Wednesday, January 02, 2013

Ano Novo


[Antes da idéia, a eternidade de um pensamento anônimo, esquecido, vão. 
E eis que nasce o que pode ser útil!]

...Como se, no infinitesimal instante que nossa ilusão concebe,
Um infinitesimal instante que supostamente separa os anos
– O ano velho do ano novo, passado e futuro ali, o vivido e o esperado,
Pudéssemos todos existir em absoluta perfeição,
Em divindade.

Como se pudéssemos reunir,
Na suposta infinitude daquele instante
O que sonhamos, o que desejamos.

Então, mergulhamos nesse desejo, para fazê-lo real.

Como se congelássemos o atemporal (ilusão de instante)
Que está entre os tempos do passado e do futuro
Para nele vivermos – congelados!

Como se o inexistente instante entre os instantes
Que em nossa ilusão separa dois anos
Fosse real
E nele pudéssemos atingir todas as metas.

Pensamentos uníssonos de paz, amor, esperança, fazem-se nos homens.
(Oh! Seres propensos à ilusão!)
Mas, o que são a paz, o amor e a esperança?
Do que são feitos?
Que formas subjetivas há por trás de cada idéia
E por dentro de cada pensamento, de cada ser?
Que significam essas cousas,
Senão o que compreendemos delas, em nós, absolutamente,
Sem realmente ser algo que se defina
Em palavras, ou mesmo em consciência, compreensão, realidade?

Pensamentos uníssonos em quimeras
Que ganham nomes pomposos e romanescos
– Status de coisas boas!
(de verdades)

Pensamentos uníssonos
Na inutilidade e na futilidade de idéias
Que jamais deixarão de ser o que são – idéias
Para tornarem-se algo palpável ou rentável, real.

Pensamentos que se somam, multiplicam, compartilham,
Jogando fora a chance única e verdadeira
De um hiato de real consciência
Em que nos permitíssemos ser autênticos
Em que nos permitíssemos ser o que realmente somos: 
Mutações eternas, desordem, caos  – verdades incontestáveis!

Pensamentos que desperdiçam energias criadoras!

Pensamentos jogados fora na soleira do portal do ano novo,
Como todos os que lhe antecederam em todas as soleiras
De todos os portais
De todos os anos que um dia eram novos
E que da soleira dos seus portais para adiante já viraram velhos
E nos envelheceram,
Nos arrastaram,
Nos ceifaram o tempo
– Apesar dos pensamentos uníssonos a pedir
Pelo subjetivo e etéreo, como se palpável fosse.
E como se, ao ser pensado no infinitesimal instante
(irreal instante)
Que separa os anos
(que supostamente separa os tempos passado e futuro)
Pudéssemos fazê-lo de irreal em real
De fútil (e estúpido) sentimento
Em eternidade.

E nos agarramos ao (inexistente) instante que separa os instantes
Para nele construirmos felicidade,
Que nada mais é do que um conceito a mais,
Fugaz, fútil, inútil,
Mas que alimentamos em nós – dentro de nós,
Para que sobrevivam nossas almas 
Diante da ilusão (fecunda)
De que o divino se faz corpo
E permanece em nossa vida real,
Da soleira do ano novo para adiante.


EmmyLibra
Jan 02, 2013 - 12:46p.m.



Friday, December 28, 2012

Virtual X Real

O mundo virtual é apenas um acessório do mundo real 
e o que fazemos nesse mundo virtual deve ser apenas
uma extensão dos nossos atos da vida real. 

Jamais permita-se o contrário!

EmmyLibra
Dec 28, 2012 - 09:30 a.m.


Monday, December 17, 2012

Hipocrisia




"Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus. [...]
E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.
Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará."
Mateus 6:1,5-6


Antigamente, nas pequenas cidades – que eram quase a totalidade do que havia –, era comum as pessoas se reunirem nos finais de tarde, sentados à pracinha, para conversar, trocar experiências, ouvir conselhos dos mais velhos, cantar... Era hábito observar as crianças brincando no entorno da praça, ficar à toa, jogar cartas, mas, sobretudo, fazer amizades ali.
Hoje, os tempos são outros.  Não há mais tempo para a pracinha e,  mesmo as cidades que permanecem pequenas em relação às demais, cresceram muito!  Cresceram tanto, que não há mais distância entre uma e outra cidadela, entre um e outro arraial, entre um e outro país!  Estamos falando agora da internet, que amplia os horizontes das pessoas de tal modo, que esses horizontes muitas vezes se confundem.  E diminuem distâncias, fazendo com que o que está longe pareça perto.
Mas, em contrapartida, a internet criou outro tipo de distanciamento, que é aquele em que não conhecemos o outro, mas o que ele quer que pensemos que ele é.  Não sabemos quem está do outro lado, teclando conosco, porque a banda larga não é suficientemente larga pra transmitir as sensações, os cheiros, nem pra nos permitir certezas acerca da identidade do outro... Como a praça permitia.  
Então, trocamos a praça pelo Facebook, como ponto de encontro, com seu bate-papo, jogo on line... Nele trocamos abraços e beijos chamados virtuais,  tudo isso com abreviaturas, charminhos, emoticons.  E "fazemos amizades" ali.  
As distâncias de outrora eram percorridas a pé, a cavalo, a lombo de burro, carroça.  As de hoje são instantaneamente sanadas por um clique de mouse, uma webcam.
E nossos finais de tarde se prolongam pela noite adentro, varando madrugadas, se der vontade.  Insônias que outrora eram motivo pra um bom livro e um copo de leite morno com canela, agora viram pequenos recados na rede social.
Mas, voltando à praça... Muitos, no afã por aparência, usam o Facebook e outras redes como sua praça, fazendo tudo o que se fazia naqueles espaços públicos de outrora.  Inclusive o que não era recomendável nem ontem, nem hoje, nem nunca:  alardear suas preces, pra mostrar a todos que está orando, que está em comunhão com Deus (ou qualquer outra forma de adoração), ou dando esmolas ou entoando cânticos de louvor.
Isso poderia ser chamado de ridículo, apenas.  Bem poderia. 
Mas, não! Se é pra falar de Deus em praça pública, sejamos justos! Busquemos nas Suas palavras – que esses, a quem Jesus provavelmente chamaria de hipócritas, vivem pregando – um termo mais adequado pra chamar, ao invés de "ridículo".  Que tal... "reprovável"?
Ora, se vamos fazer da rede social uma praça, tomemos o cuidado de usar essa praça para o bate-papo, a troca de informações, o riso descontraído, a piada, a música.  A César o que é de César?  Ninguém deve ir à igreja para essas coisas, convenhamos.  Se vai, está errado do mesmo jeito.  Ou pior!
Então, a Deus o que é de Deus.  "Quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. [...] Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará."
Tem gente que esquece que há guerras acontecendo no mundo, criancinhas com câncer (adultos também!);  esquecem-se da AIDS, das misérias de toda sorte, da depressão, do suicídio, das pessoas que cuidam de seus entes queridos mutilados por acidentes de trânsito (pra não falar dos próprios acidentados!), das mortes prematuras de crianças vítimas de violências de toda sorte, dos medos e anseios que se aninham no seio da humanidade inteira!  Esquecem-se que todas essas coisas – e ainda outras tantas que não caberiam aqui nem seria necessário mencionar – pedem, urgem pelo olhar benevolente do Criador.  Essas necessidades REAIS, certamente são prioridades para o Pai.
Aí, talvez por falta do que fazer ou por pura autopromoção – que me perdoem a franqueza –, vão à praça (Facebook) para orar: "Senhor, abençoe isso e aquilo, proteja quem lê isso agora, minha casa, minha família, porquinhos da Índia... bla bla bla bla bla bla bla..."  
Gente do céu!  Quanta baboseira!
Esperam o quê?  Que Deus leia o Facebook?  Que ele curta seu post?  Que ele ATENDA suas preces? Ora, mas os hipócritas que oram em praça pública, onde todos podem assistir, "Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa"!  Na verdade, não queriam que Deus ouvisse, porque se o quisessem, e sendo sabedores das Escrituras – como dizem ser e até atacam os que não a conhecem – teriam "se fechado em seu quarto e orado em secreto, para que o Pai, que está em secreto, os recompensasse."
E aí, quando eu digo que prefiro não crer em nada produzido por mãos de homens, ou quando digo que sou simplesmente deísta, porque o mundo cristão é tudo, menos cristão, e não cabe no meu entendimento de Deus em sua essência, sou criticada veementemente!  Quase violentamente – pra ser mais exata!
É justo?!
Pois esses evangélicos que perambulam por aí, gritando suas preces em "praças públicas", criticando outras crenças e alardeando que estão salvos... Não sei, não!  Me fazem lembrar outro trecho muito eloquente do discurso de Jesus, quando ele dizia, por meio de uma parábola:

"Quando por alguém fores convidado às bodas, não te reclines no primeiro lugar; não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu; e vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o último lugar.
Mas, quando fores convidado, vai e reclina-te no último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante de todos os que estiverem contigo à mesa.  Porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado."
Lucas 14:8-11

E fica a pergunta:  quem abre a boca pra dizer que já está salvo... Será mesmo que está?
Das duas, uma:  ou não conhece o livro que chama de sagrado e que vive venerando, ou se faz de besta, pensando que Deus não lhe cobrará contas do que aprendeu ao longo dessa vida!
Mas isso é assunto pra um outro post, quem sabe numa outra ocasião, em que eu esteja um pouco menos ácida!
Por enquanto, prefiro reiterar que o Facebook ficou no lugar da praça, em que sentávamos nos finais de tarde para conversar, trocar experiências, ouvir conselhos dos mais velhos, cantar, observar as crianças brincando e fazer amizades.  
É bom que nos lembremos que lugar de orar é dentro do nosso quarto, com a porta fechada, e falando a Deus em secreto.  Não é gritando em praça, para que os outros assistam!  A menos que nosso interesse seja essa repulsiva autopromoção, o que nos tira o direito de esperar de Deus o que quer que estejamos pedindo, nem que ele aceite nossos agradecimentos, por mais lindamente escritos que estejam, nem qual moldura maravilhosa de flores e bichinhos tenhamos posto ao seu redor!
A essas coisas Jesus deu um nome:  hipocrisia.

EmmyLibra
Dec, 17, 2012 - 4:33p.m.

Friday, December 14, 2012

Onde Deus está




No dia em que as pessoas começarem a reconhecer isso, 
adeus, doenças da alma! Adeus, manipulação dos opressores! 
Adeus, medos! Adeus, tristezas, incertezas, dores... 
Elas terão encontrado o paraíso dentro dos próprios corações 
e pararão de buscá-lo em outros lugares, 
onde ele jamais poderia estar!


EmmyLibra
Dec. 14, 2012 - 10;18p.m.


*Imagem publicada no Facebook, sem créditos de autoria.


Saturday, December 08, 2012

Maria José da Conceição


Ainda pego o telefone pra ligar pra ela e contar meus sucessos, pedir conselhos nas dificuldades, chorar os problemas...
Mas ela não está do outro lado da linha há anos.
E há anos eu me pergunto todos os dias como vou suportar viver sem ela.
Mas a vida vai me dizendo que é assim mesmo, que eu preciso continuar e que agora sou eu a mãe que não pode faltar para o meu filho.
Então, eu tento guardar em mim tudo que posso: o amor que recebi dela e que me traz seu sorriso divertido, seu olhar miúdo e inteligente, sua fala sempre cheia de razão e sabedoria. E assim, sinto que de algum modo ela continua aqui, dentro de mim, em cada um dos meus sucessos, em cada momento de dificuldade e em cada lágrima. Comemora comigo, me aconselha, me acolhe.
E acho que será sempre assim. Para sempre assim... Minha mãe.


EmmyLibra
Dec 8, 2012 - 5:13 p.m.

Sunday, December 02, 2012

Réveillon hoje

...E mais um dezembro aí está.  E todos aqueles que no réveillon vestem branco, pedem paz e dizem que querem mudar de vida, poderão refazer os votos de felicidade e estourar o espumante, daqui a poucos dias.
Se você é desses que querem mudanças, eu tenho uma informação bombástica para você:  eu sinto muito, você vai continuar querendo!
Quem apenas quer, não vai mudar. Nunca.  Porque querer já lhe basta!  
Quem muda, simplesmente muda.  Nunca fica na mesmice, nunca aceita que a vida o arraste como o rio arrasta folhas secas.  Muda, porque a mudança, a transformação faz parte de si.  Muda todos os dias do ano, todos os dias da vida, todos os dias que são dias, com nascer e pôr de sol ou com chuva caindo ou com nuvens no céu.  Simplesmente muda.
Quem é de de progresso, de evolução, não precisa querer mudar.  A evolução é uma constante em todos os seus atos e momentos.
Você ainda quer mudar?  Pois vai continuar querendo...
Então, não queira!  Não espere o ano novo para promover transformações e para buscar progresso e evolução. Simplesmente evolua.  Hoje, agora, já!
Quem espera "que o ano novo seja repleto de felicidade", atrela a própria vida a um futuro que jamais se transformará em presente, pois a partir do primeiro instante do que se chama "ano novo", há sempre o envelhecer desse ano, com todos os mesmos dias do ano velho e os mesmos velhos planos que se repetem e se repetem e se repetem... Sem jamais sair do projeto de felicidade.
Querer é não ter, não ser, não poder.  
Não queira. Simplesmente tenha, seja, faça, ouse, mude, transforme, viva!
E assim, não precisa dizer: "Feliz ano novo".  
Diga:  "Feliz HOJE novo!" – todos os dias!

EmmyLibra
Dec 2nd, 2012 - 11:25p.m.

Saturday, December 01, 2012

Uma solidão


Tem horas que a vida parece que está acabando... 
Tem horas que está, mesmo. 
E tem horas ainda piores: em que gostaríamos que estivesse.  
Há momentos em que eu consigo me sentir das três maneiras, 
– De uma só vez! 
É um pedaço de mim se diluindo e escorrendo no solo árido da solidão...
Uma solidão dorida e profunda, 
(do teu exato tamanho)
Que nem todas as outras pessoas do mundo, juntas, em torno de mim, suplantariam...  

Fica comigo por um segundo. Apenas um segundo... 
E eu desejarei a vida como outrora desejei.  
E, quem sabe, ela resolva não se acabar assim, 
Escoando pela terra árida de uma solidão que só eu sei o que significa...

EmmyLibra
Dec 1st, 2012 - 10:04p.m.


Thursday, October 04, 2012

Prisma


Sabemos que matéria é energia condensada. Foi Albert Einstein quem disso isso primeiro?  Não importa.  Importa que, partindo desse princípio, podemos pensar:  o que seria, então, nosso corpo, senão uma concentração de energia a reunir-se em cada partícula sua, formando um todo perfeito, funcional?

Assim também, o nosso espírito.  Somos seres divinos, isso está em vários ensinos religiosos, inclusive no cristianismo, quando Jesus disse "Vós sois deuses"(João 10:34). Queria ele, acaso, dizer com isso que seríamos equiparados a Deus?  Não, acho que não.  Queria ele, na verdade, dizer que somos individualidades com energias provindas do Criador, que nos fez – e aí entra novamente a Bíblia – "...à sua imagem e semelhança."(Genesis 1:26)

Sermos "deuses" nos faz imensamente responsáveis!  Somos capazes de criar, então. Somos capazes de gerar vida – ou morte – através dos nossos verbos e do nosso desejo.  "No princípio era o Verbo, [...] e o Verbo era Deus. [...]  Todas as coisas foram feitas por intermédio dele..." (João 1:1,3)

Nosso espírito – energia –, somado ao nosso corpo – condensação de energia – é de uma potência imensurável, capaz de gerar ou destruir com tamanha facilidade quanto o Criador nos teria "soprado a vida pelas narinas"!(Gênesis 2:7) 
O universo inteiro também tem nossas propriedades, nossa composição. Se observarmos o nascimento de uma estrela, veremos energia a se mover e a criar; se observarmos nosso próprio planeta Terra, veremos que nele todos os seres interagem de forma equilibrada, fazendo moverem-se as energias que há em cada um, produzindo vida o tempo inteiro.  Somos parte desse planeta, parte do universo, interagimos com o ambiente à nossa volta, que interage com ambientes do entorno, que interagem com ambientes em escala maior, até atingir o infinito.

O universo recebe de cada movimento nosso a propagação de energia. E reage a essa energia, colorindo-se com ela.  Modificamos o mundo a cada respirar, a cada movimento que fazemos, por mais banal que pareça.  Um adeus numa estação faz oscilar o ar à nossa volta, e essa corrente suave de vento que geramos vai passando a fazer parte do universo em suas formas, naquele instante.

A influência do nosso espírito também causa movimentos universais. Toda a criação de Deus tem em si uma alma, um espírito, que lhe anima.  O universo assim também o é, animado por uma energia espiritual.  E o influenciamos com nossos sentimentos, que são emanações permanentes do nosso espírito.

É bom lembrarmos que, em matéria, nossa energia está condensada, reunida em um único ponto, que se solidifica diante dos nossos sentidos carnais.  Em espírito, não.  Somos infinitamente capazes de propagar energias, expandindo nossos pensamentos e intenções em torno de nós, e em escala a todo o pensamento universal.  Somos capazes de modificar o imaterial com nossas energias espirituais, tanto quanto somos capazes de modificar nosso mundo material com nossas atitudes palpáveis.

O planeta Terra nos demonstra, a todo momento, a força das leis universais.  Aqui vemos um corpo caindo, e a lei da gravidade se provando; ali vemos uma planta germinando, e a lei de transformação contínua se provando; acolá temos uma geleira derretendo e a lei de retorno nos dizendo que é a colheita da nossa imprudência ao longo dos séculos de doentia modernidade, em que só pensamos em posses e poderes, esquecendo-nos de cuidar da nossa casa-Terra.  O equilíbrio do universo a providenciar a vida material e a extinção dela nos momentos oportunos é a prova de que somos parte dele, interagimos o tempo todo, não apenas material, mas espiritualmente também.

Um dos assuntos que a física teoriza a respeito, são as propriedades da luz.  Como a conhecemos, segundo estudiosos do assunto, a luz seria reunião de todas as cores, e podemos extraí-las ou "desmembrá-las", fazendo com que incida sobre uma das faces de um prisma. Este, por consequência, separará as cores, funcionando como um filtro e nos dando a oportunidade de utilizar essas partes individualmente, extraindo de cada uma delas uma utilidade.  São energias de intensidades e frequências diferentes.

É pela presença da luz que a planta realiza a fotossíntese, para uma melhor interação com o ambiente que a cerca; é pela presença da luz que nossa glândula pineal sincroniza nosso relógio interno, nos dando condições de programar nossos atos para nossa sobrevivência material.  Desde o vegetal até o homem, todos os seres vivos têm em si alguma relação com a luz. Mesmo os que vivem nas profundezas da terra ou do mar, sobre quem a luz material não incide diretamente, muitas vezes dependem dela, já que se alimentam de partículas que interagem com o que há na superfície.

A luz de Deus, assim como a luz material, que nossos olhos físicos captam, também é composta de cores.  Cores estas que não somos capazes de perceber com nosso aparelho físico de percepção, nossos sentidos.  Não podemos captar com a matéria o que é espiritual, isso é fato!  Mas podemos, com nosso espírito, enxergar a luz com que o Criador nos ilumina espiritualmente, obtendo delas cada elemento necessário para alimentar nossas esperanças, nossos mais profundos sentimentos e emoções.

Para isso, porém, é preciso que sejamos prisma. É necessário que filtremos a luz divina de modo a refletirmos, uns nos outros, suas propriedades, dando-nos mutuamente as condições necessárias para que nossos espíritos nutram-se daquilo que lhes falta.

Assim como o prisma material, utilizado pelos cientistas para a divisão da luz em sete cores, também nós, como prismas espirituais, precisamos estar limpos o bastante para não interferirmos nesse reflexo.  Se o prisma estiver sujo, opaco, manchado, será um obstáculo à luz, e esta não refletirá suas cores.  Se não estivermos translúcidos, também nós seremos obstáculos à luz divina, e ela encontrará resistência ao tentar propagar-se aos que nos cercam.

Somos co-criadores no universo.  Somos deuses, não podemos esquecer!  Somos responsáveis por nós mesmos e uns pelos outros. Somos capazes de criar e de destruir, pelas nossas intenções.  Propagamos nossos sentimentos ao universo, marcando-o benéfica ou maleficamente.

A luz que nos beneficia materialmente, composta de sete cores, pode ser mais bem compreendida quando separada em cada uma de suas partes.  Da mesma forma está para nosso espírito a luz divina: só a compreenderemos quando formos capazes de desmembrá-la em cada uma de suas cores, diante dos olhos da nossa alma.

Egoísmo, orgulho, vaidade, arrogância, inveja, ódio, mágoa, violência, são nódoas sobre nosso espírito, embaçando-o e fazendo com que a luz divina não o atravesse. São bloqueios para a luz.  Quando nos livramos dessas impurezas, então começamos a limpar nossa superfície, e nos tornamos translúcidos o bastante para que o outro compreenda Deus em sua bondade e em seu amor.

Até então, a luz está chegando para todos, indistintamente. As bênçãos estão se derramando em partículas que se espalham sobre nós o tempo inteiro. Mas poucos de nós nos beneficiamos integralmente dela, porque nossa crosta está tão densa com essas sujeiras espirituais, que somos incapazes de absorver sua energia. Propagar, então, é bem difícil, nessas circunstâncias.

O trabalho de limpeza da alma é tão árduo, quão densa é a camada de sujeira que temos que remover para que a luz possa novamente nos penetrar.  Precisa sacrifícios, para ficarmos definitivamente limpos, cristalinos.

Mas há um "detergente" natural em nós, capaz de dissolver todas essas impurezas, devolvendo-nos a transparência:  o Amor.

Quando amamos, não podemos guardar em nós qualquer sentimento que nos faça desmerecer o ser amado!

No livro "O Dom Supremo", Henry Drummond nos alerta sobre o Amor como sendo a única maneira de respeitarmos os mandamentos divinos, ou seja, as leis universais.  Diz-nos ele que somos incapazes de descumprir nosso compromisso com a perfeição, se simplesmente amarmo-nos uns aos outros e a nós mesmos também – condensação dos mandamentos divinos, segundo Jesus Cristo (Mateus 22:39), e mencionado em muitas outras orientações religiosas. 

Somos incapazes de ferir o outro, quando o amamos.  Somos incapazes de vestirmo-nos de arrogância, orgulho ou prepotência, porque isso nos afastaria do ser amado ou o esmagaria sob o peso desses sentimentos ruins.  Somos incapazes de vaidades e egoísmo, e jamais teremos inveja nem guardaremos mágoa daqueles que nos são caros!  Não conseguiremos violar os direitos dos outros, nem sua integridade física ou moral, porque, se os amamos, queremos sua felicidade!  E, se nos amamos a nós mesmos, também não nos submeteremos a dores ou a infelicidades. Ao contrário, buscaremos o tempo todo viver em harmonia com o universo.

Sejamos, então, prismas límpidos, transparentes. Sejamos cristais lapidados e simétricos,  busquemos nossa perfeição em todos os sentidos, para que Deus se manifeste entre nós, dando-nos a chance de conhecê-Lo e compreendê-Lo. Sejamos, em Suas mãos, instrumento de propagação da Sua luz e do Seu Amor.


EmmyLibra
Aug 6th, 2012 - 9:22 a. m.

Monday, October 01, 2012

O dobro


Imagine que a vida é um cômodo
Dividido ao meio por uma parede, 
E, nessa parede, uma porta fechada a chave... 

Então, eu passo muito tempo num dos lados desse cômodo, 
Sem saber o que há no outro lado,
Até que alguém aparece com uma chave mestra
E abre a porta, 
Me mostrando o que eu desconhecia. 

Daí em diante, eu fico com o dobro do espaço pra viver,
Com o dobro do ar pra respirar,
E o dobro da vida...

Você é a pessoa com a chave mestra!
(e eu nunca havia agradecido por isso)

Depois de você, 
Minha expansão é tamanha, 
Que eu não tenho mais como voltar às medidas 
Pequenas e limitadas de antes.  

Depois de você, eu não sou mais a mesma.  
Passei pela porta.
Posso circular!



EmmyLibra
Oct 1st, 2012 - 10:15p.m.


À minha linda flor, meu sincero agradecimento por girar a chave mestra e me presentear com uma metade de mim mesma que eu desconhecia, e que hoje me faz ver o mundo com olhos mais generosos.
Obrigada por transformar minha vida em duas, 
me dando uma segunda chance que eu não supunha merecer.
Um beijo!



Tuesday, September 11, 2012

Lacuna

Eu brigo comigo mesma
Digo que você não está mais aqui,
Que você não há,
Que nem há outras flores...

Mas aí você aparece no meio da noite
E aconchega-se no meu sonho,
Me deslumbrando, me desnorteando.
E acordo em suores,
Mergulhada num insuportável vazio.

Quero a paz do antes de haver você
Ou o turbilhão de haver-me em sua carne.
Mas não quero as reticentes esperas
Que não findam quando finda o dia,
Quando finda a semana, o mês,
O ano...

O pior da sua ausência
–  O que me faz querer desistir de tudo,
Até do próprio amor,
É o inconsistente futuro
Que se desenha para mim,
Para nós.

O que me tortura
Não é a sua ausência em si mesma
Ou a saudade, nem o vazio como vazio:
É a desesperança de que algum dia
Desapareça essa lacuna que há agora,
Onde, decididamente,
Só poderia haver seu corpo.

EmmyLibra
Sep 6, 2012 - 2:14 p.m.


Saturday, September 01, 2012

Drogas

Escolho sentir genuinamente o que sou capaz de sentir, 
pouco ou muito. 
Drogas, a meu ver, tomariam meu lugar na cena, 
viveriam no meu lugar o que eu gostaria de viver. 
Não preciso delas.  Sou mais eu!

EmmyLibra
Sep 2nd, 2012 - 1:15 p.m.

Friday, August 24, 2012

Escravidão


Prefiro o tempo das correntes, chicotes e troncos.
A escravidão era mais honesta!  Nos dava o direito 
de saber nossa real condição de submissão, 
que era imposta pela força física e pela violência;
não se travestia de liberdade para nos subjugar 
pela força do métrico e cuidadoso discurso,
pregações de falsas alegrias e prosperidades,
como vemos hoje em dia, e ainda pior: 
com a nossa ingênua anuência.


EmmyLibra
August 24, 2012 - 10:35pm


Tuesday, August 07, 2012

Finitude

É assim que a vida se vai:  num instante.
E desmaterializa tudo o que sabíamos
Sobre o amor.
Desmaterializa o próprio amor,
Devolvendo -lhe sua essência:
Imaterial, incondicional,
Liberto do conceito sólido e restrito
De um corpo animado.

Vai-se a vida, num instante.
Fica o amor ao etéreo, 
Ao espiritual,
Que guarda em si
A eternidade.


EmmyLibra
Aug 7, 2012 - 8:25 a.m.


Para minha grande 
e inesquecível amiga
Maria (Marie).

Saudades...


Thursday, August 02, 2012

Extremos

Tem horas que morro de saudades.


Tem horas que penso 
Que seria tão mais simples se fizéssemos de conta que nada disso há... 


Tem horas que penso que está tudo errado!


Tem horas que penso que está tudo errado porque não deveria ter começado. 
Tem horas que penso que está tudo errado porque ainda nem começou. 
Tem horas que penso que deveria acabar de vez com tudo... 
Tem horas que penso que se não começar, posso até morrer!


Tem horas que sinto uma saudade imensa de tudo o que ainda nem vivemos. 
Tem horas que o gosto que paira sobre minha língua 
Tem a tua pele impregnada nele. 
Tem horas que o gosto que tenho é de vazio... 
Um vazio tão imenso quanto essa vastidão sem fim que nos separa.. 


Tem horas que penso que a vida é cruel e injusta, 
Porque te põe assim, tão distante de mim... 
Tem horas que penso que ela me preserva.  E também a ti.
Porque tem horas que penso que os mesmos "acasos" que nos trazem
Também, por vezes, nos levam embora,
Sem que jamais preenchamos as lacunas do desejo.


Tem horas que te quero muito.
Tem horas que te quero ainda mais...
Tem horas que me pergunto até onde meu coração conseguirá se arrastar
Em  busca de paz... A paz que esse sentimento louco me roubou
Desde a hora em que morri de amor para renascer em ti.


EmmyLibra
August 2nd, 2012 - 10:55 p.m.





Friday, June 29, 2012

Sobre Deus, homem e religião

Religião é uma impositiva forma de explicar o inexplicável.
Religioso é aquele que, diante da realidade, sente-se pequeno, frágil, impotente, então entrega-se ingenuamente à religião para que lhe dirija os passos, sem jamais sentir-se capaz de  tecer questionamentos, mesmo diante de absurdos. 
Quanto a Deus, não é nem está em nenhum desses dois lados: nem na religião, manipuladora e indecente, nem no seu seguidor que se acovarda diante da vida e não assume suas responsabilidades, seu livre-arbítrio, seus enganos, sua felicidade – fim a que se destina a vida, em suma.
Uma certeza:  Deus está acima dessas coisas mundanas!


EmmyLibra
Jun 29, 2012 - 7 a.m.


Sunday, June 10, 2012

Fôlego

Eu posso morrer de fome, de frio, de solidão. 
Posso morrer de uma tristeza tão dorida, que não me reste nada dessa vontade de vida que tenho agora.
Posso morrer numa praça, rodeada pelas cores das flores, ou num deserto, na caatinga, numa cela de prisão ou sob um viaduto. 
Posso morrer sob o céu estrelado da noite ou sob a chuva fina, ou sob uma tempestade – que seja!
Posso morrer num abismo, daqueles bem profundos, me jogando do precipício, num voo icário.
Posso morrer num leito morno e macio, com um prato de caldo verde fumegando e exalando seus vapores aromáticos numa mesinha ao meu lado.
Posso morrer num revés de sorte, por uma bala perdida, ou por uma espada afiada, separando-me da vida bruscamente.
Posso morrer doendo, sofrendo, agonizando, suando, chorando – lentamente.
Posso morrer num êxtase, num prazer tão intenso, que toda a minha vida se resuma nesse instante.
Posso morrer de tédio, de raiva, de desespero.
Posso findar meus dias num hospício, ou no mar, à deriva.
Posso morrer de amor... Tanto faz!  Eu só quero estar em mim mais do que estive em qualquer outro momento deste durante, que é a vida.
Não quero mesmo é morrer daquela morte que um dia alguém chamou de severina, em que se morre "de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia...”*
Quero estar lúcida, consciente, em meu instante derradeiro.
Quero sentir a brisa, se houver; ou as gotas de chuva, se houver; ou o sol me secando, se houver.
Mas, acima de tudo, quero morrer na hora certa, no tempo de morrer, nunca antes da hora, nunca antes do dia.
– Morrer de véspera, nem pensar!
Melhor:  quero morrer, se possível, no instante seguinte ao ideal.  Quero ter um instante a mais, um fôlego a mais, uma sinapse...
Quero um pensamento último, uma idéia que se cristalize em mim, quando eu me despedir.
– Quão maravilhoso é pensar!  Quanta vida guardada, quantas possibilidades numa boa idéia!
Se um instante a mais me for dado, e meu cérebro produzir um pensamento bom, desses que podem salvar o mundo do desespero e da rotina, ou uma idéia que preserve as baleias do oceano, um projeto inteiro num breve suspiro, então eu terei vivido uma vida a mais, inteirinha, naquele segundo eterno, em que o ponteiro do relógio se demore a mover.
Uma vida inteira ali, vivida de súbito, súbita como o abraço da morte...
Uma segunda vida, uma segunda chance.  Num breve instante – que importa?
Que me importa do que vou morrer, onde vou morrer, em que condições o anjo devastador me encontrará?
Desde que ele não se apresse, que me seja gentil, que traga em si a tolerância desse instante a mais de vida, a generosidade de me permitir uma idéia, um lampejo de luz que aclare minha fronte como um relâmpago, ou mesmo como o leve piscar de um vaga-lume, então eu abraçarei esse anjo sem reservas, sem queixas e sem remorsos, sem raivas nem temores, sem mágoas...
De que me importa do que será feito o meu momento final?  Quero todos os momentos que lhe precedem, um a um, sem poupanças, sem economias.  Todos.  Todos os momentos, precisamente.  Em cada dor ou alegria de que sejam feitos, quero-os todos!
São meus, os momentos, de mais ninguém.
Minha vida é minha.  E assim será, mesmo depois da morte, em cada mover dos ponteiros que se prolongue, guardando em seu percurso a minha história inteira.
Hoje eu sou.  Isso me basta.  Mas jamais me bastará, se meu último instante acontecer em qualquer momento anterior ao devido.  Ou se qualquer dos precedentes me for espoliado.
Posso morrer de amor, de dor, de fome, de frio, de solidão.  Posso morrer aqui, ali, num deserto ou num jardim, sob estrelas ou raios, sob o sol ou sob a chuva – Que importa?
Só preciso daquele tolerante instante a mais, que o anjo me dê.  E do pensamento, da sinapse lúcida e criativa, da boa idéia que salvaria o mundo, as baleias, uma lagartixa...
Quero um lampejo de vida final, para que toda a vida tenha não apenas valido a pena, mas duplicado-se a si mesma, dentro de um breve suspiro...

EmmyLibra
May 30, 2012 - 8:42 a.m.



* Citação extraída do texto Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.

Thursday, May 03, 2012

Eco

Talvez o meu olhar insistente venha a te incomodar...
Perdoa.

Talvez o meu sentimento um dia te alcance a pele e, roçando-a, te faça uma carícia leve...
Permite...

Talvez o meu pensamento te persiga tanto, que em meus sonhos eu te vá visitar...
Recebe-me sem censuras.

Talvez um dia eu descubra que todo esse sentimento que hoje me move não passava de ilusão...
Deixa-me partir.

Talvez essas palavras jamais encontrem eco em teu coração...
Mesmo assim, lê.

Quem sabe, um dia, elas sejam ao menos uma certeza tua de que alguém te dirigia olhares, te visitava em sonhos, guardava ilusões sobre tua existência. E aquele silêncio, típico do vácuo onde o amor não habita, possa ser quebrado pelo eco tardio dessas palavras...


EmmyLibra
May 3, 2013 - 12:14 p.m.

Transeunte

Ontem eu te amava.
Eras o objeto de veneração dos meus olhos,
O centro das minhas angústias, ao fazer-se ausente,
O centro das minhas convulsões e êxtases, quando em mim.

Hoje és anônima transeunte – talvez nada além disso.

Estarei eu vazia de ti?
Estarei eu livre da obsessão que me guiava
Sempre ao encontro dos teus passos?
Não.  Certamente que não.
Essa é uma pausa que a vida me pede
Para alimentar-se
E para que eu não te mate com meu abraço esmagador.

– É um proteger o ser amado de mim mesma
Que o meu coração providencia, vez em quando.

Mas, em verdade, é um pensamento egoísta a mais:
Se morreres em meu abraço, o que restará?
Morrerei eu também, no vazio que ficará dentro dele
Se te fores embora de mim para sempre,
Também minh'alma se irá de mim
E a vida se irá
E o desejo de viver também se ausentará
E todas as dores amorosas que justificam a vida,
E todos os suspiros que, enfim, me obrigam a respirar,
Mesmo quando daqueles momentos de tormenta 
Em que te afastas
E a vida perde todo o sentido...

Não te vai para sempre de mim, anjo de vida,
Para que do meu espírito atormentado
Não se aproxime o anjo da morte!

Não te vai de mim,
Mesmo que hoje – e apenas hoje, esteja certa!
Sejas apenas anônima transeunte a passar por mim...


EmmyLibra
May 3, 2012 - 7:26 a.m.