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Sunday, June 10, 2018

O Apaixonar-se

Um dia, o olho de te ver 
Passa a te ver diferente:
Novas cores e formas
Outrora invisíveis.

Um dia, a mão de te tocar
Passa a um tato diferente:
Calor de pele, relevo
Outrora intangíveis.

Um dia, o teu corpo inteiro 
Parece novo e perfeito
Sob medida para um abraço
Em que até a minha alma
Pode adormecer.

E, então, te re-conheço.
Te conheço de novo,
Novo, absurdamente novo.

Percebo-te em mim agora
Com um outro sentido 
Que escapa aos cinco naturais.
Te absorvo por ele, enfim,
Nessas tão minhas e novas
Dimensões do teu ser.

EmmyLibra
Jun 10, 2018
9:43 p.m.

Wednesday, June 21, 2017

Por um fio...

Quando a alma já não habita mais o corpo
E o sonho já não habita mais o coração,
A vida pende num fio muito fino 
(frágil teia de uma aranha minúscula!),
Suspenso entre o infinito 
E o abismo profundo
Das angústias e da dor.

Qualquer brisa, por mais leve que seja
Pode romper esse fio e pôr termo à existência,
Que já nem mesmo vale a pena,
Desde que o corpo vaga sem alma
E o coração quase se esquece de bater, 
Completamente esvaziado de esperança.


EmmyLibra
Jun 21st, 2017 - 9:24 a.m.

Tuesday, June 16, 2015

Colibri

A felicidade visitou-me
Feito um colibri

Beijou-me à testa
– Gentilmente
Abraçou-me com suas asas
– Demoradamente
Depois se foi
– Celeremente

Deixou de si em mim
Uma lembrança morna,
Um cheiro de penas
E uma saudade dorida.
Nada mais.

Foi-se embora como veio:
Na pressa das horas do ocaso
Que desembocam em noite
Sem pausas para sonhar

Agora, vivo a cultivar lírios,
Esperando que um dia volte,
Quer seja na pressa
De qualquer hora de ocaso
Quando a noite urge chegar,
Quer seja na pressa da aurora,
Quando as estrelas adormecem
E os sonhos transformam-se em dia.

Espero a tua  visita, mesmo breve,
Lesta felicidade-pássaro!
Espero o farfalhar de tuas penas
E o lépido beijo em minha fronte.

Dá-me de ti teu cheiro de ave
E faz no meu jardim, de lírios,
Um pequeno instante de pouso,
Uma pequena pausa – em mim
Para que eu possa sonhar.

EmmyLibra
Jun 16, 2015 7:30pm


Monday, February 23, 2015

Dia vazio

Mais um dia vazio

Na boca um gosto de nada;
No peito um rasgo profundo
Por onde a alma tenta escapar.

Uma hora dessas talvez ela saia
Ou morra de fome, de frio,
De solidão, mesmo.

Então, em seu lugar, 
Instalarei uma engrenagem qualquer
Que mantenha meus passos,
Meus atos,
Minha aparência humana.

Quem sabe até engane a mim mesma
E me faça crer que ainda haja vida em mim...

Emmylibra
Feb 23, 2015 - 6:46 p.m.

Wednesday, January 28, 2015

Ausência


Um dia
A vida esvazia-se de sentido,
De tal modo doloroso e definitivo,
Que não há mais desejo.
Nem mesmo de morte, nem de existir.
Só um buraco onde antes houvera alma,
Onde antes houvera sonho,
Onde antes houvera o próprio ser...

Ele mesmo, o ser, vira uma lacuna
No espaço, no tempo de existir.
Uma insignificância, um passado.
Torna-se o passado de si mesmo,
O que já não é,
Nem poderá mais ser.

Não é mais que a ausência de si mesmo...


EmmyLibra
Jan 28, 2015 – 7:39 p.m.


Tuesday, August 26, 2014

Carpe Diem!



Eu sou um ser humano.  Como qualquer outro que habita sobre a face da Terra, como qualquer outro que se reconheça na mesma categoria de seres vivos.

Eu como, bebo, solto pum, arroto, faço xixi e cocô como qualquer mortal que possua um aparelho digestório e um sistema excretor. Às vezes eu ronco quando durmo e quase sempre espirro quando estou gripada. Como qualquer pessoa. 


Quando tenho pesadelos, acordo chorando. Quando tenho sonhos bons, acordo sorrindo.

Eu me sinto cansada, às vezes. Exausta, mesmo. E não é só da exaustão física, mas também da mental, da emocional, da sentimental.

Eu sinto dores – graças a Deus! – e elas são meu alerta-vermelho de que há algo errado acontecendo comigo. Mas é, também, meu alerta verde de que estou viva.

Eu tenho sonhos, faço planos, elaboro ideias – tantas, que muitas vezes nem cabem mais na minha cabeça, tão grandes e numerosas se tornam!

Eu amo. Profundamente.

Amo muitas pessoas e fatos, pensamentos e sons, sendo que, do amor, eu não me sinto repleta nunca!

Há no amor uma matemática muito louca, na qual quanto mais amor ocupando meu coração, mais amor cabe dentro dele. Uma dilatação dos espaços, uma multiplicação de mim mesma.

Mas eu também sofro. E me ressinto de ausências. Também permito ao meu corpo sentir o vazio e a solidão dessas ausências que se refletem em êxtases irrealizados, incompletos, insaciados...

As presenças que a vida me oferta são sorvidas com força para dentro de mim, sem hesitações.  Porque, uma vez que já sentimos fome de um afeto ou de uma sensação, uma vez que já experimentamos as ausências, nos acostumamos a ter pressa de viver e de sentir.

O ontem nos rouba celeremete os recursos da juventude; o amanhã é tão incerto quanto um passo na escuridão de um pântano.  Resta-nos o agora.

É no dia de hoje, no momento presente, neste exato instante em que a vida flui em mim, que quero estar viva e experimentar cada gole de emoção que esta existência me entrega em seu cálice dourado.

Carpe Diem!

EmmyLibra

Aug 25, 2014 - 8:22 a.m.


Saturday, March 15, 2014

Efêmero

Sob estrelas lânguidas
De brilho pálido
Amores frívolos
Se anunciam

Olhares ávidos
E passos trôpegos
Suspiros sôfregos
– Uma euforia!

Um vento tépido
Sussurros lúbricos
Palavras mágicas
Um despertar

O rosto cálido
As mãos tão gélidas!
Desejos súbitos
De se entregar

Contatos físicos
– Bem mais que físicos!
O corpo em êxtase
Quase um torpor!

O peito em música
A boca úmida
Momento único
A vida em flor

Mas, já por último,
O dia próximo
Fala de um tétrico
Alvorecer

O que era próspero
Se mostra efêmero
Se vai tão rápido
Que faz doer...

O ar hiálico
O sol a píncaro
Alma em desânimo
Preenche o ser       

E o que era lírico
Se torna lúgubre
Se esvai em célere
Entardecer

EmmyLibra
Mar 14, 2014 – 11:09 a. m.