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Friday, November 11, 2011

Inalcançável




Essa tua beleza estranha,
Indescritível,
Arrebata meus olhos,
Meu espírito, minha boca,
Me faz querer ter ou ser
Algo que me fizesse merecer-te,
Alcançar-te.

Por mais que eu estenda a mão,
Jamais poderei sentir
Qualquer coisa de mornidão
Ou de maciez,
Qualquer pelugem,
Qualquer humanidade...

–As pedras preciosas
São sempre tão frias, tão sólidas...

Assusta-me sentir paixão
Por um cristal, um diamante.
Mas, como sonhar-te
Ou ver-te,
Sem que minh'alma ajoelhe-se
Para contemplar-te?

Então, vivo de contemplação,
Meditando em tua beleza estranha,
Repousando em tua condição inumana,
Surreal.

E desejando, um dia, talvez o abraço da morte,
A alma que este corpo habita poderá libertar-se
Dos alforjes da razão e dos preconceitos tantos
Para sentir-se, enfim, pura
– Suficientemente pura
Para poder tocar-te.

Emmylibra
Nov 10, 2011 - 4:30 p.m.


Thursday, November 10, 2011

Confusão mental

     

Há tantas coisas morando dentro da minha cabeça,
Que está acontecendo uma superpopulação de idéias.
Elas começam a brigar, disputar espaço, buscar notoriedade.
Temo pelo momento em que comecem a ser canibais!
Já pensou?  Idéias engolindo idéias... Que loucura!

Eu vivo assim, no tumulto de tantas vozes gritando,
De tantos desejos, da ansiedade de viver
Não desse viver mais com que tantos sonham,
Mas de viver muito mais coisas ao mesmo tempo.
(Estar nos dois lados, ser múltipla!)

Se isso é insano? Eu nunca vou saber.
– Os loucos não sabem que são loucos, afinal.
Eles apenas sabem que são livres.

Sejam minhas idéias portas para a liberdade, então!
Mesmo que essa liberdade se confunda com insanidade
Diante das convenções nascidas
Das concretas ciências dos homens.
(Das concretas idéias dos homens!)

Abram-se portas! Derrubem-se muralhas!
Eu quero estar onde nunca estive antes:
Nos dois lados do existir.

Talvez, múltipla que eu venha a ser,
Possa dar conta de tantos pensares diferentes.
Processá-los, digeri-los, compreendê-los.
Compreender-me – quem sabe?
Compreender-me.
Para que minhas idéias não se tornem famintas
De espaço e de serem ouvidas.
Que não devorem-se umas às outras.

Entre a loucura e o vazio
Eu prefiro a loucura, com suas inúmeras possibilidades.
Antes a insanidade fértil
Do que a esterilidade doentia e submissa
De viver um padrão, 
Enquanto a vida tem tantas paredes a serem demolidas
E tantos outros ondes e quandos a serem visitados,
Com suas possíveis vivências, seus possíveis aprenderes,
Seus muitos amores,
Seus horizontes sem fim...

Quero estar nos dois lados.  Quero estar em muitos lados!
(Viajar no espaçotempo, cujas fronteiras a vista não alcança.)

Quero estar nos dois lados.  Quero estar em todos os lados!

Por enquanto, as idéias gritam.  É tudo o que sei.
Elas discutem sobre muitas coisas e me transformam por dentro.
Enquanto não começam a devorar-se,
Eu vivo – entre a confusão e o desejo
De ser.  – E de ser múltipla!
De estar onde talvez nunca tenha estado antes.
De visitar a loucura, às vezes
E colher flores em seus jardins.
– Na vastidão imensurável (e amorosa) dos seus jardins.

EmmyLibra
Nov 10, 2011 - 1:04 p.m.

Friday, July 25, 2008

Intenso

Como o rio caudaloso,
Que despenca das pedras
Fazendo a cachoeira...

Como o fogo,
Que arde e ilumina
E aquece...

Como os desejos da alma,
Que a ameaçam
E alimentam...

Como a dor,
Que aniquila as forças
E faz tombar...

Como o medo,
Que nos protege
E nos sufoca...

Como a coragem,
Que nos impulsiona
E nos atira aos abismos...

Como o vento,
Que empurra as naus
E tomba os fracos...

Como os segredos,
Que nos submetem
E nos denunciam...

Como as enchentes,
Que nos afogam
E fecundam a terra...

Como o Amor,
Que nos faz sonhar
E nos mantém vivos.

Assim também os teus olhos,
Teu corpo, teus instintos,
Tuas vontades, Teus delírios,
Teus caminhos, tuas cobiças,
Tuas palavras, teus gestos,
Os sabores que se espalham
Sobre a tua pele, sobre o teu sorriso...

Assim meus receios, meus temores,
Minhas decisões de vida e de morte,
Minhas incompreensões de existir
Em discordância com o tempo
Dos sonhos que minha ousadia sonha.

Assim teu poder sobre meu pensamento:
Intenso.
Como tudo o que sonho e espero,
Desde sempre.

Intenso.
Como tudo o que me eleva aos céus
E me conduz ao inferno.

Intenso.
Como eu mesma sou, (in)voluntariamente.
E como me permito ser,
Em meio às convenções e banalidades
Ds quais não posso ainda desatar meus pés.

Intenso.
Como precisa ser o anjo da morte,
Se um dia quiser me conduzir.
Porque apenas o que é profundo,
Apenas o que é autêntico, forte, imutável
Pode me estender os braços e me acolher.

Recuso-me ao superficial. Prefiro morrer afogada!

A segurança da calmaria não me atrai,
Como me atraem as águas profundas e gélidas,
Pois é nessa profundeza que me entrego,
É nessa intensidade de vida e de morte
Que me deixo adormecer todas as noites.
À espera do momento em que não precise mais subir à tona e respirar,
Nem acordar dos sonhos que alimento e guardo
Nas profundezas do meu ventre.

Intensidade é o teu nome.
E é pelo som da tua respiração que me guio,
Pelo cheiro do teu corpo que deliro,
Pelo gosto salgado do teu suor que tenho sede.

Intensidade é o teu nome.
E esperei por ti a vida inteira... Achando que era apenas um sonho!

EmmyLibra, em july 26 / 2008 - 00:45am