Saturday, February 11, 2012

Fatto a mano



Vê? Eu desenhava!!
Foi feito em 1992.

EmmyLibra
 1992 

Um conselho?

Assuma seus riscos!
Inclusive o de encontrar com algum
ser humano em seu caminho.



EmmyLibra
Feb 10, 2012 - 10:45p.m.


Saturday, November 12, 2011

Poema Torpe


Quis fazer um poema
Torpe
Para descrever-te com palavras obscenas.
Mas a santidade de tuas formas me faz repudiar 
As palavras vulgares que descreveriam um ser mortal qualquer.

Há nobreza nos teus olhos, há paz no teu cheiro.
Mas há também tormentas mil sobre a tua tez. 

Almas se perdem
Para depois consumirem-se por remorsos tantos
Quantos são teus méritos e grandezas,
Só por tentarem dar-te um nome terreno.

Não tens um nome!
Não se pode chamar por palavras
A inefável forma do teu corpo,
Nem a profundidade dos teus verbos,
Menos ainda o sentimento arrebatador que por eles nasce
E que faz uma alma desolada cobiçar a eternidade – ao ver-te.

Não há batismo que substantive plenamente
O que, de tão pleno, não tem princípio nem fim.
– Como, pois, escrever um poema torpe
Para falar do que é sublime?

Revelo-me torpe inteira!

Só de escrever poemas endereçados a ti,
Já te feri a pureza, maculei tua imagem
E desmereci tua existência na minha.

Irrefletidas palavras!
(acabo de renunciar ao Paraíso, eis o poema!)

Palavra nenhuma tem singularidade que baste
Para elevar-me aos tronos do Céu,
Onde descansa tua essência.

Por mais que eu escolha verbos, frases, sentimentos,
Ainda assim, o meu poema é torpe demais
Para que se faça oferta
Nesse altar que erijo para ti.

EmmyLibra
Nov 11, 2011 - 2:15 p.m.

Friday, November 11, 2011

Inalcançável




Essa tua beleza estranha,
Indescritível,
Arrebata meus olhos,
Meu espírito, minha boca,
Me faz querer ter ou ser
Algo que me fizesse merecer-te,
Alcançar-te.

Por mais que eu estenda a mão,
Jamais poderei sentir
Qualquer coisa de mornidão
Ou de maciez,
Qualquer pelugem,
Qualquer humanidade...

–As pedras preciosas
São sempre tão frias, tão sólidas...

Assusta-me sentir paixão
Por um cristal, um diamante.
Mas, como sonhar-te
Ou ver-te,
Sem que minh'alma ajoelhe-se
Para contemplar-te?

Então, vivo de contemplação,
Meditando em tua beleza estranha,
Repousando em tua condição inumana,
Surreal.

E desejando, um dia, talvez o abraço da morte,
A alma que este corpo habita poderá libertar-se
Dos alforjes da razão e dos preconceitos tantos
Para sentir-se, enfim, pura
– Suficientemente pura
Para poder tocar-te.

Emmylibra
Nov 10, 2011 - 4:30 p.m.


Thursday, November 10, 2011

Confusão mental

     

Há tantas coisas morando dentro da minha cabeça,
Que está acontecendo uma superpopulação de idéias.
Elas começam a brigar, disputar espaço, buscar notoriedade.
Temo pelo momento em que comecem a ser canibais!
Já pensou?  Idéias engolindo idéias... Que loucura!

Eu vivo assim, no tumulto de tantas vozes gritando,
De tantos desejos, da ansiedade de viver
Não desse viver mais com que tantos sonham,
Mas de viver muito mais coisas ao mesmo tempo.
(Estar nos dois lados, ser múltipla!)

Se isso é insano? Eu nunca vou saber.
– Os loucos não sabem que são loucos, afinal.
Eles apenas sabem que são livres.

Sejam minhas idéias portas para a liberdade, então!
Mesmo que essa liberdade se confunda com insanidade
Diante das convenções nascidas
Das concretas ciências dos homens.
(Das concretas idéias dos homens!)

Abram-se portas! Derrubem-se muralhas!
Eu quero estar onde nunca estive antes:
Nos dois lados do existir.

Talvez, múltipla que eu venha a ser,
Possa dar conta de tantos pensares diferentes.
Processá-los, digeri-los, compreendê-los.
Compreender-me – quem sabe?
Compreender-me.
Para que minhas idéias não se tornem famintas
De espaço e de serem ouvidas.
Que não devorem-se umas às outras.

Entre a loucura e o vazio
Eu prefiro a loucura, com suas inúmeras possibilidades.
Antes a insanidade fértil
Do que a esterilidade doentia e submissa
De viver um padrão, 
Enquanto a vida tem tantas paredes a serem demolidas
E tantos outros ondes e quandos a serem visitados,
Com suas possíveis vivências, seus possíveis aprenderes,
Seus muitos amores,
Seus horizontes sem fim...

Quero estar nos dois lados.  Quero estar em muitos lados!
(Viajar no espaçotempo, cujas fronteiras a vista não alcança.)

Quero estar nos dois lados.  Quero estar em todos os lados!

Por enquanto, as idéias gritam.  É tudo o que sei.
Elas discutem sobre muitas coisas e me transformam por dentro.
Enquanto não começam a devorar-se,
Eu vivo – entre a confusão e o desejo
De ser.  – E de ser múltipla!
De estar onde talvez nunca tenha estado antes.
De visitar a loucura, às vezes
E colher flores em seus jardins.
– Na vastidão imensurável (e amorosa) dos seus jardins.

EmmyLibra
Nov 10, 2011 - 1:04 p.m.

Thursday, October 27, 2011

Ser integral


O importante não é o fato de ser mulher ou homem, 
preto ou branco, cristão ou muçulmano. 
Tudo isso é conceituação, nomenclatura, linguagem.
O que realmente faz diferença é ser indivíduo, 
ser alguém integral, sentir-se integral, sentir-se bem 
não como "algo" que se é, mas como pessoa.

EmmyLibra
Oct 26, 2011  - 11:30 a. m.




A problemática da discriminação não se resume ao fato de a pessoa ser mulher ou ser homem, ser homo ou heterossexual, nem da cor de sua pele, da religião que professa, enfim, de suas origens e escolhas.

Tudo isso é conceito.  É linguagem, nomenclatura.  E é, sobretudo, limitar, com esses conceitos, todo um conjunto de idéias e atitudes.  É tomar o efeito por causa.

O que realmente faz diferença na luta contra qualquer preconceito é cada pessoa se reconhecer como indivíduo, como ser integral. É sentir-se bem, não como mulher ou como homem; nem como gay ou heterossexual; nem como preto, branco, amarelo, índio; nem mesmo como membro de um clã, família ou clube; nem como nordestino ou sulista; tampouco como brasileiro ou estrangeiro. Nada disso faz diferença. O que realmente importa é sentir-se bem como PESSOA.  Ser pessoa.  Amar-se pessoa.  Amar-se.

Ser integral não impede o indivíduo de ter uma identidade que também faça parte de coletividades.  De modo nenhum!  Um eu isolado nem sequer se reconheceria, se individualizaria.

Uma pessoa em comunidade pode ser flexível para incorporar dos grupos aos quais se associa os valores que lhe fortalecem e lhe conferem sensação de segurança e estabilidade.  Mas, para isso, não precisa pertencer a esses grupos na raiz da palavra "pertencimento", ou seja, em seu sentido de propriedade, de tornar o ser humano um objeto, uma coisa.  Pode fazer parte, contribuir e assimilar do social o que lhe faz bem.  Mas não precisa enredar-se ao todo a tal ponto que não mais possa viver fora dele ou que venha a desconhecer-se, anular-se, homogeneizar-se a ele como ingrediente de um bolo!  Sobretudo porque, ao pensarmos que não somos autônomos o bastante para que nossa própria existência se justifique, na verdade temos a ilusão de que o todo é que sentirá nossa falta se o deixarmos, não se manterá de pé sem a nossa presença, sem nossa sustentação. Pensamos que o todo nos enxerga como pilastras nas quais ele se equilibra. E, definitivamente, nós não somos isso.  Nem deveríamos ser!

Como mudar o sentido que o mundo tomou e que nos levou a tantas desigualdades, tanta hostilidade?

Creio que, enquanto educarmos nossos filhos para serem funcionais – ou falando mais adequadamente ao século atual, para serem “multifuncionais” –, enquanto não concentrarmos nossas preocupações em torná-los HUMANOS, completos, sempre estaremos condenando as gerações futuras a serem facilmente alienáveis, manipuláveis, frágeis – como as atuais.  Sempre teremos pessoas subjugando pessoas, pensamentos escravizados, necessidades de clãs, agrupamentos que se baseiam em conceitos fúteis e que se solidarizam em nome de uma tal “segurança” oferecida pelas sociedades, clubes, família ou nação aos quais o sujeito se filia ou nos quais nasceu, e que não é tanto mais do que um “efeito placebo”, tranqüilizante para seus temores.  Falsa segurança contra perigos ilusórios, em suma.


E o que são os preconceitos, senão conceitos que 
alguém antes de mim pensou, converteu em discurso, 
reuniu em ideologias e com elas criou os clãs 
aos quais me agrego, sem questionamentos?


Formar pessoas integrais é formar pessoas capazes de raciocinar, racionalizar, serem mais críticas e menos vulneráveis (ou alienáveis).  Pessoas que até podem associar-se, "pertencer" a qualquer grupo social, porém limitando a própria participação e envolvimento a níveis logicamente ponderados, que não fragilizem a sua individualidade nem sejam capazes de arrastá-las a atos que vão de encontro às suas verdades e aos seus valores primários, apenas para que elas se adeqüem às ideologias seguidas pelo grupo. Que não as manipulem, afinal.

Formar pessoas integrais é, sem dúvida, o grande desafio da raça humana para combater os inúmeros problemas de ordem mental e emocional que, como larvas eclodindo em moscas, também se multiplicam em nossa sociedade, sendo causadores de traumas, temores, síndromes diversas, depressão, loucura.  Na verdade, o simples reconhecimento da necessidade de preparar a juventude para ser capaz de andar com as próprias pernas já é complicado para muitos pais e educadores.  Ainda estão muito arraigados em nós os métodos de ensino científico, cheios de teorias que, se não são inúteis, ao menos deveriam ser tratadas como secundárias ao próprio ser humano – como Ser Humano.  Estamos acostumados a mandar nossos filhos à escola para que eles venham a ter um bom emprego quando adultos. Não para que sejam felizes.

Preconceitos e violências seriam, então, eternos estigmas humanos, graças a todas as escolhas que foram feitas pelos que nos precederam?  Estaríamos predispostos a trocar a roupagem desses preconceitos, geração após geração, sem conseguir extirpá-los do nosso meio?

E se começássemos a repensar o preconceito, não como algo que nos afeta, mas algo que produzimos e reproduzimos de nós para nós mesmos?  E se parássemos de ocupar a posição de vítimas o tempo todo por sermos assim e não de outro jeito, ou por escolhermos esta e não outra forma de vida, esta e não aquela crença, esta e não aquela orientação sexual?  Se parássemos de buscar no outro as palavras que nos ferem e tentássemos OFERECER ao outro palavras nossas que lhe façam conquistar-se a si mesmo, ser também capaz de sentir amor próprio e de ser um todo, uma individualidade, ao invés de um composto estranho feito de partes de uma sociedade cheia de ilusões e desajustes?

Repensar o preconceito como responsabilidade nossa pode ser uma saída, uma solução. Pode até ser mais uma ideologia barata e inútil, uma idiotice.  Mas é, sem dúvida, uma experiência que nos faz mais fortes por dentro, menos suscetíveis a tropeços em insignificantes pedras que, invariavelmente, encontramos em nosso caminho.  Essas pedras são, incontáveis vezes, arranjos nossos, esquecimentos nossos.  São tentativas frustradas de erguer muralhas que nos protejam do outro, do olhar do outro, das opiniões do outro.  E que não se sustentam, por terem como base o movediço solo de nossas próprias idéias, que nada mais são do que o reflexo das idéias desse outro do qual tentamos nos proteger, e que por sua vez é um reflexo de outras tantas idéias frágeis e errôneas, como numa cadeia sem fim!

Preconceitos são muralhas entre os homens e precisam ser derribadas para que o ar circule novamente entre nós.

Precisamos ser unos, para conseguirmos ser células saudáveis a formar o tecido da sociedade.  Enquanto formos instáveis, desconfiados, arredios, violentos, sempre tentaremos enxergar no outro nossas próprias características e buscaremos suas aparentes diferenças para justificar nossa intrínseca intolerância.  
A vida em sociedade nos favorece aprender a conviver, no entanto nos permitimos os distanciamentos, as perseguições.  Ao perder nossa identidade, que é o que verdadeiramente nos faz perceber quão perfeitos somos – ou podemos ser –, também perdemos a condição de perceber no outro sua essência humana, sua perfeição. Reduzimo-lo a "algo", uma coisa qualquer, descartável.  E assim também nos tornamos objetos, partes, peças definitivamente assentadas numa máquina que, de tão pesada, já não consegue mais se mover, apenas range e se arrasta. 

Ontem era o preconceito racial, anteontem era o religioso, hoje é a violência entre gêneros e a homofobia, dentre tantos mais.  Amanhã...?

Amanhã, talvez tenhamos novas atenções e novos clãs, novas teorias e novas formas de discriminar, de subjugar e sermos subjugados.  Talvez.

Talvez não.  Talvez nada disso.  Quem sabe o sujeito integral, finalmente?  Por que não?

Aliás, como é mesmo aquele velho dito popular?  "O futuro a Deus pertence".

A Deus?!



EmmyLibra
Oct 27, 2011 - 7:00 p.m.

Sunday, September 25, 2011

...

Qualquer coisa que 
possa ser comprada 
vale menos do que eu.

EmmyLibra
Sep 25, 2011

Sunday, April 24, 2011

Quintais




Sonhos plantados em quintais,
Flores cujas pétalas o verão secou,
O outono levou
E o inverno fez esquecer

Tardes de calor que eram tão nossas
E, nas brincadeiras, um misto de amor
Mãos entre as mãos
E olhos no horizonte

Éramos donos de um castelo
Que eu construí para te fazer reinar
Na imaginação
Caminhando sobre nuvens de açúcar

Beijos não cabiam na infância
E o amor que era sonho entre as flores
Ficou para trás
Perdido nos quintais

Quero de volta a infância
De inocência, ilusão e desejos
Quero de volta os meus jardins
Quintais, verões e colibris

Quero aqueles banhos de chuva
E as promessas de viver para sempre ali
Ao lado teu
Mesmo caminhando sobre nuvens de açúcar

 EmmyLibra
Data incerta

Wednesday, April 20, 2011

Eu TAMBÉM acuso!

"EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu "tantos por cento"...
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno "terá direito" de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia".  
(Igor Pantuzza Wildmann, advogado, doutor em Direito e professor universitário)


Aplaudo a posição do Dr. Igor Pantuzza Wildmann.  Sou da mesma opinião que nossas escolas e universidades pecam pelo excesso de liberdade aos alunos. Aliás, liberdade não pode ser confundida com licenciosidade. A verdadeira autonomia se constrói com provas diárias de respeito às leis, ao próximo, a si mesmo. Atualmente, não podemos esperar do futuro senão uma grande tragédia, por conta do excesso de direitos que são concedidos sob a negligente desculpa de que a disciplina "traumatiza", de que quem erra é APENAS vítima.  Não digo que não é. Muitas vezes até é, mas jamais da disciplina ou das regras, mas da omissão das pessoas em praticá-las.   Há diferença entre um homicida que sofreu abuso sexual ou bullying na infância, e uma “Suzana” que tinha pais psiquiatras, teoricamente capacitados para perceber e avaliar comportamentos psicóticos ou psicopatas em seus pacientes, mas que foram incapazes de perceber nos filhos – mesmo convivendo sob o mesmo teto que eles e sendo seus formadores – que estavam produzindo seus próprios assassinos.  Uma pergunta para refletir:  será que foi excesso de palmadas que tornou esses jovens marginais?  Ou talvez a “psicologia” falhou?
Precisamos resgatar velhos e saudáveis costumes, devolver aos pais e professores a autoridade (não digo autoritarismo, que também é bem diferente); aprender a diferençar severidade de violência, reconstruir valores ético-morais que há muito vêm sendo banalizados e excluídos do nosso rol de prioridades na formação dos nossos jovens.
Sou de um tempo em que levávamos palmadas e éramos impelidos a estudar e também a executar pequenas tarefas cotidianas, para desenvolver nosso senso de responsabilidade e cooperação na família, na escola, na vida.  Crescíamos integrados e preparados para assumir responsabilidades, não temíamos olhar as pessoas nos olhos, apertar mãos com segurança e firmeza.  E éramos felizes.  E não morríamos nem ficávamos “traumatizados” por isso!
Hoje, vem um juiz da Vara da Infância me dizer que dar uma palmada no meu filho é crime e que posso perder a guarda dele.  E eu pergunto: – Para quem?  Para o Estado, que não tem capacidade para “educar” nem seus políticos, que ganham para desempenhar tarefas de liderança, mas vivem envolvendo-se em tramóias e corrupção de toda natureza?  Para o Estado, que não tem como educar os menores infratores que JÁ HÁ em nossa sociedade, aos milhares?  Para o Estado, que não tem capacidade de abrigar os milhões de penitenciários, nem de ressociabilizá-los, como promete nossa legislação?  Para o Estado, que é incapaz de criar leis que garantam aos pais o direito de disciplinar seus filhos, relegando esses jovens a um incerto futuro?  Para o Estado, que proíbe os familiares de internar seus adolescentes toxicômanos contra a vontade deles, e que deixa-os “escolherem e decidirem” o que é melhor para eles, quando estão à mercê das drogas, que, impiedosamente lhes tiram as escolhas e decisões, por serem impositivos químicos que anulam sua vontade?
Engraçado o Estado falar de liberdade e de violência, considerando a disciplina dos pais um ato de terrorismo, mas deixando às drogas e seus distribuidores as portas abertas para influenciarem e direcionarem nossas crianças!  Isso, então, não é violência?  Não deve ser combatido? Não devemos, pois, armarmo-nos de todos os recursos possíveis para não entregarmos nossos filhos nas mãos dos traficantes e de suas químicas venenosas?
A raça humana evoluiu em certos aspectos, mas ainda carece de velhos métodos para manter-se firme nos seus propósitos de crescimento.  O Direito nos concede e nos impõe condições para escolhas que outrora não tínhamos, mas ainda somos despreparados para usar esses recursos.  Ainda não temos evolução moral suficiente para compreender onde termina nossa condição de vítima e onde começa a de algoz.  Grande parte das pessoas diz conhecer as leis e tenta manipulá-las de modo a lhes favorecerem e lhes darem lucros e segurança, mas esquecem-se de que para cada direito corresponde um dever igual.  Se espero ser compensada por perdas materiais ou morais, pergunto-me antes:  qual contribuição material e moral estou dando à minha comunidade, às pessoas com as quais me relaciono?  Seria, mesmo, buscar direitos, ou abusar deles, gerando exagerados lucros sobre o outro, que em muitas situações nem é exatamente culpado pelos nossos tropeços, mas apenas participante passivo nas nossas aquisições e decisões?
Ainda estamos despreparados para a liberdade.  Ela é, em realidade,  para aqueles que têm consciência e que não pretendem, através dela, alcançar vultuosas vantagens, em detrimento dos direitos alheios.
Violência é espancar, subtrair, tiranizar, escravizar, cercear, encarcerar.  Não é exatamente isso que fazem os criminosos?
Pais e educadores precisam voltar a ser reguladores, disciplinadores, cobrar ordem e moral dos seus jovens.  Precisam reaver o direito de impor-se quando necessário, para melhor conduzir a infância e juventude a portos seguros. Precisam reaver o direito de dizer o que é certo ou errado; dar responsabilidades e ocupações para que os jovens profissionalizem-se e não se tornem dependentes e nulos no futuro; punir seus erros e premiar seus acertos, como se fazia antigamente, e que nos dava a dimensão real da vida – que nos oferta sempre a colheita inexorável do que plantamos.
Há uma enorme distância entre a palmada e o espancamento, entre disciplinar e cercear, entre ensinar e impor, entre dar obrigações e escravizar, entre proteger e encarcerar, entre ser austero e ser tirano, entre ser pai e ser criminoso.
Porém, talvez por descuido ou por vaidade – não sei –, temos visto tentativas inúteis de manter a aparência de civilidade e modernismo, que só tem servido para fabricar delinqüentes.  Vemos o crescimento dos índices de violência, mas não do alto para a base da pirâmide organizacional, como sugerem alguns defensores da excessiva liberdade.  Ao contrário, vemos filhos matando pais, alunos ameaçando e agredindo professores, traficantes ditando horário de abertura e fechamento de lojas, adolescentes depredando patrimônio público.  Vemos crianças mal saídas das fraldas gritando com os pais em shopping centeres e sendo consideradas “precoces e espontâneas”, quando na verdade são voluntariosas e rebeldes.
É uma total inversão de valores, onde os adultos, que deveriam ser considerados mais capazes de educar e conduzir, viram marionetes nas mãos de inexperientes e incapazes jovens, só para não “cercear sua liberdade de escolha” e para não “parecerem” violentos.
Somos imensamente responsáveis – pela nossa influência nas pessoas que nos cercam – por seus acertos e erros.  Somos co-participantes da história de vida uns dos outros.  Mas, se observamos a incumbência de sermos pais-educadores, temos que admitir que tiramos o direito dos educadores de serem pais em nossa ausência. 
Antigamente uma mãe levava o filho à escola e dizia: “Sua professora é sua mãe, enquanto você estiver na escola, porque ela se responsabiliza por sua segurança e por sua educação!”.  E tínhamos, mesmo, respeito aos mestres como aos pais.  Nada mudou, desde então, considerando-se quanto as crianças respeitam aos mestres em igualdade aos pais.  O que mudou, na verdade, foi que as crianças DEIXARAM DE TER RESPEITO PELOS PAIS, e isso é o que hoje é levado em pé de igualdade aos mestres e demais responsáveis por sua formação.
"Alunos-clientes" realmente virou um doentio modismo em nossa sociedade.  A proliferação das incapacitadas instituições de ensino também é vírus a se alastrar e contaminar as pessoas, pela facilidade em ser admitido nessas instituições e de concluir os cursos que elas oferecem, quase sem precisar fazer esforço.  Facilidade virou palavra-chave nas decisões:  não ter obrigação de freqüentar os cursos superiores, fazer tudo à distância, quando quer e como quer, também forma péssimos profissionais, habilitados apenas para marcar x em questões de múltipla escolha e totalmente despreparados para assumir posturas seguras e competentes diante de problemas reais.
Desvirtuam-se medidores de desempenho, as notas das avaliações viraram conceito secundário dentro das salas de aula.  Criam-se avaliadores gerais e estatísticos como o Enem, por exemplo,  para depois deturpar sua real aplicação. 
A propósito, alguém ainda lembra pra que finalidade o Enem foi desenvolvido? Era pra medir e comparar o desempenho dos jovens que saíam do Ensino Médio nas diversas regiões do país, identificando assim as carências de cada lugar, viabilizando aos governos Federal, estaduais e municipais um direcionamento mais coerente e útil aos recursos destinados à educação, priorizando as regiões e disciplinas onde houvesse maior carência de investimentos.  Mas, o que aconteceu foi uma desvirtuação do fim a que se propunha o projeto, transformando-o em substituto do vestibular e levando os jovens a freqüentarem cursos adicionais para obterem melhores notas, o que lhes abriria as portas para a vida universitária.  Resultado:  adeus, medição de desempenho e adeus direcionamento racional dos recursos públicos! Adeus, investimentos na educação!  Adeus, preparo e reciclagens dos professores onde houvesse carência!  – Porque não se tem mais como saber onde há carência, nem quanto ela mede.
Estamos passando por difíceis momentos em nosso país, por ainda alimentarmos ilusões de que tudo está bem e melhorando, de que existirem progressos reais.  Eles quase não existem.  
Seria o caso de perguntarmos aos ditadores dessas regras absurdas que hoje direcionam nossos atos e nos proíbem ter sobre nossos jovens o pulso firme e disciplinador de outrora, se o objetivo deles não seria, na verdade, criar pessoas menos intelectualizadas e mais incapazes de perceber que estão sendo vítimas de uma cúpula corrupta e mercenária, capaz de furtar-lhe sorrateiramente todas as condições de ter qualidade real de vida.  Seria o caso de interrogar os juízes de infância e adolescência se, ao ver nossos filhos tornando-se marginais, poderemos recorrer a eles e à sua psicologia para salvá-los.
Aplaudo o Dr. Igor.  Aplaudo-o de pé, de público, em minha humilde condição de mãe zelosa.  Desejo ao meu filho seja eu e o pai dele os únicos “tiranos violentos” que ele conheça na vida!  Porque o cuidado que tenho em ensiná-lo caminhos retos e dignos não me deixarão nenhum remorso ou culpa.  O que os nossos parlamentares designam habitualmente de violência e de ditatorialismo dos pais e educadores para com os infantes e adolescentes, eu posso chamar de tentativa de salvar algumas “espécimes humanas” das garras da criminalidade crescente.
Como eu disse anteriormente, sou do tempo em que levávamos palmadas e éramos educados para trabalhar e produzir.  E não éramos traumatizados nem violentados por isso.  Não deixávamos de brincar, de ser crianças quando era de ser, mas principal e decisivamente, não deixávamos de nos TORNAR ADULTOS, quando também era devido. 
Portanto, parabenizo o Dr. Wildmann por sua coerente redação e demonstração de caráter.  Espero ainda possamos resgatar nossos filhos da ignorância, da preguiça e, sobretudo, do excesso de liberdade para o qual eles não estão preparados – nem nós!

EmmyLibra
April 20, 2011  10:46am

Obs.:  veja o texto do Dr. Igor P. Wildmann na íntegra em:  http://www.diogenes.jex.com.br/opiniao/eu+acuso+-+igor+pantuzza+wildmann

Vale a pena conferir!


Sunday, February 13, 2011

Poema dos Erres >>>>> (trava-língua)

O rabo
Do Rato
Se arrasta
Na retaguarda.

Onde o rato vai
O rabo do rato vai atrás.

– O que restará
Do rabo do rato
Quando o rato
O arrastar
Sobre o ralo?

Roto e roído
Ficará o rabo,
Como raspas de chocolate
Quando esbarram
No rio de brasas
Do fogão da Rita.

Rói, rói, rói...
Quase ri, o rato.
Rita se irrita,
Arremessa o sapato,
Mas erra o rato,
Que sai correndo
Rápido
Rua afora.

E atrás do rato,
Como sempre, o rabo
Vai arrrrrrrrrrrrrrastando...

EmmyLibra
May 18, 2009 – 5:44p.m.

Friday, January 14, 2011

Pétala


Linda flor, sempre perfumada flor,
Seu cheiro é de alma, espírito de jardim,
Onde as borboletas gostam de voar
E de pousar...

EmmyLibra
jan 6, 2011 - 10:52 p.m.

Friday, November 26, 2010

Amando



O que uma pessoa não faz, estando apaixonada?

Ela se vê capaz de subir em muros íngremes – os que cria por dentro, e que a bloqueiam e cerceiam seus impulsos.  Ela os transpõe, como se nunca tivessem existido.

Cuida do outro, cuida de si.  Cuida da paixão, para que o brilho esteja sempre nos olhos. Até parece que lustra os olhos todas as manhãs, para que reflitam o sol, anunciando que o amor está lá dentro deles!

Apaixonada, uma pessoa se entrega, fica vulnerável, muda o jeito de andar, de pentear os cabelos, o jeito de sorrir – e sorri mais, daí por diante, porque o amor pede felicidade para não se tornar um fardo.

Quando está plena da paixão, a pessoa enxerga tudo em cores nunca antes percebidas.  E vê no outro o que espera, não necessariamente o que é real.  Pressupõe-se capaz de enlevar o ser amado, vê-se responsável por seus gestos, sente-se alvo de seus olhares, de seus desejos.  Tudo de bom que vem do outro é seu, e tudo de seu passa a ser bom, porque é sempre dádiva ao outro. 

Cada movimento seu tem uma sensualidade nova, cada palavra sua tem uma sonoridade apropriada, um cuidado para dizer o assunto besuntado nos óleos dos sentimentos.  Para que o outro, ao ver e ouvir, tenha a sensação de que há uma trilha sonora no fundo de cada sentença.

Ao permitir-se o enlevo, o apaixonado canaliza as sensações.  Perde um pouco os sentidos, fica meio fora de si.  Molha-se de chuva e acha aquilo maravilhoso!  Nem sente frio... Só um calor que vem do seu ventre, espalhando-se até os pontos mais extremos da sua aura, transbordando e inundando tudo à sua volta.  Porque o amor pede o conforto e, se não há, ele cria com sua energia.

O apaixonado sofre, espera, anseia, acaba com as unhas, cabelos, palavras... Faltam-lhe suprimentos, enquanto não se vê na companhia do ser amado.  Faltam-lhe argumentos para conter sua alma dentro do peito – quer voar!

No estado de graça a que o amor é capaz de elevar, a pessoa ri à toa, cria paisagens, idealiza riquezas que, em sua maioria, jamais sairão de sua mente para virar projetos.  Afinal, amando não temos tempo para mais nada, além do alvo de nossas paixões.  É nossa meta única.

A semana passa a ter um único dia:  o de encontrar o bem-querer.  E se o encontra todos os dias, cada dia é ímpar e tem a duração da semana inteira em suas 24 horas.  Se não há encontro, no entanto, as horas se arrastam e arrastam consigo suas esperanças. Parece que morreu, que o tempo parou, que não há mais nada a fazer, senão consumir-se a si mesmo.  Porque não vale a pena a vida longe do ser amado!

Quando amamos, o amor vira chantilly, e adoça tudo o que há – mesmo a fome e as dores. 

Nada pode ser mais incômodo do que as horas em que a alma gêmea se ausenta.  Perde-se a vontade de comer, perde-se o sono, perde-se o rumo.  E, até que est’alma volte a estar perto, tateamos num breu infinito.  Falta-nos a luz, falta-nos o ar, falta-nos bússola.  Naufragamos num mar de lágrimas.

O que não faríamos em nome do amor, então?

Por amor pecamos, por amor pedimos perdão, por amor somos condenados e depois absolvidos.

Jogamos fora horas preciosas, rabiscando iniciais num papel de pão, sempre cercadas por um coraçãozinho ridículo, flechado por todos os cupidos que a mitologia já desenhou.

Por amor, tocamos as estrelas, colhemo-nas como flores. 

Podamos as ervas daninhas do nosso jardim interior, plantamos árvores que já nascem frondosas, com longos galhos e frutos maduros. 

Por amor nos tornamos gentis, ampliamos nosso vocabulário para impressionar.

Nosso anjo sorriu?  Foi por nossa causa, só pode ter sido!

Enchemo-nos de questões novas, filosofamos, reavaliamos a vida, despimos preconceitos, abrimos campo para aceitações e transformações.  Tudo o que é novo é bem vindo!

Canalizamos energias curativas ao ser amado, queremos ver-lhe bem. Queremos abrir seu coração e arrancar de dentro dele os espinhos que a vida lhe traspassou.  Queremos ser capazes de ressuscitar sua vontade de vida, se ela faltar.  Queremos lhe alimentar e nutrir, providenciar o que lhe falta. Ser o que lhe falta.

Por amor, afinal, nos tornamos melhores.  Por amor merecemos e justificamos nossa própria existência.

Por amor, vamos além das palavras, das pausas, da linguagem.

Por amor nos calamos.  E o silêncio passa a falar sutilmente, em sua linguagem muda, o que nossa alma quer gritar.

Tudo isso por amor.  Tudo o mais por amor.  Tudo.

[Aposto amoroso:  Para o amor, o léxico criou a reticência.  Porque não havia mais palavras nele que o traduzissem e expressassem com fidelidade e clareza suficientes.  E aquele necessário silêncio, então, ficou implícito na infinidade reticente de um sinal gráfico.]

O amor não tem ponto final...

EmmyLibra
Nov 26,2010 – 08:29 a.m.