Tuesday, November 19, 2024

Verbo

Amar é verbo.
Verbo é ação.
Nunca foi sentimento, passivo e infrutífero.
O ato amoroso se materializa no cuidar.
Ama de verdade? Cuide!

EmmyLibra
Nov 19, 2024 - 1:27pm

Thursday, August 08, 2024

Cuidados

O que fica quando já não mais estamos é o cuidado que dispensamos ao outro.
Amor que não cuida é palavra vã. É hipocrisia.
Somos finitos. Mas nossa herança maior é alguma gratidão. Ela é que nos ajuda a limpar nossas imperfeições.
Já nos disse o Mestre da Galiléia que o amor cobre uma multidão de pecados.
Para isso, o amor precisa ser cobertor que aquece.
Seja pelo pão, que aquece a esperança do faminto;
Seja pela palavra, que aquece o coração do angustiado;
Seja pelo abraço, que aquece a afeição do solitário;
Seja por qualquer gesto que materialize o amor, tirando-o do campo das idéias e transportando-o ao campo frutífero da ação generosa.
Assim como a fé sem obras é morta, também o amor sem obras é vazio, frio, estéril.
Amemos, mas com atitudes. 
Dizer o amor é fácil. Sua vivência cotidiana é que é a parte que o santifica.

EmmyLibra
Aug 8, 2024 - 10:47am

Sunday, June 16, 2024

Transcender

A imaginação é uma ferramenta poderosa do carisma.
Ser uma outra pessoa no palco, diferente da pessoa da vida real - essa do cotidiano, que faz o almoço e lava o chão do quintal - é imprescindível!
Há quem não entenda. Há quem não pense nisso. E há quem pense que a das luzes, com microfone na mão, seja a única pessoa que me habita.
Mas, quem iria ver a pessoa que arruma a casa, limpa a caixa de areia dos gatos, lava roupas e faz compras no supermercado?
A Emmy que sobe ao palco é muito mais interessante!
Ela chega onde a dona de casa jamais chegaria.
É sedutora, às vezes. Engraçada, às vezes. Parece até que está falando individualmente com cada expectador!
E não está?!
"Ora, ora! Se não era para mim que ela apontou, quando disse que não me divide com ninguém, enquanto cantava 'A Loba', da Alcione, para quem mais seria?"
Fico feliz, porque nessas horas, consigo fazer as pessoas sentirem-se dentro do espetáculo, fazerem parte, sonharem...
Alguns pedidos de casamento eu precisei rejeitar, por motivos óbvios! - afinal, a que se casa é a que faz o almoço e limpa a caixa de areia dos gatos, e, por sinal, já se casou!
Os abraços sempre me aquecem, e o calor afetuoso que vem deles fica em mim, dentro de mim, como chama que consome a mesmice dos dias de lavar louça e me mantém viva, até o próximo palco.
Alguns elogios me deixam saber que estou fazendo bem o meu trabalho.
Mas, em absoluto, nada se compara à lágrima emocionada, num rosto extasiado em meio à multidão!
Esse é o presente especial de Deus, em uma ou outra data em que geralmente saio de casa sem propósitos maiores, mas me deparo com uma alma diferenciada a encontrar-se com a minha, nessa providência divina que me dá sentido, através da arte para a qual Ele, o Criador, me preparou.
Algumas vezes eu senti a transcendência de tocar um coração e segurá-lo entre as minhas mãos, num peito aberto, rasgado, exposto, molhado de lágrimas sutis...
Não tem preço! 
Ainda um dia desses, há pouco mais de dez anos, eu não preveria viver esses momentos que me imortalizam dentro de uma lacuna mágica no tempo, e fazem toda a espera de uma vida valer a pena.
Quanto valem esses momentos?
Valem tanto... 
Nascem de uma introjeção de sentimentos quase sempre alheios e emoções que nem sempre são minhas, mas que alguém, ao compor sua arte, deixou ali, como uma nascente a me fartar de suas águas inspiradoras.
A empatia me norteia e alguma alma me acolhe. 
Eu nunca sei quando virão pedidos de casamento ou abraços mornos, muito menos quando cairá uma lágrima.
Não me preparo para isso tudo. Mas colho cada gesto como frutos doces num pomar ensolarado e me alimento deles.
A Emmy que sobe ao palco repousa na pessoa comum do cotidiano. A pessoa comum do cotidiano ainda respira porque a dos palcos um dia nasceu.
Fazendo minhas as palavras do Gonzaguinha, "Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda que, palavra por palavra, eis aqui uma pessoa se entregando... Tudo que você ouvir... Estarei vivendo."
Para quem não me conhece, sou Emmy Matias. 
Bora de música?
;)

EmmyLibra
Jun 10, 2014 - 9:12 a.m.

Friday, June 14, 2024

Quase-vida

Tive várias "quase-mortes", desde o exato dia em que nasci. Pelo menos em sete delas, eu cheguei bem na beiradinha do abismo mesmo, além das inúmeras situações de risco que passei, como, por exemplo, ter estado no meio de um incêndio, duas enchentes e outras incidências do mesmo nível de periculosidade.
Todas essas vivências limítrofes deixam um aprendizado. E eu compreendi, analisando meus primeiros 50 anos de vida, com suas tantas "quase-mortes", que eu, na verdade, sempre tive uma "quase-vida"... Como a maioria das pessoas tem, aliás.
Mas, ter uma quase-vida nem é o problema. Problema mesmo é constatá-lo! - A ingenuidade é muito confortável!
Saber disso começa a incomodar...
É estranho que poucas pessoas se dão conta de que têm a missão terrena de viver plenamente, mas vivem pela metade, conformam-se, deixam-se alienar.
São aprisionadas mentalmente por muitas armadilhas.  
Sucumbem facilmente ao consumismo, incentivado pelas publicidades da tv e vitrines das ruas. 
Sucumbem aos discursos inflamados dos políticos, com suas promessas de benesses e favorecimentos. 
Sucumbem à fé cega, preguiçosa e comodista, manipulada nos templos de tijolos, com seus líderes interesseiros, assalariados, pregando uma salvação fast-food que o Cristo jamais ensinou.
Sucumbem aos pseudo-cientistas, com seus jalecos maculados pelas moedas sujas que ganham da indústria farmacêutica
Sucumbem às pseudo-artes que se ofertam em seu entorno, calculado para ter cores e sons emburrecentes.
Sucumbem aos vícios químicos e dependências psíquicas diversas.
Sucumbem aos sentimentos de culpas e auto-flagelos inúteis, aos quais se submetem, na ilusão de que eles lhes farão melhores ou mais dignos da piedade divina.
Sucumbem às necessidades tantas, sob as quais os apelos sociais nos condicionam, sem que percebamos, e que tornam-se suas piores conselheiras...
Somos escravos. 
Existimos pela metade. Talvez muito menos do que pela metade!
Tantos são os que vivem num quase nada, desconhecendo quase tudo, principalmente suas potencialidades individuais!
Tantos são os que aceitam ser o que agrada aos olhos alheios, castrando-se, podando-se, limitando-se, encabrestando-se, acorrentando-se...
Somos infinitamente menos do que poderíamos ser, se não tivéssemos o olhar social a nos vigiar. Seríamos tão maiores, se não nos encontrássemos inseridos em culturas subjugantes, com suas "regras-para-tudo" a nos adestrar...
Existe alguma liberdade na lucidez? 
Eu digo que não. Definitivamente, não!
Talvez, na insanidade mais profunda e incontrolável, poderíamos experimentar alguma autonomia, alguma vontade própria.
Mas é aí que aqueles que amarram os próprios pés nas mós pesadas dos condicionamentos sociais usam suas tesouras afiadas para cortarem as asas dos que ousam tentar voar. E os chamam de loucos! E os trazem de volta à lucidez doentia, com as químicas "perfectantes" daquela velha indústria farmacêutica, com seus pseudo-cientistas fazendo seu merchã para ela disfarçado de entrevista no telejornal noturno, com aquela musiquinha hipnotizante na abertura e cores meticulosamente escolhidas no plano de fundo...
À constatação de que vivemos anuentes aos que nos subjugam já chegaram alguns - poucos; à constatação de que a teia de conceitos e "regras e tratados e filósofos e sábios"¹ a nos condicionar é densa demais, talvez intransponível no sistema ao qual nos engendraram os mandatários do mundo, também chegaram alguns - menos ainda!
Estamos condenados a viver pela metade, crendo por vias e práticas enganosas que teremos vida eterna e plena. 
Sacerdotes e mentores espirituais nos altares, com seus livros (quase) sagrados (tantas vezes indecentemente violados pelos escribas antigos, pagos para adequarem os textos ao que era conveniente aos poderosos), nos dizem que basta lermos a receita, sem tomarmos os remédios amargos, e a cura virá. Tudo sem esforços. Tudo fácil. Tudo sedutoramente confortável e automático. 
Para quem será que interessa nos manter nessa ignorância cômoda, nessa anestesia mental?
Vivemos pela metade, recebendo migalhas do Estado, com seus assistencialismos, fabricantes de parasitas sociais.
Vivemos pela metade, deixando aos filósofos pensarem por nós e aos professores e sacerdotes nos ensinarem teorias inexeprienciáveis como se verdades incontestáveis fossem.
Vivemos pela metade. Sonambúlicos. Zumbis.
Aqueles que despertam para a realidade - ou em linguagem de hoje, tomam a "red pill" - fatalmente sentirão a lâmina fria da tesoura afiada dos "lúcidos" espectadores do telejornal noturno, a lhes aparar as asas da ousadia. 
Vivemos pela metade, até que um dia, um ou outro abre os olhos de ver e é rapidamente degolado, antes que cutuque o sonâmbulo ao lado e o contamine com seu despertar inconveniente.
Ter uma quase-vida nem é o problema. Grave mesmo é constatá-lo! 

EmmyLibra 
Jun 14, 2024 - 9:20 a.m.

Régio, José. in Cântico Negro.

Wednesday, March 13, 2024

Margens

Há pequenos prazeres 
Que nos ajudam a sair 
Do caminho de pedras desiguais, incômodas
Para as margens floridas, 
Como se a elas pertencêssemos.

Pisar a grama, com pés descalços...

Mesmo que seja por alguns segundos,
Fecundos
De algum sentimento amoroso
E morno.

E nos esquecemos, por breves momentos...
– que seja! Quem pode condenar o sonhador?
...de quantas dores se faz um desengano.

Deixe-me sonhar, então!
E entregar em suas mãos
Um pouco de flores,
Colhidas daquela estreita margem
Que ousei pisar, saindo da rota áspera
Dos meus dias reais,
Para os mágicos instantes
Das suas gentilezas,
Do seu carinhoso abraço
E da acolhedora hospedagem que recebo
Em seu coração.

Deixe-me respirar um pouco mais fundo!

Ao lhe entregar pequenas flores
Colhidas da margem do meu caminho,
Também desfruto do perfume que delas se exala
E tenho a nítida sensação
– Ilusão? Que importa?
De que posso habitar essa margem,
Sempre que os meus dias reais
Doam mais do que posso suportar.

EmmyLibra
Mar 13, 2024 - 7:36am

Tuesday, May 23, 2023

Nietzsche matou Deus?

Primeiro, vamos pensar sobre as religiões.
Nunca foi sobre salvação; nem sobre Deus existir ou não; tampouco sobre a ética e a moral no aspecto íntimo de cada um.
Sempre foi sobre ter poder, domínio, status, ganhos materiais, controle social.
Foi para os líderes pela vaidade de serem aqueles que têm em si alguma prerrogativa "sagrada" para a condução dos demais.
E foi, para as "ovelhinhas" a coroação da preguiça e a ausência de responsabilidades.
Não precisa pensar por si mesmo, basta seguir os inquestionáááveis dogmas da crença que abraça; não precisa agir, basta crer; não precisa ser ético, moral, correto, basta que outro tenha sido martirizado em seu lugar; não precisa raciocinar sobre a realidade, basta contemplar mistérios sem sondar-lhes a essência.
Se eu creio em Deus?
Não. Crer é temporal. Quem crê hoje pode descrer amanhã. E vice-versa. Compreendi isso numa fala do  Divaldo Franco, certo dia, quando ele disse: "Eu SEI Deus. E uma vez que sabemos, não tem como des-saber. Como quem sabe ler e, mesmo que se recuse, basta ver as palavras escritas, automaticamente, já leu."
Pois bem, eu também SEI Deus. Aprendi Deus.
E por saber Deus, eu fujo das ideias equivocadas da crença em deuses criados pelos homens.
Esses deuses estranhos, vingativos, vaidosos. Deuses sem onisciência e dependentes de moletas como livros e  sacerdotes para existirem. Deuses sádicos, cheios de fetiches, que esperam rituais, sacrifícios e martírios humanos em troca de seus pequenos favores. Deuses que se comprazem em condenar quem não se prostra aos seus pés.
O Deus que eu SEI é tão diferente dessas imagens mentais...
Bem... Talvez Friederich Nietzsche dissesse que eu sou apenas uma pessoa com mestrado em idiotice.
Não tenho problemas com isso!
Porque para mim, ele é apenas um filósofo bastante inteligente, mas cuja existência faz tanta diferença em minha vida hoje quanto eu nunca ter visitado Marte. É tão relevante pra mim quanto antes de eu conhecer uma nesga do seu pensamento.
Meu "saber Deus" importa pra mim; o pensamebto de Nietzsche importou para ele e quem o elege como seu guru.
Comparo a dependência psíquica das "ovelhinhas" a quem, sem ter a atitude concreta de pensar (por mais abstrato que seja o pensamento), envereda-se pelas ideias de Nietzsche ou de quaisquer outros filósofos, antigos ou contemporâneos, para justificar suas crenças ou descrenças, transferindo-lhes o poder de conduzir suas mentes, como fazem também os sacerdotes.
Dê a Nietzsche ou a qualquer filósofo esse status e não terá o direito de criticar aqueles que transferem aos líderes religiosos ou a livros sagrados e rituais o seu dever de autoconhecimento e da manutenção de virtudes apenas para seu engrandecimento íntimo.
Muitos, sem perceber, dão a filósofos o status de divindades sobre a Terra.
Dizem por aí que Nietzsche foi "o filósofo que matou Deus".
Ele não matou Deus.
Acho que ele apenas quis sê-lo.

EmmyLibra

Thursday, July 14, 2022

Em extinção

Raciocine comigo:

- Um vírus matou uns milhões;
- Vacinas matando outros milhões;
- Papa mandando os jovens comerem menos carne, "para salvar o planeta";
- Bill Gates dizendo q vamos comer insetos em breve, e já tem experimentos sendo feitos com a inclusão de baratas e larvas de moscas em alimentação animal, mas há alguns dias noticiaram que vão incluir essa bizarrice na dieta das crianças em creches e escolas ao redor do mundo (eca!!! 🤮).

Sabemos que a raça humana, mesmo não tendo grande porte físico em relação a outros animais, como tigres, leões, elefantes etc., se tornou dominante porque criou ferramentas rudimentares para compensar sua estatura e fragilidade. 
No entanto,  só desenvolveu-se intelectualmente porque alimentou-se de proteína animal, associada aos vegetais.
Animais exclusivamente carnívoros ou herbívoros não tendem a esse desenvolvimento.
Consumir leite, ovos e carne fez toda a diferença ao longo dos séculos, para que chegássemos ao mundo desenvolvido e informatizado que temos hoje.
(Vamos pensando...)

Há poucos dias foi destruído um monumento que serviu de aporte à teoria de "esvaziamento do planeta" como solução para os problemas de muitos povos. 
Eram as "Georgia guidestones" (pedras-guias da Geórgia), que continham 10 mandamentos substitutos do Decálogo Divino. 
O 1° deles dizia que deveríamos eliminar (matar, exterminar) 6,5 BILHÕES de pessoas, para termos um planeta perfeito, um "resort natural".
Dos 7 BI existentes hoje, deveriam restar apenas 0,5 BI, ou seja, 500 milhões. 
Isto equivale 2 vezes a população do Brasil e um pouquinho mais, ocupando a vastidão do planeta Terra.
🤔
Sendo que as teorias "salvacionistas" de quem seguiu esses mandamentos das "pedras guias" evoluíram para detalhar que eles deveriam selecionar muito bem os que herdariam o planeta "maravilindo" dali por diante.
Em outras palavras, seria necessário determinar quais pessoas deveriam morrer para liberar espaço pros escolhidos.

Dentre os impositivos, se incluíam:
-  A escolha das raças que deveriam compor a população;
- A procriação controlada pelos governantes (isso mesmo! Nada de se apaixonar, casar e ter filhos como quiser! O governo diria quem miscigenaria com quem, colheria os gametas, faria embriões perfeitos em laboratório e implantaria nas fêmeas adequadas a gerá-los!)
- Alimentação controlada;
- Tarefas de cada um controladas;
- TUDO controlado.

Por quem??

Por uma elite. 

20% desses sobreviventes deveriam ser intelectuais, bilionários, políticos, artistas...
Os 80% restantes "serviriam" a essa elite, na produção de alimentos e manutenção dos espaços.

Agora, a pergunta que não quer calar:
Por que insistem tanto em esvaziar o planeta e quase extinguir a raça humana? Quem ocuparia os espaços restantes, se TODA a população caberia no território europeu com folga, ou no Canadá, ou nos EUA, ou mesmo no Brasil?
Pra que (ou pra quem) eles estão querendo esvaziar o planeta?
🤔

O que está por trás disso tudo?

E antes que você diga que é loucura ou  teoria da conspiração, é só dar-se ao trabalho de pesquisar e observar as falas dos "poderosos", como eu tenho feito.
Não faltam notícias na internet falando escancaradamente dessas coisas!
Mas as pessoas preferem acreditar na Rede Globo, ver novelas, séries "lgbt" na Netflix...
Estão vivendo de circo!
Só que o circo está pegando fogo... E ninguém parece perceber! 
🤡   

EmmyLibra
July 14, 2022 - 12:55 p.m.

Friday, July 01, 2022

Despertadores

Eu sou do tempo que a pessoa pedia "serviço de despertador" à cia. telefônica. Então, no horário combinado, uma telefonista se ocupava de ligar e ainda falava com a pessoa, certificando-se de que ela acordou! ⏰
Antes mesmo da automação do serviço, que depois passou a ser feito apenas com uma gravação da operadora.
Eu ficando velha??? Imagina!!!
Só estou com saudades do tempo em que falávamos com seres humanos nos atendimentos e eram pessoas gentis, afáveis...
Hoje em dia o celular nos desperta com uma musiquinha. Não há um ser vivo se comunicando. E sua influência é tamanha, que às vzs no vemos agindo também com sua desumanidade!

😐

EmmyLibra

July 1, 2022 - 7:40 a.m.

Friday, May 27, 2022

Involução


Acho que muitas pessoas não buscam a informação, não se interessam pelo conhecimento, muito frequentemente pensando que não saber o que acontece à sua volta pode isentá-las das consequências dos fatos.
Maior estupidez de todas!
Acaso, sabe a galinha em uma granja que será abatida? A sua total ignorância do que se lhe desenha como fado não a protege da lâmina afiada que lhe decepará o pescoço em poucos meses de existência!
A sociedade, cada dia mais, se assemelha a animais em viveiros!
A humanidade plena, aquela que nos diferençava das outras espécies pelo intelecto desenvolvido e pelos comportamentos regidos por esse intelecto, está em extinção.
Restam agora poucos espécimes do homo sapiens, pelo visto. A esmagadora maioria de nós está, paulatinamente, regredindo ao primitivo estágio das necessidades fisiológicas sendo saciadas instintivamente e os territórios sendo conquistados à custa de disputas sangrentas. 
Os indivíduos perderam os valores ético-morais que os fazia agir moderada e inteligentemente para a solução dos problemas comunitários.
A roda não está muito longe de ser desinventada!

EmmyLibra
May 27, 2022 - 12:48 p.m.

Tuesday, March 15, 2022

Sobre o Tempo II

"O tempo não pára." 
(Cazuza)

Quando voltamos para o apartamento esses dias, e me vi no mesmo espelho de antes, não reconheci a pessoa que havia nele.
Passei dois anos fora da rota, mas passaram-se 20 anos para mim, nesse intervalo.
Antes, o tempo caminhava macio, calçado em meias de lã, eu nem conseguia ouvir seus passos ou prestar atenção no seu abrir e fechar de portas.
Agora, ele pisa por cima de mim com botinas e esporas, e corre veloz, num cavalo enorme, pelas campinas ressecadas dos meus dias preocupados.
Tornou-se para mim, de eloquente professor, em implacável algoz!
E já não me ensina como outrora, mas apenas me castiga pelas lições que negligenciei aprender, enquanto ele caminhava silente entre os móveis da minha sala.
Eu sempre gostei do tempo.
Nunca me importei com as suas ferramentas abrindo sulcos no meu rosto ou na minha alma. Mesmo doendo de vez em quando, eu ainda aguardava pacientemente pelo dia em que sua escultura estivesse pronta.
Mas ela não fica pronta nunca!
Ele esculpe sem parar, e vai tirando lascas cada vez maiores, e elas doem mais e mais fundo, enrugando mais a minha esperança do que a superfície do meu corpo.
Mas eu não peço que ele pare o seu trabalho. Não! Eu jamais pediria!
Ao contrário, eu quero mesmo que acelere as coisas! 
Que ele termine logo o que começou naquele outubro distante em que, talvez por preguiça ou má vontade de começar uma nova escultura, tentou me arrastar por asfixia. Veio o doutor Genecy e não deixou, aplicando-me a primeira e caprichada surra de trinta e cinco palmadas estaladas no traseiro, recurso rudimentar, mas eficaz, àquela época.
Meu velho e ranzinza amigo tempo, meu mestre e artesão, meu algoz impiedoso... Um dia ele extinguirá minhas memórias e lembranças, deletará pessoas e lugares que conheci, até que, por fim, me dará a calmaria do esquecimento de mim mesma, apagando todas as luzes e fechando todas as portas, para que nada atrapalhe o meu sono.
Confio nele. Às vezes pula algumas etapas, às vezes impacienta-se e acelera as coisas, mas nunca, jamais deixa de cumprir o seu fim.
Ao termo da vida, quem sabe, ao me olhar uma vez derradeira no espelho do meu apartamento, eu consiga reconhecer algum traço da pessoa que um dia eu gostei de ser.
Até lá, deixem-me quieta.
Shhh!! Não quero atrapalhar o artífice, enquanto ele trabalha em sua escultura!

EmmyLibra
Mar 15, 2022 - 10:30 a.m.

Thursday, December 17, 2020

Escravismo

Quando os homens descobriram o potencial escravista da palavra, dispensaram as correntes.
⛓️
Correntes eram frágeis demais, algum "rebelde, aqui e ali, ainda conseguia quebrar, ao contrário da prisão pelas ideias que, uma vez plantadas, enraizam-se, espandem-se, frutificam, mantendo ciclos de escravidão voluntária, servilismo anuente.
Os chicotes das culpas e medos fictícios que nos imputaram são muito mais eficazes e eficientes do que qualquer açoite na pele. Não cicatrizam. Nos mantêm condicionados indefinidamente.
Mas não há vida plena sem liberdade!
O ser que não busca libertar-se já morreu e ainda não se deu conta!
Aceitar regras ditatoriais e discursos aterrorizantes sem questionar, nos põe infinitamente mais cativos do que foram os antigos escravos acorrentados das senzalas, já que eates sempre lutaram para sair dos cativeiros.
Acordemos!!
O nosso cativeiro mental é feito de grilhões ilusórios, hologramas de grades. Saiamos da escravidão midiática e ideológica, elevando-nos acima dos medos plantados!
Convenceram uns de que são vítimas; outros de que são algozes.
Acorrentaram-nos a passados crueis dos quais já havíamos nos libertado há décadas!
Acabaram com a harmonia que prenunciava o amadurecimento das relações humanas.
Nos jogaram uns contra os outros, usaram nossas fragilidades, transformaram exceções em regras. Nos imputaram culpas e medos e viram que isto era lucrativo, que a dominação era mais fácil assim, com este "modus operandi".
Como podem, então, as pessoas continuarem entorpecidas, acreditando que o cativeiro é abrigo para dias chuvosos??
Digamos NÃO aos ditadores que nos trancafiam dentro das nossas próprias casas, nos amordaçam com focinheiras, nos desinfectam a toda hora e nos afastam uns dos outros, convencendo-nos de que somos nocivos!
Basta!!!
Nada há sobre a Terra que valha nossa liberdade!
Um ser que não busca a liberdade já morreu e não se deu conta!
Lembre-se disso!!

EmmyLibra
Dec 15, 2020 - 11a.m.

Friday, August 28, 2020

Inverno

Uma réstia de sol inunda a sala, mas não aquece.
O inverno, oficialmente, chegou há poucos dias, mas já temos passado tempos bem frios, madrugadas de doer!
Todas as noites eu penso nos moradores de rua, nos animaizinhos abandonados,  tantos que não têm abrigo, vivendo ao relento, morrendo ao relento...
Ainda se irão três meses assim, antes que tenhamos calor novamente. Isso preocupa, sobretudo em tempos difíceis em que uma político-pandemia nos assola.
Tenho ficado angustiada pela situação geral. Às vezes, o meu conforto tem quase o mesmo gosto do sofrimento e a minha proteção tem quase o mesmo cheiro da culpa.
Sei - e aqui o saber é ter ciência, convição - que não sou eu a causar ou agravar coisa alguma. E que o que posso fazer para minimizar, a um que seja, alguma fome ou frio, faço-o. Não se trata disso. Trata-se de comiseração. Não há como estar absolutamente confortável entre as cobertas quentes, quando sabemos que outros milhares não têm sequer um cobertor que evite sua morte na madrugada. 
É um sentimento estranho. Uma piedade que deixa sempre uma pergunta sem resposta pendendo num fio invisível, diante dos nossos olhos: "que posso eu, diante da multidão que sofre, se mal carrego a mim mesma sobre meus calcanhares, muitas vezes sendo até mesmo carregada no colo?"
Tradução do sentimento: impotência.
Uma frustrante sensação de impotência.
Nem orar eu posso!

EmmyLibra
Jun 24, 2020 9:13am

(Nem sei por que não publiquei na data. Deve ser um dos esquecimentos causados pela idade!)

Remissão

Na ilicitude dessas horas tuas
Em que me embriago desse amor volátil,
Esvão-se de mim os pensamentos puros,
A santa castidade de que se fazem os anjos.

Sou nada mais do que esses instantes mornos
Que - dizem muitos - me condenarão 
Aos calores infinitos 
Das chamas ardentes na escuridão profunda,
Onde Deus, muito provavelmente, não está!

Ora, pois! Não é o Ser Altíssimo onipresente, 
Para que de divindade Lhe possamos chamar?

Estaria Ele, também, presente no vão escuro
E fétido e imoral do inferno?
Ou mesmo no leito morno, sobre o qual,
Ainda agora mesmo, me embriago e deliro?

Acaso me contemplará este Ser com seu olhar 
- Supostamente bondoso,
Enquanto me despedace eu em meio ao fogo,
Naqueles dias infindáveis da minha condenação?

Desconsiderará o Criador que o leito e a embriaguez
Estavam cobertos 
Pelo tênue véu de sentimentos amorosos por ti?

Acaso, o que guardo no peito
E que me arrebata aos braços teus a cada estação,
Não serve para cobrir os pecados tantos
Que pesam como fetos mortos
Dentro do meu ventre?

Essas horas ilícitas,
Nas quais me embriago e deliro,
Dizem mais dos Céus do que do Inferno,
Dizem mais de Deus do que de mim,
Dizem mais a Deus do que dizem a mim.

Essas horas ilícitas, banhadas de suores e salivas,
Falam mais de alma do que de corpo,
Falam mais de amor do que de pecado,
Falam mais ao amor do que ao pecado.

Essas horas ilícitas, cercadas de temores
Da materialidade da incompreensão humana,
Não temem o suficiente para que lhe ponhamos termo,
Pois não temem a imaterial Realeza que nos julgará, enfim,
Pelo filtro do amor no qual se banham
E que remirá, um dia,
Pelo batismo inquestionável desse amor,
Todos os pecados humanos,
Lavando todas as honras
E devolvendo-lhes a imácula transparência,
Na qual refletir-se-á
A luminescência das almas - então inocentadas
De toda e qualquer paixão sorrateira
Que, porventura, 
Haja permeado os lençóis,
Enquanto a embriaguez e o delírio
Nos elevava ao êxtase.

EmmyLibra
Aug 5, 2020 - 10:55 a.m.






Thursday, August 13, 2020

Filosofia dos Pacotes

Em nossas vidas, tudo que nos cerca são “pacotes” que compramos, ganhamos ou simplesmente caem de paraquedas no nosso colo. 

Entendamos esses pacotes como sendo compostos de muitos ingredientes: açúcar, sal, mel, pimenta, luzes, sombras, melodias, ruídos, alegrias, tristezas etc. Mas, para resumirmos as ideias, pensemos que os ingredientes que nos agradam são percebidos e sentidos por nós como balões de ar quente que fazem o pacote flutuar, ficar mais fácil de carregar, enquanto os ingredientes desagradáveis nos parecem pedrinhas – ou pedregulhos! – que nos fazem sentir o pacote como se fosse mais denso e pesado para nós. 

Mais balões do que pedras: pacotes leves. Mais pedras do que balões: pacotes pesados.  Mas, vale salientar que são apenas percepções nossas. O que vemos como balões, outros poderão enxergar como pedras e vice-versa. 

Pessoas, coisas, situações, escolhas, tudo! Pacotes fechados, bem amarrados de barbante, muitos com nó cego. Algumas vezes não é possível abri-los para acrescentar ou retirar algo. Alguns, no entanto, vamos enchendo ou esvaziando com o passar do tempo.  

E assim a vida segue, vamos acumulando alguns pacotes, perdendo  outros pelas curvas do caminho, ou simplesmente nos desfazendo deliberadamente deles. Uns nós atamos cada dia mais fortemente, outros vamos afrouxando nós, enfeitando com laços de fitas, colorindo o papel que os embrulha... 

Quando fomos concebidos, éramos pacotinhos para nossas mães. Recheados com expectativas, sonhos, cólicas, aumento de peso corporal, enjoos, dores do parto... Enfim, no pacote-gravidez os balõezinhos das boas expectativas da vida que se desenvolve no ventre vêm juntamente com algumas pedrinhas, sobretudo para a mãe. Para o pai, bem como para os demais familiares, há as mudanças de humor da esposa, as despesas aumentando, os espaços da casa sendo alterados, dentre outras tantas pedrinhas que eles precisam carregar dali por diante. 

Nascemos, crescemos, fazemos escolhas, fazemos amizades, aprendemos. 

No pacote-infância há as brincadeiras, o tempo farto, o desconhecimento dos problemas dos adultos, a vida abundante correndo nas veias, aprender o tempo inteiro, tantos balões de ar quente, que precisamos viver presos por cordinhas para não sermos levados pelo vento em dias de agosto! 

Pedrinhas, para algumas crianças, são poucas: joelhos ralados, arrancar dentes, brigas com os irmãos ou primos, coisas banais. Para outras, no entanto, há pedras colossais de violências sofridas, abusos, perdas, fome e miséria. Para estas, o pacote-infância é um fardo difícil demais de carregar. 

No pacote-vida-escolar tem balões de aprender e pedras de exames e provas; tem balões de colegas bem legais e pedras daqueles coleguinhas chatos que bebem nosso juízo de canudinho!  

No pacote-família temos os balões mais quentes e leves, porém, talvez nesse tenhamos também as pedras mais duras e pesadas. São pais, avós, irmãos, primos, filhos, parentes e agregados, cada um com suas cargas emocionais, seu jeito de ser, uns doces, outros amargos, uns bondosos conosco, outros que nos massacram, uns que nos enriquecem o dia-a-dia, outros que sugam nossas energias.

Mas o pacote família é uma referência!  Com seus ingredientes aprendemos, crescemos, temos oportunidade de desenvolver habilidades sociais valiosas! Entretanto, é bem comum desconsiderarmos os balões das virtudes de cada membro que nos acompanha ao longo do existir. Insistimos, muitas vezes, em enxergar mais as pedras daquilo que não gostamos em nossos familiares do que o lado bom de estarmos com eles nessa jornada.

Família é um pacote compulsório. Mas, curiosamente, enquanto o carregamos fazemos parte dele, estamos vestidos nele! 

Lembro-me quando decidimos ir embora do Nordeste para Minas Gerais. O pacote-mudança incluía todas as expectativas boas e ruins, pois não sabíamos o que nos esperava em terra tão distante e culturalmente tão diferente da nossa. Era um grande pacote-surpresa neste sentido.  

Havia nele, logo de cara, as pedras de deixar para trás amigos queridos, parentes que demoraríamos muito tempo para rever. Medos e anseios se misturavam dentro do nosso pacote, mas à medida que o tempo foi passando, muitos balões surgiram: grandes amigos, trabalhos, aquisições materiais e imateriais, então o pacote-Minas-Gerais foi ficando cada dia mais leve. 

Falando em amigos, antes de tudo são pessoas. O pacote-gente é uma das mais preciosas aquisições. Mas são eles os mais bem amarrados, com muitos cordões e nós bem firmes, geralmente não podemos abrir e modificar seu conteúdo. 

Pessoas têm virtudes tantas! Mas carregam em si vivências que as fazem peculiares, únicas. São gozos e dores, ganhos e perdas que se amontoam e dos quais elas se compõem. Não podemos levar para nossas vidas um pacote-pessoa e achar que podemos obrigá-las a jogar fora de si os ingredientes que nos desagradam, para serem o que idealizamos. É ilusão! 

Amigos, familiares, colegas de trabalho, líderes políticos... Todos, invariavelmente, terão em si características-balões e características-pedras, influenciando quão leves ou densos os vemos.  

Se vai levar para algum nível da sua existência um pacote-gente, é bom lembrar da inviolabilidade dos seus lacres! Não há como esvaziá-lo do que nos desagrada para que fique leve. Mas, sobretudo, é fundamental ter em mente que também seremos pacotes para essa pessoa. 

Pôr o pacote-eu na balança me preocupa? 

São válidas as seguintes reflexões: quão densos temos sido? Quão fácil ou difícil tem sido para as pessoas à nossa volta carregar o pacote da nossa companhia? Quanto temos nós enchido nossos balões-virtudes em favor de facilitar a vida de quem nos cerca, e quanto temos nos tornado tropeços de más escolhas para quem cruza nosso caminho?  

Enfim, somos pacotes-bombas ou pacotes de presentes para quem compartilha conosco sua existência? 

 

EmmyLibra

Aug 13, 2020 - 4:50 p.m.

Wednesday, August 05, 2020

Leme

Dias iguais
Depois de noites iguais
Vida que segue
Pra onde?
Não sei.

Quero pôr de volta
A minha mão
No leme.

EmmyLibra
Aug 5, 2020 - 8:27 a.m.

Thursday, April 30, 2020

Não é sobre o vírus...

Um amigo me enviou hoje cedo um texto cujo autor eu desconheço, pois não foi mencionado na postagem (*), falando sobre "a real intenção (de um sistema ou grupo de líderes) em nos fazer usar máscaras" durante a suposta pandemia do vírus chinês.
Primeiro esclarecimento: usei a palavra "suposta" antes de "pandemia" porque, na minha sincera e modesta opinião, tudo o que estamos vivendo hoje é uma grande farsa, montada para nos convencer de que somos frágeis e indefesos.
Segundo esclarecimento: o texto que recebi é muito longo, então eu selecionei alguns trechos que acho primordiais para entendimento do que vou falar.
Ainda ficou bem longo, mas creio que facilitará compreender minhas colocações.

“Quero compartilhar algumas razões pelas quais eles (os globalistas) estão exigindo que usemos as máscaras e porque isto é uma ideia terrível.
O uso de máscaras cirúrgicas ou máscaras de qualquer tipo pressupõe, 'dentro da mente humana', que existe uma ameaça externa. As pessoas se sentem ameaçadas por alguma força invisível e sem nome, que cria dentro delas um sentimento de terror. O 'outro estranho, mascarado' assume uma aparência ameaçadora e agourenta que faz com que alguém se afaste instintivamente dele, a fim de evitar o ‘monstro que pode estar à espreita’.
[...] incute na mente das pessoas a IDEIA de que algo está terrivelmente errado com a humanidade e com a própria vida. [...], que estamos de alguma forma contaminados e virulentos para a vida em geral [...], danificados interiormente, que estamos doentes, o que não é verdade.
Ao usar máscaras, estamos esgotando a ingestão de oxigênio vital. 
[...] O oxigênio é fundamental para todos os sistemas do nosso corpo e, com o esgotamento do ar vital, o nosso corpo se torna ineficiente e rapidamente doente.
[...] Se insistirmos em usar máscaras, iremos respirar o nosso próprio CO2 tóxico, e iremos nos negar a inalar o oxigênio vital, fundamental para a saúde das nossas células.
[...] O distanciamento social está sendo incentivado e controlado [...] para provocar a separação psicológica da humanidade.
Os seres humanos prosperam vivendo em comunidades. Somos seres sociais e só podemos sobreviver interagindo uns com os outros. [...] Nós nos entendemos lendo os rostos um do outro e sentimos conforto em um sorriso e compaixão em uma expressão facial. Mas a máscara dificulta esta interação entre os humanos…
[...] eles estão nos transformando em estranhos temerosos 
[...] Institua leis marciais, como toque de recolher e quarentenas, para afirmar o controle sobre a população e buscar a conformidade de todos.
[...] Detenha (Separe/Prenda) as famílias que nos impedem de nos aproximar de suas crianças, idosos, deficientes e doentes (como os nazistas fizeram na Alemanha).
[...] Continue promovendo o medo sobre as massas, usando o controle da comida, da água, do dinheiro, vírus "perigosos", falta de emprego, quarentenas forçadas e propaganda, a fim de continuar levando motivos para dentro de suas casas para terem muito medo. Assim, elas estarão preparadas para aceitar um Salvador para os seus problemas."

Eu, de certo modo, já havia pensado que há mesmo um efeito psicológico terrível no uso dessas porcarias todas. Ficar desinfetando-se, distanciando-se das pessoas, sem acesso às impressões visuais das expressões faciais uns dos outros, a submissão inconteste às ordens ditatoriais dos prefeitos, governadores e agentes de Segurança Pública...
Tudo isso é, antes de tudo, um grande "teste", para saber quão submissos, quão domáveis somos.
Aceitar estas regras pelo medo só demonstra que por um pouco mais de medo faremos coisas piores contra nós mesmos, nossos grupos sociais e familiares.
Por uma propaganda de medo ficamos voluntariamente encarcerados. 
Será que com um pouco mais de propaganda estaremos aptos a cometer atrocidades uns contra os outros?
"Implante nas pessoas um chip, [...] para que possam ser rastreadas em qualquer lugar do planeta." - diz o texto.
Será que com um pouco mais de medo autorizaremos alguém a violar nossos corpos com dispositivos que desconhecemos?
Com um pouco mais de imagens aterradoras e um pouco menos oxigênio em nossos cérebros nos alienaremos a enxergar bondade no ser mau que nos subjuga?
A cada dia que somos coagidos pelo medo (alguns das forças policiais, outros do vírus, outros dos outros...), eu me pergunto: até quando nos cercearão a liberdade com a nossa própria conivência?
São grades de prisões cujas chaves giramos para fechar com nossas próprias mãos e entregamos a um carcereiro imaginário que vive a nos espreitar pelas janelas e frestas das portas das nossas casas...
Não tenho medo de vírus. Nem de polícia. Nem de conviver com outras pessoas. 
O que me apavora é o medo de ter medo!
É aterrador perceber o nível de ingenuidade e submissão das pessoas em pleno século XXI, com todo o acesso que temos à informação!
Tantas guerras a humanidade passou, tantos tiranos assistimos cometerem genocídios, tantos povos subjugados, mas ainda não aprendemos a nos resguardar e nos levantar contra a simples PROPAGANDA ENGANOSA do medo?
Ontem um asteróide ia passar. Nem sei se passou.
Havia em alguns, antes do medo do vírus e antes do medo dos tiranos com seus soldados nas ruas, um medo de que o asteróide nos causasse algum problema, nos atingisse, nos matasse.
Penso mesmo se não estava no tempo certo de um acontecimento assim, que nos extinguisse.
Se em tantos milênios de civilização ainda não aprendemos a ser seres humanos em plenitude, acho mesmo que o planeta precisa sofrer um "reset", ser reinventado pelo criador!
Acho que aquela frase bíblica que diz "...e o Senhor arrependeu-se da sua criação." está no livro errado.
Não, ele não se arrependeu no tempo histórico do livro de Gênesis! Deve estar arrependido agora, ao ver-nos criando e adorando "deuses" diante dos Seus olhos, e permitindo-lhes o comando de nossas vidas!
Líderes políticos sem qualquer idoneidade moral; pseudocientistas; artistas fabricados pela mídia corrupta e corruptora; a própria internet, a quem recorremos mais vezes ao dia do que ao Criador... "Deuses" que elegemos e aos quais entregamos o comando de nossas vidas, sem perceber.
Em Apocalipse, aquela frase estaria melhor situada. Lá entre as bestas, as trombetas e o final dos tempos, dizer que "...o Senhor arrependeu-se da sua criação." é mais coerente.
O que nos tornamos? Que raça é esta, a que chamamos de humanos, mas que desumaniza-se entre si?
Que espécie fraca e submissa é esta, que não coiceia seu algoz quando o chicote bate em seu lombo?
Nem os asnos são tão asnos o tempo todo...
O que nos tornamos?

EmmyLibra
Apr 30, 2020 - 8:54 a.m.

...........
* Se alguém souber quem é o autor do texto citado, por favor me informe, para que eu lhe dê o devido crédito.

Saturday, April 25, 2020

Guerras


Quando, um dia, a guerra explodir
Em milhares de mortos lutando por vida
E vivos que, por dentro, carregam morte,
Então perceberemos que viver ou morrer
Não estão num corpo que jaz ou anda,
Mas na liberdade que se conquista ou perde,
Na dor que se evita ou sofre,
No socorro que se presta ou nega,
Nos órfãos que colherão a solidão
Plantada pelas armas dos insensatos.

Quando, por fim, a guerra acabar,
E a morte recolher o seu quinhão,
Mortos enterrarão outros mortos,
Como dizia sábio mestre do Oriente
E restarão vivos inexatos.

Quando, no fim, a guerra for passado,
Suas feridas perdurarão o bastante
Para nos fazer relembrar os seus dias de dor,
De desamor, de despudor, de amargor.
E ainda ouviremos as almas dos Homens
A gemer na imensidão do planeta
Por séculos e séculos,
Numa dimensão oculta aos nossos olhos.

Quando, depois do fim, as feridas secarem,
As cicatrizes da guerra que um dia explodiu
Far-se-ão discretas, sob o manto da indiferença,
Emudecerão as almas dos Homens
Daquela dimensão paralela e sombria.
E o esquecimento da dor e da solidão
Trará aos corações dos órfãos, já crescidos,
O desejo de promover, a seu turno,
Outras lutas e disputas insanas, outras guerras.

E quando, um dia, a guerra novamente explodir
Será um escárnio à lembrança dos Homens
Cujas almas gemeram por séculos
Na imensidão do planeta,
Depois que a morte as ceifou pelas feridas abertas
Nos seus corpos banhados de sangue e medo.

Guerras são, invariavelmente, escárnios à vida!

EmmyLibra
Apr 25, 2020 - 10:57 a.m.

Friday, March 06, 2020

Enchente

Um abraço, um sussurro:
"Tudo vai ficar bem.
Calma, anjinho
Eu estou
Aqui"

Escuridão e medo
Frestas vazando má sorte
Em jatos frios
De água e morte

O peso do mundo inteiro
Sobre as cabeças
Naquele teto frágil

"Tudo vai ficar bem
Calma, anjinho!
Eu estou
Aqui"

Um resto de ar
Quem suporta assistir
Seu anjinho partindo
De dentro do seu abraço?

Quanto tempo se passou?
Ninguém sabe ou viu
Ninguém ouviu
Gritos e apelos
Submersos

E no canto da rua a boca aberta
De um lobo feroz e sedento 
Das águas da chuva 
Que lambia a cidade.

Mas era nadica de nada!
Só um papelzinho de bala
Um inocente resto
Da maçã mordida
Só um canudinho de suco
Uma latinha
Um copinho vazio!
Só... Só... Só...

Ninguém tem culpa?

Todos temos culpa!
Todos matamos ou morremos
Dia após dia,
A cada chuva que cai.

Submersos, muitos
Por não darmos de beber
Àquele lobo feroz
Que mora ao lado do meio-fio!

É só um papelzinho de bala!
E se não morre um peixe
Anônimo, invisível,
No fundo do oceano,
Morrem marias abraçadas
Num carro submerso
Sob tantos outros carros
Levados na enxurrada.

Se não morre a tartaruga,
O pelicano, a baleia,
(O que já é 
Desavergonhadamente mau!)
Morrem Marias abraçadas
No leito de um rio fundo
Onde há meia hora era rua.

Um abraço derradeiro,
Uma mentira - esperança?
Um sussurro de mãe
Ao pé do ouvido:
"Tudo vai ficar bem.
Calma, anjinho!
Eu estou
Aqui"

E daí a pouco 
Já não estavam mais...

EmmyLibra
July 20, 2019 - 1:54 p.m.

(Sobre morte de mãe e filha na enchente em 2018, em BH/MG)

Impiedade

Eu queria uma vacina contra a piedade.
Alguma coisa que me fizesse rir da desgraça,
Uma dose injetável de humor cruel,
Sadismo na veia, indiferença.

Porque a piedade é uma presunção
De que não somos assim tão sofredores
Quanto o outro que chora.

Mas sim, nós somos sim!
Indistintamente todos, somos miseráveis!

Somos lixo, 
Como foram nossos antepassados,
Desde os mais inimputáveis seres que habitaram cavernas
Até o mais sublime dos homens que possa ter havido, 
Se este se cria algo acima
Da dor da humanidade inteira.

Dor de ser parida, dor de ser moldada,
De ser adestrada para ser algo
Funcional, racional, intencional.

Desde a espada que feria
Homens e mulheres no passado
À palavra que desperta do sonho
O outro ou a nós mesmos,
Tudo! Tudo é instrumento de morte
Nas mãos ou lábios vis,
Contra os outros, contra si.

Em nome de sobreviver, matamos
Em nome de sobreviver, morremos.

E a miséria humana de findar-se
Começa desde o primeiro respirar.

Eu, miserável cadáver em curso,
Me apiedo do outro
Quando ele dói.
- Tola que sou!

Eu queria uma vacina
Anti-piedade.
Um jato de desamor em cada narina,
Um gás de riso frouxo
Diante da humanidade zumbi,
Diante de toda lágrima,
Diante de cada ser
Parido, moldado para ser 
Funcional, racional, intencional.

Mas nenhum anestésico
Entorpece o bastante
Pra que a dor do mundo
Não doa em mim.

Miserável que sou,
Presumo ter algo que possa
Suplantar ou reduzir
O que sofre o outro!

E cometo a - quase inocente - arrogância,
pecado ainda mais vil!
O orgulho, travestido em complacência.
Pensando (fingindo?) que não sou tão miserável assim...

EmmyLibra 
Jan 5, 2020 - 1:45 pm

Sobre ontem

Teus dentes ainda estão
Cravados em minhas coxas
Tua boca ainda percorre 
Minhas costas
Numa lembrança morna
De ontem.
Do calor de ontem.
Do amor de ontem.

Onde estás agora?
Na imersão das horas ocupadas
Por trabalhos e rotinas
Por pensamentos
Diversos de mim
Do gosto salgado
Do meu suor na tua saliva?

Onde estão agora as tuas mãos
Que ontem, dedos entrelaçados,
Apertavam as minhas?

Onde estão os teus desejos
Que ontem me tateavam
E me buscavam sôfregos,
Ansiosos?

O tempo é sádico algoz
Que te traz por um breve instante
E te leva por eternidades!

Deixa saudades impressas
No meu ventre,
Na minha alma,
Na minha vida.

Passa tão depressa
Quando aqui estás
E depois arrasta-se, displicente,
Quando das tuas ausências.
Um "cá estou" - um relâmpago!
Um "volto logo" - uma impaciência de esperas
E compreensíveis saudades...

A lembrança morna
Do teu corpo no meu
Me mantém num laço
Que não se desfaz
- E que não desejo que se desfaça!

Quando um dia voltares
Estarei aqui,
À tua constante espera.
Sobrevivendo das lembranças mornas
Dos teus dentes cravados
Em minha pele
E do teu amor
Tatuado em minha alma.

E o tempo,
Meu sádico algoz,
Tratará de fazer preciosos
Os breves instantes,
Os suores e as salivas
Da tua presença
Em mim.

EmmyLibra
Jan 14, 2020 - 9:52 a.m.

Nenhuns

Uns juízo
Outros talento

Uns disciplina
Outros ambição

Uns pés no chão
Outros asas

Uns sem ter aonde ir
Outros não conseguem chegar

Uns famintos de vida
Outros jazem depressivos

Uns com sede de beber o mar
Outros não escalam seus montes

Uns sins sem finalidades
Outros nãos promissores

Uns liberdade-ilusão
Outros saberes-prisão

Uns gozo sem leis
Outros only pains no gains

Uns aquarelas sem alma
Outros túmulos de amores

Uns festas na madrugada
Outros cartões de ponto

Uns tempestades de raios
Outros sóis escaldantes

Uns copas sem frutos
Outros raízes sem água

Uns encontros sem buscas
Outros viagens sem partidas

Uns universo sem pouso
Outros contemplação

Uns solidões felizes
Outros tristes companhias

Uns quereres eternos
Outros poderes inúteis

Um flechas 
Outros arcos

Uns rios sem mar
Outros águas salgadas

Uns correntezas que arrastam
Outros que levam à deriva

Vivem separados
Pelas incompatibilidades,
Diferenças estúpidas
E incompreensões

Completar-se-iam
Se um pouco menos fossem
Do que são.

Mas nunca mudariam
Seus modus operandi!

Uns ser, mas não saber
Outros pensar, mas não agir

Uns atos impremeditados
Outros verbos sem ação

Uns rumo incerto
Outros estagnação

Uns hoje
Outros ontem

Nenhuns amanhã...

EmmyLibra
Feb 5, 2020 - 7:35 a.m.

Tuesday, March 03, 2020

Mercado de Gente


Você pode ser o que quiser
No mercado de gente virtual
Pra vender ideias, vender fé
Vender corpo, mente, coisa e tal

Pode vender as vestes de leão
Ou a pele de cordeiro, tanto faz
Vender paz e entregar desunião
Vender falso amor que se desfaz

Pode ter na foto um belo riso
Mesmo que a dor permeie o coração
Parecer mocinho e ser bandido
Todo mundo compra a ilusão!

E não venham me dizer que não sabiam
Das falácias das redes sociais
Não se façam de tolos inocentes
Pois merecem ser passados para trás!
Quem se vende recebe a triste paga
E quem compra ainda perde muito mais!

EmmyLibra
Mar 3, 2020 - 3:55pm

Thursday, January 09, 2020

Insônia

Menos de 3h de sono, de novo! 
😴 
O lindo q me abandona no alto da noite e só chega quase ao amanhecer! 
Deve estar na esbórnia, enquanto eu, devota e ansiosamente, o espero madrugada adentro.
Agora, quero eu cuidar dos compromissos e este amoral me seduzindo, para me arrastar de volta para a cama! 

EmmyLibra
Jan 8, 2020 - 7:26 a.m.

Wednesday, December 11, 2019

Desejo de nunca

Vontade de dormir 
Nem sempre é sono.
Quase nunca é sono!

O desejo de não ser
De não estar, de se esquecer
É mais do que cansaço,
É cansaço de viver.

É um não-querer de si,
É assim um anti-desejo.
Mas é quase mesmo um desejo,
Um quase-desejo de partir.

Porque é de um partir sem chegada,
Quase querer partir para o nada,
Esvaziado de sentido.
Um ir-se sem direção...

Uma vontade de dormir
Que não é sono
Que não precisa do leito
Morno, 
Nem de cobertas
Mornas,
Nem de nada
Morno.

Só um fechar de olhos,
Um adormecer-torpor,
Um desmaio, um vácuo,
Uma vírgula na alma aflita.

Ficar suspensa a alma!

Fora do chão, do mundo,
Fora do corpo.

Longe das coisas 
Cuja solução é inalcançável
Às mãos, aos braços,
Às palavras...
Por mais longos e fortes
Que sejam.

Como se o distanciar-se,
O mergulhar na escuridão vazia,
Apagasse-as do plano real,
Material,
Silenciasse o choro,
Deletasse a lágrima,
Esquecesse o erro,
As mentiras, 
As incoerências humanas,
As maldades humanas,
As indiferenças humanas,
As deslealdades humanas,
As desumanidades...

Desejo de dormir
Nem sempre é sono.
Quase nunca é sono!
Quase nunca...

É desejo de nunca.

=( EmmyLibra
Dez 11, 2019 - 11:02 a.m.

Saturday, June 08, 2019

Não se avexe não

Não se avexe não
Meu coração
Não se avexe não
Já vou chegar
Trago uma canção
Meu coração
Só pra te dar

Não se avexe não
Que essa saudade
No coração
E de verdade
Não se avexe não
Que eu tô chegando
Pra te abraçar

...Saudade dói
...Saudade dói
...Mas um abraço
...Pode curar

...Não diz mais nada
...chega pra cá
...Mata a vontade
...Vem me abraçar

Não se avexe não
Meu coração
Não se avexe não
Já vou chegar
Trago uma canção
Meu coração
Só pra te dar

Não se avexe não!
Não se avexe não!
Não se avexe não!
Não se avexe não!

EmmyLibra
Jun 8, 2019 - 7:20 a.m.

Wednesday, April 10, 2019

Longevidade: Nunca vivemos tanto... Para tão pouco!


A raça humana nunca teve tamanha longevidade, sobretudo nos países mais desenvolvidos. Nunca vivemos tão extensamente a vida, como nas últimas décadas. E a cada ano que passa, essa expectativa de vida aumenta, a população envelhece, novos recursos da medicina e demais ciências que se ocupam do nosso organismo são criados ou descobertos e melhoram nossa qualidade de vida, aumentam dias aos nossos dias.
Por outro lado, tecnologias “aproximam pessoas”, encurtam distâncias. Os meios de comunicação, cada dia mais ágeis e aperfeiçoados, nos permitem ver, ouvir, ter comunicação direta com gente de quase toda a extensão do planeta Terra. Sabemos do que se passou no outro lado do mundo, em poucos segundos até. Estamos a par das conquistas humanas e dos sofrimentos, aonde quer que eles ocorram, em habilíssimo prazo.
Dietas aumentam a expectativa de vida, meios de comunicação encurtam distâncias.
No entanto, nunca estivemos tão adoecidos mentalmente e tão afastados uns dos outros, como temos estado.
As pessoas martirizam-se comendo coisas insípidas, porque viram na internet ou consultaram algum especialista e souberam que fazem bem para a saúde.  Elas se esquecem que alguns alimentos servem muito bem para a saúde física, mas não necessariamente para a mental.  Digo isto no sentido do desprazer de ingeri-los! A alimentação é mais do que fonte de nutrientes. Ela também é estímulo prazeroso para nossos sentidos. Uma comida saborosa, aromática, “bonita”, nos desperta prazer na alimentação. Comer o que não nos toca o paladar, o olfato e a visão é uma tortura escolhida. E para quê?
As redes sociais nos permitem milhares de amigos cada, no entanto a cada tempo que passa nos sentimos mais solitários, nossas relações são cada dia mais destituídas de compromissos e de afetos. Palavreados lindos e mensagens padronizadas no dia do aniversário – lembrado pela memória infalível da internet e não pela importância real do outro para nós – substituem aquele abraço que outrora atravessaríamos a cidade, se preciso fosse, para dar no amigo.
De que adianta uma vida de cem anos, porém desprazerosa, solitária, infeliz? De que adiantam tantos contatos pela internet e nenhum calor humano entre as pessoas? De que adiantam tantos esforços para parecermos saudáveis e felizes, mas nenhum esforço para realmente o sermos?
Sempre me questiono sobre essas cousas. Não me conformo com a ideia de viver me castrando ou de amar as pessoas virtualmente. Não me conformo com o fato de tantas pessoas serem tão conformadas!
Onde está a alma humana? Em que ponto da nossa evolução esquecemos a importância dos afetos para uma vida feliz? Em que curva do caminho abandonamos o ideal de felicidade? Em que página de internet guardamos nossa capacidade de sentir?
Não sei mesmo se vale a pena viver tanto para tão pouco!
Viver longamente ou viver plenamente – o que vale mais?
Sinceramente, não consigo compreender a superestima de certas pessoas para vidas tão ruins!
Agarram-se a martírios de todos os tipos, abstinências de tudo que significa prazer, vão a templos religiosos para cobrirem-se de culpas e remorsos, adoram um deus tirano e cruel, preferem crer no desamor, desconfiar de tudo e de todos, viver superficialmente. Preferem vida virtual, abraços via internet, beijos à distância pela webcam, proteção contra vírus, bactérias e sentimentos de toda sorte... Para nunca saberem o cheiro que o outro tem.  Para nunca saberem o gosto e o calor de um longo beijo...
Isso para mim passa longe do verbo “viver”!
É um arremedo de vida! Não serve para minha existência!
Prefiro amar o outro ao vivo, em cores, tato, olores, sabores. Prefiro sentir prazer em acordar todos os dias. Não morrerei se em algum momento houver decepções, dores. Mas morrerei um pouco a cada dia, se não houver afeto, desejo e prazer em estar viva, se não houver bons sentimentos no ato de viver.
Prefiro a morte durante um orgasmo do que uma vida longa de desprazeres contínuos e escolhidos!
Eu não nasci para a infelicidade. Não me permito viver se não houver algum sentido bom em estar viva.
E não compreendo, sinceramente não compreendo mesmo, quem suicida aos poucos todos os dias, castrando-se das possíveis felicidades cotidianas.
Mas... São escolhas, não é mesmo? Quem sou eu para julgar escolhas alheias?
Só não me peçam para também fazê-las! Eu prefiro a morte do corpo, rápida, certeira, definitiva, do que a morte lenta e sofrida da alma. Entre o suicídio físico e o mental, eu ainda escolho abrir a artéria pulsante e colher a dor.
Definitivamente, eu não nasci para a infelicidade!

EmmyLibra
Apr 10, 2019 – 12:53 p.m.

Saturday, March 30, 2019

Um ser humano.

Vou dizer o que penso do caso. Até então, permaneci com poucas palavras.
Falo da vereadora Marielle.
Eu disse que ela era o boi de piranha perfeito! Desde o exato dia da sua morte eu falei que quem mandou matá-la foi a própria esquerda.
Ela viva era só uma vereadora trabalhando para o tráfico.
Ela morta viraria a mártir que supriria campanhas esquerdistas com argumentos de sobra, dramalhões e acusações à direita.
Eu tenho pena dela.
Foi útil. Nada mais do que isso. Quase ninguém, no fundo, se importava com ela, com o fato de ter morrido um ser humano.
Ela deixou de ser um ser humano.
Virou "mulher, negra, lésbica...", porque esses rótulos todos desvinculam a humanidade dela do cadáver útil. Desigualam-na  das milhares de vítimas cotidianamente assassinadas no país. Designam para ela a função nova - e ao mesmo tempo antiga - de eleger políticos da pior espécie.
Ela foi usada de modo desrespeitoso, depravado mesmo, pela esquerda, para tentar manter no poder a corja de assassinos que, há pelo menos 6 décadas, vêm envenenando nosso povo com suas ideias corrosivas.
Será que descansa em paz, enfim, a Marielle? O ser humano Marielle?
Talvez.
Sua desumanidade fabricada ainda servirá, aqui e ali, para alguns mais enaltecidos e idiotizados bradarem palavras lindas, porém esvaziadas de sentido - vindo de quem virão...
Tenho dó da Marielle.
Tenho dó do ser humano. Aquele que ficou relegado ao esquecimento, enquanto seu cadáver era violado todos os dias, sendo útil ao gozo dos que nunca tiveram alma.
Tenho dó de qualquer pessoa que um dia, alheia à própria vontade, é jogada às piranhas de um lado do rio, para que o resto da manada chegue aonde quer chegar, sem ser afligida.
Ela era o boi de piranha perfeito! Eu percebi isso no primeiro momento. Era o óbvio!
Só quem não tem alma ainda tem coragem de fingir que não entende isso.
Pobre Marielle...
Espero que um dia possa verdadeiramente descansar em paz.

EmmyLibra
Mar 30, 2019 - 11:40 a.m.

Saturday, February 23, 2019

Verdade Plena

Eu durmo a minha fartura ou a minha fome,
Não a sua!

Não tente ditar meus caminhos,
Direcionar meus passos!

Minha consciência não está à venda,
Meu coração não sobreviveria
A uma mente atormentada por valores negligenciados.

Eu sou o que me pesa!

Eu não respiro o que me envenena,
Não alimento o que furta minha paz,
Não maculo meus sentidos 
Com o que não os sacia.

Eu não furto de mim mesma
A legitimidade de ser o que se construiu 
Sobre pilares de dignidades
Que apreendi como minhas.

Se lápide eu um dia tivesse
Não jazeria sob ela
Nada mais do que minha verdade plena. 

EmmyLibra
Fev 20, 2019 - 9:57 a.m.

Thursday, February 07, 2019

Audácia

O mundo não é feito de pessoas que passam a vida inteira debruçadas na janela, olhando a banda passar!
O mundo é feito de quem sai da sua zona de conforto para lançar-se em zonas de confronto.
É feito por pessoas que não têm medo do novo, que gostam de desafios, de produzir o que ainda não produziu, de tentar o que ainda não fez antes, de ousar... mesmo quando o medo de falhar possa estar habitando algum recanto da sua alma.
Mas o mundo não é feito só por destemidos, de modo nenhum!  Ele é feito por quem não precisa ignorar os inevitáveis temores para alcançar algo além do que já estava em suas mãos.  Temem, mas não congelam diante dos medos, diante da vida.
O mundo é construído por quem não tem remorsos, mas sonhos.  É feito por quem olha para a frente mais vezes do que olha para trás. E por quem substitui os preconceitos por um desejo perene de aprender e que sabe que apreender significa passar a saber, reconhecer, aceitar o diferente, o novo, o inabitual.
O mundo não é feito por bélicos.  Ao contrário, belicosidade destrói.  E apenas isso: destrói!
Não confunda coragem com covardia. Não confunda coragem com violência.  Não confunda coragem com imprudência.  Coragem é algo grandioso, que se parece com uma árvore frutífera de tronco forte e sombra abundante.  Sob suas folhas, podemos nos alimentar e descansar, viver e sentir tranquilidade.
O medo nos faz esfomeados, como se a árvore da coragem tivesse pés e pudesse andar por toda parte, mas nós estivéssemos enraizados num solo duro e ressecado, sem poder segui-la para gozar de seus frutos e proteção.
Mas muitos confundem a coragem com crueldade. Outros confundem o medo com covardia. O mundo, certamente, não é feito por esses!
A vida se constrói dia após dia, instante após instante, de decisões, escolhas, sins e nãos que dizemos e que nos fortalecem, às vezes, e nos fragilizam n'outras.  A vida se constrói de cada palavra que proferimos, de cada ato que praticamos.  E o mundo se faz de vida. Vida real, dinâmica, crescente.
O mundo não é feito por quem crê na história como sendo a melhor conselheira.  É feito por quem consegue, a despeito da história, construir o novo.


EmmyLibra
Dec 14, 2012 - 4:37 p.m.


Abraços

Abraços são poemas de corpos,
Em sutil e silenciosa linguagem.
Mais verbal do que todos os possíveis verbos
Que venham a ser significantes
Das ações que o coração é capaz de promover,
Entre almas que se encontram
Para os recitais mágicos
Da vida...

Emmylibra
Jan 11, 2019 - 11:40 p.m.

Rose

Uma beleza súbita
E inexplicavelmente doce.

Algo que nos acorda
E depois acalenta.
Como aqueles sonhos que, por instantes,
Nos arremessam noutra vida
Surreal
E plena de significados,
Mas depois nos acordam no meio da noite,
Com sabores pairando sobre a língua
E odores permeando nossas narinas ansiosas...

Uma beleza súbita
E inexplicavelmente doce.

Nos inspira poemas,
Cânticos
E silêncios.

Como aqueles momentos
Em que queremos dizer tanto,
Mas as palavras se mostram 
Absurdamente supérfluas...

EmmyLibra
Dec 5, 2015 - 11:57pm


À noite


À noite, todas as dores ficam mais agudas,
Todas as febres ardem mais quentes
Todas as angústias sufocam mais fundo,
Todas as saudades latejam mais vivas.

Quando a escuridão toma o espaço,
Todos os dissabores da vida intensificam-se,
Multiplicam seus efeitos, incomodam.

É a hora em que os silêncios 
Falam mais alto dentro de nós
E nossos gritos surdos fazem-se ecoar em nossa alma,
Acordam nossos temores, nossos sentidos,
Evidenciam nossas lacunas, descobrem nossas feridas.

Sob o breu que se derrama desde o Ângelus,
As lembranças dos adeuses, esses cruéis momentos de dor,
Ressoam em nossos ouvidos,
Como numa repetição constante, insistente.

A noite, refúgio dos amantes que se ocultam em suas brumas,
Escarnece daqueles em cuja solidão
Habitam desejos e memórias de suores e salivas,
De momentos sôfregos de paixão e ousadia.

Ela ri dos sofredores, zomba dos desiludidos!

Mas a escuridão que nenhuma lâmpada consegue aclarar
Não é aquela que a noite encerra,
Mas a que envolve corações e provoca lágrimas
Nesses muitos sofredores e desiludidos
Que, à noite, jazem inconformados e saudosos
Em seus leitos solitários.

EmmyLibra
Jan 15, 2015 – 9:12pm

Bom Senso


No espaço que há entre o preconceito e a veneração, moram a saúde das relações, a isenção das escolhas e o equilíbrio dos sentimentos.

Quem busca essas três dádivas, deve abster-se de caminhar no terreno pernicioso das ideias pré-concebidas sobre as pessoas e coisas, bem como fugir do movediço terreno das paixões que embriagam. 

No primeiro campo estacionamos, congelados pelo medo do que pensamos conhecer; no segundo nos perdemos nas ilusões de perfeição do objeto da nossa estima, pois é condição inatingível para meros mortais.

Caminhar longe desses extremos é tarefa que exige de nós bom senso e constante vigilância.

EmmyLibra
Apr 27, 2015 – 1:46pm

Monday, February 04, 2019

Um verso

Eu queria um verso, uma canção,
Qualquer coisa que dissesse de mim
Para falar aqui.

Mas não há.

Quando a cabeça não pensa
E a boca age conforme seu desejo
Quando vive o lábio uma palavra
Ou um beijo
Quando por ele foge a sensatez
E entram prazeres irrestritos,
Erros irremissíveis,
Sofre o corpo, a alma, a vida
A vida inteira sofre!

A vida passa a caber num instante
De arrependimentos e medos
Da pesada carga de dor
Que abraçamos, quase nunca sem saber.

Não há inocência.

Não há inocências!
Nem mesmo acasos há
Ou qualquer coisa
Que acalente o sono
E abrande o pranto
Nas noites e dias
E nas vidas que seguem.

Nada calará aquela voz incômoda
Dentro da cabeça,
Para que o sono venha
E para que os sonhos
Povoem de estrelas uma vez mais
O céu interior, agora rubro
De sangue e tintas escarlates.

Nenhum fogo lamberá remorsos
A não ser aquele que a eternidade
Inexoravelmente trará.

Nada extinguirá a dor!

Eu só queria um verso
Triste que fosse, tanto faz!

Apenas um verso
Que dissesse de mim,
Da minha cela de paredes pichadas
De impropérios tantos,
De mensagens vindas do inferno
E de silêncios acusatórios.

Eu só queria um verso.
Um verso apenas,
Mas que pudesse traduzir minha alma
E convertê-la em som,
Ainda que fosse o som grave,
Doloroso e fúnebre
De um réquiem sagrado.

EmmyLibra
Jan 17, 2019 - 8:41 a.m.

Uma carta para Vitor*

É, Vitor, eu acho
Que as coisas deram errado!

Sabe aquela planta sagrada
Que você plantou no jardim?
Os frutos não foram bem aqueles
Que você tanto sonhou.

O solo estava doente
Nele havia larvas-gente
Que infestaram sua lavoura!

Queria saber o gosto
Daquele fruto esperado?
Eu vou lhe dizer
O gosto que ele tem:

Tem gosto de chumbo,
Tem gosto de bala perdida,
Tem gosto de sangue escorrendo
E de soro 
Em corredor de hospital superlotado.

Tem gosto de miséria aquele fruto!
Tem gosto de passar fome,
Tem gosto de indignidade,
De esmola que faz eleição.

Tem sabor tão amargo, Vitor!

Tem sabor de morte, o fruto
Que você plantou.
De morte que se morre aos poucos,
Como aquela severina,
Da qual falava o poeta.

Ah! Vitor! Como aquele sonho
Parecia bonito de sonhar!
Como aquela lavoura, por um breve instante,
Encheu de verde o nosso olhar!

Mas depois, ou daltônicos viramos
Ou era nosso sangue que tingia
As folhas, o tronco, a terra, tudo!
Pois sua lavoura perdeu o verde
E com ele a esperança.

É, Vitor, vocês deixaram de herança
Aos nossos filhos e netos
A terra esturricada e árida
Do desamor.

Talvez você nem soubesse
A quem sua voz servia.
Talvez você só quisesse
Nos dar alguma alegria.

É, Vitor, eu diria
Que o sonho do qual você falava
Era apenas utopia.

EmmyLibra 
Dec 28, 2018 - 10:51a.m.


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* Texto adaptado em Fev 5, 2019, a partir de uma importante observação feita pelo meu querido amigo Beto Lacerda, profundo conhecedor da música brasileira, que me chamou atenção para um detalhe crucial: a música à qual respondo no poema tem apenas melodia do Ivan Lins. A letra é do Vitor Martins. Portanto, foi uma "Carta ao Vitor" que eu escrevi, não ao Ivan.
Correção feita!
Gratidão ao Beto pelo esclarecimento, mas sobretudo pela disposição em ler e apreciar meus textos, que não são grandes obras literárias.