Monday, February 04, 2019

Um verso

Eu queria um verso, uma canção,
Qualquer coisa que dissesse de mim
Para falar aqui.

Mas não há.

Quando a cabeça não pensa
E a boca age conforme seu desejo
Quando vive o lábio uma palavra
Ou um beijo
Quando por ele foge a sensatez
E entram prazeres irrestritos,
Erros irremissíveis,
Sofre o corpo, a alma, a vida
A vida inteira sofre!

A vida passa a caber num instante
De arrependimentos e medos
Da pesada carga de dor
Que abraçamos, quase nunca sem saber.

Não há inocência.

Não há inocências!
Nem mesmo acasos há
Ou qualquer coisa
Que acalente o sono
E abrande o pranto
Nas noites e dias
E nas vidas que seguem.

Nada calará aquela voz incômoda
Dentro da cabeça,
Para que o sono venha
E para que os sonhos
Povoem de estrelas uma vez mais
O céu interior, agora rubro
De sangue e tintas escarlates.

Nenhum fogo lamberá remorsos
A não ser aquele que a eternidade
Inexoravelmente trará.

Nada extinguirá a dor!

Eu só queria um verso
Triste que fosse, tanto faz!

Apenas um verso
Que dissesse de mim,
Da minha cela de paredes pichadas
De impropérios tantos,
De mensagens vindas do inferno
E de silêncios acusatórios.

Eu só queria um verso.
Um verso apenas,
Mas que pudesse traduzir minha alma
E convertê-la em som,
Ainda que fosse o som grave,
Doloroso e fúnebre
De um réquiem sagrado.

EmmyLibra
Jan 17, 2019 - 8:41 a.m.

Uma carta para Vitor*

É, Vitor, eu acho
Que as coisas deram errado!

Sabe aquela planta sagrada
Que você plantou no jardim?
Os frutos não foram bem aqueles
Que você tanto sonhou.

O solo estava doente
Nele havia larvas-gente
Que infestaram sua lavoura!

Queria saber o gosto
Daquele fruto esperado?
Eu vou lhe dizer
O gosto que ele tem:

Tem gosto de chumbo,
Tem gosto de bala perdida,
Tem gosto de sangue escorrendo
E de soro 
Em corredor de hospital superlotado.

Tem gosto de miséria aquele fruto!
Tem gosto de passar fome,
Tem gosto de indignidade,
De esmola que faz eleição.

Tem sabor tão amargo, Vitor!

Tem sabor de morte, o fruto
Que você plantou.
De morte que se morre aos poucos,
Como aquela severina,
Da qual falava o poeta.

Ah! Vitor! Como aquele sonho
Parecia bonito de sonhar!
Como aquela lavoura, por um breve instante,
Encheu de verde o nosso olhar!

Mas depois, ou daltônicos viramos
Ou era nosso sangue que tingia
As folhas, o tronco, a terra, tudo!
Pois sua lavoura perdeu o verde
E com ele a esperança.

É, Vitor, vocês deixaram de herança
Aos nossos filhos e netos
A terra esturricada e árida
Do desamor.

Talvez você nem soubesse
A quem sua voz servia.
Talvez você só quisesse
Nos dar alguma alegria.

É, Vitor, eu diria
Que o sonho do qual você falava
Era apenas utopia.

EmmyLibra 
Dec 28, 2018 - 10:51a.m.


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* Texto adaptado em Fev 5, 2019, a partir de uma importante observação feita pelo meu querido amigo Beto Lacerda, profundo conhecedor da música brasileira, que me chamou atenção para um detalhe crucial: a música à qual respondo no poema tem apenas melodia do Ivan Lins. A letra é do Vitor Martins. Portanto, foi uma "Carta ao Vitor" que eu escrevi, não ao Ivan.
Correção feita!
Gratidão ao Beto pelo esclarecimento, mas sobretudo pela disposição em ler e apreciar meus textos, que não são grandes obras literárias.

Tuesday, January 15, 2019

Sonha!

Sonha, meu bem!
Sonha, que sonhando voas.
E voando cresces.
E crescendo me levas
Nas tuas longas asas!

Sonha, meu bem!
Porque passar a vida inteira
Com os pés no chão
Não é para ti nem para mim.
É para meros mortais!

Sonha, sonha mais!
A liberdade infinita
Que se desenha nos devaneios
É bem mais bonita e fecunda
Que nossas pequenas fronteiras
Dos temores palpáveis.

Sonha! Sonha, enfim,
Com tudo que alimenta tu'alma!
Sonha imortalidade!

EmmyLibra
Jan 15th, 2019 - 3:15 p.m.

Saturday, January 12, 2019

Assim que é

Eu penso palavras, você pensa sons
Eu penso loucuras, você tem o dom
De fazer
Acontecer...

Eu penso a fala, você dá um tom
A fala canta, você sente o som
Simplesmente
Acontecer...

Eu quero a noite, você faz estrelas
Eu quero encontro, você faz a teia
Pra me endoidecer...

É sempre assim.
Assim que é.
Eu tendo sonhos
Você dando nó
Em pingos d'água.

É sempre assim
Sempre será
Nós num abraço
Quase dando um nó
Que não desata.

Eu peço flor, você faz jardim
Eu canto a dor, você faz enfim
Desaparecer...

Eu desabando, faz reconstruir
Eu tenho sede faz chuva cair
Sobre mim, sobre mim.

É sempre assim
Assim que é
Eu te chamando
Você bota fé
E me resgata.

É sempre assim
Assim será
Como luz de sol.
Que acaba, enfim,
Com a madrugada.

EmmyLibra
Jan 12th, 2019 - 8:39 a.m.

Thursday, December 20, 2018

Chuva

Suave e fecunda
Chuva que vem
No meio da tarde
De um dia qualquer

Bailam distraídas
As gotas de chuva
E mais do que vida
São gotas de amor

Sussurram baixinho
Confissões sutis
Trazendo recados
De amores distantes


"Eu voltarei... Eu voltarei...
Me espera, eu já volto!
E tudo...
Tudo será como antes!"

EmmyLibra
Dec 20, 2018 - 07:27 a.m.

Friday, December 14, 2018

Domínio

O homem lapidou as pedras; desviou o curso dos rios; derrubou florestas e ergueu em seu lugar edifícios, abriu estradas, construiu túneis. Também domesticou os gatos, adestrou os cães, as águias e tantos outros animais. Ensinou acrobacias a golfinhos e elefantes, hipnotizou serpentes.
Achou que assim, dominada e subjugada, a natureza se tornaria mais linda... ou mais útil.

Paralelamente a tudo isso, mas com absurdamente maior força, apoderou-se e dominou as mentes uns dos outros próprios homens. Estabeleceu uma ordem de coisas que, embora mutante, dinâmica, guarda em si o imutável princípio da insatisfação pela natureza e pela liberdade.

O indivíduo não pode simplesmente ser o que é, o que saiu do ventre da sua mãe. Tem que se moldar, lapidar. Como se pedra bruta fosse. Como se ser a pessoa que nasceu não serve, precisa ser adestrada. Alguém precisa ensinar para ela desde cedo quem ela deve ser para agradar aos demais à sua volta.

Eu não posso ser eu. Você não pode ser você. Ninguém tem êxito sem antes passar pelo molde social ou profissional.

Não exerça nenhuma atividade natural, inata. Aperfeiçoe-a pelos métodos dos outros. Adestre suas competências, suas aptidões, seus talentos. Agrade aos outros, castrando-se, podando-se, mutilando-se, ou ainda enchendo-se de acessórios, pinturas, máscaras, pesadas fantasias e túnicas, grandes e densas o bastante para encobrir ao máximo quem você é, na profundeza da sua alma.

Sufoque esta alma! Suplante-a! Cale-a para todo o sempre!
Deixe de ser você e torne-se alguém que o social aprova.
A pessoa que você nasceu sendo não serve para nada.
Entenda isso de uma vez por todas!

Depois, seja feliz. Muito feliz. Nunca, jamais, em tempo algum ouse demonstrar insatisfação ou tristeza.

Ser feliz é um imperativo desse maravilhoso tempo de perfeição e beleza, construído pelas mãos dos homens sábios e corajosos!

Caso contrário, alguém vai providenciar uma droga qualquer para ajustar seus sentimentos também.

EmmyLibra
Dec 14, 2018. 10:28 a.m.

Monday, September 24, 2018

Mesmo que esteja

Tem muita gente morrendo ao meu redor
Gente caindo ao chão, virando pó
Pensam que ainda estão vivos, vejam só!
De todas as desgraças, a pior.

Dói... Dói tão fundo na alma, essa dor
É como olhar e não ver o que deseja
É não estar ali, mesmo que esteja

Tem gente sumindo para sempre
Gente que não nos considera gente
Gente que nos atropela e não sente
Que corre em nossas veias sangue quente

Vai... Vai e não olha mais para trás
Deixa-me aqui, com a minha dor
Guardo só a lembrança de um amor

Vai... Vai, que a tua imagem se desfaz
No atropelo das horas sem fim
E a saudade estará pra sempre em mim.

Tanta gente morrendo ao meu redor
Mas ainda circulam, vejam só!
Andam naturalmente por aí
Agora entendo: fui eu que morri!

EmmyLibra
Sep 24, 2018 - 9:19 p.m.

Monday, August 06, 2018

Desvontade

Eu já chamei de preguiça.
Já chamei de ausência do desejo, ausência de motivação.
Mas não faltam motivos! Não exatamente. Às vezes eles até abundam! Mas ter motivos não bastam.
Então, não era nada disso.
Porque a ausência de uma coisa não a explica.
Como a ausência da fala não explica o que não foi dito. E, sendo assim, desdizer traz em si uma oposição maior do que simplesmente calar.
Desfazer, desistir, descartar, destruir... "desquerer", "desdesejar", sentir "desvontade". Neologismos, às vezes, são imprescindíveis!
Agora, sei que não me falta nada. Ao contrário, estou plena! Desvontade é o que tenho de sobra!
É maior e mais fundo do que as ausências, embora filha delas.
Tenho desvontade.
Desvontades doem...

EmmyLibra
Aug 6, 2018 - 2:08 p.m.

Friday, August 03, 2018

Correnteza

Tem horas que pensar dói.
Mas a correnteza dos pensamentos é tão forte, que não conseguimos nadar contra ela...
E afogamos.

EmmyLibra
Aug. 3rd, 2018 - 11:00 a.m.

Wednesday, August 01, 2018

Algoz

Numa hora falavas comigo
E tua fala me chegava
Tão doce… Um bálsamo,
Suavizando as dores!

No instante seguinte
Ela me parece torpe, cruel!
Já não é mais a mesma.

Depois que me mataste um pouco
Depois que vi em ti pensamentos loucos
Estranhos, comestíveis, desenfreados
Despejados sobre esse meu corpo,
Estremeci.

E, ao ouvir-te de novo
“Meu bem” - dizias, quase como antes!
Mas nunca como antes.
- Nunca será como antes!
Esfriei sob a pele,
Doeu por dentro.

Porque antes desejei viver
Para ti também, por ti também.
Um pouco.

Mas, sepultaste minh’alma
À sombra das árvores frondosas
Das tuas falas fortes,
Imperatrizes, inconsequentes.

Acaso não percebeste
Quando respirei o teu ar?
Quando segui teus caminhos?
Quando te contemplei?

Acaso não viste nas horas nuas,
Quando me deste um pouco de vida,
Que eu já estava prestes a sucumbir?
Que era um pouco por ti que viveria
Dali por diante?

Jogaste fora esta vida
Decepaste os seus ramos
Destruíste a sua raiz.
Teus sons tornaram-se lâminas!

Hoje, murcham os sonhos
Os planos, as coisas todas
Que plantaste com tuas palavras
Quando elas ainda tinham doçura.

Já não te reconheço.
Talvez agora, simplesmente,
Te conheça - enfim!

Mas preferia aquel’outro
Que me ergueu das cinzas,
Mesmo que agora
Ele já  me pareça tão falso.
Utópico. Irreal.

Esse a quem ora me apresento
É o algoz que me fere,
Que transpassa meu coração
Com a espada gélida e tóxica
Da desesperança.

EmmyLibra
Aug 1st, 2018 - 2:48 p.m.

Morte em vida

Há quem pense que "Não matarás" referia-se ao corpo físico.
Grande engano! Matar os sonhos, a esperança de alguém é ainda mais hediondo. É matar o outro em vida.
Porque quando morre a esperança do homem, todo o homem já está morto.
=(

EmmyLibra
Aug 1, 2018 - 12:57 p.m.

Monday, July 16, 2018

Like Fall

Feeling like fall
When the leaves
Leave the trees
When the raindrops
Cry on the graves
Of men and women
Whose lifes one day
Were like spring

Like spring

Feeling that gray
Like the embers
Of men and women
Who have died
Trying not to live
Like I do today
While my waiting
Has a name

It has a name.

I have died
A little daily bit
Day after day
But I've survived
After my dayly death
After dark hours
I've survived
After myself.

I feel like fall
When the leaves
Leave the trees
And when the teardrops
Wet my cold face.

I feel like fall
Like fall
Like falling teardrops
Like teardrops
That fall
Then die away
Away
I go away.

EmmyLibra
July 16. 5:41 p.m.

Monday, June 11, 2018

Pobreza

Há pessoas cujo pensamento é tão irremediavelmente pobre, que se lhe dermos um copo do mais límpido e fluido conhecimento, elas com ele banharão os pés, ao invés de bebê-lo!

EmmyLibra
Jun 11, 2018 - 10:08 a.m.

Sunday, June 10, 2018

O Apaixonar-se

Um dia, o olho de te ver 
Passa a te ver diferente:
Novas cores e formas
Outrora invisíveis.

Um dia, a mão de te tocar
Passa a um tato diferente:
Calor de pele, relevo
Outrora intangíveis.

Um dia, o teu corpo inteiro 
Parece novo e perfeito
Sob medida para um abraço
Em que até a minha alma
Pode adormecer.

E, então, te re-conheço.
Te conheço de novo,
Novo, absurdamente novo.

Percebo-te em mim agora
Com um outro sentido 
Que escapa aos cinco naturais.
Te absorvo por ele, enfim,
Nessas tão minhas e novas
Dimensões do teu ser.

EmmyLibra
Jun 10, 2018
9:43 p.m.

Thursday, April 12, 2018

Se não cabe em si,
Rasgue seu corpo com as mãos
E deixe sua alma voar!

EmmyLibra
Apr 13, 2018 - 12:58 a.m.

Wednesday, April 11, 2018

Paz

Se eu te oferecer paz
Como caminho a seguir,
Não olhes para trás. 
Apenas segue!

Tudo que há fora dessa jornada
é inquietação inútil!

Não é a dor um preço alto demais
A se pagar pela insensatez?

EmmyLibra
Apr 11, 2018 - 6:17 p.m.

Sunday, December 03, 2017

Concretude

Meu sono vem do cansaço.
Já não há mais poesia no dormir!

Tenho pesadelos, inquietações,
Reflexos dos meus dias
Quase sempre mal vividos,
Passados por mim, sem lirismo.

A vida não tem mais espaços vazios
Para que eu os preencha com flores.
Há concreto nas ruas,
Concretude demais no coração dos Homens.

A Terra parece multiplicar sua gravidade
E os meus pés,
Outrora caminhantes das estrelas,
Pisantes de nuvens,
Agora arrastam-se pesadamente
Sobre o solo árido
Das minhas realidades cotidianas.

Emmylibra
Dec 4, 2017 - 0:55 a.m.

Um mosquito que virou tartaruga

A possibilidade da mudança já foi minha marca registrada. Poder alterar a foto do perfil e a frase de abertura no extinto msn, a cor ou o corte dos cabelos, mudar de endereço, mudar de opinião, variar o estilo das músicas que ouvia ao longo das semanas, mudar qualquer coisa! Eu mesma já me reconheci a “metamorfose ambulante” do Raul*.  Tinha coragens e uma força tão grande, que ninguém era capaz de me deter diante de um sonho ou desejo, diante de uma possibilidade de aprendizado e desenvolvimento. Nada era importante o bastante para me fazer parar, um dia sequer, de modificar as coisas à minha volta, modificar-me, transformar.
Penso que estou ficando mesmo velha. Muito velha. Hoje, a possibilidade de permanência é que está sendo meu estilo de vida. Isso pra mim é um péssimo sinal de morte interior. 
[Já me vejo meio "tartaruga do Rubem alves". Eu era, indiscutivelmente, o mosquito!]**
Só para um café pequeno do que tem se tornado minha vida, não mudo minha foto de perfil do Facebook há mais de 3 anos! Não mudo minha opinião sobre certos assuntos, não mudo sequer os assuntos das conversas! Não troco nem mesmo as playlists que escuto – e o pior é que raramente tenho ouvido música...
Minha vida tem estado meio estagnada. Não posso dizer que não sei por quê. Mas dói muito admitir as razões.
Meus sentimentos andam muito fixos, meus pensamentos chegam a ser obsessivos, repetitivos, recorrentes. Minha cabeça trabalha pela mesmice, não pelas transformações e transitoriedade. Uma sensação de enraizamento apodera-se de mim e isso foi o que abominei a minha vida inteira! Já até escrevi a respeito: “Eu não nasci árvore. Não tenho raízes...” Hoje me vejo parada numa rotina que me incomoda, me frustra o tempo inteiro, sem conseguir sair dela, sem conseguir agir para mudar.
Sinto medo do desconhecido, quando antes sentia ânsia de explorar. Tenho inseguranças que antes não faziam parte da minha personalidade, do meu jeito de encarar a vida.  Vejo-me hoje muito incapaz de modificar qualquer coisa que me incomoda ou fere, e vou vivendo assim, dessa rotina desgastante, sem grandes feitos.
Sinto-me aprisionada por escolhas que fiz e faço em nome dessa segurança que, afinal, não existe senão dentro da minha cabeça, cada dia mais limitada por temores de perigos reais e imaginários, cada dia mais esvaziada de sentido. O que antes me impulsionava para crescer, hoje me causa pânico. Saltar no abismo escuro do inexplorado ou do novo era pra mim motivador. Hoje vivo de cautelas, matando sonhos e engavetando desejos.
Logo eu que sempre declarei que não vivia em função de medos... =( 
Deixei de ser a pessoa corajosa e ousada que sempre admirei no espelho, para me tornar essa criatura fraca e medíocre, de quem me envergonho todos os dias.
Sou um resto de mim. Um resto que definha a cada dia, sepultando-se antes do último fôlego, atando-se a conceitos e rotinas sufocantes, pequenas, mesquinhas.
Não gosto da pessoa que me tornei, nos últimos anos....

EmmyLibra

Dec 3rd, 2017 – 9:23 p.m.

...
* Música: "Metamorfose Ambulante", de Raul Seixas.
...
** Livro: "A Libélula e a Tartaruga", de Rubem Alves, Se ainda não conhece, deveria conhecer! É uma fábula curtinha, até parece um livro infantil.  Mas, certo dia, ele mesmo me disse: "Que bom que percebeu que um livro para crianças nem sempre é um livro para crianças!"
Está disponível em http://wisheslife.blogspot.com.br/2009/08/libelula-e-tartaruga-rubem-alves-livro.html  É um dos melhores livros que já li. Também pudera! O Rubem Alves é, sem dúvida, uma das pessoas mais inteligentes que já passaram pela face da Terra! Faz uma falta... =( Preciso reler muitas vezes essa fábula, para ver se ainda há chance de voltar a ser leve!
...

Wednesday, June 21, 2017

Por um fio...

Quando a alma já não habita mais o corpo
E o sonho já não habita mais o coração,
A vida pende num fio muito fino 
(frágil teia de uma aranha minúscula!),
Suspenso entre o infinito 
E o abismo profundo
Das angústias e da dor.

Qualquer brisa, por mais leve que seja
Pode romper esse fio e pôr termo à existência,
Que já nem mesmo vale a pena,
Desde que o corpo vaga sem alma
E o coração quase se esquece de bater, 
Completamente esvaziado de esperança.


EmmyLibra
Jun 21st, 2017 - 9:24 a.m.

Wednesday, December 28, 2016

Admiração




Dá-me desta beleza tua
Um instante de admiração
Para que, pelos olhos, eu sinta
Que há uma alma transbordando
Pelos poros, boca, pensamentos, sonhos...


Dá-me desta beleza um instante
De admiração - ela basta!
Porque aos olhos o que alimenta
É o que a contemplação pode tocar
Com suas mãos de poesia.



EmmyLibra
Dec 28, 2016 - 1:17 p.m.

Monday, October 10, 2016

Esquerda?? Sei...

Assisto como uma grande comédia o pessoal que se diz "esquerda" agindo. 
Os discursos do social, do coletivo, de direitos humanos, que sempre estão na ponta da língua, com frases feitas e discursos inflamados, são guardados na gaveta quando mexem no queijo desses militantes!
Hoje, discutíamos em sala de aula, o fato de que a esmagadora maioria dos alunos ficou abaixo da média numa avaliação de determinada disciplina.
Proposta inicial da professora: regra de 3 sobre os valores das provas e notas obtidas, reduzindo o peso de 30 pontos para 20 para todos os alunos, quer tenham ficado bem ou mal. Então, o trabalho avaliativo seguinte, que vale 10 pontos, passaria a valer 20.  Em outras palavras, quem foi mal se beneficiaria por ter a chance de estudar mais e recuperar a média, se fizesse uma boa prova. Os que foram bem, no entanto, estariam abrindo mão do "confortável estado de conquista e dever cumprido", colocando-se no mesmo risco dos demais, para batalhar novamente por uma boa nota no trabalho.
Traduzindo: quem hoje já garantiu parte do seu futuro na disciplina recuaria um passo na sua segurança em nome do coletivo.
Resultado: (obviamente??) proposta recusada. 
Quem, em sã consciência e juízo perfeito, quereria abrir mão do pássaro gordo que já está na mão, por um passarinho que pode até ser magricela, e que ainda está voando??
– Mas isso é em nome da coletividade! – argumentaria em vão a professora.
Qual o quê! As respostas foram várias, mas uma delas foi algo do tipo: "Eu ralei muito, estudei, MERECI a nota boa que tirei.  Vou abrir mão desse esforço todo e ter que ralar tudo de novo pra garantir boa nota, beneficiando quem não estudou?? Sei que tem gente que teve dificuldade, e mesmo estudando muito foi mal, mas sei que teve quem nem sequer leu os textos, então não acho isso justo!"
Pois é... Aquele coração vermelho, de esquerda, que "bate pelo social" e que reverbera seu bater nas falas perfeitamente construídas (por quem??) sobre as teorias comunistas, socialistas, "comunitaristas", solidárias, humanas até a raiz dos cabelos mais íntimos, nessa hora vira um coração retumbantemente capitalista, meritório, individualista – e aqui, por favor,  não se entenda que as falas sejam abandonadas junto com o pensamento vermelho, porque, nessas horas, o discurso só muda o sujeito coletivo da defesa, virando algo do tipo: "Ajudar quem só teve dificuldade até seria legal, mas beneficiar quem não se mobilizou, ferrando tooooooooooooooodos que, COMO EU, estudaram muuuuuuuuuito e se saíram bem, não dá!"
Ou seja, agora temos uma nova coletividade, não tão coletiva assim.
Temos dois grupos, sendo uma "elite das notas" com excelentes resultados, unida em defesa dos seus MÉRITOS, contra – contra, mesmo!! – uma comunidade pobre, suburbana, falida, quebrada, faminta (e quase criminosa, por haver entre eles os negligentes!), mas que não são "fruto do social", como essas pessoas costumam defender em seus discursos politicamente corretos do esquerdismo que apregoam na sala de aula, corredores, redes sociais e manifestos bate-panelas da vida sobre os pobres desvalidos do mundo lá fora (incluindo os criminosos, que há entre esses excluídos). 
O grupo que não está na elite das notas, é visto  – salvo exceções que não geram argumento suficientemente convincente para demover o outro grupo da questão meritória que agora abraçam – como "esse povo que não se esforçou o suficiente para conquistar boas notas" e que agora precisa "se virar pra sair do atoleiro", porque eles, a elite, que está por cima da carne seca, não abrirá mão das suas conquistas tão arduamente alcançadas – o que aqui, sinceramente, não acho que esteja errado, pra ser sincera.
Eu, assistindo a tudo, com um desejo quase incontrolável de gargalhar, não resisto à perigosa tentação de dizer: "É por isso que eu adoro o capitalismo!  Não saberia viver noutro regime, que não esse!"
Prefiro ser uma capitalista honesta, sincera, do que um pseudo-esquerdista hipócrita que xinga os outros de "coxinhas" nos manifestos vermelhos, mas, na hora que alguém mexe no seu queijo, vocifera por suas meritórias aquisições!
Sim, gosto de viver no capitalismo! Quando eu me ferrar, estejam certos, vou me ferrar sozinha. O que posso compartilhar de bom, fazê-lo-ei.  O que me ferra eu seguro as pontas sem levar os outros junto comigo. Mérito na veia! Nunca tive grandes coisas na vida, sempre trabalhei muito, mas nunca me coloquei em posição vitimista, nunca disse que era escrava de ninguém, nunca me permiti viver mendigando a piedade alheia, nem cuspindo no prato em que como – porque como com o suor do meu trabalho.  
Por que reclamaria do capitalismo?
Ah! Quanto à minha nota, eu estava naquele grupo de pobres de desempenho. Não tão miserável assim, mas um pouco abaixo da média, afinal. 
Entretanto, se me perguntassem se eu achava que a regra de 3, que baixaria o peso da avaliação de 30 para 20 pontos, deveria ser aplicada para me salvar, eu responderia que não. Preferiria me virar depois pra tentar reverter meu B.O. pessoal, do que afundar os que estão bem. 
Acho que não seria justo que, no meu afogamento (justíssimo, porque estou entre os negligentes!), eu levasse para o fundo do mar aqueles que já estavam seguros em suas canoas.  
Por isso, lembrem-se: sou capitalista!
No entanto, se eu estivesse na elite das notas, e mesmo sendo declaradamente capitalista, gostando da ideia do mérito, da conquista suada, eu até que abriria mão da minha média confortável já alcançada, sim, em nome do coletivo. Porque – apesar do meu capitalismo declarado – veria as coisas de um modo um pouco diferente: ao contrário do argumento que usaram dos negligentes, e que me chamou muito a atenção porque muitos dos que utilizaram-no ou endossaram-no costumam declarar-se esquerdas na veia, vejo claramente que, apesar de alguns alunos não terem se esforçado tanto quanto deveriam ou poderiam, a grande maioria dos que tiraram notas baixas estudaram muito. Eu vi isso. E eles tiveram dificuldades naturais, por motivos diversos, não porque tivessem sido negligentes! Penso, seguramente, que estes justificariam os outros. Abriria mão do conforto e da segurança, sim, em nome do coletivo, porque sei quantos se esforçaram e não conseguiram alcançar a meta. 
Mas, não esqueçam: sou capitalista!

EmmyLibra
Oct 7, 2016 - 12:29 p.m.

Tuesday, September 06, 2016

Eclipse

Uma bela manhã de sol,
a pessoa acorda com
um pouco mais de coragem
e um pouco menos de escrúpulos.
Isso é muito grave!
Decisões importantes são tomadas
quando esse eclipse acontece...

EmmyLibra
Sep 6, 2016 - 8:20 a.m.

Wednesday, June 01, 2016

Mimimi


Estamos na era do "mimimi". Viver em sociedade nunca foi tão chato! =(


E eu, que sempre disse "jamais desisto do ser humano", muitas vezes envergonho-me de fazer parte dessa classe de animais. O ser humano desses tempos atuais anda muito pobre de si mesmo, muito cheio de inutilidades, futilidades, sorve valores alheios como quem sorve café morno de manhã. Impregna-se de ideologias, escraviza-se, deixa de pensar pela própria cabeça para seguir a manada, esteja ela indo aonde quer que esteja, sem sequer questionar o seu destino final - se é que há um... 

Acho que nunca involuímos antes. Hoje, no entanto, assisto a humanidade declinar do sagrado direito de caminhar para a frente, e anda em "marcha a ré". 

Vejo pessoas estagnadas e outras regredindo, vejo valores se perdendo em meio a discursos inflamados, persuasivos, proferidos pelas poucas - e perversas - cabeças pensantes que ainda restam, e que ocupam lugares de destaque, não em busca de melhorar o mundo à sua volta, mas de ter maior raio de domínio sobre os tolos que se permitem hipnotizar pelo seu eloquente discurso do "politicamente correto" que, à prova dos nove, só nos corrompe e nos cega, não nos torna melhores.

O ser humano já foi bárbaro, bruto. Entrou numa era de intelectualidade que o fez ver as normas sociais como um bem, uma conquista. Viver com o outro já não se baseava em violências cegas e gratuitas, nem em complacências e submissões irracionais. Poderia pensar antes de agir. E caminhava para esse padrão de comportamento, quando parece ter saído de sua rota e entrado em tortuosos caminhos de egoísmo e medo.

Ao invés de alimentar o desejo de saber, ao invés de refinar os convívios, ao invés de melhorar o acesso às justas formas de resolver conflitos, nossos contemporâneos preferem o retorno à barbárie, talvez porque ela dá audiência na tv, quinze minutos de (má) fama - que importa? Ela vende jornalecos vagabundos de linguagem chula, que, se não respeita nem a gramática, por que respeitaria os leitores? 

A humanidade hoje prefere acomodar-se e esperar que alguém lhe dê respostas prontas, sem medir que respostas prontas nem sempre nos levam à verdade, mas geralmente ao desejo do outro de que jamais cheguemos a ela e continuemos pequenos, cerceados, limitados, pobres. As pessoas preferem choramingar vitimismos, ao invés de assumir a responsabilidade sobre os próprios atos e andar de cabeça erguida, sobre os saltos altos da autonomia. Acham caro ir buscar o que lhes falta, acham cansativo. Ficam de boca aberta, esperando que caia do céu algum manjar que lhes alimente. Caem as migalhas das informações que os grandes nos permitem acessar e achamos que estamos "muito bem, obrigado", porque pensar pela própria cabeça exige esforço. Engolimos tudo como verdade.

Uma pena, tudo isso.

Estávamos, algumas décadas atrás, inclinados a encontrar meios justos de se coibir o mal. Hoje o praticamos sob o aplauso dos poderosos que casam suas altas apostas em câmbios que desconhecemos, sobre quanto tempo ainda nos resta antes que nos tornemos os zumbis disformes que eles desejam, para obterem total domínio sobre nossas vulneráveis mentes.  
Enquanto digladiamos, uns contra os outros, repetindo as palavras e jargões fast-food que nos deram para engolir nos seus discursos hipnóticos, eles nos assistem do alto de seus pedestais de poder, rindo da nossa ingenuidade e preguiça intelectual.

Humanidade. Palavra bonita, não é mesmo? Infelizmente, tem horas que eu nem a reconheço em muitas pessoas. Porque ser um Ser Humano, na raiz da palavra, é ser bem mais do que essa onda de marias-vão-com-as-outras que assistimos. Mas, isso é muito grave! Não reconhecer traços de humanidade em alguém é muito grave e triste...

Como diria Bauman numa hora dessas, eu mesma perco minha humanidade quando não enxergo a do outro que passa por mim. Me "coisifico". Me torno algo. E algos são sempre passíveis de obsolescência, de descarte, de ser lixo.

Nunca estive tão próxima de ser ninguém, como agora. Nunca me senti tão disconforme com o meio, como agora. Nunca estive tão à beira do abismo da indiferença, como agora.

Só que não consigo pedir desculpas pela ojeriza que sinto, pelo desprezo que me despertam as pessoas de alma pequena, vitimistas, fracas, escravas. Sinto verdadeira repulsa por elas!

Se chamarmos isso de pecado, estou convicta de que o mimimi que está na moda ainda me levará ao inferno!

EmmyLibra

Jun 1st, 2016 - 11:41 a.m.

Wednesday, December 30, 2015

Amigo

Amigo, de verdade, mesmo, em dias ensolarados sai conosco para pescar e fazer pic-nic. Mas, se o tempo fecha, ele rasga o céu de tempestade com as próprias mãos e traz de volta para nossa vida um lindo raio de sol.
Amigo, de verdade, mesmo,  não nos deixa estagnar em vitimismo, nem passa a mão em nossa cabeça quando erramos. Ao contrário, alimenta-nos de esperança e responsabilidade; fortalece nossa autoestima, mas sem esquecer de podar em nós as ervas daninhas do orgulho e do egoísmo; nos dá asas quando queremos voar, mas nos alerta sempre quanto aos perigos que assumimos, quanto mais alto decidamos ir.
Amigo, de verdade, mesmo, é aquela pessoa que, ainda que esteja a milhares de qiilômetros de nós, dá-nos sempre a sensação de que está segurando nossas mãos, olhando nossos olhos e dizendo: "Estou com você. Não vou lhe deixar à deriva".
E confiamos, porque sentimos que o seu abraço, a sua voz e o seu riso são, para cada momento, sinônimo de companhia, abrigo ou bálsamo, conforme nossa necessidade se configure.

EmmyLibra
Dec 30, 2015 - 7:40 a.m.

Saturday, September 26, 2015

Tua grandeza II

Deixa-me contemplar tua grandeza, um pouco mais.
Deixa-me amar-te uma vez mais, antes que o sol se ponha
E faça-se noite para mim.

Mas, cuida de ser quem és quando estou perto.
Cuida de ser quem és em cada gota da tua essência!
Não me decepciona com gentilezas 
Nem com sutilezas sociais!

Cuida de manter vivas tuas virtudes,
- Aquelas que atraem meus olhares.
Tua força, tua altivez, teu senso de justiça e tua liberdade.
Também teu sorriso, tão raro de se ver...

Acima de tudo, mantém tua aguçada inteligência e perspicácia.
Tua dureza solene, aguda, cortante.
Tua doçura precisa - surpreendentemente compreensiva!

Deixa-me agora guardar, reter em mim
Tuas tantas faces, todas tão lindas...
Tão fascinantes!

Deixa que eu te guarde em mim,
Naquele abraço morno e ingênuo
Que jamais suspeitaria as súbitas despedidas!

Deixa-me ir, enfim, contigo... um pouco que seja.
Porque, ao partir,
Não precisarei olhar para trás para ver-te.
Levo-te comigo, de algum modo estranhamente íntimo,
Como quem, sem conhecer-te, sabe de ti o suficiente
E sem saber-te, conhece-te o bastante em si,
Impregnado em si.
No eco da tua voz em si.

Deixa-me ir.  Está ficando tarde, logo a noite cairá.

Mas, agora, ao por do sol,
Enquanto falsas chamas incendeiam as nuvens
Enrubescendo o horizonte,
Ainda há tempo para contemplar tua grandeza uma vez mais
E amar tuas virtudes, tuas palavras, teus saberes,
Beber lembranças, embriagar-me de possibilidades de vida
- Ao ocaso, que contradição!

Que bom que posso levar-te comigo, deixando-te ainda
Neste longo dia de ser, que se prolongará sobre a Terra
Aos homens santos que se agarram à vida.

Não ficarei em ti nem em qualquer outro homem santo.
Não ficarei, sequer, na memória de mármore!

Levarei de mim a carne, o sangue, a alma, o nome.
Para um lugar tão distante
Que nem tua lembrança ao mencionar que um dia existi
Me alcançará.

Mesmo assim, voltei aqui
Para beber de ti um gole a mais, extraído de minhas memórias.

Paro, contemplo o céu em chamas e lanço-me
No abismo escuro de um adeus solene, 
Feito de abraços mornos, inocentes...

Não podias imaginar que, ao dizer-te “obrigada”,
Não era por nada que fizeste, em específico.
Agradeci por uma existência inteira!

EmmyLibra

Sep 26, 2015 – 4:33 p.m.



Tuesday, June 16, 2015

Colibri

A felicidade visitou-me
Feito um colibri

Beijou-me à testa
– Gentilmente
Abraçou-me com suas asas
– Demoradamente
Depois se foi
– Celeremente

Deixou de si em mim
Uma lembrança morna,
Um cheiro de penas
E uma saudade dorida.
Nada mais.

Foi-se embora como veio:
Na pressa das horas do ocaso
Que desembocam em noite
Sem pausas para sonhar

Agora, vivo a cultivar lírios,
Esperando que um dia volte,
Quer seja na pressa
De qualquer hora de ocaso
Quando a noite urge chegar,
Quer seja na pressa da aurora,
Quando as estrelas adormecem
E os sonhos transformam-se em dia.

Espero a tua  visita, mesmo breve,
Lesta felicidade-pássaro!
Espero o farfalhar de tuas penas
E o lépido beijo em minha fronte.

Dá-me de ti teu cheiro de ave
E faz no meu jardim, de lírios,
Um pequeno instante de pouso,
Uma pequena pausa – em mim
Para que eu possa sonhar.

EmmyLibra
Jun 16, 2015 7:30pm


Monday, May 18, 2015

Caruaru


Foto: Divulgação (acessada em: www.caruarucultural.blogspot.com)


Amo muito esse lugar. Mas fiz uma promessa dolorosa: não mais voltarei. 
Porque dói muito voltar...
Dói insuportavelmente pensar que na cidade que tanto amo e onde passei bons anos da minha juventude não mais está uma das pessoas mais importantes da minha vida: a minha mãe.
No dia em que me despedi dela, despedi-me também do morro Bom Jesus, do São João mais lindo e colorido do mundo, da feira, do ponto dos músicos, da catedral, da igreja da Conceição, dos bonecos de Vitalino, das bonecas de pano com vestidos de chita, das mariolas, pitombas... Despedi-me de tudo que fazia parte daquele universo particular que construí em torno da minha amada. Despedi-me do cheiro do seu café, do som do seu riso, das suas piadas e do seu olhar inteligente.
Despedi-me também de mim, em certa medida.
Porque todas essas coisas que me constituíam e que agora me faltam, guardam em si pedaços do que fui, da minha história.
Vivo agora com uma enorme lacuna no coração, um porém sem fim.
Nada nem ninguém poderia preencher este espaço ou mudar o que sinto.
E eu prefiro assim. 
Porque, no vazio imenso que se fez onde outrora estivera aquele universo particular em que eu vivia, eu passei a cultivar flores. E com elas hei de presentear minha amada, quando um dia o Criador nos permitir o reencontro.
='(

EmmyLibra
May 18, 2015 - 8:33 a.m.


Monday, February 23, 2015

Dia vazio

Mais um dia vazio

Na boca um gosto de nada;
No peito um rasgo profundo
Por onde a alma tenta escapar.

Uma hora dessas talvez ela saia
Ou morra de fome, de frio,
De solidão, mesmo.

Então, em seu lugar, 
Instalarei uma engrenagem qualquer
Que mantenha meus passos,
Meus atos,
Minha aparência humana.

Quem sabe até engane a mim mesma
E me faça crer que ainda haja vida em mim...

Emmylibra
Feb 23, 2015 - 6:46 p.m.

Wednesday, January 28, 2015

Ausência


Um dia
A vida esvazia-se de sentido,
De tal modo doloroso e definitivo,
Que não há mais desejo.
Nem mesmo de morte, nem de existir.
Só um buraco onde antes houvera alma,
Onde antes houvera sonho,
Onde antes houvera o próprio ser...

Ele mesmo, o ser, vira uma lacuna
No espaço, no tempo de existir.
Uma insignificância, um passado.
Torna-se o passado de si mesmo,
O que já não é,
Nem poderá mais ser.

Não é mais que a ausência de si mesmo...


EmmyLibra
Jan 28, 2015 – 7:39 p.m.