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Saturday, June 08, 2019

Não se avexe não

Não se avexe não
Meu coração
Não se avexe não
Já vou chegar
Trago uma canção
Meu coração
Só pra te dar

Não se avexe não
Que essa saudade
No coração
E de verdade
Não se avexe não
Que eu tô chegando
Pra te abraçar

...Saudade dói
...Saudade dói
...Mas um abraço
...Pode curar

...Não diz mais nada
...chega pra cá
...Mata a vontade
...Vem me abraçar

Não se avexe não
Meu coração
Não se avexe não
Já vou chegar
Trago uma canção
Meu coração
Só pra te dar

Não se avexe não!
Não se avexe não!
Não se avexe não!
Não se avexe não!

EmmyLibra
Jun 8, 2019 - 7:20 a.m.

Saturday, August 17, 2013

Seu olhar

Seu olhar,
Ah! Esse seu olhar...
Me fala de coisas lindas que nunca vi, 
Me fala de sonhos que nem ousei sonhar... 

Seu olhar,
Ah! Esse seu olhar...
Me conta histórias de um tempo perdido 
Entre o espaço e o medo, 
Entre o desejo e a dor... 

Ah! Esse seu olhar...

EmmyLibra
Aug 17, 2013 - 8:57 p.m.

Monday, June 10, 2013

Sem estrelas

Um cego de nascença não sente saudades daquilo que nunca viu. 
Até que um dia, por uma mágica qualquer, ele sonha com uma noite de verão, sem nuvens, sem lua, com o céu coalhado de estrelas.  E ele pode ver, nesse sonho, toda a beleza e imensidão do universo, com pedras preciosas cintilando sobre o pano escuro da noite.
Ao acordar, na escuridão da sua cegueira [sem estrelas ao fundo], ele já não é mais o mesmo. E, deste momento em diante, sente saudades do que viu no sonho.  Sente saudades do milagre de ver, de sentir.
Assim aconteceu comigo: eu era uma, antes de ver o pano escuro da noite salpicado de luzes coloridas, e me tornei outra, ao despertar do sonho. Sou outra. Incompleta, sôfrega, vazia, nostálgica. Perdida no vazio de uma cegueira em que eu nem sabia que vivia, e que era antes o meu abrigo seguro.
Sinto a escuridão tomar conta do meu olhar, tão distante do milagre de ver as luzes coloridas que antes eu ignorava...

– Para que o milagre de ver, então, numa contemplação tão breve daquele límpido céu de verão, com pedras preciosas derramadas sobre o pano escuro da noite?

Melhor seria continuar sem saber das estrelas...


EmmyLibra
Jun 10, 2013 - 3:30 p.m.


Sunday, June 09, 2013

Rosa-outono


Dá-me o beijo da tua boca rósea
E me sentirei saciada por uma vida inteira!

Mas sabe tu que minha vida findará
No seguinte instante em que descolares
Teus lábios róseos dos meus.

Findará, e em seu lugar surgirá uma nova vida:
Vazia, dolorosa, sofrida, reticente,
De longas esperas e angústias,
Na qual buscarei novamente o rosa-outono
E a umidade doce e morna
Da tua boca nua.

Mas morrerei de novo
E tantas vezes quantos forem teus abandonos,
Tuas partidas, 
Tuas recusas em pousares teus róseos lábios 
Nos meus.

Morrerei sempre que tuas ausências em mim
Dêem à minha existência
Os ares frios e os campos sem flores
Desse infindável outono
De viver sem ti.

EmmyLibra

Jun 9, 2013 – 9:30 a.m.

Saturday, December 01, 2012

Uma solidão


Tem horas que a vida parece que está acabando... 
Tem horas que está, mesmo. 
E tem horas ainda piores: em que gostaríamos que estivesse.  
Há momentos em que eu consigo me sentir das três maneiras, 
– De uma só vez! 
É um pedaço de mim se diluindo e escorrendo no solo árido da solidão...
Uma solidão dorida e profunda, 
(do teu exato tamanho)
Que nem todas as outras pessoas do mundo, juntas, em torno de mim, suplantariam...  

Fica comigo por um segundo. Apenas um segundo... 
E eu desejarei a vida como outrora desejei.  
E, quem sabe, ela resolva não se acabar assim, 
Escoando pela terra árida de uma solidão que só eu sei o que significa...

EmmyLibra
Dec 1st, 2012 - 10:04p.m.


Thursday, October 04, 2012

Prisma


Sabemos que matéria é energia condensada. Foi Albert Einstein quem disso isso primeiro?  Não importa.  Importa que, partindo desse princípio, podemos pensar:  o que seria, então, nosso corpo, senão uma concentração de energia a reunir-se em cada partícula sua, formando um todo perfeito, funcional?

Assim também, o nosso espírito.  Somos seres divinos, isso está em vários ensinos religiosos, inclusive no cristianismo, quando Jesus disse "Vós sois deuses"(João 10:34). Queria ele, acaso, dizer com isso que seríamos equiparados a Deus?  Não, acho que não.  Queria ele, na verdade, dizer que somos individualidades com energias provindas do Criador, que nos fez – e aí entra novamente a Bíblia – "...à sua imagem e semelhança."(Genesis 1:26)

Sermos "deuses" nos faz imensamente responsáveis!  Somos capazes de criar, então. Somos capazes de gerar vida – ou morte – através dos nossos verbos e do nosso desejo.  "No princípio era o Verbo, [...] e o Verbo era Deus. [...]  Todas as coisas foram feitas por intermédio dele..." (João 1:1,3)

Nosso espírito – energia –, somado ao nosso corpo – condensação de energia – é de uma potência imensurável, capaz de gerar ou destruir com tamanha facilidade quanto o Criador nos teria "soprado a vida pelas narinas"!(Gênesis 2:7) 
O universo inteiro também tem nossas propriedades, nossa composição. Se observarmos o nascimento de uma estrela, veremos energia a se mover e a criar; se observarmos nosso próprio planeta Terra, veremos que nele todos os seres interagem de forma equilibrada, fazendo moverem-se as energias que há em cada um, produzindo vida o tempo inteiro.  Somos parte desse planeta, parte do universo, interagimos com o ambiente à nossa volta, que interage com ambientes do entorno, que interagem com ambientes em escala maior, até atingir o infinito.

O universo recebe de cada movimento nosso a propagação de energia. E reage a essa energia, colorindo-se com ela.  Modificamos o mundo a cada respirar, a cada movimento que fazemos, por mais banal que pareça.  Um adeus numa estação faz oscilar o ar à nossa volta, e essa corrente suave de vento que geramos vai passando a fazer parte do universo em suas formas, naquele instante.

A influência do nosso espírito também causa movimentos universais. Toda a criação de Deus tem em si uma alma, um espírito, que lhe anima.  O universo assim também o é, animado por uma energia espiritual.  E o influenciamos com nossos sentimentos, que são emanações permanentes do nosso espírito.

É bom lembrarmos que, em matéria, nossa energia está condensada, reunida em um único ponto, que se solidifica diante dos nossos sentidos carnais.  Em espírito, não.  Somos infinitamente capazes de propagar energias, expandindo nossos pensamentos e intenções em torno de nós, e em escala a todo o pensamento universal.  Somos capazes de modificar o imaterial com nossas energias espirituais, tanto quanto somos capazes de modificar nosso mundo material com nossas atitudes palpáveis.

O planeta Terra nos demonstra, a todo momento, a força das leis universais.  Aqui vemos um corpo caindo, e a lei da gravidade se provando; ali vemos uma planta germinando, e a lei de transformação contínua se provando; acolá temos uma geleira derretendo e a lei de retorno nos dizendo que é a colheita da nossa imprudência ao longo dos séculos de doentia modernidade, em que só pensamos em posses e poderes, esquecendo-nos de cuidar da nossa casa-Terra.  O equilíbrio do universo a providenciar a vida material e a extinção dela nos momentos oportunos é a prova de que somos parte dele, interagimos o tempo todo, não apenas material, mas espiritualmente também.

Um dos assuntos que a física teoriza a respeito, são as propriedades da luz.  Como a conhecemos, segundo estudiosos do assunto, a luz seria reunião de todas as cores, e podemos extraí-las ou "desmembrá-las", fazendo com que incida sobre uma das faces de um prisma. Este, por consequência, separará as cores, funcionando como um filtro e nos dando a oportunidade de utilizar essas partes individualmente, extraindo de cada uma delas uma utilidade.  São energias de intensidades e frequências diferentes.

É pela presença da luz que a planta realiza a fotossíntese, para uma melhor interação com o ambiente que a cerca; é pela presença da luz que nossa glândula pineal sincroniza nosso relógio interno, nos dando condições de programar nossos atos para nossa sobrevivência material.  Desde o vegetal até o homem, todos os seres vivos têm em si alguma relação com a luz. Mesmo os que vivem nas profundezas da terra ou do mar, sobre quem a luz material não incide diretamente, muitas vezes dependem dela, já que se alimentam de partículas que interagem com o que há na superfície.

A luz de Deus, assim como a luz material, que nossos olhos físicos captam, também é composta de cores.  Cores estas que não somos capazes de perceber com nosso aparelho físico de percepção, nossos sentidos.  Não podemos captar com a matéria o que é espiritual, isso é fato!  Mas podemos, com nosso espírito, enxergar a luz com que o Criador nos ilumina espiritualmente, obtendo delas cada elemento necessário para alimentar nossas esperanças, nossos mais profundos sentimentos e emoções.

Para isso, porém, é preciso que sejamos prisma. É necessário que filtremos a luz divina de modo a refletirmos, uns nos outros, suas propriedades, dando-nos mutuamente as condições necessárias para que nossos espíritos nutram-se daquilo que lhes falta.

Assim como o prisma material, utilizado pelos cientistas para a divisão da luz em sete cores, também nós, como prismas espirituais, precisamos estar limpos o bastante para não interferirmos nesse reflexo.  Se o prisma estiver sujo, opaco, manchado, será um obstáculo à luz, e esta não refletirá suas cores.  Se não estivermos translúcidos, também nós seremos obstáculos à luz divina, e ela encontrará resistência ao tentar propagar-se aos que nos cercam.

Somos co-criadores no universo.  Somos deuses, não podemos esquecer!  Somos responsáveis por nós mesmos e uns pelos outros. Somos capazes de criar e de destruir, pelas nossas intenções.  Propagamos nossos sentimentos ao universo, marcando-o benéfica ou maleficamente.

A luz que nos beneficia materialmente, composta de sete cores, pode ser mais bem compreendida quando separada em cada uma de suas partes.  Da mesma forma está para nosso espírito a luz divina: só a compreenderemos quando formos capazes de desmembrá-la em cada uma de suas cores, diante dos olhos da nossa alma.

Egoísmo, orgulho, vaidade, arrogância, inveja, ódio, mágoa, violência, são nódoas sobre nosso espírito, embaçando-o e fazendo com que a luz divina não o atravesse. São bloqueios para a luz.  Quando nos livramos dessas impurezas, então começamos a limpar nossa superfície, e nos tornamos translúcidos o bastante para que o outro compreenda Deus em sua bondade e em seu amor.

Até então, a luz está chegando para todos, indistintamente. As bênçãos estão se derramando em partículas que se espalham sobre nós o tempo inteiro. Mas poucos de nós nos beneficiamos integralmente dela, porque nossa crosta está tão densa com essas sujeiras espirituais, que somos incapazes de absorver sua energia. Propagar, então, é bem difícil, nessas circunstâncias.

O trabalho de limpeza da alma é tão árduo, quão densa é a camada de sujeira que temos que remover para que a luz possa novamente nos penetrar.  Precisa sacrifícios, para ficarmos definitivamente limpos, cristalinos.

Mas há um "detergente" natural em nós, capaz de dissolver todas essas impurezas, devolvendo-nos a transparência:  o Amor.

Quando amamos, não podemos guardar em nós qualquer sentimento que nos faça desmerecer o ser amado!

No livro "O Dom Supremo", Henry Drummond nos alerta sobre o Amor como sendo a única maneira de respeitarmos os mandamentos divinos, ou seja, as leis universais.  Diz-nos ele que somos incapazes de descumprir nosso compromisso com a perfeição, se simplesmente amarmo-nos uns aos outros e a nós mesmos também – condensação dos mandamentos divinos, segundo Jesus Cristo (Mateus 22:39), e mencionado em muitas outras orientações religiosas. 

Somos incapazes de ferir o outro, quando o amamos.  Somos incapazes de vestirmo-nos de arrogância, orgulho ou prepotência, porque isso nos afastaria do ser amado ou o esmagaria sob o peso desses sentimentos ruins.  Somos incapazes de vaidades e egoísmo, e jamais teremos inveja nem guardaremos mágoa daqueles que nos são caros!  Não conseguiremos violar os direitos dos outros, nem sua integridade física ou moral, porque, se os amamos, queremos sua felicidade!  E, se nos amamos a nós mesmos, também não nos submeteremos a dores ou a infelicidades. Ao contrário, buscaremos o tempo todo viver em harmonia com o universo.

Sejamos, então, prismas límpidos, transparentes. Sejamos cristais lapidados e simétricos,  busquemos nossa perfeição em todos os sentidos, para que Deus se manifeste entre nós, dando-nos a chance de conhecê-Lo e compreendê-Lo. Sejamos, em Suas mãos, instrumento de propagação da Sua luz e do Seu Amor.


EmmyLibra
Aug 6th, 2012 - 9:22 a. m.

Monday, October 01, 2012

O dobro


Imagine que a vida é um cômodo
Dividido ao meio por uma parede, 
E, nessa parede, uma porta fechada a chave... 

Então, eu passo muito tempo num dos lados desse cômodo, 
Sem saber o que há no outro lado,
Até que alguém aparece com uma chave mestra
E abre a porta, 
Me mostrando o que eu desconhecia. 

Daí em diante, eu fico com o dobro do espaço pra viver,
Com o dobro do ar pra respirar,
E o dobro da vida...

Você é a pessoa com a chave mestra!
(e eu nunca havia agradecido por isso)

Depois de você, 
Minha expansão é tamanha, 
Que eu não tenho mais como voltar às medidas 
Pequenas e limitadas de antes.  

Depois de você, eu não sou mais a mesma.  
Passei pela porta.
Posso circular!



EmmyLibra
Oct 1st, 2012 - 10:15p.m.


À minha linda flor, meu sincero agradecimento por girar a chave mestra e me presentear com uma metade de mim mesma que eu desconhecia, e que hoje me faz ver o mundo com olhos mais generosos.
Obrigada por transformar minha vida em duas, 
me dando uma segunda chance que eu não supunha merecer.
Um beijo!



Tuesday, September 11, 2012

Lacuna

Eu brigo comigo mesma
Digo que você não está mais aqui,
Que você não há,
Que nem há outras flores...

Mas aí você aparece no meio da noite
E aconchega-se no meu sonho,
Me deslumbrando, me desnorteando.
E acordo em suores,
Mergulhada num insuportável vazio.

Quero a paz do antes de haver você
Ou o turbilhão de haver-me em sua carne.
Mas não quero as reticentes esperas
Que não findam quando finda o dia,
Quando finda a semana, o mês,
O ano...

O pior da sua ausência
–  O que me faz querer desistir de tudo,
Até do próprio amor,
É o inconsistente futuro
Que se desenha para mim,
Para nós.

O que me tortura
Não é a sua ausência em si mesma
Ou a saudade, nem o vazio como vazio:
É a desesperança de que algum dia
Desapareça essa lacuna que há agora,
Onde, decididamente,
Só poderia haver seu corpo.

EmmyLibra
Sep 6, 2012 - 2:14 p.m.


Saturday, September 01, 2012

Drogas

Escolho sentir genuinamente o que sou capaz de sentir, 
pouco ou muito. 
Drogas, a meu ver, tomariam meu lugar na cena, 
viveriam no meu lugar o que eu gostaria de viver. 
Não preciso delas.  Sou mais eu!

EmmyLibra
Sep 2nd, 2012 - 1:15 p.m.

Friday, August 24, 2012

Escravidão


Prefiro o tempo das correntes, chicotes e troncos.
A escravidão era mais honesta!  Nos dava o direito 
de saber nossa real condição de submissão, 
que era imposta pela força física e pela violência;
não se travestia de liberdade para nos subjugar 
pela força do métrico e cuidadoso discurso,
pregações de falsas alegrias e prosperidades,
como vemos hoje em dia, e ainda pior: 
com a nossa ingênua anuência.


EmmyLibra
August 24, 2012 - 10:35pm


Tuesday, August 07, 2012

Finitude

É assim que a vida se vai:  num instante.
E desmaterializa tudo o que sabíamos
Sobre o amor.
Desmaterializa o próprio amor,
Devolvendo -lhe sua essência:
Imaterial, incondicional,
Liberto do conceito sólido e restrito
De um corpo animado.

Vai-se a vida, num instante.
Fica o amor ao etéreo, 
Ao espiritual,
Que guarda em si
A eternidade.


EmmyLibra
Aug 7, 2012 - 8:25 a.m.


Para minha grande 
e inesquecível amiga
Maria (Marie).

Saudades...


Thursday, August 02, 2012

Extremos

Tem horas que morro de saudades.


Tem horas que penso 
Que seria tão mais simples se fizéssemos de conta que nada disso há... 


Tem horas que penso que está tudo errado!


Tem horas que penso que está tudo errado porque não deveria ter começado. 
Tem horas que penso que está tudo errado porque ainda nem começou. 
Tem horas que penso que deveria acabar de vez com tudo... 
Tem horas que penso que se não começar, posso até morrer!


Tem horas que sinto uma saudade imensa de tudo o que ainda nem vivemos. 
Tem horas que o gosto que paira sobre minha língua 
Tem a tua pele impregnada nele. 
Tem horas que o gosto que tenho é de vazio... 
Um vazio tão imenso quanto essa vastidão sem fim que nos separa.. 


Tem horas que penso que a vida é cruel e injusta, 
Porque te põe assim, tão distante de mim... 
Tem horas que penso que ela me preserva.  E também a ti.
Porque tem horas que penso que os mesmos "acasos" que nos trazem
Também, por vezes, nos levam embora,
Sem que jamais preenchamos as lacunas do desejo.


Tem horas que te quero muito.
Tem horas que te quero ainda mais...
Tem horas que me pergunto até onde meu coração conseguirá se arrastar
Em  busca de paz... A paz que esse sentimento louco me roubou
Desde a hora em que morri de amor para renascer em ti.


EmmyLibra
August 2nd, 2012 - 10:55 p.m.





Friday, June 29, 2012

Sobre Deus, homem e religião

Religião é uma impositiva forma de explicar o inexplicável.
Religioso é aquele que, diante da realidade, sente-se pequeno, frágil, impotente, então entrega-se ingenuamente à religião para que lhe dirija os passos, sem jamais sentir-se capaz de  tecer questionamentos, mesmo diante de absurdos. 
Quanto a Deus, não é nem está em nenhum desses dois lados: nem na religião, manipuladora e indecente, nem no seu seguidor que se acovarda diante da vida e não assume suas responsabilidades, seu livre-arbítrio, seus enganos, sua felicidade – fim a que se destina a vida, em suma.
Uma certeza:  Deus está acima dessas coisas mundanas!


EmmyLibra
Jun 29, 2012 - 7 a.m.


Sunday, June 10, 2012

Fôlego

Eu posso morrer de fome, de frio, de solidão. 
Posso morrer de uma tristeza tão dorida, que não me reste nada dessa vontade de vida que tenho agora.
Posso morrer numa praça, rodeada pelas cores das flores, ou num deserto, na caatinga, numa cela de prisão ou sob um viaduto. 
Posso morrer sob o céu estrelado da noite ou sob a chuva fina, ou sob uma tempestade – que seja!
Posso morrer num abismo, daqueles bem profundos, me jogando do precipício, num voo icário.
Posso morrer num leito morno e macio, com um prato de caldo verde fumegando e exalando seus vapores aromáticos numa mesinha ao meu lado.
Posso morrer num revés de sorte, por uma bala perdida, ou por uma espada afiada, separando-me da vida bruscamente.
Posso morrer doendo, sofrendo, agonizando, suando, chorando – lentamente.
Posso morrer num êxtase, num prazer tão intenso, que toda a minha vida se resuma nesse instante.
Posso morrer de tédio, de raiva, de desespero.
Posso findar meus dias num hospício, ou no mar, à deriva.
Posso morrer de amor... Tanto faz!  Eu só quero estar em mim mais do que estive em qualquer outro momento deste durante, que é a vida.
Não quero mesmo é morrer daquela morte que um dia alguém chamou de severina, em que se morre "de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia...”*
Quero estar lúcida, consciente, em meu instante derradeiro.
Quero sentir a brisa, se houver; ou as gotas de chuva, se houver; ou o sol me secando, se houver.
Mas, acima de tudo, quero morrer na hora certa, no tempo de morrer, nunca antes da hora, nunca antes do dia.
– Morrer de véspera, nem pensar!
Melhor:  quero morrer, se possível, no instante seguinte ao ideal.  Quero ter um instante a mais, um fôlego a mais, uma sinapse...
Quero um pensamento último, uma idéia que se cristalize em mim, quando eu me despedir.
– Quão maravilhoso é pensar!  Quanta vida guardada, quantas possibilidades numa boa idéia!
Se um instante a mais me for dado, e meu cérebro produzir um pensamento bom, desses que podem salvar o mundo do desespero e da rotina, ou uma idéia que preserve as baleias do oceano, um projeto inteiro num breve suspiro, então eu terei vivido uma vida a mais, inteirinha, naquele segundo eterno, em que o ponteiro do relógio se demore a mover.
Uma vida inteira ali, vivida de súbito, súbita como o abraço da morte...
Uma segunda vida, uma segunda chance.  Num breve instante – que importa?
Que me importa do que vou morrer, onde vou morrer, em que condições o anjo devastador me encontrará?
Desde que ele não se apresse, que me seja gentil, que traga em si a tolerância desse instante a mais de vida, a generosidade de me permitir uma idéia, um lampejo de luz que aclare minha fronte como um relâmpago, ou mesmo como o leve piscar de um vaga-lume, então eu abraçarei esse anjo sem reservas, sem queixas e sem remorsos, sem raivas nem temores, sem mágoas...
De que me importa do que será feito o meu momento final?  Quero todos os momentos que lhe precedem, um a um, sem poupanças, sem economias.  Todos.  Todos os momentos, precisamente.  Em cada dor ou alegria de que sejam feitos, quero-os todos!
São meus, os momentos, de mais ninguém.
Minha vida é minha.  E assim será, mesmo depois da morte, em cada mover dos ponteiros que se prolongue, guardando em seu percurso a minha história inteira.
Hoje eu sou.  Isso me basta.  Mas jamais me bastará, se meu último instante acontecer em qualquer momento anterior ao devido.  Ou se qualquer dos precedentes me for espoliado.
Posso morrer de amor, de dor, de fome, de frio, de solidão.  Posso morrer aqui, ali, num deserto ou num jardim, sob estrelas ou raios, sob o sol ou sob a chuva – Que importa?
Só preciso daquele tolerante instante a mais, que o anjo me dê.  E do pensamento, da sinapse lúcida e criativa, da boa idéia que salvaria o mundo, as baleias, uma lagartixa...
Quero um lampejo de vida final, para que toda a vida tenha não apenas valido a pena, mas duplicado-se a si mesma, dentro de um breve suspiro...

EmmyLibra
May 30, 2012 - 8:42 a.m.



* Citação extraída do texto Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.

Thursday, May 03, 2012

Eco

Talvez o meu olhar insistente venha a te incomodar...
Perdoa.

Talvez o meu sentimento um dia te alcance a pele e, roçando-a, te faça uma carícia leve...
Permite...

Talvez o meu pensamento te persiga tanto, que em meus sonhos eu te vá visitar...
Recebe-me sem censuras.

Talvez um dia eu descubra que todo esse sentimento que hoje me move não passava de ilusão...
Deixa-me partir.

Talvez essas palavras jamais encontrem eco em teu coração...
Mesmo assim, lê.

Quem sabe, um dia, elas sejam ao menos uma certeza tua de que alguém te dirigia olhares, te visitava em sonhos, guardava ilusões sobre tua existência. E aquele silêncio, típico do vácuo onde o amor não habita, possa ser quebrado pelo eco tardio dessas palavras...


EmmyLibra
May 3, 2013 - 12:14 p.m.

Transeunte

Ontem eu te amava.
Eras o objeto de veneração dos meus olhos,
O centro das minhas angústias, ao fazer-se ausente,
O centro das minhas convulsões e êxtases, quando em mim.

Hoje és anônima transeunte – talvez nada além disso.

Estarei eu vazia de ti?
Estarei eu livre da obsessão que me guiava
Sempre ao encontro dos teus passos?
Não.  Certamente que não.
Essa é uma pausa que a vida me pede
Para alimentar-se
E para que eu não te mate com meu abraço esmagador.

– É um proteger o ser amado de mim mesma
Que o meu coração providencia, vez em quando.

Mas, em verdade, é um pensamento egoísta a mais:
Se morreres em meu abraço, o que restará?
Morrerei eu também, no vazio que ficará dentro dele
Se te fores embora de mim para sempre,
Também minh'alma se irá de mim
E a vida se irá
E o desejo de viver também se ausentará
E todas as dores amorosas que justificam a vida,
E todos os suspiros que, enfim, me obrigam a respirar,
Mesmo quando daqueles momentos de tormenta 
Em que te afastas
E a vida perde todo o sentido...

Não te vai para sempre de mim, anjo de vida,
Para que do meu espírito atormentado
Não se aproxime o anjo da morte!

Não te vai de mim,
Mesmo que hoje – e apenas hoje, esteja certa!
Sejas apenas anônima transeunte a passar por mim...


EmmyLibra
May 3, 2012 - 7:26 a.m.

Thursday, April 26, 2012

Poemas e cachecóis


Poemas estão para a alma como os cachecóis estão para o corpo:  não nos aquecerão se não nos permitirmos envolver por eles.
Melhor seria se esvaziássemos nossas gavetas – de cachecóis e de poemas – e nelas plantássemos flores.  Teríamos um jardim que se espalharia dentro dos nossos armários, e primaveras que durariam o ano inteiro!
E em nosso jardim haveria borboletas azuis e beija-flores.
– Acaso pode haver mais lindo poema do que a primavera, com todas as cores que a compõem?


EmmyLibra
Apr 26, 2012 – 6:40 a. m.



Saturday, April 21, 2012

Contemplação


O que vejo vai muito além do que digo – ou do que posso dizer.  Talvez porque não seria correto.  Ou, melhor dizendo, correto até poderia ser, mas certamente não seria conveniente. 
Verdades, às vezes, ficam guardadas para que não nos firam ou exponham, não nos obriguem a outras e outras verdades que passarão à imprescindibilidade a partir da primeira fala.
Assim o é.  Digo o que convém, já que o que há de mais profundo em mim exigiria outras exposições que não me levariam a nada que se possa chamar de adequado.
Contemplo a beleza e emudeço.  Diante do que me inspira transpor limites "seguros" ou que poderia me tomar a sanidade nas decisões, eu simplesmente calo, guardando em mim e para mim o êxtase na contemplação silente. 
Dese modo, mesmo precisando castrar meus verbos e abafar o descompasso que me desarticula, eu consigo preservar a imagem de sanidade que me permite continuar no direito dessa contemplação.  Parecer sã é, nessas horas, mais importante e válido do que, propriamente, o ser.
Passará diante de mim o objeto do meu sonho, dia após dia, e continuarei sonhando, sem jamais pensar que virá a ser realidade em qualquer futuro. Assim, permanecerei vivendo sem ilusões amorosas, sem esperas angustiantes.  Acho mesmo que já passei da idade para acreditar que posso me alimentar de farsas!
Mas continuarei escrevendo cartas amorosas que jamais serão entregues. Elas serão suaves manifestações desse sentimento doce que me preenche e, enquanto guardadas, não ameaçarão a paz de simplesmente contemplar. 
Afinal, contemplar tem sido quase suficiente...

EmmyLibra
Apr 19, 2012 - 12:27 p. m.