Jun 11, 2018 - 10:08 a.m.
Monday, June 11, 2018
Pobreza
Jun 11, 2018 - 10:08 a.m.
Sunday, June 10, 2018
O Apaixonar-se
Um dia, o olho de te ver
Passa a te ver diferente:
Novas cores e formas
Outrora invisíveis.
Um dia, a mão de te tocar
Passa a um tato diferente:
Calor de pele, relevo
Outrora intangíveis.
Um dia, o teu corpo inteiro
Parece novo e perfeito
Sob medida para um abraço
Em que até a minha alma
Pode adormecer.
E, então, te re-conheço.
Te conheço de novo,
Novo, absurdamente novo.
Percebo-te em mim agora
Com um outro sentido
Que escapa aos cinco naturais.
Te absorvo por ele, enfim,
Nessas tão minhas e novas
Dimensões do teu ser.
EmmyLibra
Jun 10, 2018
9:43 p.m.
Thursday, April 12, 2018
Wednesday, April 11, 2018
Paz
Se eu te oferecer paz
Como caminho a seguir,
Não olhes para trás.
Apenas segue!
Tudo que há fora dessa jornada
é inquietação inútil!
Não é a dor um preço alto demais
A se pagar pela insensatez?
EmmyLibra
Apr 11, 2018 - 6:17 p.m.
Sunday, December 03, 2017
Concretude
Já não há mais poesia no dormir!
Tenho pesadelos, inquietações,
Reflexos dos meus dias
Quase sempre mal vividos,
Passados por mim, sem lirismo.
Para que eu os preencha com flores.
Concretude demais no coração dos Homens.
E os meus pés,
Outrora caminhantes das estrelas,
Pisantes de nuvens,
Agora arrastam-se pesadamente
Sobre o solo árido
Das minhas realidades cotidianas.
Dec 4, 2017 - 0:55 a.m.
Um mosquito que virou tartaruga
Logo eu que sempre declarei que não vivia em função de medos... =(
...
** Livro: "A Libélula e a Tartaruga", de Rubem Alves, Se ainda não conhece, deveria conhecer! É uma fábula curtinha, até parece um livro infantil. Mas, certo dia, ele mesmo me disse: "Que bom que percebeu que um livro para crianças nem sempre é um livro para crianças!"
Wednesday, June 21, 2017
Por um fio...
E o sonho já não habita mais o coração,
A vida pende num fio muito fino
(frágil teia de uma aranha minúscula!),
Suspenso entre o infinito
E o abismo profundo
Das angústias e da dor.
Qualquer brisa, por mais leve que seja
Pode romper esse fio e pôr termo à existência,
Que já nem mesmo vale a pena,
Desde que o corpo vaga sem alma
E o coração quase se esquece de bater,
Completamente esvaziado de esperança.
Wednesday, December 28, 2016
Admiração
Monday, October 10, 2016
Esquerda?? Sei...
Os discursos do social, do coletivo, de direitos humanos, que sempre estão na ponta da língua, com frases feitas e discursos inflamados, são guardados na gaveta quando mexem no queijo desses militantes!
Hoje, discutíamos em sala de aula, o fato de que a esmagadora maioria dos alunos ficou abaixo da média numa avaliação de determinada disciplina.
Proposta inicial da professora: regra de 3 sobre os valores das provas e notas obtidas, reduzindo o peso de 30 pontos para 20 para todos os alunos, quer tenham ficado bem ou mal. Então, o trabalho avaliativo seguinte, que vale 10 pontos, passaria a valer 20. Em outras palavras, quem foi mal se beneficiaria por ter a chance de estudar mais e recuperar a média, se fizesse uma boa prova. Os que foram bem, no entanto, estariam abrindo mão do "confortável estado de conquista e dever cumprido", colocando-se no mesmo risco dos demais, para batalhar novamente por uma boa nota no trabalho.
Traduzindo: quem hoje já garantiu parte do seu futuro na disciplina recuaria um passo na sua segurança em nome do coletivo.
Resultado: (obviamente??) proposta recusada.
Quem, em sã consciência e juízo perfeito, quereria abrir mão do pássaro gordo que já está na mão, por um passarinho que pode até ser magricela, e que ainda está voando??
– Mas isso é em nome da coletividade! – argumentaria em vão a professora.
Qual o quê! As respostas foram várias, mas uma delas foi algo do tipo: "Eu ralei muito, estudei, MERECI a nota boa que tirei. Vou abrir mão desse esforço todo e ter que ralar tudo de novo pra garantir boa nota, beneficiando quem não estudou?? Sei que tem gente que teve dificuldade, e mesmo estudando muito foi mal, mas sei que teve quem nem sequer leu os textos, então não acho isso justo!"
Pois é... Aquele coração vermelho, de esquerda, que "bate pelo social" e que reverbera seu bater nas falas perfeitamente construídas (por quem??) sobre as teorias comunistas, socialistas, "comunitaristas", solidárias, humanas até a raiz dos cabelos mais íntimos, nessa hora vira um coração retumbantemente capitalista, meritório, individualista – e aqui, por favor, não se entenda que as falas sejam abandonadas junto com o pensamento vermelho, porque, nessas horas, o discurso só muda o sujeito coletivo da defesa, virando algo do tipo: "Ajudar quem só teve dificuldade até seria legal, mas beneficiar quem não se mobilizou, ferrando tooooooooooooooodos que, COMO EU, estudaram muuuuuuuuuito e se saíram bem, não dá!"
Ou seja, agora temos uma nova coletividade, não tão coletiva assim.
Temos dois grupos, sendo uma "elite das notas" com excelentes resultados, unida em defesa dos seus MÉRITOS, contra – contra, mesmo!! – uma comunidade pobre, suburbana, falida, quebrada, faminta (e quase criminosa, por haver entre eles os negligentes!), mas que não são "fruto do social", como essas pessoas costumam defender em seus discursos politicamente corretos do esquerdismo que apregoam na sala de aula, corredores, redes sociais e manifestos bate-panelas da vida sobre os pobres desvalidos do mundo lá fora (incluindo os criminosos, que há entre esses excluídos).
O grupo que não está na elite das notas, é visto – salvo exceções que não geram argumento suficientemente convincente para demover o outro grupo da questão meritória que agora abraçam – como "esse povo que não se esforçou o suficiente para conquistar boas notas" e que agora precisa "se virar pra sair do atoleiro", porque eles, a elite, que está por cima da carne seca, não abrirá mão das suas conquistas tão arduamente alcançadas – o que aqui, sinceramente, não acho que esteja errado, pra ser sincera.
Eu, assistindo a tudo, com um desejo quase incontrolável de gargalhar, não resisto à perigosa tentação de dizer: "É por isso que eu adoro o capitalismo! Não saberia viver noutro regime, que não esse!"
Prefiro ser uma capitalista honesta, sincera, do que um pseudo-esquerdista hipócrita que xinga os outros de "coxinhas" nos manifestos vermelhos, mas, na hora que alguém mexe no seu queijo, vocifera por suas meritórias aquisições!
Sim, gosto de viver no capitalismo! Quando eu me ferrar, estejam certos, vou me ferrar sozinha. O que posso compartilhar de bom, fazê-lo-ei. O que me ferra eu seguro as pontas sem levar os outros junto comigo. Mérito na veia! Nunca tive grandes coisas na vida, sempre trabalhei muito, mas nunca me coloquei em posição vitimista, nunca disse que era escrava de ninguém, nunca me permiti viver mendigando a piedade alheia, nem cuspindo no prato em que como – porque como com o suor do meu trabalho.
Por que reclamaria do capitalismo?
Ah! Quanto à minha nota, eu estava naquele grupo de pobres de desempenho. Não tão miserável assim, mas um pouco abaixo da média, afinal.
Entretanto, se me perguntassem se eu achava que a regra de 3, que baixaria o peso da avaliação de 30 para 20 pontos, deveria ser aplicada para me salvar, eu responderia que não. Preferiria me virar depois pra tentar reverter meu B.O. pessoal, do que afundar os que estão bem.
Acho que não seria justo que, no meu afogamento (justíssimo, porque estou entre os negligentes!), eu levasse para o fundo do mar aqueles que já estavam seguros em suas canoas.
Por isso, lembrem-se: sou capitalista!
No entanto, se eu estivesse na elite das notas, e mesmo sendo declaradamente capitalista, gostando da ideia do mérito, da conquista suada, eu até que abriria mão da minha média confortável já alcançada, sim, em nome do coletivo. Porque – apesar do meu capitalismo declarado – veria as coisas de um modo um pouco diferente: ao contrário do argumento que usaram dos negligentes, e que me chamou muito a atenção porque muitos dos que utilizaram-no ou endossaram-no costumam declarar-se esquerdas na veia, vejo claramente que, apesar de alguns alunos não terem se esforçado tanto quanto deveriam ou poderiam, a grande maioria dos que tiraram notas baixas estudaram muito. Eu vi isso. E eles tiveram dificuldades naturais, por motivos diversos, não porque tivessem sido negligentes! Penso, seguramente, que estes justificariam os outros. Abriria mão do conforto e da segurança, sim, em nome do coletivo, porque sei quantos se esforçaram e não conseguiram alcançar a meta.
Mas, não esqueçam: sou capitalista!
EmmyLibra
Oct 7, 2016 - 12:29 p.m.
Tuesday, September 06, 2016
Eclipse
Uma bela manhã de sol,
a pessoa acorda com
um pouco mais de coragem
e um pouco menos de escrúpulos.
Isso é muito grave!
Decisões importantes são tomadas
quando esse eclipse acontece...
EmmyLibra
Sep 6, 2016 - 8:20 a.m.
Wednesday, June 01, 2016
Mimimi
Estamos na era do "mimimi". Viver em sociedade nunca foi tão chato! =(
E eu, que sempre disse "jamais desisto do ser humano", muitas vezes envergonho-me de fazer parte dessa classe de animais. O ser humano desses tempos atuais anda muito pobre de si mesmo, muito cheio de inutilidades, futilidades, sorve valores alheios como quem sorve café morno de manhã. Impregna-se de ideologias, escraviza-se, deixa de pensar pela própria cabeça para seguir a manada, esteja ela indo aonde quer que esteja, sem sequer questionar o seu destino final - se é que há um...
Acho que nunca involuímos antes. Hoje, no entanto, assisto a humanidade declinar do sagrado direito de caminhar para a frente, e anda em "marcha a ré".
Vejo pessoas estagnadas e outras regredindo, vejo valores se perdendo em meio a discursos inflamados, persuasivos, proferidos pelas poucas - e perversas - cabeças pensantes que ainda restam, e que ocupam lugares de destaque, não em busca de melhorar o mundo à sua volta, mas de ter maior raio de domínio sobre os tolos que se permitem hipnotizar pelo seu eloquente discurso do "politicamente correto" que, à prova dos nove, só nos corrompe e nos cega, não nos torna melhores.
O ser humano já foi bárbaro, bruto. Entrou numa era de intelectualidade que o fez ver as normas sociais como um bem, uma conquista. Viver com o outro já não se baseava em violências cegas e gratuitas, nem em complacências e submissões irracionais. Poderia pensar antes de agir. E caminhava para esse padrão de comportamento, quando parece ter saído de sua rota e entrado em tortuosos caminhos de egoísmo e medo.
Ao invés de alimentar o desejo de saber, ao invés de refinar os convívios, ao invés de melhorar o acesso às justas formas de resolver conflitos, nossos contemporâneos preferem o retorno à barbárie, talvez porque ela dá audiência na tv, quinze minutos de (má) fama - que importa? Ela vende jornalecos vagabundos de linguagem chula, que, se não respeita nem a gramática, por que respeitaria os leitores?
A humanidade hoje prefere acomodar-se e esperar que alguém lhe dê respostas prontas, sem medir que respostas prontas nem sempre nos levam à verdade, mas geralmente ao desejo do outro de que jamais cheguemos a ela e continuemos pequenos, cerceados, limitados, pobres. As pessoas preferem choramingar vitimismos, ao invés de assumir a responsabilidade sobre os próprios atos e andar de cabeça erguida, sobre os saltos altos da autonomia. Acham caro ir buscar o que lhes falta, acham cansativo. Ficam de boca aberta, esperando que caia do céu algum manjar que lhes alimente. Caem as migalhas das informações que os grandes nos permitem acessar e achamos que estamos "muito bem, obrigado", porque pensar pela própria cabeça exige esforço. Engolimos tudo como verdade.
Uma pena, tudo isso.
Estávamos, algumas décadas atrás, inclinados a encontrar meios justos de se coibir o mal. Hoje o praticamos sob o aplauso dos poderosos que casam suas altas apostas em câmbios que desconhecemos, sobre quanto tempo ainda nos resta antes que nos tornemos os zumbis disformes que eles desejam, para obterem total domínio sobre nossas vulneráveis mentes. Enquanto digladiamos, uns contra os outros, repetindo as palavras e jargões fast-food que nos deram para engolir nos seus discursos hipnóticos, eles nos assistem do alto de seus pedestais de poder, rindo da nossa ingenuidade e preguiça intelectual.
Humanidade. Palavra bonita, não é mesmo? Infelizmente, tem horas que eu nem a reconheço em muitas pessoas. Porque ser um Ser Humano, na raiz da palavra, é ser bem mais do que essa onda de marias-vão-com-as-outras que assistimos. Mas, isso é muito grave! Não reconhecer traços de humanidade em alguém é muito grave e triste...
Como diria Bauman numa hora dessas, eu mesma perco minha humanidade quando não enxergo a do outro que passa por mim. Me "coisifico". Me torno algo. E algos são sempre passíveis de obsolescência, de descarte, de ser lixo.
Nunca estive tão próxima de ser ninguém, como agora. Nunca me senti tão disconforme com o meio, como agora. Nunca estive tão à beira do abismo da indiferença, como agora.
Só que não consigo pedir desculpas pela ojeriza que sinto, pelo desprezo que me despertam as pessoas de alma pequena, vitimistas, fracas, escravas. Sinto verdadeira repulsa por elas!
Se chamarmos isso de pecado, estou convicta de que o mimimi que está na moda ainda me levará ao inferno!
EmmyLibra
Jun 1st, 2016 - 11:41 a.m.
Wednesday, December 30, 2015
Amigo
Amigo, de verdade, mesmo, não nos deixa estagnar em vitimismo, nem passa a mão em nossa cabeça quando erramos. Ao contrário, alimenta-nos de esperança e responsabilidade; fortalece nossa autoestima, mas sem esquecer de podar em nós as ervas daninhas do orgulho e do egoísmo; nos dá asas quando queremos voar, mas nos alerta sempre quanto aos perigos que assumimos, quanto mais alto decidamos ir.
Amigo, de verdade, mesmo, é aquela pessoa que, ainda que esteja a milhares de qiilômetros de nós, dá-nos sempre a sensação de que está segurando nossas mãos, olhando nossos olhos e dizendo: "Estou com você. Não vou lhe deixar à deriva".
E confiamos, porque sentimos que o seu abraço, a sua voz e o seu riso são, para cada momento, sinônimo de companhia, abrigo ou bálsamo, conforme nossa necessidade se configure.
Saturday, September 26, 2015
Tua grandeza II
Tuesday, June 16, 2015
Colibri
Monday, May 18, 2015
Caruaru

Amo muito esse lugar. Mas fiz uma promessa dolorosa: não mais voltarei.
Dói insuportavelmente pensar que na cidade que tanto amo e onde passei bons anos da minha juventude não mais está uma das pessoas mais importantes da minha vida: a minha mãe.
No dia em que me despedi dela, despedi-me também do morro Bom Jesus, do São João mais lindo e colorido do mundo, da feira, do ponto dos músicos, da catedral, da igreja da Conceição, dos bonecos de Vitalino, das bonecas de pano com vestidos de chita, das mariolas, pitombas... Despedi-me de tudo que fazia parte daquele universo particular que construí em torno da minha amada. Despedi-me do cheiro do seu café, do som do seu riso, das suas piadas e do seu olhar inteligente.
Despedi-me também de mim, em certa medida.
Porque todas essas coisas que me constituíam e que agora me faltam, guardam em si pedaços do que fui, da minha história.
Vivo agora com uma enorme lacuna no coração, um porém sem fim.
Nada nem ninguém poderia preencher este espaço ou mudar o que sinto.
E eu prefiro assim.
='(
Monday, February 23, 2015
Dia vazio
Na boca um gosto de nada;
No peito um rasgo profundo
Por onde a alma tenta escapar.
Uma hora dessas talvez ela saia
Ou morra de fome, de frio,
De solidão, mesmo.
Então, em seu lugar,
Instalarei uma engrenagem qualquer
Que mantenha meus passos,
Meus atos,
Minha aparência humana.
Quem sabe até engane a mim mesma
E me faça crer que ainda haja vida em mim...
Wednesday, January 28, 2015
Ausência
Thursday, December 25, 2014
Wednesday, December 10, 2014
Para Angélica
Dessas coisas boas que existem e que a poluição ainda não alcançou.
Tem cara de poesia, de dormir em rede, de pescar em rio, de banhar-se em cachoeira.
Tem jeito de flor.
E sua alma tem cheiro de mato, depois que a chuva fina molhou as folhas
e os passarinhos começaram a cantar.
Tem olhar de conhecer e ouvido de saber.
Tem ondas do mar nos seus cabelos e força de vendaval em seus desejos.
É grande, como árvore frondosa.
Delicada, como flor do campo.
Tem um quê de aconchego, como sombra em dia de sol quente,
e a gente tem vontade de quedar-se ali, no conforto de sua presença,
até que o dia anoiteça e as estrelas enfeitem seus cabelos de mar.
Tem som de córrego, em cujas margens as borboletas pousam para beber.
Tem cores de mundo e luz de compaixão.
E é em você, criatura moldada no barro de um sonho divino,
que repousam todas as formas que aos olhos e almas encantam.
Às vezes dá até medo contemplar a tua beleza!
Tuesday, August 26, 2014
Carpe Diem!
Eu sou um ser humano. Como qualquer outro que habita sobre a face da Terra, como qualquer outro que se reconheça na mesma categoria de seres vivos.
Eu como, bebo, solto pum, arroto, faço xixi e cocô como qualquer mortal que possua um aparelho digestório e um sistema excretor. Às vezes eu ronco quando durmo e quase sempre espirro quando estou gripada. Como qualquer pessoa.
Quando tenho pesadelos, acordo chorando. Quando tenho sonhos bons, acordo sorrindo.
Eu me sinto cansada, às vezes. Exausta, mesmo. E não é só da exaustão física, mas também da mental, da emocional, da sentimental.
Eu sinto dores – graças a Deus! – e elas são meu alerta-vermelho de que há algo errado acontecendo comigo. Mas é, também, meu alerta verde de que estou viva.
Eu tenho sonhos, faço planos, elaboro ideias – tantas, que muitas vezes nem cabem mais na minha cabeça, tão grandes e numerosas se tornam!
Eu amo. Profundamente.
Amo muitas pessoas e fatos, pensamentos e sons, sendo que, do amor, eu não me sinto repleta nunca!
Há no amor uma matemática muito louca, na qual quanto mais amor ocupando meu coração, mais amor cabe dentro dele. Uma dilatação dos espaços, uma multiplicação de mim mesma.
Mas eu também sofro. E me ressinto de ausências. Também permito ao meu corpo sentir o vazio e a solidão dessas ausências que se refletem em êxtases irrealizados, incompletos, insaciados...
As presenças que a vida me oferta são sorvidas com força para dentro de mim, sem hesitações. Porque, uma vez que já sentimos fome de um afeto ou de uma sensação, uma vez que já experimentamos as ausências, nos acostumamos a ter pressa de viver e de sentir.
O ontem nos rouba celeremete os recursos da juventude; o amanhã é tão incerto quanto um passo na escuridão de um pântano. Resta-nos o agora.
É no dia de hoje, no momento presente, neste exato instante em que a vida flui em mim, que quero estar viva e experimentar cada gole de emoção que esta existência me entrega em seu cálice dourado.
Carpe Diem!
Sunday, June 08, 2014
Parêntesis
A arte tem sempre uma surpresa, algo fora do comum, onde podemos viver do novo, constantemente!
Estou farta da rotina, dos compromissos, das prestações de contas, dos julgamentos alheios, dos desejos alheios a controlarem os meus...
Tem momentos que parece que o mundo emborca sobre mim! Tudo urge, tudo me chama, tudo me arrasta!
Nessas horas eu preciso abrir um parêntesis na vida. Paro tudo, abandono compromissos, desligo o celular, entro no Parque Municipal e fico lá, sentada ao lado de uma nascente, só ouvindo o barulhinho da água.
O mundo pode estar louco lá fora, mas sempre encontro naquela fonte de águas cristalinas um refúgio, para onde eu vou quando quero me libertar do stress.
Fico desconectada de tudo por umas duas horas. E quando saio de lá, a vida continua a mesma, com os mesmos velhos problemas, o mesmo trânsito insuportavelmente congestionado, a urgência das coisas... Mas – que bom!– ninguém morreu porque estive fora por duas horas!
O mundo não se acabou, nenhuma bomba atômica destruiu a humanidade, ninguém ficou mais rico nem mais pobre, nem mais louco nem mais são porque me ausentei.
Quanto a mim... Ah! Eu não sou mais a mesma de duas horas antes!
Sinto-me como se fosse um pouco mais "dona" de mim mesma, menos sujeita às decisões, horários e agendas dos outros, menos sufocada. É como dizer ao mundo: "Ei! você não manda em mim tanto assim! Posso desconectar quando quero, ouviu?"
Mas tudo isso é ridículo e você é muito boba! – você há de dizer. Porque eu continuo escrava das agendas dos outros, do ritmo alucinado da vida urbana, dos compromissos inadiáveis... Basta sair daquele parêntesis e tudo volta a ser como antes.
Mas a sensação de leveza que experimento por duas horas me ajuda a conservar minha identidade, em meio ao caos. Me ajuda a repor energias para suportar a mesmice, a rotina, os deveres, os mil diferentes conflitos que há dentro de mim, quando vejo o mundo inteirinho à minha volta como se estivesse sempre prestes a ruir, pela fragilidade dos laços com que as pessoas atam suas vidas, hoje em dia.
São duas horas de um parêntesis que me permito abrir. E dentro desse parêntesis não cabem celulares, compromissos, medos, anseios, dores, sofrimentos, inquietações.
Dentro desse parêntesis não cabe mais nada além de mim mesma, do som da água da fonte caindo sobre as pedras, alguns peixinhos me cumprimentando, de vez em quando... E também a paz – imensa, morna e acolhedora paz! – e o silêncio que cultivo dentro de mim, nesse instante, quando calo até meus pensamentos, só para ouvir aquele barulhinho suave da água nas pedras.
Eu, água, pedras, peixes, paz e silêncio interior, mergulhados em meu parêntesis sagrado, em meio a um parque que está encrustado no coração do caos, numa das maiores cidades deste país!
Eu, água, pedras, peixes, paz e silêncio inerior. Um silêncio quase mortal, mas no qual reabasteço-me de mim mesma, reconheço minha real identidade: aquela que, para imergir no social, travisto de mil diferentes papéis, mas que não são o que sou ou, pelo menos, não são tudo o que sou.
Eu, água, pedras, peixes, paz e silêncio interior. Por duas sagradas horas eu me encontro comigo mesma e me permito ficar ali, isolada da vida que urge e me arrasta. A salvo do caos, por duas horas. A salvo de tudo que fere minha condição de humanidade e que me condena a uma vida em que até nossas escolhas são moldadas pelo que nos é exterior, e não pelos nossos reais desejos.
Eu gostaria de viver de arte... Mas minhas escolhas foram moldadas dentro do possível, dentro dos encaixes dos desejos alheios, dos espaços que minha história pessoal circunscreveu para a morada da minha alma.
Então, por duas horas apenas, escolho viver dentro de um parêntesis sagrado...
Às vezes, preciso dizer ao mundo: "Ei! você não manda em mim tanto assim! Posso desconectar quando quero, ouviu?". E ser dona de mim. Nem que seja por duas horas apenas.
Já que por aqui não se consegue viver de arte e "ser" está condicionado aos espaços que nossa história pessoal circunscreve para nós...
Friday, May 16, 2014
Tua grandeza
Wednesday, April 16, 2014
Prioridades
Somos, incontáveis vezes, cruéis e inescrupulosos, na busca de nossas satisfações pessoais – queremos e queremos. E não nos importa se passamos sobre os outros, pisando e machucando, para agarrarmos um melhor bocado do que desejamos.
Somos mestres em criar necessidades! Amarramos nossos pés a pesadas pedras de desejos irrealizáveis e arrastamos essas enormes rochas pelas curvas do nosso caminho.
Às vezes, alguém que está ao nosso lado deseja apenas um prato de comida ou um pedaço de pão... Mas nós queremos voar e achamos complicado saciar a fome do outro.
É mais fácil comprar asas!
EmmyLibra
(Data incerta)
Monday, March 31, 2014
Rebanho
Não há convicção, não há integridade – e é bom lembrar que para cobrar integridade dos políticos é preciso também tê-la em nossos atos! – não há verdadeira cidadania, na raiz da palavra. Por isso me refiro a "cidadãos", usando aspas. Porque é fácil bater panelas, mas é difícil, no dia-a-dia, ser honesto para ter moral de cobrar honestidade de quem nos governa. É fácil gritar "jargões self-service", mas é difícil ponderar sobre o voto que vai depositar nas urnas. É fácil parecer cidadão, mas há uma distância enorme entre essa máscara de pessoa engajada e correta e o que podemos chamar de verdadeira participação política.
Aí, vem copa do mundo, e já sabemos: futebol leva a cervejada, que leva a festa, que leva a alegriazinhas fugazes... E quando chegarem as eleições, o povo ainda nem se curou da bebedeira, vai lá querer pensar em política? Vota de qualquer jeito, "nas coxas", seguindo qualquer pesquisa de opinião que for divulgada, sem vontade de mudar as coisas.
Quer saber? Deve estar muito bom! Enquanto houver futebol e cerveja, a massa vai empurrando a cidadania com a barriga, e quando alguém questionar isso, é só sair às ruas, batendo panelas com os jargões da moda, que tudo fica lindo e todos viram "patriotas" novamente.
E no domingo, é só dizer "Amém, irmãos!" numa igreja qualquer, e "todos os pecados estarão lavados"... inclusive o da cômoda omissão, da qual muitos morrem todos os dias nos becos e vielas do nosso país.











