Wednesday, September 29, 2010

Lifetime

Gostaria de saber quando vou morrer.  Assim poderia decidir com mais convicção se devo gastar mais ou menos tempo escovando os dentes.

EmmyLibra
Sep 29, 2010

Monday, September 06, 2010

Ponto de Equilíbrio

Para tudo na vida há uma necessidade, uma aplicação prática e positiva.  Até os venenos mais tóxicos têm seu uso farmacêutico, fazendo parte de medicamentos importantes e salvando vidas.
Assim também os sentimentos – mesmo os que nos parecem torpes à primeira análise – devem ser provados e vivenciados por nós, em doses que variam, de acordo com seus efeitos. 
Da mesma forma, aqueles que nos parecem muito positivos, como o amor, devem vir em doses homeopáticas, para que não se percam seus benefícios.
Excesso de ódio nos faz perigosos; sua falta nos faz patéticos e indiferentes à distância entre o bem e o mal.
Excesso de tolerância causa no outro a sensação de que tudo pode, e faz progredir o mal nele;  sua falta faz guerras e antipatias.
Excesso de zelo gera obsessivos; sua falta gera incompetência e desleixo.
Excesso de prudência nos leva a estagnar; sua falta nos conduz aos abismos.
Excesso de amor por si mesmo gera egoísmo;  a sua falta gera suicidas.
Excesso de amor ao outros lhes subtrai a necessidade de sofrer para compreender a essência da vida;  a falta desse sentimento gera todos os outros vícios morais de que se tem conhecimento.
Absolutamente tudo nesta vida pode e deve ser provado, guardadas as proporções seguras e os momentos propícios.
Assim como os vinhos, também os sentimentos devem ser usados com moderação.
Nada é pecado, de fato...  Só o uso desmedido ou indevido das coisas.

EmmyLibra
Mar 28, 2008

Propriedade


As coisas não nos pertencem
As pessoas não nos pertencem
Nada que a morte pode nos fazer abandonar
É nosso de fato

A nós, a propriedade
Das incertezas da vida, apenas,
Com seus obscuros momentos seguintes.


EmmyLibra
Mar 28, 2008

Sunday, September 05, 2010

Alternando-se

Corre pouco sangue em minhas veias, agora. 
Sinto que a vida não percorre todo o meu corpo em todos os momentos.  Está em meu coração quando amo e em minha garganta quando choro e sinto doer; repousa em meus olhos durante o sono, converte-se em sonhos nas noites frias e em pesadelos nas madrugadas quentes; desce pelos meus cabelos sempre que a brisa os toca e estampa-se em minha face quando chove e ergo a cabeça, braços abertos e mãos espalmadas a receber as bênçãos que caem com os pingos d’água.
Agora, a vida concentra-se em minhas mãos, donde sai, vez ou outra, para visitar meu ventre em busca de sua essência original.  Mas nunca me preenche, nunca me toma por inteiro.  Raciona-se, escolhe uma moradia a cada novo movimento que faço, a cada novo pensamento que produzo, alternando-se, migrando, deixando-se ficar apenas o preciso instante em que cada parte de mim carece dela imprescindivelmente.
Já me acostumei com isso.  Respiro pela metade, vivo em partes, construindo a imagem do todo com os fragmentos de lembranças deixadas pela sensação boa do calor que dessas pequenas porções é exalado.
Não imploro, não reclamo, não me entristece o fato de não ter a totalidade da vida em meu ser, como é forçoso pensar, pelo absurdo desenho que se forma em minha mente, quando a busco e imagino-me mapa estendido sobre uma mesa.
Eu apenas deixo-me ficar imóvel por alguns instantes, para poder sentir quando ela vai acontecer em meu peito, porque gosto de ouvir os sutis diálogos que acontecem entre o amor que a vida transporta em si e todos os amores que carrego em meu coração.




EmmyLibra
Jun 27, 2004 – 3:40pm

Inconfessáveis

Tenho desejos inconfessáveis.  Desejos que nascem em meu ventre, como filhos dessa minha insensatez.  São desejos de pecados, sonhos de morte, vôos no abismo escuro do desconhecido, amores que cultivo na garganta, para que não maculem meu coração.
Quero sair, caminhar, respirar. Mas é pecado, é desejo de morte, é sonhar com abismos, quando ainda não tenho asas!
Preciso ir ao encontro do mar e me afogar em suas águas.  Mas minha alma pode não encontrar canoa e pensar que também morreu, então morrer de verdade.
Sinto fome. Quero saciar meu coração, mas há veneno no alimento que eu cobiço.
Olho ao meu redor e tudo o que meus olhos distinguem se parece com o infinito.  Não há, ao alcance da minha visão, coisa alguma que tenha a silhueta dos meus anseios.  Nada tem a cor ou o som, o cheiro ou o gosto do que os meus sentidos esperam captar.
E meus lábios tremem, sedentos de uma seiva rara, que é a cura para os males do corpo, enquanto capaz de sufocar a alma dos que lhe bebem.
A distância que me separa do objeto de minhas paixões é como um caminho de pedrinhas soltas, sobre o qual meus pés descalços sangram, deixando pedaços da minha vida espalhados pelo chão.
Não alcanço – por mais que estenda os braços e as mãos e os dedos – o céu que desenhei pra mim.
Vivo momentos de espera, construindo, dia após dia, paciência que baste para suportar a verdade:  estou amarrada pelos tornozelos a conceitos e leis que jamais criaria, por serem caminhos sem volta  para a infelicidade, como é sem volta o caminho que percorre o tempo sobre nós.
Faz-se apressado o meu coração.  Tem urgência de vida, como tem urgência a mulher que está em trabalho de parto.
E o tempo, único tormento de min h’alma, não para de escoar por entre meus dedos...

EmmyLibra

Jun 27, 2004 – 5:17pm


Saturday, August 28, 2010

...

Mais uma vez eu me questiono sobre minha própria identidade.
Quem sou eu?
E mais respostas somam-se às anteriores, que já são muitas.
Vejo-me agora como fruto de um aprendizado:  aprendi a ser quem sou hoje.  Cresço a cada nova característica que se soma ou se modifica.  Absorvo.  Todo o tempo absorvo e me renovo, construindo a pessoa que vejo no espelho. 
Ora o que há no exterior me agrada, ora não; ora o que vejo no interior me agrada, ora não; ora o que há por dentro é bem diferente do que há por fora, e é justamente aí que a confusão se pode fazer na mente dos que tentam formar um perfil, chegar a alguma conclusão sobre quem – ou o que – eu sou, afinal.
Ainda penso que, para melhor me conhecer, seria sempre necessário ler o que escrevo, nunca observar minha face nem meus atos, menos ainda minhas palavras e gestos.

– Sou atriz?
Tantas vezes, que me assusta a relação estreita que tenho mantido com minhas muitas personagens!


EmmyLibra
March 3rd, 2010

Thursday, June 03, 2010

Autoestima

O que você tem feito por si mesmo?  Quando se olha no espelho, o que ele reflete?  Espelhos precisam ser mais do que reflexos da nossa aparência. Precisam nos mostrar quem somos.

Quem é você?  Será mesmo que você se conhece o suficiente?  Quais são os seus sonhos, seus desejos, suas metas?  Você tem metas, não tem?  Se não tem, está na hora de ter.  E de cumpri-las, sobretudo.

Costumamos lamentar que a vida é breve, que não há tempo suficiente para OBTERMOS tudo o que  esperamos dela.  Mas esquecemo-nos que esse tempo é mais do que o bastante – mesmo que tenhamos uma vida relativamente breve – para SERMOS o que A VIDA espera de nós.

É a isso que chamam de Filosofia? Então acabamos de nos tornar filósofos, eu e você que agora perde – ou ganha?! – alguns minutos, lendo minhas palavras...

Talvez tenhamos que parar, de vez em quando, para pensar no que poderíamos SER para nós mesmos, caso deixássemos de contemplar nossa imagem externa no espelho para perscrutar nossa própria alma.  Se ao invés de enxergarmos quem “fingimos ser” quando alteramos nossa aparência física, nós realmente buscássemos conhecer a pessoa que habita nosso íntimo, saber os mistérios que se entranham em nossa mente quando despertarmos, todas as manhãs, e que vêm à tona em nossos sonhos e pesadelos noturnos.  Seria bom se todos, ao menos uma vez na vida, ficássemos cara a cara com a pessoa real que está por trás do “seguidor de estereótipos” a que nos acostumamos ser.

A roupa que você veste está na moda? Seus sapatos, seu cabelo? Que músicas você ouve? O que elas lhe dizem? Do que falam as pessoas com quem você se relaciona? Que assuntos circulam quando você as encontra? Que comida, que bebida você consome? Do que é feita a sua vida, afinal?

Engolimos o que a novela nos mostra ou o que realmente satisfaz nosso paladar? “Somos” de dentro para fora em algum momento? Deixamos alguma marca da nossa passagem pela vida, ou simplesmente nos modelamos o tempo todo para agradar aos outros, nos vestindo do que vemos na tv e “sendo” de fora para dentro, como um reles reflexo do ambiente em que vivemos?

Se aparência física fosse primordial, pessoas famosas não viveriam na solidão, não chorariam os dardos da preconceituosa sociedade, não precisariam morrer para terem o reconhecimento dos seus reais valores positivos.

Pense.  Repense.  Reflita. Amadureça. Sonhe. Cresça. Sinta. Persiga. Apaixone-se.  Apaixone-se por você mesmo!

E estude.  Estude muito, pois o conhecimento não morre junto com você.  É semente que seguirá a sua alma onde quer que você vá, mesmo depois da morte.  E é semente para as futuras gerações, também, mesmo que apenas pelo exemplo.

Você precisa ser seu maior ideal, sua busca constante, seu maior encantamento e a pessoa por quem você daria – e dá – a sua vida, todos os dias!

Mostre-se ao mundo!  Vista-se das cores que a sua alma tem, e torne-se alguém um pouco mais parecido com o que há dentro do seu coração.  Pare de consultar as revistas de fofoca para ver o que se usa na tv e escolher com que roupa você vai sair! Pare de consultar o seu horóscopo para decidir que atitudes tomar!  Todas as certezas já estão dentro de você, e sua consciência é o que deve lhe guiar nas suas escolhas.  Seu horóscopo não iria preso se você cometesse um crime, nem iria ao Paraíso se você se resguardasse dos pecados. Então, faça o seu melhor, não porque ouviu um apresentador de tv narrar uma mensagem bonita ou dar bons conselhos.  Simplesmente faça o seu melhor, porque VOCÊ sabe que isso é o que tem a ser feito. Estabeleça para si a rotina de tentar ser mais e melhor do que você foi ontem. Fazer o que é correto e pensar positivo é uma questão de escolha.

Aquele lixinho jogado no chão é problema seu, sim!  Você pode fazer a diferença, não apenas evitando jogá-lo, mas também recolhendo-o, quando estiver ao seu alcance fazer isso.
Auxilie.  Faça aos outros tudo aquilo que esperaria que fosse feito, caso você estivesse em necessidade.  E não meça esforços!  Como você se sentiria se, na necessidade, alguém contasse distâncias e merecimentos seus, antes de decidir se lhe socorreria ou lhe deixaria à beira do caminho, suplicando?

E lembre-se de ser sempre gentil.  Sorria ao cumprimentar alguém e também quando conversar ao telefone. Quem fala com você não terá dúvidas de que você está sendo atencioso e cortês.  E você sabe: gentileza gera gentileza; bondade gera bondade; riqueza interior gera riqueza interior. 

Não espere dos outros mais do que você mesmo tem sido. Você não receberá da vida mais do que merece.  Nem um centavo a mais, pode crer!

Seja um ser humano inteiro, completo, perfeito.  Você não é feito dos pedaços de atores, atrizes e comediantes da tv.  Você não é feito das idéias alheias. Você é capaz de lidar com sua própria imagem interior e de assumir uma postura positiva e verdadeira diante da vida.  Você tem, no fundo da sua alma, a felicidade.  Busque-a lá, nas profundezas do seu ser, e não nas coisas que lhe cercam, pois elas são efêmeras, materiais, frágeis.  Se a felicidade vem de fora, não durará para sempre. Quebrará, quando o que é material quebrar; será roubada, quando o que é material for roubado; apodrecerá, quando o que é material estiver morto; se perderá nas curvas do caminho, quando as pessoas outras a quem você confiar sua alma tiverem partido.

Então, invista no que realmente importa:  invista nos bons sentimentos, na bondade, nas certezas da sua alma.  Invista em você.

Seja você.  Ame-se.

“Você é filho do Universo, irmão das estrelas e árvores. Você merece estar aqui. E mesmo que você não possa perceber, a Terra e o Universo vão cumprindo seu destino...”¹  – Isso é a vida!

Agora me diz:  no que você acredita? ............................... :)


¹ Trecho: Desiderata – Max Ehrmannn.

                                                                                              Emmy Libra
                                                                                              Aug 5, 2009 – 6:12am 

Novo ângulo

Deus me criou vazia dessa ingenuidade doentia, que é capaz de estacionar uma pessoa por séculos dentro de uma poça d’água de chuva.  Fez-me, no entanto, plena de certezas.  Certezas que me preencherão pela vida inteira e ainda um tanto mais de tempo, enquanto eu existir na escuridão da morte.

Sinto sofreguidão ao pensar no que ainda não experimentei.  Vontades, anseios...

Falta-me a falta de ar dos muitos êxtases que ainda não incendiaram meus poros.

Deus fez-me assim, alma meio indecifrável. Fez-me louca, extrema. Deu-me sabedorias que me fortalecem e também incertezas muitas, para que não me faltem impulsos, não me faltem os sonhos.

Quem sou eu?

Às vezes sou mulher; faço-me homem, quando me convém; visto-me bicho, ora selvagem, ora dócil, ora noturno, soturno, oculto.  Talvez eu seja muitas faces; talvez apenas uma, que se traveste e se pinta para iludir.  Talvez não seja mesmo nada mais que uma ilusão – até para mim mesma!

Se iludo ou me iludo, pouco importa.  Aprendi um amor sublime:  aquele em que amo minhas imperfeições tanto quanto minhas poucas virtudes.

Amo-me quando choro, amo-me quando rio, amo-me quando peco.

Minhas muitas faces, mesmo as mais feias, me parecem muito lindas, agora, vistas por este novo ângulo.  Mesmo quando peco.

- O pecado também é uma ilusão humana!

EmmyLibra
March 3rd, 2010 – 7:57a.m.

Saturday, April 10, 2010

Inutilidades




Gosto de sentir o seu cheiro, seu gosto,
Gosto das coisas vulgares que fala ao meu ouvido enquanto me ama
E das coisas inúteis que fala depois,
Quando as primeiras já cumpriram seu papel.

Gosto do seu jeito grave e sério ao falar da vida
E do jeito moleque e desleixado quando a vive.

Gosto do beijo roubado, me jogando contra as portas
Das lojas já fechadas, e da escuridão da noite
A ocultar o que o barulho escandaloso já denunciou.

Gosto do beijo morno e suave quando se vai
E do beijo desesperado e urgente quando volta.

Da sua pressa em me contar seus sonhos
E da sua calma em escutar meus pesadelos.

Do tempo que me dá de presente, quando me escuta
E das palavras com que me aquece, quando fala.

Gosto da liberdade que tenho
E de perdê-la, quando me sinto propriedade da sua alma.

Gosto do amor que sinto, porque me faz viva, me alimenta,
Me dá certezas de que não existo em vão.

Fui feita para todas essas coisas de que o amor se compõe:
Desejo, tolerância, dor...
E respiro o mistério das inabaláveis certezas
Que o seu coração grita, mesmo quando seus lábios mentem.

Sinto-me plena de amor - não do meu próprio amor por você,
Mas do amor que você sente, desde quando ainda não sabia
O que era amar.

Sinto-me plena de amor.

Mas, ainda vivendo do lirismo de saber-me amada,
Adoro seu cheiro e as palavras depravadas
Quando seu corpo está dentro do meu e seu coração grita
O que a sua boca um dia mentiu aos meus ouvidos
Dentre as muitas coisas inúteis que já me disse,
Depois que as primeiras palavras cumpriram o seu papel.

Gosto da sua verdade, medrosa de si mesma.

Mentiras são inutilidades. Um dia, o coração as desmente.


EmmyLibra
april 13, 2009


Thursday, February 11, 2010

Olhar de Entrelinhas

-->
Subitamente me deparo
Com teu olhar de entrelinhas
Dizendo, em sussurros inaudíveis,
Palavras cujo sentido desconheço.

Pergunto-me quem és tu,
Até onde caminhas para ti mesmo,
E quando começam os teus passos de herói.
Pergunto-me quanto cuidas de regar teus sonhos
– Ou mesmo se os tens.

Vejo teu olhar de entrelinhas, muitas vezes,
E as letrinhas miúdas que nele há
Não se permitem ser lidas,
Decifradas...

São comentários surdos sobre coisas
Que minha imaginação argumenta
Enquanto se tenta proteger.

Olhar de entrelinhas, escondido,
Entre as pautas de alguma canção
Que não consigo ouvir (no rush da minha vida)

Quem és tu?
O que ocultas em tua fronte?
Como se aprende, me diz, como se aprende
A fazer reticências com os olhos
Para que uma aura de mistério e sombras
Nos possam proteger?

Como se aprende, me diz, como se aprende
A intercalar palavras e silêncios tão harmoniosamente
Para que se guardem os muitos segredos duma alma inquieta
Na inabalável fortaleza de um olhar
Feito de letrinhas miúdas?

Deixa-me ler nas entrelinhas...

EmmyLibra
Feb 8, 2010 – 8:45 a.m.

Thursday, August 13, 2009

Seja um doador

Ter a oportunidade de salvar uma vida e não fazê-lo é desperdiçar a própria existência. É não merecê-la.
Doe órgãos. Doe sangue. Doe medula óssea. Doe uma palavra amiga. Doe um minuto do seu tempo para ouvir. Doe-se!
Merecer a vida custa pouco: apenas os recursos do nosso corpo e da nossa alma.
Está ao alcance de qualquer um de nós pagar esse preço.

سلام


EmmyLibra
aug 13, 2009 - 10.01pm

Thursday, June 25, 2009

Bob A7med

Para quem ainda não o conhece, eis o gostosão,
o felpudo, bigodudo, popozudo, orelhudo, peludo:
Bob A7777777777med!!



Em breve ele terá seu próprio blog.
Meowww!
EmmyLibra, jun 25, 2009

Friday, June 19, 2009

“Quando se está no olho do furacão,
o melhor a fazer é abrir os braços
e sair voando!”

EmmyLibra
Mar 27, 2009. 11:35am

Poema-quadro

Fiz um poema para Maria
Combinando os versos
Com o tom da sua pele
– Ébana pele
E com o marfim dos seus dentes
E com a cor dos seus cabelos,
– Cacheados cabelos,
Rebeldes
Como a própria Maria!

Esqueci das rimas,
Combinei palavras
Com o estampado de suas saias
– Rodadas saias, de fartos panos
Panos de cobrir o quase-nada
De suas pernas finas.

O ébano somou-se ao marfim
E às flores muitas da chita que vestia.
– Deu um poema multicor!

Fiz um poema para Maria
Cheio de cores, o poema
Como se nem poema fosse,
Mas um quadro
– Extravagante pintura de um jardim bonito
Plantado e salpicado e regado
Com as gotas do amor deslumbrado
De um poeta-pintor.


EmmyLibra
May 2nd, 2009 – 12:28pm

Monday, May 04, 2009

Apenas um poeta

Não é um RG.
Nem um CPF.
Nem um pai com seus filhos,
Nem um marido com sua mulher,
Nem mesmo o que vai ao banheiro
Ou o que paga as contas no fim do mês.

É apenas um poeta. Nada mais.

Porque poetas não são pessoas.
Estão acima disso!
Acima das verdades óbvias,
Dos pecados, das ilusões...

Ilusões podem ser verdades,
Pecados perdoados por amar
"Porque ela muito amou..."
– Por que ele é poeta?
Sim, porque ele é poeta!
Ele muito amou, também.
Poetas amam até quando odeiam!

O poeta não morre, não dorme,
Não obedece tempo-espaço.
Ele é como um cheiro,
Uma cor, uma sensação:
Existe, está ali, nos dá sentido,
Nos orienta, nos preenche,
Dá-nos de comer e de beber
Com palavras,
Sons,
Idéias,
Sentimentos,
Perdas,
Ganhos
E todas as muitas formas de sonhar os sonhos alheios
Nos seus.

– Quando o poeta sonha, ele vive
E nos mantém vivos com seu sangue cor de ouro!

Acima das convenientes palavras, está o poeta.
A alma gritando, o coração chorando, mesmo quando ri.

Acima das convenientes palavras está o poeta...
E a sua vida permanecerá, como um eco
Pela eternidade.

EmmyLibra
May 4, 2009 – 10:15am

Friday, May 01, 2009

Mailling

Quando nos falta coragem para publicar as cartas de amor ao ser amado, elas viram folhas mortas guardadas nas gavetas da alma.
E uma alma com gavetas entulhadas de folhas mortas é uma alma de outono.
E uma alma de outono é uma alma fria e cinza.
E uma alma fria e cinza está morta. Deixa de ser alma. Não merece a eternidade!
Confissões – O amor nasceu, não para ser apenas sussurrado, mas para que o gritemos todos os dias, sem pudores!
Cartas de amor... Anjos carteiros as levem, garantindo-nos merecer a vida eterna!


EmmyLibra, may 1st, 2009 - 3:43pm

Wednesday, April 08, 2009

“Paz na Terra aos homens de boa-vontade” (Bíblico)


Como falar da paz sem lembrar do triste fato de que ela anda tão escassa hoje em dia?
Como não lamentar pelas tantas vítimas dessa escassez?
Como não se indignar diante dos absurdos cometidos em nome de ideologias tantas e razões banais que se alegam para justificar a dor plantada nos corações das famílias mutiladas pelas guerras e toda a miséria que dela nasce?
A paz, ao contrário do que se pensa, não é um mérito grandioso das almas elevadas! É a simples aplicação dos valores básicos de ética e moral, e cabe-nos individualmente a responsabilidade de cultivar em nosso íntimo cada um desses valores.
Aquelas velhas “palavrinhas mágicas” do jardim de infância já teriam enorme efeito positivo em nossas vidas! Agradecer, perdoar, compreender. Enxergar-se na figura do outro. Entender-se passível de enganos, diante das faltas cometidas por terceiros...
Parece complicado?
Não é.
Já era dito, milênios atrás, a simples fórmula da paz, mas não a compreendemos até os dias atuais.


“...aos homens de boa-vontade”


Precisamos ter em mente, a cada novo dia, que ele findará sem conflitos nascidos das nossas mãos ou da nossa voz. Precisamos compreender que é da nossa vontade – ou melhor: da nossa BOA-VONTADE – que nasce a paz, a concórdia, o amor.
E tudo se torna simples.
Tudo se converte em paz!


EmmyLibra, april 07, 2009. 11:30am
(teste para admissão na AeC – Telemarketing)

Wednesday, April 01, 2009

Emanu Ela... linda!


Tinha olhos de uma meiguice intensa
E boca de sensualidade extravagante

O corpo, ainda desabrochando para a maturidade
E, no sorriso, aquele quê que não se explica
Era ao mesmo tempo de uma candura d’alma, aquele riso...
– Riso de menina,
Por entre as carnes fartas de uns lábios muito fêmeos.

Escandalizava a vista
De quem encontrasse em seus olhos aquele brilho que vi.

Era nesse instante que a sua candura convertia-se em fogo
Que, certamente, incendiaria a alma

De muitos homens e mulheres
Pela sedução, que desgoverna
E pela inveja, que amaldiçoa






EmmyLibra, data incerta.
Edição da imagem: EmmyLibra

Thursday, March 19, 2009

AutoBioGrafia




Eu. Assim mesmo, e não de outro jeito. Eu. Apenas eu. Eu somente. Eu. Sem réplicas, sem clones, sem máscaras. Eu. Eu de perfil, eu por dentro, eu por fora. Eu. Totalmente. Indubitavelmente. Indubitavelmente eu. Inconfundível. Ímpar. Eu ímpar. Eu única. Eu, para mim mesma. Eu para os outros, a mesma que para mim. Eu como sou. Como gostaria de ser. Como seria, se pudesse. Como seria, se soubesse ser. Como seria se ousasse ser. Eu. Completa, imperfeita, imparcial. Eu, avesso de mim. Eu. Alimento. Cura. Sentido. Sentimento. Eu, fogo. Eu água. Eu elemento. Eu, compartilha. Eu, como sempre. Eu, como jamais. Eu. Eu simplesmente complexa. Eu coragem para me ser. Eu, desespero para me ter. Eu. Amante de mim mesma e dos meus instintos. Instintivamente apaixonada. Instintivamente impura. Instintivamente eu.



Alguma dúvida?




EmmyLibra, March 19, 2009. 12:11pm


...

Monday, March 02, 2009

Perfect

"Quando o quadro é belo, os olhos não cansam de ver... Quando o quadro é belo, encanta o coração e a alma dos que o admiram. Quando o quadro é belo, santifica o pincel que o retrata."

EmmyLibra.  Mar 1st, 2009

Wednesday, December 03, 2008

Redenção

 
Eu escrevia muito.

Na verdade, eu escrevia todos os dias. Várias vezes ao dia.
Era como uma necessidade – uma fome.

E o tempo passou, centenas de folhas mortas com palavras inúteis acumularam-se embaixo do meu colchão.

E eu, que dormia sobre a minha vida, achei que viver se resumia ao despertador às sete, bater cartão às oito e umas bolachas cream-cracker no meio disso.

Eu, que dormia sobre a minha vida, achei que sonhar se resumia a bater novamente o cartão às dezoito e ir para a cama lá pelas tantas, para ter pesadelos e imagens surdas dentro de minha cabeça, até que viver recomeçasse.

A rotina tomou conta. Invadiu. Instalou-se. Guiou os meus passos anos a fio. E me acostumei a isso. A gente sempre se acostuma, sempre cai no vício das certezas, abrindo mão da arte e das cores, porque uma é incerta e a outra é arco-íris – abstrata sensação de beleza que se esvai, quando o sol evapora as gotas d’água do ar.

O sol não nasceu, naquele dia em que fiz uma faxina geral em meu quarto e joguei fora as folhas de papel nas quais escrevi a minha alma.

O caminhão de lixo passou pela minha rua quando eu já não lembrava as palavras jacentes que desperdicei, aprisionadas em papéis e tintas de canetas vagabundas. Levou embora o canto dos pássaros, os amores impossíveis e os sons do silêncio que no passado eu era capaz de ouvir, compreender, traduzir. Saiu recheado de ilusões e dobrou a esquina, indiferente. Nem sabia que naquele dia sem sol estava levando a minha alma, prensada entre latas, cascas de frutas, pó de café e papéis higiênicos sujos. Eram os restos de mim que se misturavam ao lixo doméstico. Era uma coisa só, naquele caminhão fétido.

Silêncio. Depois da esquina, o silêncio. Não o silêncio que outrora traduzi, mas o silêncio dos mortos, aquele silêncio doentio e inquietante em que o vácuo do não-existir abafa o nosso grito interior.

Hoje acordei com saudade da minha alma.

Era uma alma doce, apesar de ter (pare)sido inútil por tanto tempo. 

Era uma alma doce, que sabia escrever poemas, sabia enxergar no escuro, sabia contar as estrelas e dar nomes aos bichos de estimação. Era uma alma magrinha, de dedos longos e finos, que tocavam as teclas flutuantes de um piano imaginário... Minha alma de domingos solitários sobre a laje da cozinha, escrevendo longas cartas a ninguém, dando notícias dolorosas de uma depressão entranhada e insistente.

Minha alma de flor, que ninguém conhecia o perfume!

Hoje eu não quero sentir piedade, então sinto vergonha. De ter jogado fora as inutilidades e incertezas que me faziam respirar em meio às sensações ruins que a tristimania me dava.  

Hoje eu desprezo a criatura fria e maquinal que me tornei, caminhando automatizada, entre o despertador, os cartões de ponto, as bolachas cream-cracker, os pesadelos e a mudez de minhas mãos...

Para que servirão as mãos de um sonhador, depois que ele jogar sua alma no caminhão do lixo? Melhor tivesse jogado fora também as mãos, junto com as folhas de papel em que escreveu a sua alma!

Mãos inúteis, cruéis! Ora tradutoras de sonhos, ora capazes de misturar estes mesmos delírios cheios de lirismo ao descartável, à podridão...

Por isso a vergonha. Como quem usa a faca de cortar legumes na cozinha para matar alguém, para depois se dar conta de ter cometido duplo atentado às leis naturais do universo. Como quem dá à ferramenta abençoada uma função nova e macabra, transformando o que é santo em algo podre e mortal.

Dei às minhas mãos poetizas a função de transformar meus sonhos em lixo. E assim, tornei-as sujas, indecentes.

Hoje, busco o perdão das palavras, mas não encontro. Já não sou capaz de escrever como antigamente. Nem de sonhar como antigamente. Nem sei contar estrelas, nem dar nome aos bichos de estimação. Não sei como se faz poesia, nem como beijar sofregamente, nos becos escuros, a boca de um anjo faminto. Não sei mais contemplar o arco-íris, porque o conhecimento da material evidência da luz sobre as gotículas d’água matou a ilusão dos leprechaus, com seus enormes potes de ouro, no final daquela curva multicor...

No lugar do meu espírito poeta há uma marmita cheia de bolachas cream-cracker. Felizmente, elas já não matam mais a minha fome. Infelizmente, eu não sei mais plantar as ilusões que no passado me alimentavam fartamente com seus frutos benignos.

Nunca mais a remissão dos meus pecados. Nunca mais o reencontro com a minha alma pisoteada por urubus no aterro sanitário. Nunca mais a pureza daqueles dedos longos e finos que torturavam as teclas imaginárias do piano voador.

Só a mesma angústia a sufocar meu peito nos dias em que o sol nasce. E nos de chuva também. E nos de outono, ainda. Nos dias todos.

Aquelas longas cartas endereçadas a ninguém falavam das minhas torturas íntimas, das noites insones, das dores todas que humilhavam meu desejo de vida. Mas, em suas entrelinhas, escondiam-se rastros de estrelas cadentes, joaninhas em pétalas de rosas, o perfume dos jasmins e alfazemas que eu plantava à beira do meu tortuoso caminho, enquanto o palmilhava rumo aos leprechaus do arco-íris que só eu enxergava. Nessas cartas e poesias havia um misto de dor e compaixão. Havia lágrimas que se misturavam à saliva do anjo que eu beijava nos becos escuros, e também havia o som daquele piano, grafado em notas musicais que ficavam suspensas entre as palavras, pontuando os textos e dando-lhes etérea vida.

Hoje eu queria a minha alma de volta.

Queria a remissão para o pecado de tê-la mandado embora junto com a inutilidade das horas sobre a laje da cozinha.

É muito tarde. O despertador já soou faz tempo e a cream-cracker amolece sobre o prato. O cartão de ponto ficou sem a batida das oito e ficará sem a das dezoito também, no dia de hoje. Mas os pesadelos... Ah, os pesadelos... Esses me acometerão no meio da noite, impiedosamente, até o fim dos meus dias!

Talvez estejam me castigando por vagar sem alma pelo mundo. Quiçá, queiram apenas me acordar lá pelas tantas, para que eu abra a janela e assista alguma estrela passar, rasgando o céu... Não sei. Nunca mais me atrevi a abrir a janela, depois que o caminhão de lixo dobrou a esquina. 

– Pra que contar estrelas, se não há mais cartas, em cujas entrelinhas eu possa jogar seu rastro de luz?

Quanto àqueles jasmins e alfazemas, morreram todos sob o sol dos dias que têm sol, virando pó e se misturando à confusão das horas inodoras da minha rotina. Seu perfume se esavaiu e nem mesmo a sua lembrança preenche o vazio que ficou no lugar em que outrora havia o meu espírito poeta.

Eu escrevia muito. Todos os dias. Várias vezes por dia. Como uma necessidade – uma fome! Até que me convenci de que isso era inútil e matei, com a faca de cortar legumes, a poesia que havia dentro de mim.

Eu escrevia muito. Me alimentava dos frutos benignos das minhas palavras e da luz das estrelas. Todos os dias. Varias vezes por dia.

Hoje, o sol nasceu meio sem vontade. Mesmo assim, o despertador tocou às sete, como de costume. Nesse dia ímpar, me recusei a levantar, a engolir a cream-cracker, a bater o cartão às oito. Matei, com a faca de cortar legumes, a rotina. Pedi remissão para o pecado de ter vagado sem alma por tanto tempo... E joguei fora a faca de cortar legumes. Estava se tornando um instrumento muito perigoso nas mãos que um dia escreveram poesias!

Hoje à noite, dormirei com a janela aberta, depois de tanto tempo. Levarei a cama para junto dela e contemplarei o céu, com ou sem estrelas. Esperarei a brisa, esperarei o cheiro dos jasmins e alfazemas, esperarei a minha alma... Se ela souber o caminho de volta e se me perdoar, amanhã talvez eu seja novamente capaz de fazer um poema ou uma carta, ouvir o silêncio e traduzir seus segredos nas entrelinhas apaixonadas. Comerei seus abençoados frutos e saciarei a causticante fome de vida que sinto, desde aquele dia em que o sol ficou congelado no horizonte, sem nascer.

Amanhã, sepultarei a rotina sem inscrição alguma em sua lápide! Respirarei música, comerei poesia, batizarei o meu espírito poeta nas águas redentoras do lirismo...

E viverei da utopia – que a incerteza, mesmo perigosa, é mais doce e perfumada do que a dureza das horas vividas sem sonhos.



EmmyLibra  
Dec 3rd, 2008.  10:32am