EmmyLibra
Palavras, apenas...
Tuesday, November 19, 2024
Verbo
Thursday, August 08, 2024
Cuidados
Sunday, June 16, 2024
Transcender
Friday, June 14, 2024
Quase-vida
Wednesday, March 13, 2024
Margens
Tuesday, May 23, 2023
Nietzsche matou Deus?
Thursday, July 14, 2022
Em extinção
Friday, July 01, 2022
Despertadores
Eu sou do tempo que a pessoa pedia "serviço de despertador" à cia. telefônica. Então, no horário combinado, uma telefonista se ocupava de ligar e ainda falava com a pessoa, certificando-se de que ela acordou! ⏰
Antes mesmo da automação do serviço, que depois passou a ser feito apenas com uma gravação da operadora.
Eu ficando velha??? Imagina!!!
Só estou com saudades do tempo em que falávamos com seres humanos nos atendimentos e eram pessoas gentis, afáveis...
Hoje em dia o celular nos desperta com uma musiquinha. Não há um ser vivo se comunicando. E sua influência é tamanha, que às vzs no vemos agindo também com sua desumanidade!
😐
EmmyLibra
July 1, 2022 - 7:40 a.m.
Friday, May 27, 2022
Involução
Tuesday, March 15, 2022
Sobre o Tempo II
Thursday, December 17, 2020
Escravismo
Friday, August 28, 2020
Inverno
Remissão
Thursday, August 13, 2020
Filosofia dos Pacotes
Entendamos esses pacotes como sendo compostos de muitos ingredientes: açúcar, sal, mel, pimenta, luzes, sombras, melodias, ruídos, alegrias, tristezas etc. Mas, para resumirmos as ideias, pensemos que os ingredientes que nos agradam são percebidos e sentidos por nós como balões de ar quente que fazem o pacote flutuar, ficar mais fácil de carregar, enquanto os ingredientes desagradáveis nos parecem pedrinhas – ou pedregulhos! – que nos fazem sentir o pacote como se fosse mais denso e pesado para nós.
Mais balões do que pedras: pacotes leves. Mais pedras do que balões: pacotes pesados. Mas, vale salientar que são apenas percepções nossas. O que vemos como balões, outros poderão enxergar como pedras e vice-versa.
Pessoas, coisas, situações, escolhas, tudo! Pacotes fechados, bem amarrados de barbante, muitos com nó cego. Algumas vezes não é possível abri-los para acrescentar ou retirar algo. Alguns, no entanto, vamos enchendo ou esvaziando com o passar do tempo.
E assim a vida segue, vamos acumulando alguns pacotes, perdendo outros pelas curvas do caminho, ou simplesmente nos desfazendo deliberadamente deles. Uns nós atamos cada dia mais fortemente, outros vamos afrouxando nós, enfeitando com laços de fitas, colorindo o papel que os embrulha...
Quando fomos concebidos, éramos pacotinhos para nossas mães. Recheados com expectativas, sonhos, cólicas, aumento de peso corporal, enjoos, dores do parto... Enfim, no pacote-gravidez os balõezinhos das boas expectativas da vida que se desenvolve no ventre vêm juntamente com algumas pedrinhas, sobretudo para a mãe. Para o pai, bem como para os demais familiares, há as mudanças de humor da esposa, as despesas aumentando, os espaços da casa sendo alterados, dentre outras tantas pedrinhas que eles precisam carregar dali por diante.
Nascemos, crescemos, fazemos escolhas, fazemos amizades, aprendemos.
No pacote-infância há as brincadeiras, o tempo farto, o desconhecimento dos problemas dos adultos, a vida abundante correndo nas veias, aprender o tempo inteiro, tantos balões de ar quente, que precisamos viver presos por cordinhas para não sermos levados pelo vento em dias de agosto!
Pedrinhas, para algumas crianças, são poucas: joelhos ralados, arrancar dentes, brigas com os irmãos ou primos, coisas banais. Para outras, no entanto, há pedras colossais de violências sofridas, abusos, perdas, fome e miséria. Para estas, o pacote-infância é um fardo difícil demais de carregar.
No pacote-vida-escolar tem balões de aprender e pedras de exames e provas; tem balões de colegas bem legais e pedras daqueles coleguinhas chatos que bebem nosso juízo de canudinho!
No pacote-família temos os balões mais quentes e leves, porém, talvez nesse tenhamos também as pedras mais duras e pesadas. São pais, avós, irmãos, primos, filhos, parentes e agregados, cada um com suas cargas emocionais, seu jeito de ser, uns doces, outros amargos, uns bondosos conosco, outros que nos massacram, uns que nos enriquecem o dia-a-dia, outros que sugam nossas energias.
Mas o pacote família é uma referência! Com seus ingredientes aprendemos, crescemos, temos oportunidade de desenvolver habilidades sociais valiosas! Entretanto, é bem comum desconsiderarmos os balões das virtudes de cada membro que nos acompanha ao longo do existir. Insistimos, muitas vezes, em enxergar mais as pedras daquilo que não gostamos em nossos familiares do que o lado bom de estarmos com eles nessa jornada.
Família é um pacote compulsório. Mas, curiosamente, enquanto o carregamos fazemos parte dele, estamos vestidos nele!
Lembro-me quando decidimos ir embora do Nordeste para Minas Gerais. O pacote-mudança incluía todas as expectativas boas e ruins, pois não sabíamos o que nos esperava em terra tão distante e culturalmente tão diferente da nossa. Era um grande pacote-surpresa neste sentido.
Havia nele, logo de cara, as pedras de deixar para trás amigos queridos, parentes que demoraríamos muito tempo para rever. Medos e anseios se misturavam dentro do nosso pacote, mas à medida que o tempo foi passando, muitos balões surgiram: grandes amigos, trabalhos, aquisições materiais e imateriais, então o pacote-Minas-Gerais foi ficando cada dia mais leve.
Falando em amigos, antes de tudo são pessoas. O pacote-gente é uma das mais preciosas aquisições. Mas são eles os mais bem amarrados, com muitos cordões e nós bem firmes, geralmente não podemos abrir e modificar seu conteúdo.
Pessoas têm virtudes tantas! Mas carregam em si vivências que as fazem peculiares, únicas. São gozos e dores, ganhos e perdas que se amontoam e dos quais elas se compõem. Não podemos levar para nossas vidas um pacote-pessoa e achar que podemos obrigá-las a jogar fora de si os ingredientes que nos desagradam, para serem o que idealizamos. É ilusão!
Amigos, familiares, colegas de trabalho, líderes políticos... Todos, invariavelmente, terão em si características-balões e características-pedras, influenciando quão leves ou densos os vemos.
Se vai levar para algum nível da sua existência um pacote-gente, é bom lembrar da inviolabilidade dos seus lacres! Não há como esvaziá-lo do que nos desagrada para que fique leve. Mas, sobretudo, é fundamental ter em mente que também seremos pacotes para essa pessoa.
Pôr o pacote-eu na balança me preocupa?
São válidas as seguintes reflexões: quão densos temos sido? Quão fácil ou difícil tem sido para as pessoas à nossa volta carregar o pacote da nossa companhia? Quanto temos nós enchido nossos balões-virtudes em favor de facilitar a vida de quem nos cerca, e quanto temos nos tornado tropeços de más escolhas para quem cruza nosso caminho?
Enfim, somos pacotes-bombas ou pacotes de presentes para quem compartilha conosco sua existência?
EmmyLibra
Aug 13, 2020 - 4:50 p.m.
Wednesday, August 05, 2020
Leme
Thursday, April 30, 2020
Não é sobre o vírus...
Saturday, April 25, 2020
Guerras
Friday, March 06, 2020
Enchente
Impiedade
Sobre ontem
Nenhuns
Tuesday, March 03, 2020
Mercado de Gente
Thursday, January 09, 2020
Insônia
Wednesday, December 11, 2019
Desejo de nunca
Saturday, June 08, 2019
Não se avexe não
Não se avexe não
Meu coração
Não se avexe não
Já vou chegar
Trago uma canção
Meu coração
Só pra te dar
Não se avexe não
Que essa saudade
No coração
E de verdade
Não se avexe não
Que eu tô chegando
Pra te abraçar
...Saudade dói
...Saudade dói
...Mas um abraço
...Pode curar
...Não diz mais nada
...chega pra cá
...Mata a vontade
...Vem me abraçar
Não se avexe não
Meu coração
Não se avexe não
Já vou chegar
Trago uma canção
Meu coração
Só pra te dar
Não se avexe não!
Não se avexe não!
Não se avexe não!
Não se avexe não!
EmmyLibra
Jun 8, 2019 - 7:20 a.m.
Wednesday, April 10, 2019
Longevidade: Nunca vivemos tanto... Para tão pouco!
Saturday, March 30, 2019
Um ser humano.
Falo da vereadora Marielle.
Eu disse que ela era o boi de piranha perfeito! Desde o exato dia da sua morte eu falei que quem mandou matá-la foi a própria esquerda.
Ela viva era só uma vereadora trabalhando para o tráfico.
Ela morta viraria a mártir que supriria campanhas esquerdistas com argumentos de sobra, dramalhões e acusações à direita.
Eu tenho pena dela.
Foi útil. Nada mais do que isso. Quase ninguém, no fundo, se importava com ela, com o fato de ter morrido um ser humano.
Ela deixou de ser um ser humano.
Virou "mulher, negra, lésbica...", porque esses rótulos todos desvinculam a humanidade dela do cadáver útil. Desigualam-na das milhares de vítimas cotidianamente assassinadas no país. Designam para ela a função nova - e ao mesmo tempo antiga - de eleger políticos da pior espécie.
Ela foi usada de modo desrespeitoso, depravado mesmo, pela esquerda, para tentar manter no poder a corja de assassinos que, há pelo menos 6 décadas, vêm envenenando nosso povo com suas ideias corrosivas.
Será que descansa em paz, enfim, a Marielle? O ser humano Marielle?
Talvez.
Sua desumanidade fabricada ainda servirá, aqui e ali, para alguns mais enaltecidos e idiotizados bradarem palavras lindas, porém esvaziadas de sentido - vindo de quem virão...
Tenho dó da Marielle.
Tenho dó do ser humano. Aquele que ficou relegado ao esquecimento, enquanto seu cadáver era violado todos os dias, sendo útil ao gozo dos que nunca tiveram alma.
Tenho dó de qualquer pessoa que um dia, alheia à própria vontade, é jogada às piranhas de um lado do rio, para que o resto da manada chegue aonde quer chegar, sem ser afligida.
Ela era o boi de piranha perfeito! Eu percebi isso no primeiro momento. Era o óbvio!
Só quem não tem alma ainda tem coragem de fingir que não entende isso.
Pobre Marielle...
Espero que um dia possa verdadeiramente descansar em paz.
Mar 30, 2019 - 11:40 a.m.
Saturday, February 23, 2019
Verdade Plena
Thursday, February 07, 2019
Audácia
O mundo é feito de quem sai da sua zona de conforto para lançar-se em zonas de confronto.
É feito por pessoas que não têm medo do novo, que gostam de desafios, de produzir o que ainda não produziu, de tentar o que ainda não fez antes, de ousar... mesmo quando o medo de falhar possa estar habitando algum recanto da sua alma.
Mas o mundo não é feito só por destemidos, de modo nenhum! Ele é feito por quem não precisa ignorar os inevitáveis temores para alcançar algo além do que já estava em suas mãos. Temem, mas não congelam diante dos medos, diante da vida.
O mundo é construído por quem não tem remorsos, mas sonhos. É feito por quem olha para a frente mais vezes do que olha para trás. E por quem substitui os preconceitos por um desejo perene de aprender e que sabe que apreender significa passar a saber, reconhecer, aceitar o diferente, o novo, o inabitual.
O mundo não é feito por bélicos. Ao contrário, belicosidade destrói. E apenas isso: destrói!
Não confunda coragem com covardia. Não confunda coragem com violência. Não confunda coragem com imprudência. Coragem é algo grandioso, que se parece com uma árvore frutífera de tronco forte e sombra abundante. Sob suas folhas, podemos nos alimentar e descansar, viver e sentir tranquilidade.
O medo nos faz esfomeados, como se a árvore da coragem tivesse pés e pudesse andar por toda parte, mas nós estivéssemos enraizados num solo duro e ressecado, sem poder segui-la para gozar de seus frutos e proteção.
Mas muitos confundem a coragem com crueldade. Outros confundem o medo com covardia. O mundo, certamente, não é feito por esses!
A vida se constrói dia após dia, instante após instante, de decisões, escolhas, sins e nãos que dizemos e que nos fortalecem, às vezes, e nos fragilizam n'outras. A vida se constrói de cada palavra que proferimos, de cada ato que praticamos. E o mundo se faz de vida. Vida real, dinâmica, crescente.
O mundo não é feito por quem crê na história como sendo a melhor conselheira. É feito por quem consegue, a despeito da história, construir o novo.
Abraços
Em sutil e silenciosa linguagem.
Mais verbal do que todos os possíveis verbos
Que venham a ser significantes
Das ações que o coração é capaz de promover,
Entre almas que se encontram
Para os recitais mágicos
Da vida...
Jan 11, 2019 - 11:40 p.m.
Rose
E inexplicavelmente doce.
Algo que nos acorda
E depois acalenta.
Como aqueles sonhos que, por instantes,
Nos arremessam noutra vida
Surreal
E plena de significados,
Mas depois nos acordam no meio da noite,
Com sabores pairando sobre a língua
E odores permeando nossas narinas ansiosas...
Uma beleza súbita
E inexplicavelmente doce.
Nos inspira poemas,
Cânticos
E silêncios.
Como aqueles momentos
Em que queremos dizer tanto,
Mas as palavras se mostram
Absurdamente supérfluas...
EmmyLibra
Dec 5, 2015 - 11:57pm
À noite
Bom Senso
Monday, February 04, 2019
Um verso
Qualquer coisa que dissesse de mim
Para falar aqui.
E a boca age conforme seu desejo
Quando vive o lábio uma palavra
Ou um beijo
Quando por ele foge a sensatez
E entram prazeres irrestritos,
Erros irremissíveis,
Sofre o corpo, a alma, a vida
A vida inteira sofre!
De arrependimentos e medos
Da pesada carga de dor
Que abraçamos, quase nunca sem saber.
Não há inocências!
Ou qualquer coisa
Que acalente o sono
E abrande o pranto
Nas noites e dias
E nas vidas que seguem.
Dentro da cabeça,
Para que o sono venha
E para que os sonhos
Povoem de estrelas uma vez mais
O céu interior, agora rubro
De sangue e tintas escarlates.
A não ser aquele que a eternidade
Inexoravelmente trará.
Triste que fosse, tanto faz!
Apenas um verso
Que dissesse de mim,
Da minha cela de paredes pichadas
De impropérios tantos,
De mensagens vindas do inferno
E de silêncios acusatórios.
Um verso apenas,
Mas que pudesse traduzir minha alma
E convertê-la em som,
Ainda que fosse o som grave,
Doloroso e fúnebre
De um réquiem sagrado.
Jan 17, 2019 - 8:41 a.m.
Uma carta para Vitor*
Que as coisas deram errado!
Que você plantou no jardim?
Os frutos não foram bem aqueles
Que você tanto sonhou.
Nele havia larvas-gente
Que infestaram sua lavoura!
Daquele fruto esperado?
Eu vou lhe dizer
O gosto que ele tem:
Tem gosto de bala perdida,
Tem gosto de sangue escorrendo
E de soro
Tem gosto de passar fome,
Tem gosto de indignidade,
De esmola que faz eleição.
Que você plantou.
Como aquela severina,
Da qual falava o poeta.
Parecia bonito de sonhar!
Encheu de verde o nosso olhar!
Ou era nosso sangue que tingia
As folhas, o tronco, a terra, tudo!
Pois sua lavoura perdeu o verde
E com ele a esperança.
Aos nossos filhos e netos
A terra esturricada e árida
Do desamor.
A quem sua voz servia.
Talvez você só quisesse
Nos dar alguma alegria.
Que o sonho do qual você falava
Era apenas utopia.
Dec 28, 2018 - 10:51a.m.
* Texto adaptado em Fev 5, 2019, a partir de uma importante observação feita pelo meu querido amigo Beto Lacerda, profundo conhecedor da música brasileira, que me chamou atenção para um detalhe crucial: a música à qual respondo no poema tem apenas melodia do Ivan Lins. A letra é do Vitor Martins. Portanto, foi uma "Carta ao Vitor" que eu escrevi, não ao Ivan.
Correção feita!
Gratidão ao Beto pelo esclarecimento, mas sobretudo pela disposição em ler e apreciar meus textos, que não são grandes obras literárias. ☺