Sunday, February 13, 2011

Poema dos Erres >>>>> (trava-língua)

O rabo
Do Rato
Se arrasta
Na retaguarda.

Onde o rato vai
O rabo do rato vai atrás.

– O que restará
Do rabo do rato
Quando o rato
O arrastar
Sobre o ralo?

Roto e roído
Ficará o rabo,
Como raspas de chocolate
Quando esbarram
No rio de brasas
Do fogão da Rita.

Rói, rói, rói...
Quase ri, o rato.
Rita se irrita,
Arremessa o sapato,
Mas erra o rato,
Que sai correndo
Rápido
Rua afora.

E atrás do rato,
Como sempre, o rabo
Vai arrrrrrrrrrrrrrastando...

EmmyLibra
May 18, 2009 – 5:44p.m.

Friday, January 14, 2011

Pétala


Linda flor, sempre perfumada flor,
Seu cheiro é de alma, espírito de jardim,
Onde as borboletas gostam de voar
E de pousar...

EmmyLibra
jan 6, 2011 - 10:52 p.m.

Friday, November 26, 2010

Amando



O que uma pessoa não faz, estando apaixonada?

Ela se vê capaz de subir em muros íngremes – os que cria por dentro, e que a bloqueiam e cerceiam seus impulsos.  Ela os transpõe, como se nunca tivessem existido.

Cuida do outro, cuida de si.  Cuida da paixão, para que o brilho esteja sempre nos olhos. Até parece que lustra os olhos todas as manhãs, para que reflitam o sol, anunciando que o amor está lá dentro deles!

Apaixonada, uma pessoa se entrega, fica vulnerável, muda o jeito de andar, de pentear os cabelos, o jeito de sorrir – e sorri mais, daí por diante, porque o amor pede felicidade para não se tornar um fardo.

Quando está plena da paixão, a pessoa enxerga tudo em cores nunca antes percebidas.  E vê no outro o que espera, não necessariamente o que é real.  Pressupõe-se capaz de enlevar o ser amado, vê-se responsável por seus gestos, sente-se alvo de seus olhares, de seus desejos.  Tudo de bom que vem do outro é seu, e tudo de seu passa a ser bom, porque é sempre dádiva ao outro. 

Cada movimento seu tem uma sensualidade nova, cada palavra sua tem uma sonoridade apropriada, um cuidado para dizer o assunto besuntado nos óleos dos sentimentos.  Para que o outro, ao ver e ouvir, tenha a sensação de que há uma trilha sonora no fundo de cada sentença.

Ao permitir-se o enlevo, o apaixonado canaliza as sensações.  Perde um pouco os sentidos, fica meio fora de si.  Molha-se de chuva e acha aquilo maravilhoso!  Nem sente frio... Só um calor que vem do seu ventre, espalhando-se até os pontos mais extremos da sua aura, transbordando e inundando tudo à sua volta.  Porque o amor pede o conforto e, se não há, ele cria com sua energia.

O apaixonado sofre, espera, anseia, acaba com as unhas, cabelos, palavras... Faltam-lhe suprimentos, enquanto não se vê na companhia do ser amado.  Faltam-lhe argumentos para conter sua alma dentro do peito – quer voar!

No estado de graça a que o amor é capaz de elevar, a pessoa ri à toa, cria paisagens, idealiza riquezas que, em sua maioria, jamais sairão de sua mente para virar projetos.  Afinal, amando não temos tempo para mais nada, além do alvo de nossas paixões.  É nossa meta única.

A semana passa a ter um único dia:  o de encontrar o bem-querer.  E se o encontra todos os dias, cada dia é ímpar e tem a duração da semana inteira em suas 24 horas.  Se não há encontro, no entanto, as horas se arrastam e arrastam consigo suas esperanças. Parece que morreu, que o tempo parou, que não há mais nada a fazer, senão consumir-se a si mesmo.  Porque não vale a pena a vida longe do ser amado!

Quando amamos, o amor vira chantilly, e adoça tudo o que há – mesmo a fome e as dores. 

Nada pode ser mais incômodo do que as horas em que a alma gêmea se ausenta.  Perde-se a vontade de comer, perde-se o sono, perde-se o rumo.  E, até que est’alma volte a estar perto, tateamos num breu infinito.  Falta-nos a luz, falta-nos o ar, falta-nos bússola.  Naufragamos num mar de lágrimas.

O que não faríamos em nome do amor, então?

Por amor pecamos, por amor pedimos perdão, por amor somos condenados e depois absolvidos.

Jogamos fora horas preciosas, rabiscando iniciais num papel de pão, sempre cercadas por um coraçãozinho ridículo, flechado por todos os cupidos que a mitologia já desenhou.

Por amor, tocamos as estrelas, colhemo-nas como flores. 

Podamos as ervas daninhas do nosso jardim interior, plantamos árvores que já nascem frondosas, com longos galhos e frutos maduros. 

Por amor nos tornamos gentis, ampliamos nosso vocabulário para impressionar.

Nosso anjo sorriu?  Foi por nossa causa, só pode ter sido!

Enchemo-nos de questões novas, filosofamos, reavaliamos a vida, despimos preconceitos, abrimos campo para aceitações e transformações.  Tudo o que é novo é bem vindo!

Canalizamos energias curativas ao ser amado, queremos ver-lhe bem. Queremos abrir seu coração e arrancar de dentro dele os espinhos que a vida lhe traspassou.  Queremos ser capazes de ressuscitar sua vontade de vida, se ela faltar.  Queremos lhe alimentar e nutrir, providenciar o que lhe falta. Ser o que lhe falta.

Por amor, afinal, nos tornamos melhores.  Por amor merecemos e justificamos nossa própria existência.

Por amor, vamos além das palavras, das pausas, da linguagem.

Por amor nos calamos.  E o silêncio passa a falar sutilmente, em sua linguagem muda, o que nossa alma quer gritar.

Tudo isso por amor.  Tudo o mais por amor.  Tudo.

[Aposto amoroso:  Para o amor, o léxico criou a reticência.  Porque não havia mais palavras nele que o traduzissem e expressassem com fidelidade e clareza suficientes.  E aquele necessário silêncio, então, ficou implícito na infinidade reticente de um sinal gráfico.]

O amor não tem ponto final...

EmmyLibra
Nov 26,2010 – 08:29 a.m.

Friday, October 01, 2010

Prova Plena*

Eu confio num Deus tão grandioso, que não teme encarar a ciência dos homens, e se prova mais e mais real e próximo de nós, quanto mais essa ciência tenta lhe fazer parecer irreal, ilusório.

EmmyLibra
Oct 1st, 2010



*Prova plena (Direito):  aquela que leva a certeza ao juiz, sobre o fato em julgamento.  (Dic. Michaelis da língua portuguesa)

Wednesday, September 29, 2010

Lifetime

Gostaria de saber quando vou morrer.  Assim poderia decidir com mais convicção se devo gastar mais ou menos tempo escovando os dentes.

EmmyLibra
Sep 29, 2010

Monday, September 06, 2010

Ponto de Equilíbrio

Para tudo na vida há uma necessidade, uma aplicação prática e positiva.  Até os venenos mais tóxicos têm seu uso farmacêutico, fazendo parte de medicamentos importantes e salvando vidas.
Assim também os sentimentos – mesmo os que nos parecem torpes à primeira análise – devem ser provados e vivenciados por nós, em doses que variam, de acordo com seus efeitos. 
Da mesma forma, aqueles que nos parecem muito positivos, como o amor, devem vir em doses homeopáticas, para que não se percam seus benefícios.
Excesso de ódio nos faz perigosos; sua falta nos faz patéticos e indiferentes à distância entre o bem e o mal.
Excesso de tolerância causa no outro a sensação de que tudo pode, e faz progredir o mal nele;  sua falta faz guerras e antipatias.
Excesso de zelo gera obsessivos; sua falta gera incompetência e desleixo.
Excesso de prudência nos leva a estagnar; sua falta nos conduz aos abismos.
Excesso de amor por si mesmo gera egoísmo;  a sua falta gera suicidas.
Excesso de amor ao outros lhes subtrai a necessidade de sofrer para compreender a essência da vida;  a falta desse sentimento gera todos os outros vícios morais de que se tem conhecimento.
Absolutamente tudo nesta vida pode e deve ser provado, guardadas as proporções seguras e os momentos propícios.
Assim como os vinhos, também os sentimentos devem ser usados com moderação.
Nada é pecado, de fato...  Só o uso desmedido ou indevido das coisas.

EmmyLibra
Mar 28, 2008

Propriedade


As coisas não nos pertencem
As pessoas não nos pertencem
Nada que a morte pode nos fazer abandonar
É nosso de fato

A nós, a propriedade
Das incertezas da vida, apenas,
Com seus obscuros momentos seguintes.


EmmyLibra
Mar 28, 2008

Sunday, September 05, 2010

Alternando-se

Corre pouco sangue em minhas veias, agora. 
Sinto que a vida não percorre todo o meu corpo em todos os momentos.  Está em meu coração quando amo e em minha garganta quando choro e sinto doer; repousa em meus olhos durante o sono, converte-se em sonhos nas noites frias e em pesadelos nas madrugadas quentes; desce pelos meus cabelos sempre que a brisa os toca e estampa-se em minha face quando chove e ergo a cabeça, braços abertos e mãos espalmadas a receber as bênçãos que caem com os pingos d’água.
Agora, a vida concentra-se em minhas mãos, donde sai, vez ou outra, para visitar meu ventre em busca de sua essência original.  Mas nunca me preenche, nunca me toma por inteiro.  Raciona-se, escolhe uma moradia a cada novo movimento que faço, a cada novo pensamento que produzo, alternando-se, migrando, deixando-se ficar apenas o preciso instante em que cada parte de mim carece dela imprescindivelmente.
Já me acostumei com isso.  Respiro pela metade, vivo em partes, construindo a imagem do todo com os fragmentos de lembranças deixadas pela sensação boa do calor que dessas pequenas porções é exalado.
Não imploro, não reclamo, não me entristece o fato de não ter a totalidade da vida em meu ser, como é forçoso pensar, pelo absurdo desenho que se forma em minha mente, quando a busco e imagino-me mapa estendido sobre uma mesa.
Eu apenas deixo-me ficar imóvel por alguns instantes, para poder sentir quando ela vai acontecer em meu peito, porque gosto de ouvir os sutis diálogos que acontecem entre o amor que a vida transporta em si e todos os amores que carrego em meu coração.




EmmyLibra
Jun 27, 2004 – 3:40pm

Inconfessáveis

Tenho desejos inconfessáveis.  Desejos que nascem em meu ventre, como filhos dessa minha insensatez.  São desejos de pecados, sonhos de morte, vôos no abismo escuro do desconhecido, amores que cultivo na garganta, para que não maculem meu coração.
Quero sair, caminhar, respirar. Mas é pecado, é desejo de morte, é sonhar com abismos, quando ainda não tenho asas!
Preciso ir ao encontro do mar e me afogar em suas águas.  Mas minha alma pode não encontrar canoa e pensar que também morreu, então morrer de verdade.
Sinto fome. Quero saciar meu coração, mas há veneno no alimento que eu cobiço.
Olho ao meu redor e tudo o que meus olhos distinguem se parece com o infinito.  Não há, ao alcance da minha visão, coisa alguma que tenha a silhueta dos meus anseios.  Nada tem a cor ou o som, o cheiro ou o gosto do que os meus sentidos esperam captar.
E meus lábios tremem, sedentos de uma seiva rara, que é a cura para os males do corpo, enquanto capaz de sufocar a alma dos que lhe bebem.
A distância que me separa do objeto de minhas paixões é como um caminho de pedrinhas soltas, sobre o qual meus pés descalços sangram, deixando pedaços da minha vida espalhados pelo chão.
Não alcanço – por mais que estenda os braços e as mãos e os dedos – o céu que desenhei pra mim.
Vivo momentos de espera, construindo, dia após dia, paciência que baste para suportar a verdade:  estou amarrada pelos tornozelos a conceitos e leis que jamais criaria, por serem caminhos sem volta  para a infelicidade, como é sem volta o caminho que percorre o tempo sobre nós.
Faz-se apressado o meu coração.  Tem urgência de vida, como tem urgência a mulher que está em trabalho de parto.
E o tempo, único tormento de min h’alma, não para de escoar por entre meus dedos...

EmmyLibra

Jun 27, 2004 – 5:17pm


Saturday, August 28, 2010

...

Mais uma vez eu me questiono sobre minha própria identidade.
Quem sou eu?
E mais respostas somam-se às anteriores, que já são muitas.
Vejo-me agora como fruto de um aprendizado:  aprendi a ser quem sou hoje.  Cresço a cada nova característica que se soma ou se modifica.  Absorvo.  Todo o tempo absorvo e me renovo, construindo a pessoa que vejo no espelho. 
Ora o que há no exterior me agrada, ora não; ora o que vejo no interior me agrada, ora não; ora o que há por dentro é bem diferente do que há por fora, e é justamente aí que a confusão se pode fazer na mente dos que tentam formar um perfil, chegar a alguma conclusão sobre quem – ou o que – eu sou, afinal.
Ainda penso que, para melhor me conhecer, seria sempre necessário ler o que escrevo, nunca observar minha face nem meus atos, menos ainda minhas palavras e gestos.

– Sou atriz?
Tantas vezes, que me assusta a relação estreita que tenho mantido com minhas muitas personagens!


EmmyLibra
March 3rd, 2010

Thursday, June 03, 2010

Autoestima

O que você tem feito por si mesmo?  Quando se olha no espelho, o que ele reflete?  Espelhos precisam ser mais do que reflexos da nossa aparência. Precisam nos mostrar quem somos.

Quem é você?  Será mesmo que você se conhece o suficiente?  Quais são os seus sonhos, seus desejos, suas metas?  Você tem metas, não tem?  Se não tem, está na hora de ter.  E de cumpri-las, sobretudo.

Costumamos lamentar que a vida é breve, que não há tempo suficiente para OBTERMOS tudo o que  esperamos dela.  Mas esquecemo-nos que esse tempo é mais do que o bastante – mesmo que tenhamos uma vida relativamente breve – para SERMOS o que A VIDA espera de nós.

É a isso que chamam de Filosofia? Então acabamos de nos tornar filósofos, eu e você que agora perde – ou ganha?! – alguns minutos, lendo minhas palavras...

Talvez tenhamos que parar, de vez em quando, para pensar no que poderíamos SER para nós mesmos, caso deixássemos de contemplar nossa imagem externa no espelho para perscrutar nossa própria alma.  Se ao invés de enxergarmos quem “fingimos ser” quando alteramos nossa aparência física, nós realmente buscássemos conhecer a pessoa que habita nosso íntimo, saber os mistérios que se entranham em nossa mente quando despertarmos, todas as manhãs, e que vêm à tona em nossos sonhos e pesadelos noturnos.  Seria bom se todos, ao menos uma vez na vida, ficássemos cara a cara com a pessoa real que está por trás do “seguidor de estereótipos” a que nos acostumamos ser.

A roupa que você veste está na moda? Seus sapatos, seu cabelo? Que músicas você ouve? O que elas lhe dizem? Do que falam as pessoas com quem você se relaciona? Que assuntos circulam quando você as encontra? Que comida, que bebida você consome? Do que é feita a sua vida, afinal?

Engolimos o que a novela nos mostra ou o que realmente satisfaz nosso paladar? “Somos” de dentro para fora em algum momento? Deixamos alguma marca da nossa passagem pela vida, ou simplesmente nos modelamos o tempo todo para agradar aos outros, nos vestindo do que vemos na tv e “sendo” de fora para dentro, como um reles reflexo do ambiente em que vivemos?

Se aparência física fosse primordial, pessoas famosas não viveriam na solidão, não chorariam os dardos da preconceituosa sociedade, não precisariam morrer para terem o reconhecimento dos seus reais valores positivos.

Pense.  Repense.  Reflita. Amadureça. Sonhe. Cresça. Sinta. Persiga. Apaixone-se.  Apaixone-se por você mesmo!

E estude.  Estude muito, pois o conhecimento não morre junto com você.  É semente que seguirá a sua alma onde quer que você vá, mesmo depois da morte.  E é semente para as futuras gerações, também, mesmo que apenas pelo exemplo.

Você precisa ser seu maior ideal, sua busca constante, seu maior encantamento e a pessoa por quem você daria – e dá – a sua vida, todos os dias!

Mostre-se ao mundo!  Vista-se das cores que a sua alma tem, e torne-se alguém um pouco mais parecido com o que há dentro do seu coração.  Pare de consultar as revistas de fofoca para ver o que se usa na tv e escolher com que roupa você vai sair! Pare de consultar o seu horóscopo para decidir que atitudes tomar!  Todas as certezas já estão dentro de você, e sua consciência é o que deve lhe guiar nas suas escolhas.  Seu horóscopo não iria preso se você cometesse um crime, nem iria ao Paraíso se você se resguardasse dos pecados. Então, faça o seu melhor, não porque ouviu um apresentador de tv narrar uma mensagem bonita ou dar bons conselhos.  Simplesmente faça o seu melhor, porque VOCÊ sabe que isso é o que tem a ser feito. Estabeleça para si a rotina de tentar ser mais e melhor do que você foi ontem. Fazer o que é correto e pensar positivo é uma questão de escolha.

Aquele lixinho jogado no chão é problema seu, sim!  Você pode fazer a diferença, não apenas evitando jogá-lo, mas também recolhendo-o, quando estiver ao seu alcance fazer isso.
Auxilie.  Faça aos outros tudo aquilo que esperaria que fosse feito, caso você estivesse em necessidade.  E não meça esforços!  Como você se sentiria se, na necessidade, alguém contasse distâncias e merecimentos seus, antes de decidir se lhe socorreria ou lhe deixaria à beira do caminho, suplicando?

E lembre-se de ser sempre gentil.  Sorria ao cumprimentar alguém e também quando conversar ao telefone. Quem fala com você não terá dúvidas de que você está sendo atencioso e cortês.  E você sabe: gentileza gera gentileza; bondade gera bondade; riqueza interior gera riqueza interior. 

Não espere dos outros mais do que você mesmo tem sido. Você não receberá da vida mais do que merece.  Nem um centavo a mais, pode crer!

Seja um ser humano inteiro, completo, perfeito.  Você não é feito dos pedaços de atores, atrizes e comediantes da tv.  Você não é feito das idéias alheias. Você é capaz de lidar com sua própria imagem interior e de assumir uma postura positiva e verdadeira diante da vida.  Você tem, no fundo da sua alma, a felicidade.  Busque-a lá, nas profundezas do seu ser, e não nas coisas que lhe cercam, pois elas são efêmeras, materiais, frágeis.  Se a felicidade vem de fora, não durará para sempre. Quebrará, quando o que é material quebrar; será roubada, quando o que é material for roubado; apodrecerá, quando o que é material estiver morto; se perderá nas curvas do caminho, quando as pessoas outras a quem você confiar sua alma tiverem partido.

Então, invista no que realmente importa:  invista nos bons sentimentos, na bondade, nas certezas da sua alma.  Invista em você.

Seja você.  Ame-se.

“Você é filho do Universo, irmão das estrelas e árvores. Você merece estar aqui. E mesmo que você não possa perceber, a Terra e o Universo vão cumprindo seu destino...”¹  – Isso é a vida!

Agora me diz:  no que você acredita? ............................... :)


¹ Trecho: Desiderata – Max Ehrmannn.

                                                                                              Emmy Libra
                                                                                              Aug 5, 2009 – 6:12am 

Novo ângulo

Deus me criou vazia dessa ingenuidade doentia, que é capaz de estacionar uma pessoa por séculos dentro de uma poça d’água de chuva.  Fez-me, no entanto, plena de certezas.  Certezas que me preencherão pela vida inteira e ainda um tanto mais de tempo, enquanto eu existir na escuridão da morte.

Sinto sofreguidão ao pensar no que ainda não experimentei.  Vontades, anseios...

Falta-me a falta de ar dos muitos êxtases que ainda não incendiaram meus poros.

Deus fez-me assim, alma meio indecifrável. Fez-me louca, extrema. Deu-me sabedorias que me fortalecem e também incertezas muitas, para que não me faltem impulsos, não me faltem os sonhos.

Quem sou eu?

Às vezes sou mulher; faço-me homem, quando me convém; visto-me bicho, ora selvagem, ora dócil, ora noturno, soturno, oculto.  Talvez eu seja muitas faces; talvez apenas uma, que se traveste e se pinta para iludir.  Talvez não seja mesmo nada mais que uma ilusão – até para mim mesma!

Se iludo ou me iludo, pouco importa.  Aprendi um amor sublime:  aquele em que amo minhas imperfeições tanto quanto minhas poucas virtudes.

Amo-me quando choro, amo-me quando rio, amo-me quando peco.

Minhas muitas faces, mesmo as mais feias, me parecem muito lindas, agora, vistas por este novo ângulo.  Mesmo quando peco.

- O pecado também é uma ilusão humana!

EmmyLibra
March 3rd, 2010 – 7:57a.m.

Saturday, April 10, 2010

Inutilidades




Gosto de sentir o seu cheiro, seu gosto,
Gosto das coisas vulgares que fala ao meu ouvido enquanto me ama
E das coisas inúteis que fala depois,
Quando as primeiras já cumpriram seu papel.

Gosto do seu jeito grave e sério ao falar da vida
E do jeito moleque e desleixado quando a vive.

Gosto do beijo roubado, me jogando contra as portas
Das lojas já fechadas, e da escuridão da noite
A ocultar o que o barulho escandaloso já denunciou.

Gosto do beijo morno e suave quando se vai
E do beijo desesperado e urgente quando volta.

Da sua pressa em me contar seus sonhos
E da sua calma em escutar meus pesadelos.

Do tempo que me dá de presente, quando me escuta
E das palavras com que me aquece, quando fala.

Gosto da liberdade que tenho
E de perdê-la, quando me sinto propriedade da sua alma.

Gosto do amor que sinto, porque me faz viva, me alimenta,
Me dá certezas de que não existo em vão.

Fui feita para todas essas coisas de que o amor se compõe:
Desejo, tolerância, dor...
E respiro o mistério das inabaláveis certezas
Que o seu coração grita, mesmo quando seus lábios mentem.

Sinto-me plena de amor - não do meu próprio amor por você,
Mas do amor que você sente, desde quando ainda não sabia
O que era amar.

Sinto-me plena de amor.

Mas, ainda vivendo do lirismo de saber-me amada,
Adoro seu cheiro e as palavras depravadas
Quando seu corpo está dentro do meu e seu coração grita
O que a sua boca um dia mentiu aos meus ouvidos
Dentre as muitas coisas inúteis que já me disse,
Depois que as primeiras palavras cumpriram o seu papel.

Gosto da sua verdade, medrosa de si mesma.

Mentiras são inutilidades. Um dia, o coração as desmente.


EmmyLibra
april 13, 2009


Thursday, February 11, 2010

Olhar de Entrelinhas

-->
Subitamente me deparo
Com teu olhar de entrelinhas
Dizendo, em sussurros inaudíveis,
Palavras cujo sentido desconheço.

Pergunto-me quem és tu,
Até onde caminhas para ti mesmo,
E quando começam os teus passos de herói.
Pergunto-me quanto cuidas de regar teus sonhos
Ou mesmo se os tens.

Vejo teu olhar de entrelinhas, muitas vezes,
E as letrinhas miúdas que nele há
Não se permitem ser lidas,
Decifradas...

São comentários surdos sobre coisas
Que minha imaginação argumenta
Enquanto se tenta proteger.

Olhar de entrelinhas, escondido,
Entre as pautas de alguma canção
Que não consigo ouvir (no rush da minha vida)

Quem és tu?
O que ocultas em tua fronte?
Como se aprende, me diz, como se aprende
A fazer reticências com os olhos
Para que uma aura de mistério e sombras
Nos possam proteger?

Como se aprende, me diz, como se aprende
A intercalar palavras e silêncios tão harmoniosamente
Para que se guardem os muitos segredos duma alma inquieta
Na inabalável fortaleza de um olhar
Feito de letrinhas miúdas?

Deixa-me ler nas entrelinhas...

EmmyLibra
Feb 8, 2010 – 8:45 a.m.

Thursday, August 13, 2009

Seja um doador

Ter a oportunidade de salvar uma vida e não fazê-lo é desperdiçar a própria existência. É não merecê-la.
Doe órgãos. Doe sangue. Doe medula óssea. Doe uma palavra amiga. Doe um minuto do seu tempo para ouvir. Doe-se!
Merecer a vida custa pouco: apenas os recursos do nosso corpo e da nossa alma.
Está ao alcance de qualquer um de nós pagar esse preço.

سلام


EmmyLibra
aug 13, 2009 - 10.01pm

Thursday, June 25, 2009

Bob A7med

Para quem ainda não o conhece, eis o gostosão,
o felpudo, bigodudo, popozudo, orelhudo, peludo:
Bob A7777777777med!!



Em breve ele terá seu próprio blog.
Meowww!
EmmyLibra, jun 25, 2009

Friday, June 19, 2009

“Quando se está no olho do furacão,
o melhor a fazer é abrir os braços
e sair voando!

EmmyLibra
Mar 27, 2009. 11:35am

Poema-quadro

Fiz um poema para Maria
Combinando os versos
Com o tom da sua pele
– Ébana pele
E com o marfim dos seus dentes
E com a cor dos seus cabelos,
– Cacheados cabelos,
Rebeldes
Como a própria Maria!

Esqueci das rimas,
Combinei palavras
Com o estampado de suas saias
– Rodadas saias, de fartos panos
Panos de cobrir o quase-nada
De suas pernas finas.

O ébano somou-se ao marfim
E às flores muitas da chita que vestia.
– Deu um poema multicor!

Fiz um poema para Maria
Cheio de cores, o poema
Como se nem poema fosse,
Mas um quadro
– Extravagante pintura de um jardim bonito
Plantado e salpicado e regado
Com as gotas do amor deslumbrado
De um poeta-pintor.


EmmyLibra
May 2nd, 2009 – 12:28pm

Monday, May 04, 2009

Apenas um poeta

Não é um RG.
Nem um CPF.
Nem um pai com seus filhos,
Nem um marido com sua mulher,
Nem mesmo o que vai ao banheiro
Ou o que paga as contas no fim do mês.

É apenas um poeta. Nada mais.

Porque poetas não são pessoas.
Estão acima disso!
Acima das verdades óbvias,
Dos pecados, das ilusões...

Ilusões podem ser verdades,
Pecados perdoados por amar
"Porque ela muito amou..."
– Por que ele é poeta?
Sim, porque ele é poeta!
Ele muito amou, também.
Poetas amam até quando odeiam!

O poeta não morre, não dorme,
Não obedece tempo-espaço.
Ele é como um cheiro,
Uma cor, uma sensação:
Existe, está ali, nos dá sentido,
Nos orienta, nos preenche,
Dá-nos de comer e de beber
Com palavras,
Sons,
Idéias,
Sentimentos,
Perdas,
Ganhos
E todas as muitas formas de sonhar os sonhos alheios
Nos seus.

– Quando o poeta sonha, ele vive
E nos mantém vivos com seu sangue cor de ouro!

Acima das convenientes palavras, está o poeta.
A alma gritando, o coração chorando, mesmo quando ri.

Acima das convenientes palavras está o poeta...
E a sua vida permanecerá, como um eco
Pela eternidade.

EmmyLibra
May 4, 2009 – 10:15am