da sua voz me deram uma sensação de paz tamanha, que era como se, em meio a um afogamento, alguém me trouxesse à tona pra respirar, enfim.
Acompanhei aquela mulher, como se estivesse sob hipnose. Sem uma palavra, eu a segui, e ela me mostrou uma face humana que eu julgava não existir. Deu-me de comer, uma refeição quente, nutritiva. Abrigou-me sob seu teto, com lençóis limpos e uma cama macia. Eu nunca tinha dormido tão confortavelmente antes!
Na manhã seguinte, quando acordei, havia comida numa mesa, à minha espera.
Alimentado e limpo, ela me levou para conhecer um lugar especial, onde eu passaria, daquele dia em diante, a maior parte do meu tempo. Era uma pista de atletismo.
Cheio de uma vontade nova de vida, me entreguei àquela chance de ser gente. Agarrei a mão que se estendia para mim e me salvei do naufrágio pessoal em que me achava.
Dias e noites, sob sol e chuva, me dediquei. Suei, senti o corpo doer. Senti medo de não ser para aquela fada-madrinha o que ela esperava que eu fosse. Mas senti, no cansaço dos músculos doloridos, que minhas fugas tinham acabado. Eu podia ser alguém, mesmo sendo preto, mesmo sendo pobre e tendo nascido favelado, em meio às inumeráveis balas perdidas. Porque um anjo, um dia, resolveu me resgatar do inferno, fazendo uma sentida prece na qual pedia a misericórdia de uma nova chance para mim. E o deus-sociedade aceitou seu pedido, concedeu-me uma nova vida, com oportunidades que não desperdicei. Era uma estreita fresta por onde a luz passava e eu me esgueirei por ela, me espremi, conseguindo atravessar a grossa muralha que me separava daquilo que chamavam de dignidade humana.
Um dia, centenas de olhos me olhavam, enquanto eu esperava o espocar de uma pistola que me autorizaria a arrancada em busca da minha primeira vitória. Então, naquele momento, lembrei do pacotinho de bolo de goma dentro da minha camisa encharcada de chuva, naquela noite fria...
Um disparo, lá ia eu, passos tão largos e ensaiados, quase não tocava o chão! Vencia, metro a metro, o meu maior inimigo: o medo. Não o medo da polícia ou do segurança da padaria me perseguindo pelas ruas da cidade, nem da fome que tinha ficado no passado e que era capaz de me matar. Nem mesmo era o natural medo do amanhã que eu vencia ali, naqueles passos arduamente treinados. Eu vencia o medo de mim mesmo, do eu que deixei para trás um dia, pelo que estivera me tornando a cada noite fria sem ter o que comer, me entregando ao crime como única fonte de alimento.
Aquelas centenas de olhares me seguiam, agora não mais como outrora, desejando que eu tropeçasse, mas querendo me ver chegar antes dos demais competidores numa linha branca atravessada no final da pista.
E o grito, o abraço, os repórteres, flashes de câmeras fotográficas, tumulto à minha volta... A princípio não entendi muito bem a dimensão do meu feito heróico. Eu havia quebrado um recorde importante, era agora o melhor dentre todos os melhores, o mais veloz dentre todos os que existiam no mundo!
A minha fada-madrinha agora podia se orgulhar de mim.
Mas, nos jornais do dia seguinte, onde deveria haver uma notícia que dissesse "Ele trouxe o ouro da sua vitória para depositar aos pés do anjo que lhe salvou da indiferença humana", estava em letras garrafais: "Ele trouxe o ouro... para o Brasil".
Pois é... A pátria onde eu, preto, pobre e favelado nasci, que me discriminou, me humilhou, me pisou, me empurrou com seu olhar indiferente e enojado para as drogas e a marginalidade, agora abria para mim os braços de "mãe gentil", cheia de sorrisos. E me chamava de "filho amado", se orgulhava de mim.
Eu olho agora o espelho e não mais reconheço nos olhos refletidos qualquer semelhança com a pessoa – ou coisa – que eu era no passado.
Esse irônico revés me faz querer devolver a esses braços estendidos da pátria-mãe agora tão gentil o mesmo olhar enojado que tantas vezes vi em minha direção, quando estendia minhas magras e sujas mãos, mendigando pelas ruas. Fez-me sentir espoliado quando tomou para si o ouro que eu queria depositar tão somente aos pés do meu anjo-de-guarda, única representação do amor que conheci.
Agora, pátria-mãe, já não sou mais seu filho. Quando você finalmente me reconhece, eu venho lhe fazer lembrar aquela madrugada fria em que você me pariu num banco de praça, sob a chuva, e me abandonou com uma mamadeira de cola nas mãos e um manto de papelão a me cobrir.
Esse filho que agora está adornado com o ouro das muitas vitórias conquistadas, você não pôde abortar, mas jogou na lata de lixo, numa orfandade patrial, com fome de esperança. Não foi mãe, quando eu precisei de mãe. Não foi nada para mim, nunca. Não tem significado para minha vida, senão de coisas dolorosas e marcantes. Não quero lhe dar minhas vitórias, não me orgulho das suas cores, nem do seu nome, que infelizmente tenho que carregar por onde ando.
Mas aí vem um repórter que não sabe nada de mim, da minha vida, do meu passado, da fome, do medo, do abandono, e poeticamente afirma: "Ele trouxe o ouro para o Brasil".
Soa tão lindo, importante, grandioso. Mas... Ah, como me sinto espoliado...
EmmyLibra
Jun 3rd, 2007 - 10pm

Thursday, May 10, 2007

Destino

 

DESTINO (I)


A vida costuma empurrar a gente daqui para ali e dali para adiante... E a gente vai se permitindo ser levada, conduzida. Quando vê, o tempo passou, a velhice já nos enlaçou em seus longos e fortes braços, já sugou nossas energias, já nos deixou tão miseravelmente condicionados, que se nos fosse permitido um instante de soberania sobre nosso destino, já não mais saberíamos o que fazer, como aproveitá-lo.
Tenho medo dessa submissão, tenho vontade de quebrar regras, reinventar, recomeçar e tomar sob meu jugo as minhas realizações, mesmo que pareçam pequenas e insignificantes. Gosto de ter autonomia sobre minha vida, gosto de sonhar e de avançar sobre os inimigos desses sonhos como um guerrilheiro avança sobre as trincheiras opostas, devastando-as.
Temo, muitas vezes, por minha sanidade, mas temo muito mais findar a minha vida como co-autora dela... Não quero contar aos meus netos que estava sempre onde o vento soprava, onde o destino me arrastava. Quero ser artífice de minha felicidade e de minhas dores.
O que pode ser pior a um ser humano do que a submissão, o não ser dono de si, o não poder escolher? Nada pode doer mais do que deixar escapar por entre os dedos as rédeas do destino, o poder de decisão.
Eu afirmei uma vez e volto a dizer, que não há nada, em absoluto, que seja valioso o bastante para comprar a minha liberdade. NADA. Nada a substitui, nada me alimentará o espírito o suficiente para que eu não careça, não sinta fome de ser livre. Não há, neste mundo, coisa alguma que valha meu direito de decidir sobre minha vida, meu destino.
E me pergunto: o que estou fazendo de minha vida? Onde estão os sonhos que outrora eram motrizes de minh’alma? Cadê a doce sensação de estar viva? Por onde andei, que esqueci a felicidade à beira do caminho?
Quero “ter de volta todo o ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer de que era prova de amizade se alguém levasse embora até o que eu não tinha” (L. Urbana).
Quero de volta a minha vida.


EmmyLibra, Jun 6, 2006 - 9:20am.

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DESTINO (II)

Chega a ser curiosa a minha situação hoje: eu quero ir embora, estou me preparando para a partida, aí aparecem pessoas que “gostam” tanto de mim , que insistem para que eu não vá. Engraçado, pois são essas mesmas pessoas que se fazem invisíveis, quando olho à minha volta em busca de afeição, de carinho. São essas mesmas pessoas que, nas suas rotinas, não encontram tempo pra mim – nem eu para elas.
É tão contraditório esse tipo de amizade que se vive aqui, que eu custo a entender. Há momentos em que tento me aproximar dos meus “amigos”, eles se fazem arredios, cheios de reticências, de não-me-toques e formalidades... Aqui as pessoas não se abraçam nem se beijam, não trocam cartas nem palavras doces (isso é só dos amantes!). É uma tal amizade de “oi, tudo bem?, tchau!”, que não me entra n’alma!
Eu sou de um tempo-espaço diferente: vivi grande parte da minha vida (tempo) em Pernambuco (espaço), e lá as pessoas amigas me visitavam – e eu a elas. Saíamos para tomar sorvete, bater papo, ouvir música num barzinho, contar piadas, fazer pic-nic... Ninguém precisava ser namorado para fazer essas coisas, nem mesmo tinha necessariamente que ser solteiro. E se não éramos namorados, nem solteiros, isso nunca foi empecilho para que nos tocássemos com gentileza, dando um caloroso abraço ou beijando-nos com alegria e entusiasmo. Ninguém mal-via aqueles gestos, ninguém questionava nem criticava, porque lá é hábito que os amigos de verdade sejam carinhosos uns com os outros, sem que por isso as pessoas maldem qualquer intimidade maior.
Acho que, no fundo, é o que eu mais lamento por viver aqui: a falta desses relacionamentos que “desestressam” – como dizem nessa terra de costumes e linguagem tão diferentes. Essas pessoas com quem a gente pode rir e chorar com a mesma naturalidade. E, é bom lembrar, às vezes ter com quem rir é ainda mais difícil!
Ah... Tivesse eu os meus bons e velhos amigos de outrora, me cercando de carinho e aceitando também meus manifestos de ternura, não padeceria tanto essa solidão dorida e recalcada que ora me sufoca!
Existe mesmo algum tipo de mágica que se faça para resolver essa carência, além de tentar encontrar terras mais hospitaleiras do que esta? Creio que não... A menos que eu pudesse trazer aquele tempo-espaço de outrora para morar dentro de mim, em minha casa, em minha rua, em minha vida...
Mas aí talvez eu estivesse retirando do seu justo lugar na história da minha existência, o que me construiu. E perdesse de vez todas as minhas referências...


EmmyLibra - Jun 22, 2006 - 12:57pm



“Mas, como eu posso ser feliz num poleiro? Como eu posso ser feliz sem pular?
Como posso ser feliz num viveiro, se ninguém pode ser feliz sem voar?
[...] E já sem a corda no pescoço, sem as grades na janela e sem o peso das algemas na mão, eu encontrei a chave dessa cela, devorei o meu problema e engoli a solução.
Ah, se todo o mundo pudesse saber como é fácil viver fora dessa prisão e descobrisse que a tristeza tem fim e a felicidade pode ser simples como um aperto de mão!
Entendeu?

É esse o vírus que eu sugiro que você contraia.
Na procura pela cura da loucura, quem tiver cabeça dura vai morrer na praia."

(Gabriel, o Pensador)

Friday, May 04, 2007

Um dia acreditei em ilusões

Um dia pensei que valesse a pena
Acreditar nas pessoas que a vida me trouxe.
Acreditei que valiam a pena as palavras,
Mesmo os adeuses.
Os abraços trocados, os olhares cúmplices,
A seriedade, a confiança, o respeito oferecido...

Me enganei.

Não valem a pena as palavras,
Elas nem sempre falam de amor.
E quanto aos adeuses,
Esses nem sempre deixam saudade...

Não valem a pena os abraços,
A velha cumplicidade de outrora.
Isso tudo pode ser mero teatro!

Não existe o respeito, o compromisso.
Ficaram largados num canto do quarto escuro da vida,
Como ficam as roupas dos amantes apressados.

Aliás, nem mesmo os amantes valem mais a pena!
As juras, os beijos roubados, as flores, os sussurros,
Nada disso vale mais que uma folha de árvore
Que se desprende e cai, fadada a murchar.

Mas, quando nada mais vale a pena, o que a gente faz?
Se mata? Atravessa o caminho de Santiago?
Corta o cabelo, rói as unhas, pára de sonhar?
Ou espera um milagre, enfim, que nos alente
Ou ofereça um pouco de doçura
Para nossos atribulados dias?

Não sei. Se soubesse, não estaria aqui,
Escrevendo tanta inutilidade...

Vou dizer uma grandiosa verdade para o dia de hoje:
A vida é uma bosta!


EmmyLibra - May 4/2007 - 10am

Saudades

Eu não sou mais a mesma pessoa. Não tenho sido nem pessoa. Tenho apenas "funcionado". Não tenho escolhas, a vida me impõe absurdas regras que tenho q cumprir para não arrebentar.
Sou designer, sou mãe, sou dona-de-casa... Mas não sou pessoa. Não mais.
QUEM eu era está morrendo. Cada dia mais distante do QUE sou hoje.
Afinando o fio que nos liga - frágil fio que se alimenta de lembranças -, aquela pessoa do passado transforma-se, deixando de ser eu para ser uma completa estranha.
Aquela pessoa q conheci e atendia pelos meus nomes era alegre!  Gostava de arte, de olhar o mar à noite, conversar com amigos, dançar... Aquela pessoa que um dia existiu tinha tintas e pincéis, sabia desenhar a lápis e também escrever. Fazia poesias, crônicas... Bem diferente disso que me tornei hoje:  uma máquina automatizada, sem cores em torno de si nem em si, um projeto inacabado.
Executo tarefas, cumpro o dia-a-dia como um expediente contínuo. Trabalho a vida, não a vivo. Cumpro jornadas, não experimento o dia. Redijo, não escrevo.

Sinto saudades, o tempo todo...


[De todas as pessoas que faziam parte da minha vida no passado, a que mais sinto falta sou eu mesma. :( ]

EmmyLibra - Apr 25/2007 - 11am

Saturday, March 31, 2007

A vida da gente

A gente xinga
A gente grita
A gente ri
A gente chora

A gente dorme
A gente acorda
A gente tem pesadelo

Também tem sonhos
Tem liberdades
E tem prisões
E contratempos

A gente é feita
De corpo e mente
Mas é também
De força e dor

De coração
E de saudade
De solidão
E de maldade

De gozo, festa, instinto, fé
De tudo aquilo que nos iguala
E nos difere tanto,
Tanto...

A gente quer
Nem sempre pode
Nem sempre alcança

Nem todos os dias da vida
A gente se permite
Alguma felicidade

A gente sai
A gente chega
A gente vai embora

A gente sabe
Que um dia a ida
Pode virar volta

E vira-volta
A vida emborca
A morte encosta
E o desespero

Renasce o sol e o dia
Zombando da gente
Zombando...

Que a gente seja
Pra sempre seja
Pra sempre esteja
Pronta pra ser
Pronta pra estar
E sonhar
De novo e sempre

E dormir, e acordar
E suportar
Os pesadelos...



Emylibra - Mar 31, 2007 - 12:44pm

Thursday, March 22, 2007

Plantador de sonhos


Cresçam os sonhos de tu'alma

Espalhando esperanças nos corações à tua volta,

Como florescem os campos,

Espalhando verde sobre colinas e vales!


Sê plantador de sonhos – eternamente,

Porque poucos têm o privilégio

De carregar no coração

Certezas do que ainda não viu

E coragem para buscar o que os de alma pequena

Consideram longe

Ou impossível.


Corre sempre por sobre essa relva macia que plantas

Trabalhando e sonhando e trabalhando e sonhando...


O que teu coração constrói

E tuas mãos embalam

Será abençoado por Deus todos os dias

E fará do mundo o que costumamos chamar

De "um mundo melhor"!



Emmy Matias, mar 22, 2007 - 3 38pm


Para meu querido chefe, com especial gratidão
por tudo de bom que sempre me inspirou e inspira.
(Obrigada, meu querido amigo, por fazer parte do meu mundo!)


Friday, February 16, 2007

Mestres

Professores ensinam

teorias e fórmulas...

...Mestres ensinam a

amar o conhecimento!

EmmyLibra

Friday, January 26, 2007

Diamonds r 4ever!



I found a diamond
under my bed this morning!


(jan 23, 2007)


[To my lovely friend Hood, a very special diamond for me!]

Monday, January 22, 2007

“Eu esperava um oceano, e és um riacho de Amor” (*)

Ligo o rádio, me sentindo meio sonolenta pela aurora ainda recente, e essa frase, recitada por voz masculina, me vem aos ouvidos, como um convite à meditação: “Eu esperava um oceano, e és um riacho de Amor”
Não sei como se sentia o poeta quando compôs o texto — que seguia cantado ao som de um violão —, até porque não me detive em ouvir o que mais dizia a canção. O impacto da frase em mim foi decisivo: “Eu esperava um oceano, e és um riacho de Amor”
— Desilusão, decepção? Não. Talvez represente os anseios humanos, quando construímos nossas ilusões sentimentais e nos deixamos abrasar pelas paixões. Esperamos do outro, às vezes, um quê de grandeza, de divindade amorosa capaz de sufocar, de matar, se preciso, para provar a grandiosidade do sentimento. Deseja, numa torpe expectativa, ser amada a criatura por algo tão gigantesco quanto a Generosidade Criadora desse Universo sem fim.
Mas o que há de concreto no Amor? — Nada. Nada palpável ou sufocante: apenas gestos e pequenez, coroados de uma serenidade doce e fortificante; um alimento puro e fértil a gotejar, a escorrer por dentro, tão lenta e silenciosamente que aquece ao mais brando raio de sol da primavera; uma fonte inesgotável de vida que, se for devidamente protegida, converte-se em eterna bondade a nos aplacar a sede e nos saciar a fome.
Assim é o Amor: como um riacho sereno e eterno, alimentando as gerações, refrescando nossas carências, batizando-nos e purificando-nos, cobrindo nossa “multidão de erros” e acertos com seus longos e inesgotáveis veios.
Cabe-nos curvar nossas cabeças e deitar nossos joelhos ao solo, estender as mãos de modo receptivo e guardar nossa humildade em esperar não mais do que o frescor de suas preciosas gotas.
Mas somos, geralmente, tão covardes... Assistimos o escoar tranqüilo do Amor em nós, sem a atitude de lavar nossas almas em seu reconfortante leito! E atiramo-nos, impacientes, nos abismos profundos e escuros das paixões que nos afogam e desequilibram com suas ondas e marés, e que, por fim, sempre nos atiram em solitárias areias, sob o escaldante calor do sol, sem sequer nos dar de beber.
As paixões, assim como os oceanos, têm a beleza, a grandeza, a força, a profundidade e o sal - este complemento que envenena-nos e nos faz morrer de sede, quando tentamos beber de sua essência.
Tortuosos são os caminhos do riacho, mas é nas suas margens que os pássaros cantam à tardinha, na hora do sol se pôr.



Aug 13, 1999
7:34 a.m.


* Não tenho informações quanto à autoria da música mencionada. Se alguém souber, por favor, põe no comentário. Tão logo eu saiba, prometo, altero o post. ;) Obrigada e bjos a todos!


Thursday, January 18, 2007

"Fêmea, puro sêmen da paixão..." (F. Jr.)


...e Deus fez-me mulher. Com todas as qualidades e defeitos, Ele fez-me mulher. Com todas as qualidades e desejos, fez-me fêmea, e deu-me a impaciência e a força femininas e um coração cheio de lágrimas que justifiquem a expressão "sexo-frágil".
Deus fez-me mulher. Deu-me o equilíbrio e a eloquência tipicamente femininas, para serem donas de minhas idéias. Mas soldou ao meu coração um segundo coração, e também um terceiro e outros tantos, todos flamejantes de paixões e sofreguidão, para incendiar os caminhos que eu haveria de percorrer nesta jornada.
Fez-me dona e escrava de meus impulsos, criou-me para sonhar e para morrer; fez com que desenhasse meus pés no chão macio da razão, e que os torturasse sobre os espinhos de minhas inconsequências; que amasse e odiasse a mim mesma, nos meus momentos de lucidez, quando esses estavam precedidos por impulsos felizes. Porque toda mulher é louca, quando feliz; toda mulher é santa, quando chora; toda mulher é bêbeda, quando sonha. Toda mulher é imoral, quando ama.
Sou uma alma sem nome, sem sexo, sem aparência. Ganhei um corpo e este é feminino. Às vezes, correspondo aos meus impulsos; n'outras, corto minhas amarras com o punhal dos meus excessos. E esse mesmo punhal que me liberta fere minhas mãos, meu peito, minha vida. Leva meu coração primeiro a um abismo e lança-o numa queda livre sem fim; despedaça o segundo em mil partes ínfimas e causa dor aguda em meu ser; sufoca meu coração terceiro entre minhas lágrimas e dores, matando em mim um pouco do meu auto-amor; e aprisiona os demais, para ter garantia de meu retorno aos pés da inocência, rogando seu perdão.
É... Deus me fez mulher, dessa vez. E deu-me uma pequena migalha de sua sabedoria e uma grande porção das imoralidades e medos humanos. Fez-me carregar o privilégio da vida no ventre e o desespero da morte nos desejos. Cultivou em mim o belo e o feio e deu-me este corpo, fêmeo corpo, que recebe a luz para os seres que chegam através de mim e que semeia pesadelo às minhas noites quentes. Que me dá o prazer e a insatisfação, que me faz essência e resto de mundo. Me faz sensual e obscena e permite em mim o afago e a tortura num só abraço.
A indecisão e o medo me machucam e atrasam minhas conquistas. Os arroubos de minha natureza impaciente me fazem tropeçar na pressa das atitudes mal-ponderadas. Me delicio com as vitórias que alcanço e mais ainda com meus fracassos. Assisto minhas quedas com aplauso, porque me custa crer que o desejo e a felicidade estejam, em algum momento da vida, ao alcance de ambas as mãos de uma criatura que nasça fêmea. Seria perigoso demais! E o Criador do céu e da terra sabe disso.
Disse Deus: carrega audácia em seio. Mas Ele não disse o que fazer com o encanto que separa a fêmea do Paraíso. Deu-me a água como primeiro espelho e fez um homem morrer nela, por encontrar em si encantos fêmeos. Contou meus fios de cabelo e multiplicou por eles minhas cobiças e obstáculos.
Minhas dores me constróem, enquanto meus sorrisos me fazem desmoronar. Minhas virtudes me mostram o céu com todas as estrelas, enquanto os vícios que meu corpo desfruta fecham meus olhos aos portões do paraíso. Meus desencantos me ferem e me acordam. Minhas fraquezas me acalentam e destróem, lenta, suave e definitivamente.
Há momentos em que duvido que haja mesmo um anjo de guarda a velar meu sono!

March 1st, 2000

Thursday, January 11, 2007



Invisível

Hoje eu vi uma borboleta
Ela não me viu.
Eu não faço parte do seu mundo.



Invisível II

Hoje eu vi uma borboleta
Linda!
Suas asas abertas, ao sol de uma manhã bem clara
Como espelhos, uma da outra,
multicoloridas, simétricas, perfeitas!

Ela não me viu.
Não se deu conta de mim.
Me ignorou.

Definitiva e tristemente
Eu não faço parte do seu mundo.



Invisível III

Hoje eu vi uma borboleta
Linda!
Asas abertas, como a absorver do sol
Sua luz, sua energia,
para que o seu gracioso vôo
tenha força e brilho.

Pousou no meu dedo de estátua
Mas não me viu.
Mesmo sendo eu o seu esteio por instantes
Seu ponto de apoio, seu campo de pouso
Ela não me viu.
Voou, voou, pousou, voou de novo...
Eu não estava ali - não para ela!

A minha borboleta, linda, multicor
Não enxerga senão flores
E onde não há um jardim
Ela não vê mais nada,
Ignora, visita breve
Nem sei pra que pousou
No meu dedo estendido...
Não sou flor, não tenho um jardim dentro de mim
Não faço parte do seu mundo...



Invisível IV

Havia uma borboleta
Cores formas simetria perfeição vida.
Graça leveza silêncio - poesia que voa.

Eu não estava ali
Era espectro
fantasma
ilusão
Era parte do seu silêncio, apenas

Ela não me viu
Porque eu - invisível, imperceptível
Sem sua simetria, sua cor, sua leveza
Sem sua capacidade de voar
Sem sua beleza, sem poesia
imperfeita criatura
Não faço
Nem jamais poderia fazer
parte do seu mundo - vasto mundo...


EmmyLibra, Jan 05, 2007 - 1:30pm

Wednesday, January 10, 2007

Para Nonni

Só a ti, minha pomba, eu confesso os meus pecados. Só a ti e a mais ninguém nesse mundo de meu Deus.
Só a ti eu confesso minhas fraquezas, meus desejos mais profundos, minhas iras, minhas queixas, frustrações e bem-quereres.
Só a ti, minha musa inspiradora, eu entrego o meu coração. Só a ti e a mais ninguém nessa imensidão da terra.
Quando vejo no fundo dos teus olhos, pequena Nonni, a pureza e a doçura do teu amor se mostram sem túnicas, sem mistérios. Assim como os teus erros, teus anseios e pecados se revelam sem piedade, sem brandura: nus, como vieram a ti, como vêm do fundo dos teus mistérios de dor.
Estende-se por toda a eternidade o Amor. Durará enquanto durar o sonho, enquanto durar a noite, enquanto o instante durar. Ficará em mim enquanto o Universo for meu lar.
Só a ti, minha pomba, confessarei os meus pecados... E o Amor, certamente, será sempre o maior deles.

Data incerta - Entre 1999 - 2002


My brother John / Mon Frère John


This is my brother John.. He is the most bful n kind n sweet n lovely brother some1 could have in this world! And i have. What else could i expect from life?? God gave the best brother 2 me in a very special moment of my life.

Thanx, Lord, for John!
Alhamdlellah!

Image

God bless my brother John n also bless Julie n Junias n our maman n all bross n siss we have too.

I love u! ich liebe dich! yo ti voglio bene! te amo! wo ai ni! mo ni fe! te ubesk! kocham ciebie! inaru taka! ayor anosh'ni! Tave myliu! nakupenda! aishiteru! mi amas vin! obicham te! m'bi fe! bahebak! m'tchouan! Je t'aime, mon ange, mon frère!



Eu amo muito muito muito você, meu adorado irmão!

Bisou!!

Metade (*) (**) - I Carta de Emmy para Montenegro


“Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor...”

(Oswaldo Montenegro)


Mas, como? Como permanecer indiferentes e não nos deixar envolver pelo tom que a sua voz imprime ao texto? Como não fechar os olhos e “rezar” junto? Como não sentir um pouco de solidão, não ficarmos um pouco apaixonados também, um pouco donos de sua voz, quando recita? Como?

“Que o medo da solidão se afaste... Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio... Que a morte de tudo que acredito não me emudeça...”

É como se justificássemos, com nossas metades doces, todas as nossas pequenas e grandes faltas: de fé, de carinho, de coragem... Como se disséssemos para nós mesmos, junto com você, que ainda estamos “inundados de (bons) sentimentos” que justificam nossa existência restrita e enjaulada pelos medos que abrigamos ou pela pequenez de nossos horizontes.

“...porque metade de mim é abrigo, a outra metade é cansaço.” - E a lágrima aí se justifica. Como se disséssemos: “Dói, está sabendo? Dói viver. Dói amar. Dói sentir!”

Eu lamento muito, meu amigo, mas não pude cumprir com o que nos pede, quando diz que 'não escutemos suas palavras como prece, nem as repitamos com fervor', pois, a cada nova audição daquele poema, eu viajo entre minhas muitas metades. E acabo chorando um pouco por dentro, acabo por me permitir amá-lo um pouco, e abraçá-lo, e sentir seu cheiro, numa insistente construção de imagens e sentidos falsos que minha mente desenha pra suprir a lacuna do abraço verdadeiro.

Eu lamento mesmo!

Acho que hoje eu realmente gostaria desse abraço que construí, para poder dizer da pequenina gota de amor que você chorou em mim há tanto tempo, quando o ouvi pela primeira vez recitando 'Metade'... Sabe, naquele dia eu desliguei o rádio e saí correndo pelas ruas da cidade, para chegar exausta à emissora e implorar que me deixassem ouvir de novo, e de novo, e de novo... Nos dias seguintes eu me deliciava com as palavras ecoando em mim, como a tradução de tantos sentimentos, tantas sensações que eu não sabia como definir! Eu levava meu coração umedecido com aquela morna gota de amor que você derramou em mim, mesmo sem saber que o fazia...

Nunca meça o sentimento pelo mercado, meu amigo. Nunca! Eu lhe tenho um amor suave e sem preço, porque vez em quando você canta pra mim, e às vezes recita, e n'outras ri. E o seu riso é lindo! E me faz plena de uma felicidade indefinível... E a sua “outra metade”, quando se descortina, me faz crer que poderei, um dia, realmente abraçá-lo para levar comigo a lembrança do seu cheiro, no lugar das utopias de outrora.

Peço ao Pai que lhe abençoe. Que conserve em seu coração uma inesgotável fonte de amor, pois o amor não envelhece nunca!

Um carinhoso beijo.

Emmy Matias

Dec 20/1999

* Carta para Oswaldo Montenegro.. Pus em suas mãos no dia 16/09/2005, pouco antes do show que aconteceu na Praça dos Martírios, em Maceió. Inesquecível momento de minha vida. Como vc pode constatar, ficou pronto muitos anos antes, mas só tive oportunidade de entregar naquela noite. Que bom que tive... Grandes sonhos morrem conosco, em gavetas empoeiradas. Eu não quis que o mesmo acontecesse com esta carta.
Bem, tarde, porém eis a "I Carta de Emmy para Montenegro"!
** Título e citações extraídos do/em menção ao poema 'Metade', do LP Trilhas, de 1977, de Oswaldo Montenegro.

Para Montenegro - II Carta de Emmy para Montenegro

Dois segundos

Dois segundos. Apenas dois segundos... Que importa? Foram dois preciosos segundos que durarão uma eternidade! Foram instantes de contentamento e realização. Era um sonho e, de repente, ali estava eu, num misterioso ritual de felicidade: um abraço.

Mas não foi um abraço qualquer, desses que a gente dá em uma pessoa qualquer, com um sentimento qualquer por ela, num dia qualquer da semana. Foi um abraço ímpar, cheio de uma emoção morna e especial; um abraço curtido durante anos e desejado como uma bênção! Foi tocar em algo que antes parecia utópico, sagrado, e que, por dois segundos sem fim, esteve entre meus braços – e era real! Foi um abraço desses que a gente cobiça a vida inteira e parece que a vida finda sem a gente abraçar, mas eis que, num revés do destino, eu me vi ali, enlaçada a um bem-querer, a um desejo encantado, a um ser que carregava em si uma aura de magia... E foi num dia que eternizarei em mim: o dia em que a utopia se fez tangível!

Ah!, a felicidade! Quão cheirosa é a felicidade! Tem um aroma que minhas mais doces ilusões por anos tentaram supor, mas que, por mais embriagantes fossem essas idéias, elas estavam ainda muito distantes da sensação agradável que aspirei e que minha memória jamais confundirá!

Dois segundos. Apenas dois segundos... Que importa? Era a felicidade. É a felicidade! E toda uma existência se justificava ali, pela felicidade. Por dois segundos que fossem, desde que da mais pura felicidade. Daquele não-sei-quê encantado que um dia desejei, e para o qual me preparei tanto, que o que pareceria aos olhos de muitos – e mesmo aos seus – como uma insignificante e insuficiente gota d’água – apenas dois segundos de abraço e o aspirar daquele cheiro – foi o bastante para ser eterno e saciar a imensa sede que senti por tanto tempo.

Dois segundos. Apenas dois segundos... Que importa? Sou feliz. E a minha felicidade nasceu no meio de uma praça cheia de gente, luzes, um palco, repórteres... Mas nasceu anônima. Como o amor que sempre senti era anônimo, como continuarei sendo eu mesma uma pessoa a mais em meio à multidão que lhe ouvia pouco depois daquele encontro – e isso me basta, pode crer! Nasceu a minha felicidade, depois de tantos anos de gestação, tanta expectativa. Nasceu, depois de tantas vezes em que a considerei abortada, em que esqueci mesmo que nome lhe daria... Num parto sem dores, urgente, nasceu, enfim! Muda. Não havia verbo, embora tantos ensaios sobre o que lhe diria. Faltaram as palavras, sumiram todas... eram supérfluas ali.

Que importavam as palavras? Que importava a brevidade do instante? Que importava dar um nome a esse contentamento? Que importância tinham aquelas luzes, aquela multidão, se ali, naquela praça, no anonimato da multiplicidade dos olhares, eu era a pessoa mais feliz do mundo?

Nada mais importava. Nada mais importa.

Foram dois segundos? Puxa... nem vi o tempo passar! Pensei que tinha estado horas respirando aquele seu cheiro, tocando os fios da sua barba, sentindo sua presença viva e real entre as minhas mãos... Minhas pernas nem respondiam mais!

Creio não imagina quanto esperei por aqueles dois segundos de vida.

Era um sonho e, de repente, ali estava eu, num misterioso ritual, guardando em mim um momento novo, como prova de que nada há que se possa chamar de impossível.

Eu toquei as asas de um anjo. Eu toquei as asas de um anjo!

Obrigada. Nunca o esquecerei. Peço ao Pai por suas realizações, como ele lhe fez instrumento da minha.

Todo sentimento.

Emmy Matias


Carta escrita logo após o show em Maceió, em agradecimento pela realização de um antigo sonho. Nunca vou esquecer aquele dia, porque esperei muito por ele!