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Monday, February 23, 2015

Dia vazio

Mais um dia vazio

Na boca um gosto de nada;
No peito um rasgo profundo
Por onde a alma tenta escapar.

Uma hora dessas talvez ela saia
Ou morra de fome, de frio,
De solidão, mesmo.

Então, em seu lugar, 
Instalarei uma engrenagem qualquer
Que mantenha meus passos,
Meus atos,
Minha aparência humana.

Quem sabe até engane a mim mesma
E me faça crer que ainda haja vida em mim...

Emmylibra
Feb 23, 2015 - 6:46 p.m.

Friday, May 04, 2007

Um dia acreditei em ilusões

Um dia pensei que valesse a pena
Acreditar nas pessoas que a vida me trouxe.
Acreditei que valiam a pena as palavras,
Mesmo os adeuses.
Os abraços trocados, os olhares cúmplices,
A seriedade, a confiança, o respeito oferecido...

Me enganei.

Não valem a pena as palavras,
Elas nem sempre falam de amor.
E quanto aos adeuses,
Esses nem sempre deixam saudade...

Não valem a pena os abraços,
A velha cumplicidade de outrora.
Isso tudo pode ser mero teatro!

Não existe o respeito, o compromisso.
Ficaram largados num canto do quarto escuro da vida,
Como ficam as roupas dos amantes apressados.

Aliás, nem mesmo os amantes valem mais a pena!
As juras, os beijos roubados, as flores, os sussurros,
Nada disso vale mais que uma folha de árvore
Que se desprende e cai, fadada a murchar.

Mas, quando nada mais vale a pena, o que a gente faz?
Se mata? Atravessa o caminho de Santiago?
Corta o cabelo, rói as unhas, pára de sonhar?
Ou espera um milagre, enfim, que nos alente
Ou ofereça um pouco de doçura
Para nossos atribulados dias?

Não sei. Se soubesse, não estaria aqui,
Escrevendo tanta inutilidade...

Vou dizer uma grandiosa verdade para o dia de hoje:
A vida é uma bosta!


EmmyLibra - May 4/2007 - 10am

Saudades

Eu não sou mais a mesma pessoa. Não tenho sido nem pessoa. Tenho apenas "funcionado". Não tenho escolhas, a vida me impõe absurdas regras que tenho q cumprir para não arrebentar.
Sou designer, sou mãe, sou dona-de-casa... Mas não sou pessoa. Não mais.
QUEM eu era está morrendo. Cada dia mais distante do QUE sou hoje.
Afinando o fio que nos liga - frágil fio que se alimenta de lembranças -, aquela pessoa do passado transforma-se, deixando de ser eu para ser uma completa estranha.
Aquela pessoa q conheci e atendia pelos meus nomes era alegre!  Gostava de arte, de olhar o mar à noite, conversar com amigos, dançar... Aquela pessoa que um dia existiu tinha tintas e pincéis, sabia desenhar a lápis e também escrever. Fazia poesias, crônicas... Bem diferente disso que me tornei hoje:  uma máquina automatizada, sem cores em torno de si nem em si, um projeto inacabado.
Executo tarefas, cumpro o dia-a-dia como um expediente contínuo. Trabalho a vida, não a vivo. Cumpro jornadas, não experimento o dia. Redijo, não escrevo.

Sinto saudades, o tempo todo...


[De todas as pessoas que faziam parte da minha vida no passado, a que mais sinto falta sou eu mesma. :( ]

EmmyLibra - Apr 25/2007 - 11am