Wednesday, May 15, 2013

Identidade


"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante..."
                                                                     (Raul Seixas)


Eu sou a que está aqui, agora, escrevendo estas palavras, sentada numa cadeira e respirando o ar desta sala onde me encontro.
Daqui a pouco já não mais serei a mesma, porque até o que vem de dentro de mim – como as palavras de agora – é capaz de me modificar e me fazer uma pessoa inteiramente nova, uma outra – que também sou – e que continua a primeira, a do início, ou que se sobrepõe a ela.
Sou o instante presente de mim mesma. Sou alguém que resultou dos instantes anteriores meus, de outros e dos muitos ondes em que já habitei. E não mais serei esta no meu instante seguinte, por também habitarem neste meu instante de agora outras pessoas e muitos ondes, inclusive os que estão – ou são – ausentes deste meu ser no espaço-tempo presente, e que terminará a escrita em mais algumas poucas palavras.
Ao terminar a escrita, portanto, eu nem mesmo sou aquel'outra que começou a fala, e que morava naquele "eu" que tentava dizer-se, verbalizar-se, identificar-se na própria experiência de ser...


EmmyLibra
May 15, 2013 - 9:15 a.m.



Falar de identidade não é falar do que se é, mas de um "estar" tão breve e ao mesmo tempo tão intenso, que cabe num efêmero instante de pensar, mas não cabe dentro de si mesmo... 
                                                                                                                               (Added: May 15, 2013 - 10:29 p.m.)


Saturday, April 06, 2013

='(


=(
Meus dias não têm sido fáceis.
Se ao menos pudesse abraçar você ao final de cada um deles...
Toda a dor desapareceria por um instante insano e surreal e eu poderia sentir a eternidade de viver, condensada neste breve momento em que a sua mágica presença estivesse ao alcance dos meus sentidos...
Ainda sinto tanto a sua falta...
=(

EmmyLibra
Apr 6, 2013 - 11:56 p.m.

Monday, March 25, 2013

Sobre o tempo


Estou envelhecendo.
Às vezes isso me incomoda, às vezes isso me alegra.
De um jeito ou de outro, o tempo não se importa. O tempo não se importa mesmo com o que penso. Se estou feliz ou chateada com seu passar, isso não o faz parar.
Então, a vida vai me dando presentes junto com as rugas: vai me dando saberes, enquanto leva embora alguns itens da minha juventude; vai deixando liberdades, a despeito de raptar alguns sonhos fúteis...
Assim é envelhecer, para mim.
Assim é ficar chateada e admitir que a flacidez que se faz em meu corpo, antes cheio de vigor, me incomoda. Mas é, sobretudo, admitir que hoje sou alguém que, 
cada dia mais, vale  a pena ser, que vale mais a pena amar a cada instante, a cada passo. 
E me amo. Com todas as rugas e com a subtração contínua dos dias, meses ou anos que me restam.
Aliás, amo-me justamente por todos esses detalhes do envelhecer!


EmmyLibra
Mar 24, 2013 - 11 p.m.



Friday, March 08, 2013

Sob o viaduto


Grafite sob viaduto Santa Efigênia, em Belo Horizonte: autor desconhecido.* 



Um menino dorme sob o viaduto

Carros passam sobre o viaduto
Sobre seu corpo

Pessoas passam sobre o viaduto
Pisando o viaduto
Pisando seu corpo

Passos apressados, desleixados
Despreocupados do menino que dorme

Passos pesados, densos, com saltos de agulha
A pisar sobre o menino
Indiferentes ao menino em seu sono.

O menino talvez ignore
Os saltos dos sapatos que lhe esmagam
Os carros que lhe atropelam
O desleixo dos passos apressados
A indiferença dos homens e mulheres
Que passam sobre o viaduto – sobre ele próprio
Em seus carros, em seus saltos de sapato.

Quem passa sobre o viaduto
Muitas vezes diz não saber
Que sob seus passos pesados, estirado sob o concreto
Jaz um menino, como sepultado em sono
Como sepultado em vida.

Os transeuntes sobre o viaduto e o menino que dorme:
Quem sabe menos de vida – ou de morte?
Quem pode dizer que desconhece pisar
Ou ser pisado?

EmmyLibra
Oct 9, 2012 – 7:45 a.m. 


* Desconheço o autor do grafite que aparece na foto de ilustração do post. Se alguém o identificar, peço a gentileza de deixar esta informação nos comentários, para que eu coloque os créditos devidos da imagem.



Tuesday, March 05, 2013

Felicidade em flor

Sinto agora um lampejo de felicidade, desses a que damos o simplório nome de alegria.
Não que eu não seja feliz.  Eu sou.  E isso é perene.  Não é ao que me refiro agora.
Refiro-me a esses momentos em que a felicidade acontece como um pequeno redemoinho, desgrenhando nossos cabelos e jogando poeira de estrelas sobre os nossos olhos. Todo o resto fica ofuscado, tudo some da nossa visão, porque aquele breve instante basta-se a si. E daí por diante fica em nós, é parte de nós.  Mas não o é, simplesmente, como lembrança de um estar alegre ou como passado contido na exatidão do instante dessa breve alegria.  É mais como sensação que impregna-se à nossa alma do que pura reminiscência, e nos faz rir sem razão aparente, respirar um pouco mais fundo, desejar a vida um pouco mais do que no seu momento prévio.
Ela voltou. Voltou a brotar, renasceu.
Minha flor, com suas perfumadas pétalas, estava ali, quase ao alcance das minhas mãos... 
Por um instante a vi, molhada de orvalho, em meu jardim.  Era minha, outra vez, ao menos num sonho.  E transformava tudo à sua volta, exalando um cheiro que se misturava ao ar, preenchendo os espaços vazios da minha vida.
Estava ali.  Por um breve instante de alegria, por um lampejo de felicidade. Não da felicidade raiz, essa perene, que já é o que sou, fibra de que me componho. Estava contida num instante de uma felicidadezinha de redemoinho, e me despenteou e lançou poeira de estrelas nos meus olhos, para que eu pudesse ver o mundo um pouco mais colorido e luminoso do que no seu instante prévio.
Estrelas em pó sobre meus olhos e pálpebras, cabelos desgrenhados, liberdade e sonho misturando-se em mim, para o meu dia de hoje e para o riso frouxo e sem propósito. Para uma felicidadezinha a mais.
Eu quase pude tocá-la – felicidade em flor.  
Se o tivesse feito, agora também teria perfume em minhas mãos, além de estrelas em pó a iluminar meu dia...


EmmyLibra
March 5, 2013 - 10:00 a.m.

Sunday, February 10, 2013

Tijolinhos e argamassinha



"Então Jesus entrou no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; e disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores." (Mateus 21:12-13)


É disso que eu falo, quando critico a venda de tijolinhos, amuletos, óleos, sal de cozinha, água benta, terços, castiçais de 7 pontas, travesseirinhos milagrosos... E também quando as pessoas, em massa, são "docemente" persuadidas a doar tudo o que têm às igrejas (leia-se "aos líderes religiosos"). 
Os palácios que se erguem nas cidades estão longe de serem casas de orações. Nas últimas vezes em que fui a esses lugares (fui a diversos deles, na esperança de encontrar ao menos um em que ainda valesse a pena frequentar), passa-se 45% do tempo falando do diabo, 50% do tempo pedindo dinheiro ou vendendo coisas, 5% do tempo cantando e  falando de Deus (diga-se de passagem, falando abobrinhas a respeito de Deus!)... Sem contar os bazares que são feitos na porta, as lanchonetes que funcionam DENTRO dos templos, os consórcios e outros bens que são vendidos o tempo inteiro pelos "obreiros", para ajuntar mais e mais riquezas para que palácios cada vez maiores sejam erguidos... Para Deus?  Não! Infelizmente, não para Deus, mas para ostentação e marketing.
Tenho me perguntado: "O que será que Jesus pensa disso tudo? Será que ele não faria o mesmo que fez com os negociantes do templo, narrado em Mateus 21:12-13?"... E isso me preocupa muito.  Porque o grande objetivo desses líderes não é – definitivamente não é – a alma de ninguém, mas o seu bolso, sua carteira, o que eles podem espremer das pessoas.  Se a preocupação fosse a alma de alguém, eles estariam menos envolvidos em pedofilia, escândalos políticos e financeiros, e passariam todo o tempo falando das boas obras de Jesus e das suas promessas de Vida, ao invés de ficarem tentando incutir medos nas pessoas ou vender para elas tanta porcaria! Falariam mais em prosperidade ESPIRITUAL e jamais enalteceriam a prosperidade material como sendo um requisito para se reconhecer alguém "abençoado". Eles estariam dizendo pra seus seguidores que a PRÁTICA DO BEM é o único caminho para quem quer seguir o Evangelho  de Jesus e encontrar a Deus, porque "a fé sem obras é morta". 
Se alguém me diz, por exemplo, que lavar as mãos antes das refeições me protege de doenças, e eu simplesmente CREIO/ACREDITO/CONFIO na pessoa que me disse, isso não resolve nada, nem me protege de contaminações, a menos que eu FAÇA o que ela está me dizendo. Se eu não LAVAR AS MÃOS, estarei contaminada, não importa quanto eu acredite ou confie nessa pessoa! 
Então, só CRER é INÚTIL, se não PRATICARMOS o que Jesus nos ensinou e nos exemplificou durante sua estada entre nós. 
E me decepciona ver pessoas inteligentes caindo nessas conversas, achando que Deus está aceitando dinheiro ou cartão de crédito em troca de construir a felicidade de qualquer pessoa.  =(  
Fui questionada que as pessoas não são OBRIGADAS a pagar. Sei que ninguém é obrigado a nada. Realmente não é.  Mas, sinceramente, antes fosse!! Porque é justamente aí que mora o problema:  quando as pessoas são obrigadas a entregar o que é seu, elas percebem o assalto e se defendem; mas quando as coisas são colocadas por meio de persuasão, com palavras doces, com meiguice e com argumentos sentimentalistas (a isso tudo dá-se o nome de PNL - Programação NeuroLinguística), elas entregam de bom grado, como se não estivessem sendo forçadas, então não percebem quanto estão sendo manipuladas. 
Isso é crime!  Manipular pessoas é crime!  É hediondo, é sórdido, é perverso, é abominável!!
A mídia faz isso todos os dias com muita gente.  Os políticos fazem isso o tempo todo, também.  Por que somos tão críticos em relação à mídia e aos políticos, mas somos tão condescendentes com os líderes religiosos sem escrúpulos?  Por que achamos que eles estão certos e são inquestionáveis, só porque USAM O NOME DE DEUS??
Precisamos acordar!  Precisamos começar a questionar as coisas que engolimos, não emprenharmos pelos ouvidos, cegos, entorpecidos, embriagados pelos discursos lindos... 
Foram discursos lindos os de Hitler também, lembram?  Mas, por que hoje eles são vistos como perversos, se na época eram tão convincentes, tão emocionantes, tão envolventes? Eram verdadeiras obras de arte! Ele era um artista! Tinha mágicas palavras, que arrebanhavam multidões! As pessoas, a princípio, não eram obrigadas a nada, não eram forçadas a segui-lo e a venerá-lo. Faziam-no porque ele as convencia de que o que dizia era razoável, lindo, e as remetia a patriotismo, não a crueldades. E elas os seguiam, como cordeirinhos seguem a voz do seu pastor...
Hoje sabemos que era perverso em suas ações,  em suas intenções. 
Pode parecer grotesca a comparação, mas o que eu quero dizer é que se um belo discurso pode levar as pessoas a crimes, quanto mais a entregarem seus bens!  Imagina que um homem só conseguiu levar milhares de pessoas a cometerem atrocidades, o que  um bando de pastores não é capaz de fazer, para convencer as pessoas a entregarem passivamente seus bens, certas de que assim estão conquistando um pedacinho do céu?
Os padres, antigamente, vendiam "lotes" no paraíso, bênçãos, unções; hoje ainda vendem os sacramentos da Igreja Católica. Foram severamente criticados no passado por Lutero e outros religiosos, por essas e outras práticas do catolicismo, até que houve a separação da igreja, criando-se o protestantismo. 
Até os dias de hoje, pastores criticam os padres por essas e outras coisas.  
Mas, o que fazem para terem moral suficiente para essas críticas, como tinham os primeiros protestantes?  
Eu respondo:  Fazem EXATAMENTE O MESMO!  Vendem tudo!  Inclusive felicidade.  É pra isso, aliás, que o pastor está vendendo tijolinhos e já avisou que depois vai vender "argamassinha, para assentar os tijolinhos"!  
Gente, isso é absurdo demais!
Lutero deve estar revirando no túmulo, diante do que fizeram da sua Igreja... 
=(
Mas, quer saber?  Chega de falar disso... Já rendeu demais!

EmmyLibra
Feb 10, 2013 - 9:20p.m.


Monday, February 04, 2013

Repulsa


Até a presente data, não conheci ateus com caráter duvidoso. Não estou dizendo que não há.  Deve haver, talvez muitos, mas o que estou dizendo é que EU não conheci nenhum.
Mas religiosos safados, hipócritas, sem-vergonhas, desonestos, preconceituosos, maus mesmo... esses eu conheço aos montes! Logo eles, que posam de "salvos pelo sangue do cordeiro bla bla bla bla bla bla bla..." (Se sangue do cordeiro soubesse disso... sei não! Deus tenha misericórdia de todos nós!!!)
E cada dia estou tomando mais REPULSA disso tudo! Cada dia me sinto menos e menos e menos atraída por qualquer manifesto religioso, por qualquer crença, qualquer divisão. Prefiro não ter credo, e crer em Deus à minha maneira, do que me enveredar por certos movimentos religiosos, que são criadores de fronteiras entre as pessoas, verdadeiras fábricas de fanáticos e de loucos.
Religião deveria "religar o homem a Deus", no entanto só serve para separar os homens uns dos outros... Fico me perguntando o que Deus acha disso tudo...

:(

Uma confissão: Tenho muito mais medo de um fanático religioso do que de um batalhão de céticos!

Se minha opinião desagrada, sinto muito.. É isso que eu penso. Prefiro dizer a verdade, a fazer o papel da pia, boazinha, santa... Esse papel não combina comigo!
E, já que não me converti a nada (nem pretendo!), nem estou "salva" pelo sangue de ninguém, então devo cuidar de não mentir, não ser falsa, nem hipócrita... Senão, estarei seriamente encrencada com as contas que terei que prestar a Deus do que fiz da minha vida!
Ele, certamente, me perguntará quanto respeitei ou desrespeitei as pessoas à minha volta, se fui honesta ou desonesta, se feri, se menti, se falseei, se manipulei, se subjuguei ou escravizei, se usei as pessoas, se tiranizei os animais, se criei artefatos de destruição, se usei meus "dons" para o mal...
Essas são as únicas certezas que habitam meu coração!

):

P.S.: Pode me criticar à vontade, se quiser, pode descer a lenha! Mas recomendo que não tente me converter a nada, pq estará perdendo seu precioso tempo!

EmmyLibra
Feb 4, 2013 - 3:15 p.m.


Friday, February 01, 2013

Pessoas inteligentes são mais sociáveis?


Segundo publicação da revista Galileu*,
"Quanto maior o QI, maior a capacidade de socializar com as pessoas e de entender os próprios sentimentos. A capacidade de lidar bem com suas próprias emoções e as emoções dos outros está vinculada ao grau de inteligência da pessoa. Pessoas inteligentes tendem a ser mais sociáveis – ou menos suscetíveis à sucumbir diante das 'trincheiras cotidianas da vida adulta'”. 




Discordo.
Dizer que todos os pernambucanos são brasileiros não é o mesmo que dizer que todos os brasileiros são pernambucanos!
Pessoas que se relacionam bem têm realmente inteligência emocional mais bem estruturada, mas isso não quer dizer, necessariamente, que pessoas inteligentes são bem relacionadas. 
Conheço (Pessoalmente, mesmo! Não é de ouvi dizer!) pessoas que têm Q.I. bem acima da média geral do seu meio e JUSTAMENTE POR ISSO têm dificuldades de se relacionar, porque aqueles que estão na média, vendo-se diante delas, sentem-se inibidos, diminuídos, frustrados, incapazes, INVEJOSOS... E acabam por excluí-las de suas "rodas" de amizade.  
Grandes recursos de inteligência se desperdiçam hoje, em toda parte, porque, para adequarem-se e manterem laços sociais, algumas pessoas com maior capacidade de raciocínio acabam por "nivelar-se por baixo". A necessidade de relacionar-se acaba prevalecendo às suas aptidões e elas erram propositalmente, participam menos das atividades intelectuais e expõem menos a própria capacidade, para não se sobressaírem aos demais e não se sentirem assim, excluídas.

EmmyLibra
Feb 1st, 2013 - 10:50a.m.


*(http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/1,,EMI329825-17770,00.html) 
O post nasceu de um comentário feito sobre a publicação da revista Galileu, a cujo link tive acesso através da sua página de Facebook.
"Nivelar-se por baixo"  é referência feita a uma fala da professora Agnes Casali, do Centro Universitário UNA, Belo Horizonte, MG, em conversa informal que tivemos sobre o assunto. Obrigada, Agnes, por suas observações sempre tão coerentes!



Wednesday, January 02, 2013

Ano Novo


[Antes da idéia, a eternidade de um pensamento anônimo, esquecido, vão. 
E eis que nasce o que pode ser útil!]

...Como se, no infinitesimal instante que nossa ilusão concebe,
Um infinitesimal instante que supostamente separa os anos
– O ano velho do ano novo, passado e futuro ali, o vivido e o esperado,
Pudéssemos todos existir em absoluta perfeição,
Em divindade.

Como se pudéssemos reunir,
Na suposta infinitude daquele instante
O que sonhamos, o que desejamos.

Então, mergulhamos nesse desejo, para fazê-lo real.

Como se congelássemos o atemporal (ilusão de instante)
Que está entre os tempos do passado e do futuro
Para nele vivermos – congelados!

Como se o inexistente instante entre os instantes
Que em nossa ilusão separa dois anos
Fosse real
E nele pudéssemos atingir todas as metas.

Pensamentos uníssonos de paz, amor, esperança, fazem-se nos homens.
(Oh! Seres propensos à ilusão!)
Mas, o que são a paz, o amor e a esperança?
Do que são feitos?
Que formas subjetivas há por trás de cada idéia
E por dentro de cada pensamento, de cada ser?
Que significam essas cousas,
Senão o que compreendemos delas, em nós, absolutamente,
Sem realmente ser algo que se defina
Em palavras, ou mesmo em consciência, compreensão, realidade?

Pensamentos uníssonos em quimeras
Que ganham nomes pomposos e romanescos
– Status de coisas boas!
(de verdades)

Pensamentos uníssonos
Na inutilidade e na futilidade de idéias
Que jamais deixarão de ser o que são – idéias
Para tornarem-se algo palpável ou rentável, real.

Pensamentos que se somam, multiplicam, compartilham,
Jogando fora a chance única e verdadeira
De um hiato de real consciência
Em que nos permitíssemos ser autênticos
Em que nos permitíssemos ser o que realmente somos: 
Mutações eternas, desordem, caos  – verdades incontestáveis!

Pensamentos que desperdiçam energias criadoras!

Pensamentos jogados fora na soleira do portal do ano novo,
Como todos os que lhe antecederam em todas as soleiras
De todos os portais
De todos os anos que um dia eram novos
E que da soleira dos seus portais para adiante já viraram velhos
E nos envelheceram,
Nos arrastaram,
Nos ceifaram o tempo
– Apesar dos pensamentos uníssonos a pedir
Pelo subjetivo e etéreo, como se palpável fosse.
E como se, ao ser pensado no infinitesimal instante
(irreal instante)
Que separa os anos
(que supostamente separa os tempos passado e futuro)
Pudéssemos fazê-lo de irreal em real
De fútil (e estúpido) sentimento
Em eternidade.

E nos agarramos ao (inexistente) instante que separa os instantes
Para nele construirmos felicidade,
Que nada mais é do que um conceito a mais,
Fugaz, fútil, inútil,
Mas que alimentamos em nós – dentro de nós,
Para que sobrevivam nossas almas 
Diante da ilusão (fecunda)
De que o divino se faz corpo
E permanece em nossa vida real,
Da soleira do ano novo para adiante.


EmmyLibra
Jan 02, 2013 - 12:46p.m.



Friday, December 28, 2012

Virtual X Real

O mundo virtual é apenas um acessório do mundo real 
e o que fazemos nesse mundo virtual deve ser apenas
uma extensão dos nossos atos da vida real. 

Jamais permita-se o contrário!

EmmyLibra
Dec 28, 2012 - 09:30 a.m.


Monday, December 17, 2012

Hipocrisia




"Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus. [...]
E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.
Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará."
Mateus 6:1,5-6


Antigamente, nas pequenas cidades – que eram quase a totalidade do que havia –, era comum as pessoas se reunirem nos finais de tarde, sentados à pracinha, para conversar, trocar experiências, ouvir conselhos dos mais velhos, cantar... Era hábito observar as crianças brincando no entorno da praça, ficar à toa, jogar cartas, mas, sobretudo, fazer amizades ali.
Hoje, os tempos são outros.  Não há mais tempo para a pracinha e,  mesmo as cidades que permanecem pequenas em relação às demais, cresceram muito!  Cresceram tanto, que não há mais distância entre uma e outra cidadela, entre um e outro arraial, entre um e outro país!  Estamos falando agora da internet, que amplia os horizontes das pessoas de tal modo, que esses horizontes muitas vezes se confundem.  E diminuem distâncias, fazendo com que o que está longe pareça perto.
Mas, em contrapartida, a internet criou outro tipo de distanciamento, que é aquele em que não conhecemos o outro, mas o que ele quer que pensemos que ele é.  Não sabemos quem está do outro lado, teclando conosco, porque a banda larga não é suficientemente larga pra transmitir as sensações, os cheiros, nem pra nos permitir certezas acerca da identidade do outro... Como a praça permitia.  
Então, trocamos a praça pelo Facebook, como ponto de encontro, com seu bate-papo, jogo on line... Nele trocamos abraços e beijos chamados virtuais,  tudo isso com abreviaturas, charminhos, emoticons.  E "fazemos amizades" ali.  
As distâncias de outrora eram percorridas a pé, a cavalo, a lombo de burro, carroça.  As de hoje são instantaneamente sanadas por um clique de mouse, uma webcam.
E nossos finais de tarde se prolongam pela noite adentro, varando madrugadas, se der vontade.  Insônias que outrora eram motivo pra um bom livro e um copo de leite morno com canela, agora viram pequenos recados na rede social.
Mas, voltando à praça... Muitos, no afã por aparência, usam o Facebook e outras redes como sua praça, fazendo tudo o que se fazia naqueles espaços públicos de outrora.  Inclusive o que não era recomendável nem ontem, nem hoje, nem nunca:  alardear suas preces, pra mostrar a todos que está orando, que está em comunhão com Deus (ou qualquer outra forma de adoração), ou dando esmolas ou entoando cânticos de louvor.
Isso poderia ser chamado de ridículo, apenas.  Bem poderia. 
Mas, não! Se é pra falar de Deus em praça pública, sejamos justos! Busquemos nas Suas palavras – que esses, a quem Jesus provavelmente chamaria de hipócritas, vivem pregando – um termo mais adequado pra chamar, ao invés de "ridículo".  Que tal... "reprovável"?
Ora, se vamos fazer da rede social uma praça, tomemos o cuidado de usar essa praça para o bate-papo, a troca de informações, o riso descontraído, a piada, a música.  A César o que é de César?  Ninguém deve ir à igreja para essas coisas, convenhamos.  Se vai, está errado do mesmo jeito.  Ou pior!
Então, a Deus o que é de Deus.  "Quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. [...] Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará."
Tem gente que esquece que há guerras acontecendo no mundo, criancinhas com câncer (adultos também!);  esquecem-se da AIDS, das misérias de toda sorte, da depressão, do suicídio, das pessoas que cuidam de seus entes queridos mutilados por acidentes de trânsito (pra não falar dos próprios acidentados!), das mortes prematuras de crianças vítimas de violências de toda sorte, dos medos e anseios que se aninham no seio da humanidade inteira!  Esquecem-se que todas essas coisas – e ainda outras tantas que não caberiam aqui nem seria necessário mencionar – pedem, urgem pelo olhar benevolente do Criador.  Essas necessidades REAIS, certamente são prioridades para o Pai.
Aí, talvez por falta do que fazer ou por pura autopromoção – que me perdoem a franqueza –, vão à praça (Facebook) para orar: "Senhor, abençoe isso e aquilo, proteja quem lê isso agora, minha casa, minha família, porquinhos da Índia... bla bla bla bla bla bla bla..."  
Gente do céu!  Quanta baboseira!
Esperam o quê?  Que Deus leia o Facebook?  Que ele curta seu post?  Que ele ATENDA suas preces? Ora, mas os hipócritas que oram em praça pública, onde todos podem assistir, "Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa"!  Na verdade, não queriam que Deus ouvisse, porque se o quisessem, e sendo sabedores das Escrituras – como dizem ser e até atacam os que não a conhecem – teriam "se fechado em seu quarto e orado em secreto, para que o Pai, que está em secreto, os recompensasse."
E aí, quando eu digo que prefiro não crer em nada produzido por mãos de homens, ou quando digo que sou simplesmente deísta, porque o mundo cristão é tudo, menos cristão, e não cabe no meu entendimento de Deus em sua essência, sou criticada veementemente!  Quase violentamente – pra ser mais exata!
É justo?!
Pois esses evangélicos que perambulam por aí, gritando suas preces em "praças públicas", criticando outras crenças e alardeando que estão salvos... Não sei, não!  Me fazem lembrar outro trecho muito eloquente do discurso de Jesus, quando ele dizia, por meio de uma parábola:

"Quando por alguém fores convidado às bodas, não te reclines no primeiro lugar; não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu; e vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o último lugar.
Mas, quando fores convidado, vai e reclina-te no último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante de todos os que estiverem contigo à mesa.  Porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado."
Lucas 14:8-11

E fica a pergunta:  quem abre a boca pra dizer que já está salvo... Será mesmo que está?
Das duas, uma:  ou não conhece o livro que chama de sagrado e que vive venerando, ou se faz de besta, pensando que Deus não lhe cobrará contas do que aprendeu ao longo dessa vida!
Mas isso é assunto pra um outro post, quem sabe numa outra ocasião, em que eu esteja um pouco menos ácida!
Por enquanto, prefiro reiterar que o Facebook ficou no lugar da praça, em que sentávamos nos finais de tarde para conversar, trocar experiências, ouvir conselhos dos mais velhos, cantar, observar as crianças brincando e fazer amizades.  
É bom que nos lembremos que lugar de orar é dentro do nosso quarto, com a porta fechada, e falando a Deus em secreto.  Não é gritando em praça, para que os outros assistam!  A menos que nosso interesse seja essa repulsiva autopromoção, o que nos tira o direito de esperar de Deus o que quer que estejamos pedindo, nem que ele aceite nossos agradecimentos, por mais lindamente escritos que estejam, nem qual moldura maravilhosa de flores e bichinhos tenhamos posto ao seu redor!
A essas coisas Jesus deu um nome:  hipocrisia.

EmmyLibra
Dec, 17, 2012 - 4:33p.m.

Friday, December 14, 2012

Onde Deus está




No dia em que as pessoas começarem a reconhecer isso, 
adeus, doenças da alma! Adeus, manipulação dos opressores! 
Adeus, medos! Adeus, tristezas, incertezas, dores... 
Elas terão encontrado o paraíso dentro dos próprios corações 
e pararão de buscá-lo em outros lugares, 
onde ele jamais poderia estar!


EmmyLibra
Dec. 14, 2012 - 10;18p.m.


*Imagem publicada no Facebook, sem créditos de autoria.


Saturday, December 08, 2012

Maria José da Conceição


Ainda pego o telefone pra ligar pra ela e contar meus sucessos, pedir conselhos nas dificuldades, chorar os problemas...
Mas ela não está do outro lado da linha há anos.
E há anos eu me pergunto todos os dias como vou suportar viver sem ela.
Mas a vida vai me dizendo que é assim mesmo, que eu preciso continuar e que agora sou eu a mãe que não pode faltar para o meu filho.
Então, eu tento guardar em mim tudo que posso: o amor que recebi dela e que me traz seu sorriso divertido, seu olhar miúdo e inteligente, sua fala sempre cheia de razão e sabedoria. E assim, sinto que de algum modo ela continua aqui, dentro de mim, em cada um dos meus sucessos, em cada momento de dificuldade e em cada lágrima. Comemora comigo, me aconselha, me acolhe.
E acho que será sempre assim. Para sempre assim... Minha mãe.


EmmyLibra
Dec 8, 2012 - 5:13 p.m.

Sunday, December 02, 2012

Réveillon hoje

...E mais um dezembro aí está.  E todos aqueles que no réveillon vestem branco, pedem paz e dizem que querem mudar de vida, poderão refazer os votos de felicidade e estourar o espumante, daqui a poucos dias.
Se você é desses que querem mudanças, eu tenho uma informação bombástica para você:  eu sinto muito, você vai continuar querendo!
Quem apenas quer, não vai mudar. Nunca.  Porque querer já lhe basta!  
Quem muda, simplesmente muda.  Nunca fica na mesmice, nunca aceita que a vida o arraste como o rio arrasta folhas secas.  Muda, porque a mudança, a transformação faz parte de si.  Muda todos os dias do ano, todos os dias da vida, todos os dias que são dias, com nascer e pôr de sol ou com chuva caindo ou com nuvens no céu.  Simplesmente muda.
Quem é de de progresso, de evolução, não precisa querer mudar.  A evolução é uma constante em todos os seus atos e momentos.
Você ainda quer mudar?  Pois vai continuar querendo...
Então, não queira!  Não espere o ano novo para promover transformações e para buscar progresso e evolução. Simplesmente evolua.  Hoje, agora, já!
Quem espera "que o ano novo seja repleto de felicidade", atrela a própria vida a um futuro que jamais se transformará em presente, pois a partir do primeiro instante do que se chama "ano novo", há sempre o envelhecer desse ano, com todos os mesmos dias do ano velho e os mesmos velhos planos que se repetem e se repetem e se repetem... Sem jamais sair do projeto de felicidade.
Querer é não ter, não ser, não poder.  
Não queira. Simplesmente tenha, seja, faça, ouse, mude, transforme, viva!
E assim, não precisa dizer: "Feliz ano novo".  
Diga:  "Feliz HOJE novo!" – todos os dias!

EmmyLibra
Dec 2nd, 2012 - 11:25p.m.

Saturday, December 01, 2012

Uma solidão


Tem horas que a vida parece que está acabando... 
Tem horas que está, mesmo. 
E tem horas ainda piores: em que gostaríamos que estivesse.  
Há momentos em que eu consigo me sentir das três maneiras, 
– De uma só vez! 
É um pedaço de mim se diluindo e escorrendo no solo árido da solidão...
Uma solidão dorida e profunda, 
(do teu exato tamanho)
Que nem todas as outras pessoas do mundo, juntas, em torno de mim, suplantariam...  

Fica comigo por um segundo. Apenas um segundo... 
E eu desejarei a vida como outrora desejei.  
E, quem sabe, ela resolva não se acabar assim, 
Escoando pela terra árida de uma solidão que só eu sei o que significa...

EmmyLibra
Dec 1st, 2012 - 10:04p.m.


Thursday, October 04, 2012

Prisma


Sabemos que matéria é energia condensada. Foi Albert Einstein quem disso isso primeiro?  Não importa.  Importa que, partindo desse princípio, podemos pensar:  o que seria, então, nosso corpo, senão uma concentração de energia a reunir-se em cada partícula sua, formando um todo perfeito, funcional?

Assim também, o nosso espírito.  Somos seres divinos, isso está em vários ensinos religiosos, inclusive no cristianismo, quando Jesus disse "Vós sois deuses"(João 10:34). Queria ele, acaso, dizer com isso que seríamos equiparados a Deus?  Não, acho que não.  Queria ele, na verdade, dizer que somos individualidades com energias provindas do Criador, que nos fez – e aí entra novamente a Bíblia – "...à sua imagem e semelhança."(Genesis 1:26)

Sermos "deuses" nos faz imensamente responsáveis!  Somos capazes de criar, então. Somos capazes de gerar vida – ou morte – através dos nossos verbos e do nosso desejo.  "No princípio era o Verbo, [...] e o Verbo era Deus. [...]  Todas as coisas foram feitas por intermédio dele..." (João 1:1,3)

Nosso espírito – energia –, somado ao nosso corpo – condensação de energia – é de uma potência imensurável, capaz de gerar ou destruir com tamanha facilidade quanto o Criador nos teria "soprado a vida pelas narinas"!(Gênesis 2:7) 
O universo inteiro também tem nossas propriedades, nossa composição. Se observarmos o nascimento de uma estrela, veremos energia a se mover e a criar; se observarmos nosso próprio planeta Terra, veremos que nele todos os seres interagem de forma equilibrada, fazendo moverem-se as energias que há em cada um, produzindo vida o tempo inteiro.  Somos parte desse planeta, parte do universo, interagimos com o ambiente à nossa volta, que interage com ambientes do entorno, que interagem com ambientes em escala maior, até atingir o infinito.

O universo recebe de cada movimento nosso a propagação de energia. E reage a essa energia, colorindo-se com ela.  Modificamos o mundo a cada respirar, a cada movimento que fazemos, por mais banal que pareça.  Um adeus numa estação faz oscilar o ar à nossa volta, e essa corrente suave de vento que geramos vai passando a fazer parte do universo em suas formas, naquele instante.

A influência do nosso espírito também causa movimentos universais. Toda a criação de Deus tem em si uma alma, um espírito, que lhe anima.  O universo assim também o é, animado por uma energia espiritual.  E o influenciamos com nossos sentimentos, que são emanações permanentes do nosso espírito.

É bom lembrarmos que, em matéria, nossa energia está condensada, reunida em um único ponto, que se solidifica diante dos nossos sentidos carnais.  Em espírito, não.  Somos infinitamente capazes de propagar energias, expandindo nossos pensamentos e intenções em torno de nós, e em escala a todo o pensamento universal.  Somos capazes de modificar o imaterial com nossas energias espirituais, tanto quanto somos capazes de modificar nosso mundo material com nossas atitudes palpáveis.

O planeta Terra nos demonstra, a todo momento, a força das leis universais.  Aqui vemos um corpo caindo, e a lei da gravidade se provando; ali vemos uma planta germinando, e a lei de transformação contínua se provando; acolá temos uma geleira derretendo e a lei de retorno nos dizendo que é a colheita da nossa imprudência ao longo dos séculos de doentia modernidade, em que só pensamos em posses e poderes, esquecendo-nos de cuidar da nossa casa-Terra.  O equilíbrio do universo a providenciar a vida material e a extinção dela nos momentos oportunos é a prova de que somos parte dele, interagimos o tempo todo, não apenas material, mas espiritualmente também.

Um dos assuntos que a física teoriza a respeito, são as propriedades da luz.  Como a conhecemos, segundo estudiosos do assunto, a luz seria reunião de todas as cores, e podemos extraí-las ou "desmembrá-las", fazendo com que incida sobre uma das faces de um prisma. Este, por consequência, separará as cores, funcionando como um filtro e nos dando a oportunidade de utilizar essas partes individualmente, extraindo de cada uma delas uma utilidade.  São energias de intensidades e frequências diferentes.

É pela presença da luz que a planta realiza a fotossíntese, para uma melhor interação com o ambiente que a cerca; é pela presença da luz que nossa glândula pineal sincroniza nosso relógio interno, nos dando condições de programar nossos atos para nossa sobrevivência material.  Desde o vegetal até o homem, todos os seres vivos têm em si alguma relação com a luz. Mesmo os que vivem nas profundezas da terra ou do mar, sobre quem a luz material não incide diretamente, muitas vezes dependem dela, já que se alimentam de partículas que interagem com o que há na superfície.

A luz de Deus, assim como a luz material, que nossos olhos físicos captam, também é composta de cores.  Cores estas que não somos capazes de perceber com nosso aparelho físico de percepção, nossos sentidos.  Não podemos captar com a matéria o que é espiritual, isso é fato!  Mas podemos, com nosso espírito, enxergar a luz com que o Criador nos ilumina espiritualmente, obtendo delas cada elemento necessário para alimentar nossas esperanças, nossos mais profundos sentimentos e emoções.

Para isso, porém, é preciso que sejamos prisma. É necessário que filtremos a luz divina de modo a refletirmos, uns nos outros, suas propriedades, dando-nos mutuamente as condições necessárias para que nossos espíritos nutram-se daquilo que lhes falta.

Assim como o prisma material, utilizado pelos cientistas para a divisão da luz em sete cores, também nós, como prismas espirituais, precisamos estar limpos o bastante para não interferirmos nesse reflexo.  Se o prisma estiver sujo, opaco, manchado, será um obstáculo à luz, e esta não refletirá suas cores.  Se não estivermos translúcidos, também nós seremos obstáculos à luz divina, e ela encontrará resistência ao tentar propagar-se aos que nos cercam.

Somos co-criadores no universo.  Somos deuses, não podemos esquecer!  Somos responsáveis por nós mesmos e uns pelos outros. Somos capazes de criar e de destruir, pelas nossas intenções.  Propagamos nossos sentimentos ao universo, marcando-o benéfica ou maleficamente.

A luz que nos beneficia materialmente, composta de sete cores, pode ser mais bem compreendida quando separada em cada uma de suas partes.  Da mesma forma está para nosso espírito a luz divina: só a compreenderemos quando formos capazes de desmembrá-la em cada uma de suas cores, diante dos olhos da nossa alma.

Egoísmo, orgulho, vaidade, arrogância, inveja, ódio, mágoa, violência, são nódoas sobre nosso espírito, embaçando-o e fazendo com que a luz divina não o atravesse. São bloqueios para a luz.  Quando nos livramos dessas impurezas, então começamos a limpar nossa superfície, e nos tornamos translúcidos o bastante para que o outro compreenda Deus em sua bondade e em seu amor.

Até então, a luz está chegando para todos, indistintamente. As bênçãos estão se derramando em partículas que se espalham sobre nós o tempo inteiro. Mas poucos de nós nos beneficiamos integralmente dela, porque nossa crosta está tão densa com essas sujeiras espirituais, que somos incapazes de absorver sua energia. Propagar, então, é bem difícil, nessas circunstâncias.

O trabalho de limpeza da alma é tão árduo, quão densa é a camada de sujeira que temos que remover para que a luz possa novamente nos penetrar.  Precisa sacrifícios, para ficarmos definitivamente limpos, cristalinos.

Mas há um "detergente" natural em nós, capaz de dissolver todas essas impurezas, devolvendo-nos a transparência:  o Amor.

Quando amamos, não podemos guardar em nós qualquer sentimento que nos faça desmerecer o ser amado!

No livro "O Dom Supremo", Henry Drummond nos alerta sobre o Amor como sendo a única maneira de respeitarmos os mandamentos divinos, ou seja, as leis universais.  Diz-nos ele que somos incapazes de descumprir nosso compromisso com a perfeição, se simplesmente amarmo-nos uns aos outros e a nós mesmos também – condensação dos mandamentos divinos, segundo Jesus Cristo (Mateus 22:39), e mencionado em muitas outras orientações religiosas. 

Somos incapazes de ferir o outro, quando o amamos.  Somos incapazes de vestirmo-nos de arrogância, orgulho ou prepotência, porque isso nos afastaria do ser amado ou o esmagaria sob o peso desses sentimentos ruins.  Somos incapazes de vaidades e egoísmo, e jamais teremos inveja nem guardaremos mágoa daqueles que nos são caros!  Não conseguiremos violar os direitos dos outros, nem sua integridade física ou moral, porque, se os amamos, queremos sua felicidade!  E, se nos amamos a nós mesmos, também não nos submeteremos a dores ou a infelicidades. Ao contrário, buscaremos o tempo todo viver em harmonia com o universo.

Sejamos, então, prismas límpidos, transparentes. Sejamos cristais lapidados e simétricos,  busquemos nossa perfeição em todos os sentidos, para que Deus se manifeste entre nós, dando-nos a chance de conhecê-Lo e compreendê-Lo. Sejamos, em Suas mãos, instrumento de propagação da Sua luz e do Seu Amor.


EmmyLibra
Aug 6th, 2012 - 9:22 a. m.

Monday, October 01, 2012

O dobro


Imagine que a vida é um cômodo
Dividido ao meio por uma parede, 
E, nessa parede, uma porta fechada a chave... 

Então, eu passo muito tempo num dos lados desse cômodo, 
Sem saber o que há no outro lado,
Até que alguém aparece com uma chave mestra
E abre a porta, 
Me mostrando o que eu desconhecia. 

Daí em diante, eu fico com o dobro do espaço pra viver,
Com o dobro do ar pra respirar,
E o dobro da vida...

Você é a pessoa com a chave mestra!
(e eu nunca havia agradecido por isso)

Depois de você, 
Minha expansão é tamanha, 
Que eu não tenho mais como voltar às medidas 
Pequenas e limitadas de antes.  

Depois de você, eu não sou mais a mesma.  
Passei pela porta.
Posso circular!



EmmyLibra
Oct 1st, 2012 - 10:15p.m.


À minha linda flor, meu sincero agradecimento por girar a chave mestra e me presentear com uma metade de mim mesma que eu desconhecia, e que hoje me faz ver o mundo com olhos mais generosos.
Obrigada por transformar minha vida em duas, 
me dando uma segunda chance que eu não supunha merecer.
Um beijo!