Wednesday, January 02, 2013

Ano Novo


[Antes da idéia, a eternidade de um pensamento anônimo, esquecido, vão. 
E eis que nasce o que pode ser útil!]

...Como se, no infinitesimal instante que nossa ilusão concebe,
Um infinitesimal instante que supostamente separa os anos
– O ano velho do ano novo, passado e futuro ali, o vivido e o esperado,
Pudéssemos todos existir em absoluta perfeição,
Em divindade.

Como se pudéssemos reunir,
Na suposta infinitude daquele instante
O que sonhamos, o que desejamos.

Então, mergulhamos nesse desejo, para fazê-lo real.

Como se congelássemos o atemporal (ilusão de instante)
Que está entre os tempos do passado e do futuro
Para nele vivermos – congelados!

Como se o inexistente instante entre os instantes
Que em nossa ilusão separa dois anos
Fosse real
E nele pudéssemos atingir todas as metas.

Pensamentos uníssonos de paz, amor, esperança, fazem-se nos homens.
(Oh! Seres propensos à ilusão!)
Mas, o que são a paz, o amor e a esperança?
Do que são feitos?
Que formas subjetivas há por trás de cada idéia
E por dentro de cada pensamento, de cada ser?
Que significam essas cousas,
Senão o que compreendemos delas, em nós, absolutamente,
Sem realmente ser algo que se defina
Em palavras, ou mesmo em consciência, compreensão, realidade?

Pensamentos uníssonos em quimeras
Que ganham nomes pomposos e romanescos
– Status de coisas boas!
(de verdades)

Pensamentos uníssonos
Na inutilidade e na futilidade de idéias
Que jamais deixarão de ser o que são – idéias
Para tornarem-se algo palpável ou rentável, real.

Pensamentos que se somam, multiplicam, compartilham,
Jogando fora a chance única e verdadeira
De um hiato de real consciência
Em que nos permitíssemos ser autênticos
Em que nos permitíssemos ser o que realmente somos: 
Mutações eternas, desordem, caos  – verdades incontestáveis!

Pensamentos que desperdiçam energias criadoras!

Pensamentos jogados fora na soleira do portal do ano novo,
Como todos os que lhe antecederam em todas as soleiras
De todos os portais
De todos os anos que um dia eram novos
E que da soleira dos seus portais para adiante já viraram velhos
E nos envelheceram,
Nos arrastaram,
Nos ceifaram o tempo
– Apesar dos pensamentos uníssonos a pedir
Pelo subjetivo e etéreo, como se palpável fosse.
E como se, ao ser pensado no infinitesimal instante
(irreal instante)
Que separa os anos
(que supostamente separa os tempos passado e futuro)
Pudéssemos fazê-lo de irreal em real
De fútil (e estúpido) sentimento
Em eternidade.

E nos agarramos ao (inexistente) instante que separa os instantes
Para nele construirmos felicidade,
Que nada mais é do que um conceito a mais,
Fugaz, fútil, inútil,
Mas que alimentamos em nós – dentro de nós,
Para que sobrevivam nossas almas 
Diante da ilusão (fecunda)
De que o divino se faz corpo
E permanece em nossa vida real,
Da soleira do ano novo para adiante.


EmmyLibra
Jan 02, 2013 - 12:46p.m.



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