Thursday, April 30, 2020

Não é sobre o vírus...

Um amigo me enviou hoje cedo um texto cujo autor eu desconheço, pois não foi mencionado na postagem (*), falando sobre "a real intenção (de um sistema ou grupo de líderes) em nos fazer usar máscaras" durante a suposta pandemia do vírus chinês.
Primeiro esclarecimento: usei a palavra "suposta" antes de "pandemia" porque, na minha sincera e modesta opinião, tudo o que estamos vivendo hoje é uma grande farsa, montada para nos convencer de que somos frágeis e indefesos.
Segundo esclarecimento: o texto que recebi é muito longo, então eu selecionei alguns trechos que acho primordiais para entendimento do que vou falar.
Ainda ficou bem longo, mas creio que facilitará compreender minhas colocações.

“Quero compartilhar algumas razões pelas quais eles (os globalistas) estão exigindo que usemos as máscaras e porque isto é uma ideia terrível.
O uso de máscaras cirúrgicas ou máscaras de qualquer tipo pressupõe, 'dentro da mente humana', que existe uma ameaça externa. As pessoas se sentem ameaçadas por alguma força invisível e sem nome, que cria dentro delas um sentimento de terror. O 'outro estranho, mascarado' assume uma aparência ameaçadora e agourenta que faz com que alguém se afaste instintivamente dele, a fim de evitar o ‘monstro que pode estar à espreita’.
[...] incute na mente das pessoas a IDEIA de que algo está terrivelmente errado com a humanidade e com a própria vida. [...], que estamos de alguma forma contaminados e virulentos para a vida em geral [...], danificados interiormente, que estamos doentes, o que não é verdade.
Ao usar máscaras, estamos esgotando a ingestão de oxigênio vital. 
[...] O oxigênio é fundamental para todos os sistemas do nosso corpo e, com o esgotamento do ar vital, o nosso corpo se torna ineficiente e rapidamente doente.
[...] Se insistirmos em usar máscaras, iremos respirar o nosso próprio CO2 tóxico, e iremos nos negar a inalar o oxigênio vital, fundamental para a saúde das nossas células.
[...] O distanciamento social está sendo incentivado e controlado [...] para provocar a separação psicológica da humanidade.
Os seres humanos prosperam vivendo em comunidades. Somos seres sociais e só podemos sobreviver interagindo uns com os outros. [...] Nós nos entendemos lendo os rostos um do outro e sentimos conforto em um sorriso e compaixão em uma expressão facial. Mas a máscara dificulta esta interação entre os humanos…
[...] eles estão nos transformando em estranhos temerosos 
[...] Institua leis marciais, como toque de recolher e quarentenas, para afirmar o controle sobre a população e buscar a conformidade de todos.
[...] Detenha (Separe/Prenda) as famílias que nos impedem de nos aproximar de suas crianças, idosos, deficientes e doentes (como os nazistas fizeram na Alemanha).
[...] Continue promovendo o medo sobre as massas, usando o controle da comida, da água, do dinheiro, vírus "perigosos", falta de emprego, quarentenas forçadas e propaganda, a fim de continuar levando motivos para dentro de suas casas para terem muito medo. Assim, elas estarão preparadas para aceitar um Salvador para os seus problemas."

Eu, de certo modo, já havia pensado que há mesmo um efeito psicológico terrível no uso dessas porcarias todas. Ficar desinfetando-se, distanciando-se das pessoas, sem acesso às impressões visuais das expressões faciais uns dos outros, a submissão inconteste às ordens ditatoriais dos prefeitos, governadores e agentes de Segurança Pública...
Tudo isso é, antes de tudo, um grande "teste", para saber quão submissos, quão domáveis somos.
Aceitar estas regras pelo medo só demonstra que por um pouco mais de medo faremos coisas piores contra nós mesmos, nossos grupos sociais e familiares.
Por uma propaganda de medo ficamos voluntariamente encarcerados. 
Será que com um pouco mais de propaganda estaremos aptos a cometer atrocidades uns contra os outros?
"Implante nas pessoas um chip, [...] para que possam ser rastreadas em qualquer lugar do planeta." - diz o texto.
Será que com um pouco mais de medo autorizaremos alguém a violar nossos corpos com dispositivos que desconhecemos?
Com um pouco mais de imagens aterradoras e um pouco menos oxigênio em nossos cérebros nos alienaremos a enxergar bondade no ser mau que nos subjuga?
A cada dia que somos coagidos pelo medo (alguns das forças policiais, outros do vírus, outros dos outros...), eu me pergunto: até quando nos cercearão a liberdade com a nossa própria conivência?
São grades de prisões cujas chaves giramos para fechar com nossas próprias mãos e entregamos a um carcereiro imaginário que vive a nos espreitar pelas janelas e frestas das portas das nossas casas...
Não tenho medo de vírus. Nem de polícia. Nem de conviver com outras pessoas. 
O que me apavora é o medo de ter medo!
É aterrador perceber o nível de ingenuidade e submissão das pessoas em pleno século XXI, com todo o acesso que temos à informação!
Tantas guerras a humanidade passou, tantos tiranos assistimos cometerem genocídios, tantos povos subjugados, mas ainda não aprendemos a nos resguardar e nos levantar contra a simples PROPAGANDA ENGANOSA do medo?
Ontem um asteróide ia passar. Nem sei se passou.
Havia em alguns, antes do medo do vírus e antes do medo dos tiranos com seus soldados nas ruas, um medo de que o asteróide nos causasse algum problema, nos atingisse, nos matasse.
Penso mesmo se não estava no tempo certo de um acontecimento assim, que nos extinguisse.
Se em tantos milênios de civilização ainda não aprendemos a ser seres humanos em plenitude, acho mesmo que o planeta precisa sofrer um "reset", ser reinventado pelo criador!
Acho que aquela frase bíblica que diz "...e o Senhor arrependeu-se da sua criação." está no livro errado.
Não, ele não se arrependeu no tempo histórico do livro de Gênesis! Deve estar arrependido agora, ao ver-nos criando e adorando "deuses" diante dos Seus olhos, e permitindo-lhes o comando de nossas vidas!
Líderes políticos sem qualquer idoneidade moral; pseudocientistas; artistas fabricados pela mídia corrupta e corruptora; a própria internet, a quem recorremos mais vezes ao dia do que ao Criador... "Deuses" que elegemos e aos quais entregamos o comando de nossas vidas, sem perceber.
Em Apocalipse, aquela frase estaria melhor situada. Lá entre as bestas, as trombetas e o final dos tempos, dizer que "...o Senhor arrependeu-se da sua criação." é mais coerente.
O que nos tornamos? Que raça é esta, a que chamamos de humanos, mas que desumaniza-se entre si?
Que espécie fraca e submissa é esta, que não coiceia seu algoz quando o chicote bate em seu lombo?
Nem os asnos são tão asnos o tempo todo...
O que nos tornamos?

EmmyLibra
Apr 30, 2020 - 8:54 a.m.

...........
* Se alguém souber quem é o autor do texto citado, por favor me informe, para que eu lhe dê o devido crédito.

Saturday, April 25, 2020

Guerras


Quando, um dia, a guerra explodir
Em milhares de mortos lutando por vida
E vivos que, por dentro, carregam morte,
Então perceberemos que viver ou morrer
Não estão num corpo que jaz ou anda,
Mas na liberdade que se conquista ou perde,
Na dor que se evita ou sofre,
No socorro que se presta ou nega,
Nos órfãos que colherão a solidão
Plantada pelas armas dos insensatos.

Quando, por fim, a guerra acabar,
E a morte recolher o seu quinhão,
Mortos enterrarão outros mortos,
Como dizia sábio mestre do Oriente
E restarão vivos inexatos.

Quando, no fim, a guerra for passado,
Suas feridas perdurarão o bastante
Para nos fazer relembrar os seus dias de dor,
De desamor, de despudor, de amargor.
E ainda ouviremos as almas dos Homens
A gemer na imensidão do planeta
Por séculos e séculos,
Numa dimensão oculta aos nossos olhos.

Quando, depois do fim, as feridas secarem,
As cicatrizes da guerra que um dia explodiu
Far-se-ão discretas, sob o manto da indiferença,
Emudecerão as almas dos Homens
Daquela dimensão paralela e sombria.
E o esquecimento da dor e da solidão
Trará aos corações dos órfãos, já crescidos,
O desejo de promover, a seu turno,
Outras lutas e disputas insanas, outras guerras.

E quando, um dia, a guerra novamente explodir
Será um escárnio à lembrança dos Homens
Cujas almas gemeram por séculos
Na imensidão do planeta,
Depois que a morte as ceifou pelas feridas abertas
Nos seus corpos banhados de sangue e medo.

Guerras são, invariavelmente, escárnios à vida!

EmmyLibra
Apr 25, 2020 - 10:57 a.m.

Friday, March 06, 2020

Enchente

Um abraço, um sussurro:
"Tudo vai ficar bem.
Calma, anjinho
Eu estou
Aqui"

Escuridão e medo
Frestas vazando má sorte
Em jatos frios
De água e morte

O peso do mundo inteiro
Sobre as cabeças
Naquele teto frágil

"Tudo vai ficar bem
Calma, anjinho!
Eu estou
Aqui"

Um resto de ar
Quem suporta assistir
Seu anjinho partindo
De dentro do seu abraço?

Quanto tempo se passou?
Ninguém sabe ou viu
Ninguém ouviu
Gritos e apelos
Submersos

E no canto da rua a boca aberta
De um lobo feroz e sedento 
Das águas da chuva 
Que lambia a cidade.

Mas era nadica de nada!
Só um papelzinho de bala
Um inocente resto
Da maçã mordida
Só um canudinho de suco
Uma latinha
Um copinho vazio!
Só... Só... Só...

Ninguém tem culpa?

Todos temos culpa!
Todos matamos ou morremos
Dia após dia,
A cada chuva que cai.

Submersos, muitos
Por não darmos de beber
Àquele lobo feroz
Que mora ao lado do meio-fio!

É só um papelzinho de bala!
E se não morre um peixe
Anônimo, invisível,
No fundo do oceano,
Morrem marias abraçadas
Num carro submerso
Sob tantos outros carros
Levados na enxurrada.

Se não morre a tartaruga,
O pelicano, a baleia,
(O que já é 
Desavergonhadamente mau!)
Morrem Marias abraçadas
No leito de um rio fundo
Onde há meia hora era rua.

Um abraço derradeiro,
Uma mentira - esperança?
Um sussurro de mãe
Ao pé do ouvido:
"Tudo vai ficar bem.
Calma, anjinho!
Eu estou
Aqui"

E daí a pouco 
Já não estavam mais...

EmmyLibra
July 20, 2019 - 1:54 p.m.

(Sobre morte de mãe e filha na enchente em 2018, em BH/MG)

Impiedade

Eu queria uma vacina contra a piedade.
Alguma coisa que me fizesse rir da desgraça,
Uma dose injetável de humor cruel,
Sadismo na veia, indiferença.

Porque a piedade é uma presunção
De que não somos assim tão sofredores
Quanto o outro que chora.

Mas sim, nós somos sim!
Indistintamente todos, somos miseráveis!

Somos lixo, 
Como foram nossos antepassados,
Desde os mais inimputáveis seres que habitaram cavernas
Até o mais sublime dos homens que possa ter havido, 
Se este se cria algo acima
Da dor da humanidade inteira.

Dor de ser parida, dor de ser moldada,
De ser adestrada para ser algo
Funcional, racional, intencional.

Desde a espada que feria
Homens e mulheres no passado
À palavra que desperta do sonho
O outro ou a nós mesmos,
Tudo! Tudo é instrumento de morte
Nas mãos ou lábios vis,
Contra os outros, contra si.

Em nome de sobreviver, matamos
Em nome de sobreviver, morremos.

E a miséria humana de findar-se
Começa desde o primeiro respirar.

Eu, miserável cadáver em curso,
Me apiedo do outro
Quando ele dói.
- Tola que sou!

Eu queria uma vacina
Anti-piedade.
Um jato de desamor em cada narina,
Um gás de riso frouxo
Diante da humanidade zumbi,
Diante de toda lágrima,
Diante de cada ser
Parido, moldado para ser 
Funcional, racional, intencional.

Mas nenhum anestésico
Entorpece o bastante
Pra que a dor do mundo
Não doa em mim.

Miserável que sou,
Presumo ter algo que possa
Suplantar ou reduzir
O que sofre o outro!

E cometo a - quase inocente - arrogância,
pecado ainda mais vil!
O orgulho, travestido em complacência.
Pensando (fingindo?) que não sou tão miserável assim...

EmmyLibra 
Jan 5, 2020 - 1:45 pm

Sobre ontem

Teus dentes ainda estão
Cravados em minhas coxas
Tua boca ainda percorre 
Minhas costas
Numa lembrança morna
De ontem.
Do calor de ontem.
Do amor de ontem.

Onde estás agora?
Na imersão das horas ocupadas
Por trabalhos e rotinas
Por pensamentos
Diversos de mim
Do gosto salgado
Do meu suor na tua saliva?

Onde estão agora as tuas mãos
Que ontem, dedos entrelaçados,
Apertavam as minhas?

Onde estão os teus desejos
Que ontem me tateavam
E me buscavam sôfregos,
Ansiosos?

O tempo é sádico algoz
Que te traz por um breve instante
E te leva por eternidades!

Deixa saudades impressas
No meu ventre,
Na minha alma,
Na minha vida.

Passa tão depressa
Quando aqui estás
E depois arrasta-se, displicente,
Quando das tuas ausências.
Um "cá estou" - um relâmpago!
Um "volto logo" - uma impaciência de esperas
E compreensíveis saudades...

A lembrança morna
Do teu corpo no meu
Me mantém num laço
Que não se desfaz
- E que não desejo que se desfaça!

Quando um dia voltares
Estarei aqui,
À tua constante espera.
Sobrevivendo das lembranças mornas
Dos teus dentes cravados
Em minha pele
E do teu amor
Tatuado em minha alma.

E o tempo,
Meu sádico algoz,
Tratará de fazer preciosos
Os breves instantes,
Os suores e as salivas
Da tua presença
Em mim.

EmmyLibra
Jan 14, 2020 - 9:52 a.m.

Nenhuns

Uns juízo
Outros talento

Uns disciplina
Outros ambição

Uns pés no chão
Outros asas

Uns sem ter aonde ir
Outros não conseguem chegar

Uns famintos de vida
Outros jazem depressivos

Uns com sede de beber o mar
Outros não escalam seus montes

Uns sins sem finalidades
Outros nãos promissores

Uns liberdade-ilusão
Outros saberes-prisão

Uns gozo sem leis
Outros only pains no gains

Uns aquarelas sem alma
Outros túmulos de amores

Uns festas na madrugada
Outros cartões de ponto

Uns tempestades de raios
Outros sóis escaldantes

Uns copas sem frutos
Outros raízes sem água

Uns encontros sem buscas
Outros viagens sem partidas

Uns universo sem pouso
Outros contemplação

Uns solidões felizes
Outros tristes companhias

Uns quereres eternos
Outros poderes inúteis

Um flechas 
Outros arcos

Uns rios sem mar
Outros águas salgadas

Uns correntezas que arrastam
Outros que levam à deriva

Vivem separados
Pelas incompatibilidades,
Diferenças estúpidas
E incompreensões

Completar-se-iam
Se um pouco menos fossem
Do que são.

Mas nunca mudariam
Seus modus operandi!

Uns ser, mas não saber
Outros pensar, mas não agir

Uns atos impremeditados
Outros verbos sem ação

Uns rumo incerto
Outros estagnação

Uns hoje
Outros ontem

Nenhuns amanhã...

EmmyLibra
Feb 5, 2020 - 7:35 a.m.

Tuesday, March 03, 2020

Mercado de Gente


Você pode ser o que quiser
No mercado de gente virtual
Pra vender ideias, vender fé
Vender corpo, mente, coisa e tal

Pode vender as vestes de leão
Ou a pele de cordeiro, tanto faz
Vender paz e entregar desunião
Vender falso amor que se desfaz

Pode ter na foto um belo riso
Mesmo que a dor permeie o coração
Parecer mocinho e ser bandido
Todo mundo compra a ilusão!

E não venham me dizer que não sabiam
Das falácias das redes sociais
Não se façam de tolos inocentes
Pois merecem ser passados para trás!
Quem se vende recebe a triste paga
E quem compra ainda perde muito mais!

EmmyLibra
Mar 3, 2020 - 3:55pm

Thursday, January 09, 2020

Insônia

Menos de 3h de sono, de novo! 
😴 
O lindo q me abandona no alto da noite e só chega quase ao amanhecer! 
Deve estar na esbórnia, enquanto eu, devota e ansiosamente, o espero madrugada adentro.
Agora, quero eu cuidar dos compromissos e este amoral me seduzindo, para me arrastar de volta para a cama! 

EmmyLibra
Jan 8, 2020 - 7:26 a.m.

Wednesday, December 11, 2019

Desejo de nunca

Vontade de dormir 
Nem sempre é sono.
Quase nunca é sono!

O desejo de não ser
De não estar, de se esquecer
É mais do que cansaço,
É cansaço de viver.

É um não-querer de si,
É assim um anti-desejo.
Mas é quase mesmo um desejo,
Um quase-desejo de partir.

Porque é de um partir sem chegada,
Quase querer partir para o nada,
Esvaziado de sentido.
Um ir-se sem direção...

Uma vontade de dormir
Que não é sono
Que não precisa do leito
Morno, 
Nem de cobertas
Mornas,
Nem de nada
Morno.

Só um fechar de olhos,
Um adormecer-torpor,
Um desmaio, um vácuo,
Uma vírgula na alma aflita.

Ficar suspensa a alma!

Fora do chão, do mundo,
Fora do corpo.

Longe das coisas 
Cuja solução é inalcançável
Às mãos, aos braços,
Às palavras...
Por mais longos e fortes
Que sejam.

Como se o distanciar-se,
O mergulhar na escuridão vazia,
Apagasse-as do plano real,
Material,
Silenciasse o choro,
Deletasse a lágrima,
Esquecesse o erro,
As mentiras, 
As incoerências humanas,
As maldades humanas,
As indiferenças humanas,
As deslealdades humanas,
As desumanidades...

Desejo de dormir
Nem sempre é sono.
Quase nunca é sono!
Quase nunca...

É desejo de nunca.

=( EmmyLibra
Dez 11, 2019 - 11:02 a.m.

Saturday, June 08, 2019

Não se avexe não

Não se avexe não
Meu coração
Não se avexe não
Já vou chegar
Trago uma canção
Meu coração
Só pra te dar

Não se avexe não
Que essa saudade
No coração
E de verdade
Não se avexe não
Que eu tô chegando
Pra te abraçar

...Saudade dói
...Saudade dói
...Mas um abraço
...Pode curar

...Não diz mais nada
...chega pra cá
...Mata a vontade
...Vem me abraçar

Não se avexe não
Meu coração
Não se avexe não
Já vou chegar
Trago uma canção
Meu coração
Só pra te dar

Não se avexe não!
Não se avexe não!
Não se avexe não!
Não se avexe não!

EmmyLibra
Jun 8, 2019 - 7:20 a.m.

Wednesday, April 10, 2019

Longevidade: Nunca vivemos tanto... Para tão pouco!


A raça humana nunca teve tamanha longevidade, sobretudo nos países mais desenvolvidos. Nunca vivemos tão extensamente a vida, como nas últimas décadas. E a cada ano que passa, essa expectativa de vida aumenta, a população envelhece, novos recursos da medicina e demais ciências que se ocupam do nosso organismo são criados ou descobertos e melhoram nossa qualidade de vida, aumentam dias aos nossos dias.
Por outro lado, tecnologias “aproximam pessoas”, encurtam distâncias. Os meios de comunicação, cada dia mais ágeis e aperfeiçoados, nos permitem ver, ouvir, ter comunicação direta com gente de quase toda a extensão do planeta Terra. Sabemos do que se passou no outro lado do mundo, em poucos segundos até. Estamos a par das conquistas humanas e dos sofrimentos, aonde quer que eles ocorram, em habilíssimo prazo.
Dietas aumentam a expectativa de vida, meios de comunicação encurtam distâncias.
No entanto, nunca estivemos tão adoecidos mentalmente e tão afastados uns dos outros, como temos estado.
As pessoas martirizam-se comendo coisas insípidas, porque viram na internet ou consultaram algum especialista e souberam que fazem bem para a saúde.  Elas se esquecem que alguns alimentos servem muito bem para a saúde física, mas não necessariamente para a mental.  Digo isto no sentido do desprazer de ingeri-los! A alimentação é mais do que fonte de nutrientes. Ela também é estímulo prazeroso para nossos sentidos. Uma comida saborosa, aromática, “bonita”, nos desperta prazer na alimentação. Comer o que não nos toca o paladar, o olfato e a visão é uma tortura escolhida. E para quê?
As redes sociais nos permitem milhares de amigos cada, no entanto a cada tempo que passa nos sentimos mais solitários, nossas relações são cada dia mais destituídas de compromissos e de afetos. Palavreados lindos e mensagens padronizadas no dia do aniversário – lembrado pela memória infalível da internet e não pela importância real do outro para nós – substituem aquele abraço que outrora atravessaríamos a cidade, se preciso fosse, para dar no amigo.
De que adianta uma vida de cem anos, porém desprazerosa, solitária, infeliz? De que adiantam tantos contatos pela internet e nenhum calor humano entre as pessoas? De que adiantam tantos esforços para parecermos saudáveis e felizes, mas nenhum esforço para realmente o sermos?
Sempre me questiono sobre essas cousas. Não me conformo com a ideia de viver me castrando ou de amar as pessoas virtualmente. Não me conformo com o fato de tantas pessoas serem tão conformadas!
Onde está a alma humana? Em que ponto da nossa evolução esquecemos a importância dos afetos para uma vida feliz? Em que curva do caminho abandonamos o ideal de felicidade? Em que página de internet guardamos nossa capacidade de sentir?
Não sei mesmo se vale a pena viver tanto para tão pouco!
Viver longamente ou viver plenamente – o que vale mais?
Sinceramente, não consigo compreender a superestima de certas pessoas para vidas tão ruins!
Agarram-se a martírios de todos os tipos, abstinências de tudo que significa prazer, vão a templos religiosos para cobrirem-se de culpas e remorsos, adoram um deus tirano e cruel, preferem crer no desamor, desconfiar de tudo e de todos, viver superficialmente. Preferem vida virtual, abraços via internet, beijos à distância pela webcam, proteção contra vírus, bactérias e sentimentos de toda sorte... Para nunca saberem o cheiro que o outro tem.  Para nunca saberem o gosto e o calor de um longo beijo...
Isso para mim passa longe do verbo “viver”!
É um arremedo de vida! Não serve para minha existência!
Prefiro amar o outro ao vivo, em cores, tato, olores, sabores. Prefiro sentir prazer em acordar todos os dias. Não morrerei se em algum momento houver decepções, dores. Mas morrerei um pouco a cada dia, se não houver afeto, desejo e prazer em estar viva, se não houver bons sentimentos no ato de viver.
Prefiro a morte durante um orgasmo do que uma vida longa de desprazeres contínuos e escolhidos!
Eu não nasci para a infelicidade. Não me permito viver se não houver algum sentido bom em estar viva.
E não compreendo, sinceramente não compreendo mesmo, quem suicida aos poucos todos os dias, castrando-se das possíveis felicidades cotidianas.
Mas... São escolhas, não é mesmo? Quem sou eu para julgar escolhas alheias?
Só não me peçam para também fazê-las! Eu prefiro a morte do corpo, rápida, certeira, definitiva, do que a morte lenta e sofrida da alma. Entre o suicídio físico e o mental, eu ainda escolho abrir a artéria pulsante e colher a dor.
Definitivamente, eu não nasci para a infelicidade!

EmmyLibra
Apr 10, 2019 – 12:53 p.m.

Saturday, March 30, 2019

Um ser humano.

Vou dizer o que penso do caso. Até então, permaneci com poucas palavras.
Falo da vereadora Marielle.
Eu disse que ela era o boi de piranha perfeito! Desde o exato dia da sua morte eu falei que quem mandou matá-la foi a própria esquerda.
Ela viva era só uma vereadora trabalhando para o tráfico.
Ela morta viraria a mártir que supriria campanhas esquerdistas com argumentos de sobra, dramalhões e acusações à direita.
Eu tenho pena dela.
Foi útil. Nada mais do que isso. Quase ninguém, no fundo, se importava com ela, com o fato de ter morrido um ser humano.
Ela deixou de ser um ser humano.
Virou "mulher, negra, lésbica...", porque esses rótulos todos desvinculam a humanidade dela do cadáver útil. Desigualam-na  das milhares de vítimas cotidianamente assassinadas no país. Designam para ela a função nova - e ao mesmo tempo antiga - de eleger políticos da pior espécie.
Ela foi usada de modo desrespeitoso, depravado mesmo, pela esquerda, para tentar manter no poder a corja de assassinos que, há pelo menos 6 décadas, vêm envenenando nosso povo com suas ideias corrosivas.
Será que descansa em paz, enfim, a Marielle? O ser humano Marielle?
Talvez.
Sua desumanidade fabricada ainda servirá, aqui e ali, para alguns mais enaltecidos e idiotizados bradarem palavras lindas, porém esvaziadas de sentido - vindo de quem virão...
Tenho dó da Marielle.
Tenho dó do ser humano. Aquele que ficou relegado ao esquecimento, enquanto seu cadáver era violado todos os dias, sendo útil ao gozo dos que nunca tiveram alma.
Tenho dó de qualquer pessoa que um dia, alheia à própria vontade, é jogada às piranhas de um lado do rio, para que o resto da manada chegue aonde quer chegar, sem ser afligida.
Ela era o boi de piranha perfeito! Eu percebi isso no primeiro momento. Era o óbvio!
Só quem não tem alma ainda tem coragem de fingir que não entende isso.
Pobre Marielle...
Espero que um dia possa verdadeiramente descansar em paz.

EmmyLibra
Mar 30, 2019 - 11:40 a.m.

Saturday, February 23, 2019

Verdade Plena

Eu durmo a minha fartura ou a minha fome,
Não a sua!

Não tente ditar meus caminhos,
Direcionar meus passos!

Minha consciência não está à venda,
Meu coração não sobreviveria
A uma mente atormentada por valores negligenciados.

Eu sou o que me pesa!

Eu não respiro o que me envenena,
Não alimento o que furta minha paz,
Não maculo meus sentidos 
Com o que não os sacia.

Eu não furto de mim mesma
A legitimidade de ser o que se construiu 
Sobre pilares de dignidades
Que apreendi como minhas.

Se lápide eu um dia tivesse
Não jazeria sob ela
Nada mais do que minha verdade plena. 

EmmyLibra
Fev 20, 2019 - 9:57 a.m.

Thursday, February 07, 2019

Audácia

O mundo não é feito de pessoas que passam a vida inteira debruçadas na janela, olhando a banda passar!
O mundo é feito de quem sai da sua zona de conforto para lançar-se em zonas de confronto.
É feito por pessoas que não têm medo do novo, que gostam de desafios, de produzir o que ainda não produziu, de tentar o que ainda não fez antes, de ousar... mesmo quando o medo de falhar possa estar habitando algum recanto da sua alma.
Mas o mundo não é feito só por destemidos, de modo nenhum!  Ele é feito por quem não precisa ignorar os inevitáveis temores para alcançar algo além do que já estava em suas mãos.  Temem, mas não congelam diante dos medos, diante da vida.
O mundo é construído por quem não tem remorsos, mas sonhos.  É feito por quem olha para a frente mais vezes do que olha para trás. E por quem substitui os preconceitos por um desejo perene de aprender e que sabe que apreender significa passar a saber, reconhecer, aceitar o diferente, o novo, o inabitual.
O mundo não é feito por bélicos.  Ao contrário, belicosidade destrói.  E apenas isso: destrói!
Não confunda coragem com covardia. Não confunda coragem com violência.  Não confunda coragem com imprudência.  Coragem é algo grandioso, que se parece com uma árvore frutífera de tronco forte e sombra abundante.  Sob suas folhas, podemos nos alimentar e descansar, viver e sentir tranquilidade.
O medo nos faz esfomeados, como se a árvore da coragem tivesse pés e pudesse andar por toda parte, mas nós estivéssemos enraizados num solo duro e ressecado, sem poder segui-la para gozar de seus frutos e proteção.
Mas muitos confundem a coragem com crueldade. Outros confundem o medo com covardia. O mundo, certamente, não é feito por esses!
A vida se constrói dia após dia, instante após instante, de decisões, escolhas, sins e nãos que dizemos e que nos fortalecem, às vezes, e nos fragilizam n'outras.  A vida se constrói de cada palavra que proferimos, de cada ato que praticamos.  E o mundo se faz de vida. Vida real, dinâmica, crescente.
O mundo não é feito por quem crê na história como sendo a melhor conselheira.  É feito por quem consegue, a despeito da história, construir o novo.


EmmyLibra
Dec 14, 2012 - 4:37 p.m.


Abraços

Abraços são poemas de corpos,
Em sutil e silenciosa linguagem.
Mais verbal do que todos os possíveis verbos
Que venham a ser significantes
Das ações que o coração é capaz de promover,
Entre almas que se encontram
Para os recitais mágicos
Da vida...

Emmylibra
Jan 11, 2019 - 11:40 p.m.

Rose

Uma beleza súbita
E inexplicavelmente doce.

Algo que nos acorda
E depois acalenta.
Como aqueles sonhos que, por instantes,
Nos arremessam noutra vida
Surreal
E plena de significados,
Mas depois nos acordam no meio da noite,
Com sabores pairando sobre a língua
E odores permeando nossas narinas ansiosas...

Uma beleza súbita
E inexplicavelmente doce.

Nos inspira poemas,
Cânticos
E silêncios.

Como aqueles momentos
Em que queremos dizer tanto,
Mas as palavras se mostram 
Absurdamente supérfluas...

EmmyLibra
Dec 5, 2015 - 11:57pm


À noite


À noite, todas as dores ficam mais agudas,
Todas as febres ardem mais quentes
Todas as angústias sufocam mais fundo,
Todas as saudades latejam mais vivas.

Quando a escuridão toma o espaço,
Todos os dissabores da vida intensificam-se,
Multiplicam seus efeitos, incomodam.

É a hora em que os silêncios 
Falam mais alto dentro de nós
E nossos gritos surdos fazem-se ecoar em nossa alma,
Acordam nossos temores, nossos sentidos,
Evidenciam nossas lacunas, descobrem nossas feridas.

Sob o breu que se derrama desde o Ângelus,
As lembranças dos adeuses, esses cruéis momentos de dor,
Ressoam em nossos ouvidos,
Como numa repetição constante, insistente.

A noite, refúgio dos amantes que se ocultam em suas brumas,
Escarnece daqueles em cuja solidão
Habitam desejos e memórias de suores e salivas,
De momentos sôfregos de paixão e ousadia.

Ela ri dos sofredores, zomba dos desiludidos!

Mas a escuridão que nenhuma lâmpada consegue aclarar
Não é aquela que a noite encerra,
Mas a que envolve corações e provoca lágrimas
Nesses muitos sofredores e desiludidos
Que, à noite, jazem inconformados e saudosos
Em seus leitos solitários.

EmmyLibra
Jan 15, 2015 – 9:12pm

Bom Senso


No espaço que há entre o preconceito e a veneração, moram a saúde das relações, a isenção das escolhas e o equilíbrio dos sentimentos.

Quem busca essas três dádivas, deve abster-se de caminhar no terreno pernicioso das ideias pré-concebidas sobre as pessoas e coisas, bem como fugir do movediço terreno das paixões que embriagam. 

No primeiro campo estacionamos, congelados pelo medo do que pensamos conhecer; no segundo nos perdemos nas ilusões de perfeição do objeto da nossa estima, pois é condição inatingível para meros mortais.

Caminhar longe desses extremos é tarefa que exige de nós bom senso e constante vigilância.

EmmyLibra
Apr 27, 2015 – 1:46pm

Monday, February 04, 2019

Um verso

Eu queria um verso, uma canção,
Qualquer coisa que dissesse de mim
Para falar aqui.

Mas não há.

Quando a cabeça não pensa
E a boca age conforme seu desejo
Quando vive o lábio uma palavra
Ou um beijo
Quando por ele foge a sensatez
E entram prazeres irrestritos,
Erros irremissíveis,
Sofre o corpo, a alma, a vida
A vida inteira sofre!

A vida passa a caber num instante
De arrependimentos e medos
Da pesada carga de dor
Que abraçamos, quase nunca sem saber.

Não há inocência.

Não há inocências!
Nem mesmo acasos há
Ou qualquer coisa
Que acalente o sono
E abrande o pranto
Nas noites e dias
E nas vidas que seguem.

Nada calará aquela voz incômoda
Dentro da cabeça,
Para que o sono venha
E para que os sonhos
Povoem de estrelas uma vez mais
O céu interior, agora rubro
De sangue e tintas escarlates.

Nenhum fogo lamberá remorsos
A não ser aquele que a eternidade
Inexoravelmente trará.

Nada extinguirá a dor!

Eu só queria um verso
Triste que fosse, tanto faz!

Apenas um verso
Que dissesse de mim,
Da minha cela de paredes pichadas
De impropérios tantos,
De mensagens vindas do inferno
E de silêncios acusatórios.

Eu só queria um verso.
Um verso apenas,
Mas que pudesse traduzir minha alma
E convertê-la em som,
Ainda que fosse o som grave,
Doloroso e fúnebre
De um réquiem sagrado.

EmmyLibra
Jan 17, 2019 - 8:41 a.m.

Uma carta para Vitor*

É, Vitor, eu acho
Que as coisas deram errado!

Sabe aquela planta sagrada
Que você plantou no jardim?
Os frutos não foram bem aqueles
Que você tanto sonhou.

O solo estava doente
Nele havia larvas-gente
Que infestaram sua lavoura!

Queria saber o gosto
Daquele fruto esperado?
Eu vou lhe dizer
O gosto que ele tem:

Tem gosto de chumbo,
Tem gosto de bala perdida,
Tem gosto de sangue escorrendo
E de soro 
Em corredor de hospital superlotado.

Tem gosto de miséria aquele fruto!
Tem gosto de passar fome,
Tem gosto de indignidade,
De esmola que faz eleição.

Tem sabor tão amargo, Vitor!

Tem sabor de morte, o fruto
Que você plantou.
De morte que se morre aos poucos,
Como aquela severina,
Da qual falava o poeta.

Ah! Vitor! Como aquele sonho
Parecia bonito de sonhar!
Como aquela lavoura, por um breve instante,
Encheu de verde o nosso olhar!

Mas depois, ou daltônicos viramos
Ou era nosso sangue que tingia
As folhas, o tronco, a terra, tudo!
Pois sua lavoura perdeu o verde
E com ele a esperança.

É, Vitor, vocês deixaram de herança
Aos nossos filhos e netos
A terra esturricada e árida
Do desamor.

Talvez você nem soubesse
A quem sua voz servia.
Talvez você só quisesse
Nos dar alguma alegria.

É, Vitor, eu diria
Que o sonho do qual você falava
Era apenas utopia.

EmmyLibra 
Dec 28, 2018 - 10:51a.m.


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* Texto adaptado em Fev 5, 2019, a partir de uma importante observação feita pelo meu querido amigo Beto Lacerda, profundo conhecedor da música brasileira, que me chamou atenção para um detalhe crucial: a música à qual respondo no poema tem apenas melodia do Ivan Lins. A letra é do Vitor Martins. Portanto, foi uma "Carta ao Vitor" que eu escrevi, não ao Ivan.
Correção feita!
Gratidão ao Beto pelo esclarecimento, mas sobretudo pela disposição em ler e apreciar meus textos, que não são grandes obras literárias. ☺

Tuesday, January 15, 2019

Sonha!

Sonha, meu bem!
Sonha, que sonhando voas.
E voando cresces.
E crescendo me levas
Nas tuas longas asas!

Sonha, meu bem!
Porque passar a vida inteira
Com os pés no chão
Não é para ti nem para mim.
É para meros mortais!

Sonha, sonha mais!
A liberdade infinita
Que se desenha nos devaneios
É bem mais bonita e fecunda
Que nossas pequenas fronteiras
Dos temores palpáveis.

Sonha! Sonha, enfim,
Com tudo que alimenta tu'alma!
Sonha imortalidade!

EmmyLibra
Jan 15th, 2019 - 3:15 p.m.

Saturday, January 12, 2019

Assim que é

Eu penso palavras, você pensa sons
Eu penso loucuras, você tem o dom
De fazer
Acontecer...

Eu penso a fala, você dá um tom
A fala canta, você sente o som
Simplesmente
Acontecer...

Eu quero a noite, você faz estrelas
Eu quero encontro, você faz a teia
Pra me endoidecer...

É sempre assim.
Assim que é.
Eu tendo sonhos
Você dando nó
Em pingos d'água.

É sempre assim
Sempre será
Nós num abraço
Quase dando um nó
Que não desata.

Eu peço flor, você faz jardim
Eu canto a dor, você faz enfim
Desaparecer...

Eu desabando, faz reconstruir
Eu tenho sede faz chuva cair
Sobre mim, sobre mim.

É sempre assim
Assim que é
Eu te chamando
Você bota fé
E me resgata.

É sempre assim
Assim será
Como luz de sol.
Que acaba, enfim,
Com a madrugada.

EmmyLibra
Jan 12th, 2019 - 8:39 a.m.

Thursday, December 20, 2018

Chuva

Suave e fecunda
Chuva que vem
No meio da tarde
De um dia qualquer

Bailam distraídas
As gotas de chuva
E mais do que vida
São gotas de amor

Sussurram baixinho
Confissões sutis
Trazendo recados
De amores distantes


"Eu voltarei... Eu voltarei...
Me espera, eu já volto!
E tudo...
Tudo será como antes!"

EmmyLibra
Dec 20, 2018 - 07:27 a.m.

Friday, December 14, 2018

Domínio

O homem lapidou as pedras; desviou o curso dos rios; derrubou florestas e ergueu em seu lugar edifícios, abriu estradas, construiu túneis. Também domesticou os gatos, adestrou os cães, as águias e tantos outros animais. Ensinou acrobacias a golfinhos e elefantes, hipnotizou serpentes.
Achou que assim, dominada e subjugada, a natureza se tornaria mais linda... ou mais útil.

Paralelamente a tudo isso, mas com absurdamente maior força, apoderou-se e dominou as mentes uns dos outros próprios homens. Estabeleceu uma ordem de coisas que, embora mutante, dinâmica, guarda em si o imutável princípio da insatisfação pela natureza e pela liberdade.

O indivíduo não pode simplesmente ser o que é, o que saiu do ventre da sua mãe. Tem que se moldar, lapidar. Como se pedra bruta fosse. Como se ser a pessoa que nasceu não serve, precisa ser adestrada. Alguém precisa ensinar para ela desde cedo quem ela deve ser para agradar aos demais à sua volta.

Eu não posso ser eu. Você não pode ser você. Ninguém tem êxito sem antes passar pelo molde social ou profissional.

Não exerça nenhuma atividade natural, inata. Aperfeiçoe-a pelos métodos dos outros. Adestre suas competências, suas aptidões, seus talentos. Agrade aos outros, castrando-se, podando-se, mutilando-se, ou ainda enchendo-se de acessórios, pinturas, máscaras, pesadas fantasias e túnicas, grandes e densas o bastante para encobrir ao máximo quem você é, na profundeza da sua alma.

Sufoque esta alma! Suplante-a! Cale-a para todo o sempre!
Deixe de ser você e torne-se alguém que o social aprova.
A pessoa que você nasceu sendo não serve para nada.
Entenda isso de uma vez por todas!

Depois, seja feliz. Muito feliz. Nunca, jamais, em tempo algum ouse demonstrar insatisfação ou tristeza.

Ser feliz é um imperativo desse maravilhoso tempo de perfeição e beleza, construído pelas mãos dos homens sábios e corajosos!

Caso contrário, alguém vai providenciar uma droga qualquer para ajustar seus sentimentos também.

EmmyLibra
Dec 14, 2018. 10:28 a.m.

Monday, September 24, 2018

Mesmo que esteja

Tem muita gente morrendo ao meu redor
Gente caindo ao chão, virando pó
Pensam que ainda estão vivos, vejam só!
De todas as desgraças, a pior.

Dói... Dói tão fundo na alma, essa dor
É como olhar e não ver o que deseja
É não estar ali, mesmo que esteja

Tem gente sumindo para sempre
Gente que não nos considera gente
Gente que nos atropela e não sente
Que corre em nossas veias sangue quente

Vai... Vai e não olha mais para trás
Deixa-me aqui, com a minha dor
Guardo só a lembrança de um amor

Vai... Vai, que a tua imagem se desfaz
No atropelo das horas sem fim
E a saudade estará pra sempre em mim.

Tanta gente morrendo ao meu redor
Mas ainda circulam, vejam só!
Andam naturalmente por aí
Agora entendo: fui eu que morri!

EmmyLibra
Sep 24, 2018 - 9:19 p.m.

Monday, August 06, 2018

Desvontade

Eu já chamei de preguiça.
Já chamei de ausência do desejo, ausência de motivação.
Mas não faltam motivos! Não exatamente. Às vezes eles até abundam! Mas ter motivos não bastam.
Então, não era nada disso.
Porque a ausência de uma coisa não a explica.
Como a ausência da fala não explica o que não foi dito. E, sendo assim, desdizer traz em si uma oposição maior do que simplesmente calar.
Desfazer, desistir, descartar, destruir... "desquerer", "desdesejar", sentir "desvontade". Neologismos, às vezes, são imprescindíveis!
Agora, sei que não me falta nada. Ao contrário, estou plena! Desvontade é o que tenho de sobra!
É maior e mais fundo do que as ausências, embora filha delas.
Tenho desvontade.
Desvontades doem...

EmmyLibra
Aug 6, 2018 - 2:08 p.m.

Friday, August 03, 2018

Correnteza

Tem horas que pensar dói.
Mas a correnteza dos pensamentos é tão forte, que não conseguimos nadar contra ela...
E afogamos.

EmmyLibra
Aug. 3rd, 2018 - 11:00 a.m.

Wednesday, August 01, 2018

Algoz

Numa hora falavas comigo
E tua fala me chegava
Tão doce… Um bálsamo,
Suavizando as dores!

No instante seguinte
Ela me parece torpe, cruel!
Já não é mais a mesma.

Depois que me mataste um pouco
Depois que vi em ti pensamentos loucos
Estranhos, comestíveis, desenfreados
Despejados sobre esse meu corpo,
Estremeci.

E, ao ouvir-te de novo
“Meu bem” - dizias, quase como antes!
Mas nunca como antes.
- Nunca será como antes!
Esfriei sob a pele,
Doeu por dentro.

Porque antes desejei viver
Para ti também, por ti também.
Um pouco.

Mas, sepultaste minh’alma
À sombra das árvores frondosas
Das tuas falas fortes,
Imperatrizes, inconsequentes.

Acaso não percebeste
Quando respirei o teu ar?
Quando segui teus caminhos?
Quando te contemplei?

Acaso não viste nas horas nuas,
Quando me deste um pouco de vida,
Que eu já estava prestes a sucumbir?
Que era um pouco por ti que viveria
Dali por diante?

Jogaste fora esta vida
Decepaste os seus ramos
Destruíste a sua raiz.
Teus sons tornaram-se lâminas!

Hoje, murcham os sonhos
Os planos, as coisas todas
Que plantaste com tuas palavras
Quando elas ainda tinham doçura.

Já não te reconheço.
Talvez agora, simplesmente,
Te conheça - enfim!

Mas preferia aquel’outro
Que me ergueu das cinzas,
Mesmo que agora
Ele já  me pareça tão falso.
Utópico. Irreal.

Esse a quem ora me apresento
É o algoz que me fere,
Que transpassa meu coração
Com a espada gélida e tóxica
Da desesperança.

EmmyLibra
Aug 1st, 2018 - 2:48 p.m.

Morte em vida

Há quem pense que "Não matarás" referia-se ao corpo físico.
Grande engano! Matar os sonhos, a esperança de alguém é ainda mais hediondo. É matar o outro em vida.
Porque quando morre a esperança do homem, todo o homem já está morto.
=(

EmmyLibra
Aug 1, 2018 - 12:57 p.m.

Monday, July 16, 2018

Like Fall

Feeling like fall
When the leaves
Leave the trees
When the raindrops
Cry on the graves
Of men and women
Whose lifes one day
Were like spring

Like spring

Feeling that gray
Like the embers
Of men and women
Who have died
Trying not to live
Like I do today
While my waiting
Has a name

It has a name.

I have died
A little daily bit
Day after day
But I've survived
After my dayly death
After dark hours
I've survived
After myself.

I feel like fall
When the leaves
Leave the trees
And when the teardrops
Wet my cold face.

I feel like fall
Like fall
Like falling teardrops
Like teardrops
That fall
Then die away
Away
I go away.

EmmyLibra
July 16. 5:41 p.m.

Monday, June 11, 2018

Pobreza

Há pessoas cujo pensamento é tão irremediavelmente pobre, que se lhe dermos um copo do mais límpido e fluido conhecimento, elas com ele banharão os pés, ao invés de bebê-lo!

EmmyLibra
Jun 11, 2018 - 10:08 a.m.

Sunday, June 10, 2018

O Apaixonar-se

Um dia, o olho de te ver 
Passa a te ver diferente:
Novas cores e formas
Outrora invisíveis.

Um dia, a mão de te tocar
Passa a um tato diferente:
Calor de pele, relevo
Outrora intangíveis.

Um dia, o teu corpo inteiro 
Parece novo e perfeito
Sob medida para um abraço
Em que até a minha alma
Pode adormecer.

E, então, te re-conheço.
Te conheço de novo,
Novo, absurdamente novo.

Percebo-te em mim agora
Com um outro sentido 
Que escapa aos cinco naturais.
Te absorvo por ele, enfim,
Nessas tão minhas e novas
Dimensões do teu ser.

EmmyLibra
Jun 10, 2018
9:43 p.m.

Thursday, April 12, 2018

Se não cabe em si,
Rasgue seu corpo com as mãos
E deixe sua alma voar!

EmmyLibra
Apr 13, 2018 - 12:58 a.m.

Wednesday, April 11, 2018

Paz

Se eu te oferecer paz
Como caminho a seguir,
Não olhes para trás. 
Apenas segue!

Tudo que há fora dessa jornada
é inquietação inútil!

Não é a dor um preço alto demais
A se pagar pela insensatez?

EmmyLibra
Apr 11, 2018 - 6:17 p.m.

Sunday, December 03, 2017

Concretude

Meu sono vem do cansaço.
Já não há mais poesia no dormir!

Tenho pesadelos, inquietações,
Reflexos dos meus dias
Quase sempre mal vividos,
Passados por mim, sem lirismo.

A vida não tem mais espaços vazios
Para que eu os preencha com flores.
Há concreto nas ruas,
Concretude demais no coração dos Homens.

A Terra parece multiplicar sua gravidade
E os meus pés,
Outrora caminhantes das estrelas,
Pisantes de nuvens,
Agora arrastam-se pesadamente
Sobre o solo árido
Das minhas realidades cotidianas.

Emmylibra
Dec 4, 2017 - 0:55 a.m.

Um mosquito que virou tartaruga

A possibilidade da mudança já foi minha marca registrada. Poder alterar a foto do perfil e a frase de abertura no extinto msn, a cor ou o corte dos cabelos, mudar de endereço, mudar de opinião, variar o estilo das músicas que ouvia ao longo das semanas, mudar qualquer coisa! Eu mesma já me reconheci a “metamorfose ambulante” do Raul*.  Tinha coragens e uma força tão grande, que ninguém era capaz de me deter diante de um sonho ou desejo, diante de uma possibilidade de aprendizado e desenvolvimento. Nada era importante o bastante para me fazer parar, um dia sequer, de modificar as coisas à minha volta, modificar-me, transformar.
Penso que estou ficando mesmo velha. Muito velha. Hoje, a possibilidade de permanência é que está sendo meu estilo de vida. Isso pra mim é um péssimo sinal de morte interior. 
[Já me vejo meio "tartaruga do Rubem alves". Eu era, indiscutivelmente, o mosquito!]**
Só para um café pequeno do que tem se tornado minha vida, não mudo minha foto de perfil do Facebook há mais de 3 anos! Não mudo minha opinião sobre certos assuntos, não mudo sequer os assuntos das conversas! Não troco nem mesmo as playlists que escuto – e o pior é que raramente tenho ouvido música...
Minha vida tem estado meio estagnada. Não posso dizer que não sei por quê. Mas dói muito admitir as razões.
Meus sentimentos andam muito fixos, meus pensamentos chegam a ser obsessivos, repetitivos, recorrentes. Minha cabeça trabalha pela mesmice, não pelas transformações e transitoriedade. Uma sensação de enraizamento apodera-se de mim e isso foi o que abominei a minha vida inteira! Já até escrevi a respeito: “Eu não nasci árvore. Não tenho raízes...” Hoje me vejo parada numa rotina que me incomoda, me frustra o tempo inteiro, sem conseguir sair dela, sem conseguir agir para mudar.
Sinto medo do desconhecido, quando antes sentia ânsia de explorar. Tenho inseguranças que antes não faziam parte da minha personalidade, do meu jeito de encarar a vida.  Vejo-me hoje muito incapaz de modificar qualquer coisa que me incomoda ou fere, e vou vivendo assim, dessa rotina desgastante, sem grandes feitos.
Sinto-me aprisionada por escolhas que fiz e faço em nome dessa segurança que, afinal, não existe senão dentro da minha cabeça, cada dia mais limitada por temores de perigos reais e imaginários, cada dia mais esvaziada de sentido. O que antes me impulsionava para crescer, hoje me causa pânico. Saltar no abismo escuro do inexplorado ou do novo era pra mim motivador. Hoje vivo de cautelas, matando sonhos e engavetando desejos.
Logo eu que sempre declarei que não vivia em função de medos... =( 
Deixei de ser a pessoa corajosa e ousada que sempre admirei no espelho, para me tornar essa criatura fraca e medíocre, de quem me envergonho todos os dias.
Sou um resto de mim. Um resto que definha a cada dia, sepultando-se antes do último fôlego, atando-se a conceitos e rotinas sufocantes, pequenas, mesquinhas.
Não gosto da pessoa que me tornei, nos últimos anos....

EmmyLibra

Dec 3rd, 2017 – 9:23 p.m.

...
* Música: "Metamorfose Ambulante", de Raul Seixas.
...
** Livro: "A Libélula e a Tartaruga", de Rubem Alves, Se ainda não conhece, deveria conhecer! É uma fábula curtinha, até parece um livro infantil.  Mas, certo dia, ele mesmo me disse: "Que bom que percebeu que um livro para crianças nem sempre é um livro para crianças!"
Está disponível em http://wisheslife.blogspot.com.br/2009/08/libelula-e-tartaruga-rubem-alves-livro.html  É um dos melhores livros que já li. Também pudera! O Rubem Alves é, sem dúvida, uma das pessoas mais inteligentes que já passaram pela face da Terra! Faz uma falta... =( Preciso reler muitas vezes essa fábula, para ver se ainda há chance de voltar a ser leve!
...