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Saturday, August 17, 2013

Seu olhar

Seu olhar,
Ah! Esse seu olhar...
Me fala de coisas lindas que nunca vi, 
Me fala de sonhos que nem ousei sonhar... 

Seu olhar,
Ah! Esse seu olhar...
Me conta histórias de um tempo perdido 
Entre o espaço e o medo, 
Entre o desejo e a dor... 

Ah! Esse seu olhar...

EmmyLibra
Aug 17, 2013 - 8:57 p.m.

Monday, June 10, 2013

Sem estrelas

Um cego de nascença não sente saudades daquilo que nunca viu. 
Até que um dia, por uma mágica qualquer, ele sonha com uma noite de verão, sem nuvens, sem lua, com o céu coalhado de estrelas.  E ele pode ver, nesse sonho, toda a beleza e imensidão do universo, com pedras preciosas cintilando sobre o pano escuro da noite.
Ao acordar, na escuridão da sua cegueira [sem estrelas ao fundo], ele já não é mais o mesmo. E, deste momento em diante, sente saudades do que viu no sonho.  Sente saudades do milagre de ver, de sentir.
Assim aconteceu comigo: eu era uma, antes de ver o pano escuro da noite salpicado de luzes coloridas, e me tornei outra, ao despertar do sonho. Sou outra. Incompleta, sôfrega, vazia, nostálgica. Perdida no vazio de uma cegueira em que eu nem sabia que vivia, e que era antes o meu abrigo seguro.
Sinto a escuridão tomar conta do meu olhar, tão distante do milagre de ver as luzes coloridas que antes eu ignorava...

– Para que o milagre de ver, então, numa contemplação tão breve daquele límpido céu de verão, com pedras preciosas derramadas sobre o pano escuro da noite?

Melhor seria continuar sem saber das estrelas...


EmmyLibra
Jun 10, 2013 - 3:30 p.m.


Sunday, June 09, 2013

Rosa-outono


Dá-me o beijo da tua boca rósea
E me sentirei saciada por uma vida inteira!

Mas sabe tu que minha vida findará
No seguinte instante em que descolares
Teus lábios róseos dos meus.

Findará, e em seu lugar surgirá uma nova vida:
Vazia, dolorosa, sofrida, reticente,
De longas esperas e angústias,
Na qual buscarei novamente o rosa-outono
E a umidade doce e morna
Da tua boca nua.

Mas morrerei de novo
E tantas vezes quantos forem teus abandonos,
Tuas partidas, 
Tuas recusas em pousares teus róseos lábios 
Nos meus.

Morrerei sempre que tuas ausências em mim
Dêem à minha existência
Os ares frios e os campos sem flores
Desse infindável outono
De viver sem ti.

EmmyLibra

Jun 9, 2013 – 9:30 a.m.

Thursday, May 03, 2012

Eco

Talvez o meu olhar insistente venha a te incomodar...
Perdoa.

Talvez o meu sentimento um dia te alcance a pele e, roçando-a, te faça uma carícia leve...
Permite...

Talvez o meu pensamento te persiga tanto, que em meus sonhos eu te vá visitar...
Recebe-me sem censuras.

Talvez um dia eu descubra que todo esse sentimento que hoje me move não passava de ilusão...
Deixa-me partir.

Talvez essas palavras jamais encontrem eco em teu coração...
Mesmo assim, lê.

Quem sabe, um dia, elas sejam ao menos uma certeza tua de que alguém te dirigia olhares, te visitava em sonhos, guardava ilusões sobre tua existência. E aquele silêncio, típico do vácuo onde o amor não habita, possa ser quebrado pelo eco tardio dessas palavras...


EmmyLibra
May 3, 2013 - 12:14 p.m.

Transeunte

Ontem eu te amava.
Eras o objeto de veneração dos meus olhos,
O centro das minhas angústias, ao fazer-se ausente,
O centro das minhas convulsões e êxtases, quando em mim.

Hoje és anônima transeunte – talvez nada além disso.

Estarei eu vazia de ti?
Estarei eu livre da obsessão que me guiava
Sempre ao encontro dos teus passos?
Não.  Certamente que não.
Essa é uma pausa que a vida me pede
Para alimentar-se
E para que eu não te mate com meu abraço esmagador.

– É um proteger o ser amado de mim mesma
Que o meu coração providencia, vez em quando.

Mas, em verdade, é um pensamento egoísta a mais:
Se morreres em meu abraço, o que restará?
Morrerei eu também, no vazio que ficará dentro dele
Se te fores embora de mim para sempre,
Também minh'alma se irá de mim
E a vida se irá
E o desejo de viver também se ausentará
E todas as dores amorosas que justificam a vida,
E todos os suspiros que, enfim, me obrigam a respirar,
Mesmo quando daqueles momentos de tormenta 
Em que te afastas
E a vida perde todo o sentido...

Não te vai para sempre de mim, anjo de vida,
Para que do meu espírito atormentado
Não se aproxime o anjo da morte!

Não te vai de mim,
Mesmo que hoje – e apenas hoje, esteja certa!
Sejas apenas anônima transeunte a passar por mim...


EmmyLibra
May 3, 2012 - 7:26 a.m.

Thursday, April 26, 2012

Poemas e cachecóis


Poemas estão para a alma como os cachecóis estão para o corpo:  não nos aquecerão se não nos permitirmos envolver por eles.
Melhor seria se esvaziássemos nossas gavetas – de cachecóis e de poemas – e nelas plantássemos flores.  Teríamos um jardim que se espalharia dentro dos nossos armários, e primaveras que durariam o ano inteiro!
E em nosso jardim haveria borboletas azuis e beija-flores.
– Acaso pode haver mais lindo poema do que a primavera, com todas as cores que a compõem?


EmmyLibra
Apr 26, 2012 – 6:40 a. m.



Saturday, April 21, 2012

Contemplação


O que vejo vai muito além do que digo – ou do que posso dizer.  Talvez porque não seria correto.  Ou, melhor dizendo, correto até poderia ser, mas certamente não seria conveniente. 
Verdades, às vezes, ficam guardadas para que não nos firam ou exponham, não nos obriguem a outras e outras verdades que passarão à imprescindibilidade a partir da primeira fala.
Assim o é.  Digo o que convém, já que o que há de mais profundo em mim exigiria outras exposições que não me levariam a nada que se possa chamar de adequado.
Contemplo a beleza e emudeço.  Diante do que me inspira transpor limites "seguros" ou que poderia me tomar a sanidade nas decisões, eu simplesmente calo, guardando em mim e para mim o êxtase na contemplação silente. 
Dese modo, mesmo precisando castrar meus verbos e abafar o descompasso que me desarticula, eu consigo preservar a imagem de sanidade que me permite continuar no direito dessa contemplação.  Parecer sã é, nessas horas, mais importante e válido do que, propriamente, o ser.
Passará diante de mim o objeto do meu sonho, dia após dia, e continuarei sonhando, sem jamais pensar que virá a ser realidade em qualquer futuro. Assim, permanecerei vivendo sem ilusões amorosas, sem esperas angustiantes.  Acho mesmo que já passei da idade para acreditar que posso me alimentar de farsas!
Mas continuarei escrevendo cartas amorosas que jamais serão entregues. Elas serão suaves manifestações desse sentimento doce que me preenche e, enquanto guardadas, não ameaçarão a paz de simplesmente contemplar. 
Afinal, contemplar tem sido quase suficiente...

EmmyLibra
Apr 19, 2012 - 12:27 p. m.


Tuesday, April 10, 2012

Volátil

És o ideal 
Que est'alma busca ser e ter.
Mas, és para ela volátil: efêmero perfume
Que se esvai nas brumas
Das incertezas tantas que nascem
Da sua pequenez.


É vão o sonho romântico
Já que tu, olor róseo,
Dissipas-te célere, até com o roçar 
Da mais leve brisa de realidade.


EmmyLibra
Apr 10, 2012 - 8:30 a.m.

Friday, November 11, 2011

Inalcançável




Essa tua beleza estranha,
Indescritível,
Arrebata meus olhos,
Meu espírito, minha boca,
Me faz querer ter ou ser
Algo que me fizesse merecer-te,
Alcançar-te.

Por mais que eu estenda a mão,
Jamais poderei sentir
Qualquer coisa de mornidão
Ou de maciez,
Qualquer pelugem,
Qualquer humanidade...

–As pedras preciosas
São sempre tão frias, tão sólidas...

Assusta-me sentir paixão
Por um cristal, um diamante.
Mas, como sonhar-te
Ou ver-te,
Sem que minh'alma ajoelhe-se
Para contemplar-te?

Então, vivo de contemplação,
Meditando em tua beleza estranha,
Repousando em tua condição inumana,
Surreal.

E desejando, um dia, talvez o abraço da morte,
A alma que este corpo habita poderá libertar-se
Dos alforjes da razão e dos preconceitos tantos
Para sentir-se, enfim, pura
– Suficientemente pura
Para poder tocar-te.

Emmylibra
Nov 10, 2011 - 4:30 p.m.