Tuesday, September 06, 2016

Eclipse

Uma bela manhã de sol,
a pessoa acorda com
um pouco mais de coragem
e um pouco menos de escrúpulos.
Isso é muito grave!
Decisões importantes são tomadas
quando esse eclipse acontece...

EmmyLibra
Sep 6, 2016 - 8:20 a.m.

Wednesday, June 01, 2016

Mimimi


Estamos na era do "mimimi". Viver em sociedade nunca foi tão chato! =(


E eu, que sempre disse "jamais desisto do ser humano", muitas vezes envergonho-me de fazer parte dessa classe de animais. O ser humano desses tempos atuais anda muito pobre de si mesmo, muito cheio de inutilidades, futilidades, sorve valores alheios como quem sorve café morno de manhã. Impregna-se de ideologias, escraviza-se, deixa de pensar pela própria cabeça para seguir a manada, esteja ela indo aonde quer que esteja, sem sequer questionar o seu destino final - se é que há um... 

Acho que nunca involuímos antes. Hoje, no entanto, assisto a humanidade declinar do sagrado direito de caminhar para a frente, e anda em "marcha a ré". 

Vejo pessoas estagnadas e outras regredindo, vejo valores se perdendo em meio a discursos inflamados, persuasivos, proferidos pelas poucas - e perversas - cabeças pensantes que ainda restam, e que ocupam lugares de destaque, não em busca de melhorar o mundo à sua volta, mas de ter maior raio de domínio sobre os tolos que se permitem hipnotizar pelo seu eloquente discurso do "politicamente correto" que, à prova dos nove, só nos corrompe e nos cega, não nos torna melhores.

O ser humano já foi bárbaro, bruto. Entrou numa era de intelectualidade que o fez ver as normas sociais como um bem, uma conquista. Viver com o outro já não se baseava em violências cegas e gratuitas, nem em complacências e submissões irracionais. Poderia pensar antes de agir. E caminhava para esse padrão de comportamento, quando parece ter saído de sua rota e entrado em tortuosos caminhos de egoísmo e medo.

Ao invés de alimentar o desejo de saber, ao invés de refinar os convívios, ao invés de melhorar o acesso às justas formas de resolver conflitos, nossos contemporâneos preferem o retorno à barbárie, talvez porque ela dá audiência na tv, quinze minutos de (má) fama - que importa? Ela vende jornalecos vagabundos de linguagem chula, que, se não respeita nem a gramática, por que respeitaria os leitores? 

A humanidade hoje prefere acomodar-se e esperar que alguém lhe dê respostas prontas, sem medir que respostas prontas nem sempre nos levam à verdade, mas geralmente ao desejo do outro de que jamais cheguemos a ela e continuemos pequenos, cerceados, limitados, pobres. As pessoas preferem choramingar vitimismos, ao invés de assumir a responsabilidade sobre os próprios atos e andar de cabeça erguida, sobre os saltos altos da autonomia. Acham caro ir buscar o que lhes falta, acham cansativo. Ficam de boca aberta, esperando que caia do céu algum manjar que lhes alimente. Caem as migalhas das informações que os grandes nos permitem acessar e achamos que estamos "muito bem, obrigado", porque pensar pela própria cabeça exige esforço. Engolimos tudo como verdade.

Uma pena, tudo isso.

Estávamos, algumas décadas atrás, inclinados a encontrar meios justos de se coibir o mal. Hoje o praticamos sob o aplauso dos poderosos que casam suas altas apostas em câmbios que desconhecemos, sobre quanto tempo ainda nos resta antes que nos tornemos os zumbis disformes que eles desejam, para obterem total domínio sobre nossas vulneráveis mentes.  
Enquanto digladiamos, uns contra os outros, repetindo as palavras e jargões fast-food que nos deram para engolir nos seus discursos hipnóticos, eles nos assistem do alto de seus pedestais de poder, rindo da nossa ingenuidade e preguiça intelectual.

Humanidade. Palavra bonita, não é mesmo? Infelizmente, tem horas que eu nem a reconheço em muitas pessoas. Porque ser um Ser Humano, na raiz da palavra, é ser bem mais do que essa onda de marias-vão-com-as-outras que assistimos. Mas, isso é muito grave! Não reconhecer traços de humanidade em alguém é muito grave e triste...

Como diria Bauman numa hora dessas, eu mesma perco minha humanidade quando não enxergo a do outro que passa por mim. Me "coisifico". Me torno algo. E algos são sempre passíveis de obsolescência, de descarte, de ser lixo.

Nunca estive tão próxima de ser ninguém, como agora. Nunca me senti tão disconforme com o meio, como agora. Nunca estive tão à beira do abismo da indiferença, como agora.

Só que não consigo pedir desculpas pela ojeriza que sinto, pelo desprezo que me despertam as pessoas de alma pequena, vitimistas, fracas, escravas. Sinto verdadeira repulsa por elas!

Se chamarmos isso de pecado, estou convicta de que o mimimi que está na moda ainda me levará ao inferno!

EmmyLibra

Jun 1st, 2016 - 11:41 a.m.

Wednesday, December 30, 2015

Amigo

Amigo, de verdade, mesmo, em dias ensolarados sai conosco para pescar e fazer pic-nic. Mas, se o tempo fecha, ele rasga o céu de tempestade com as próprias mãos e traz de volta para nossa vida um lindo raio de sol.
Amigo, de verdade, mesmo,  não nos deixa estagnar em vitimismo, nem passa a mão em nossa cabeça quando erramos. Ao contrário, alimenta-nos de esperança e responsabilidade; fortalece nossa autoestima, mas sem esquecer de podar em nós as ervas daninhas do orgulho e do egoísmo; nos dá asas quando queremos voar, mas nos alerta sempre quanto aos perigos que assumimos, quanto mais alto decidamos ir.
Amigo, de verdade, mesmo, é aquela pessoa que, ainda que esteja a milhares de qiilômetros de nós, dá-nos sempre a sensação de que está segurando nossas mãos, olhando nossos olhos e dizendo: "Estou com você. Não vou lhe deixar à deriva".
E confiamos, porque sentimos que o seu abraço, a sua voz e o seu riso são, para cada momento, sinônimo de companhia, abrigo ou bálsamo, conforme nossa necessidade se configure.

EmmyLibra
Dec 30, 2015 - 7:40 a.m.

Saturday, September 26, 2015

Tua grandeza II

Deixa-me contemplar tua grandeza, um pouco mais.
Deixa-me amar-te uma vez mais, antes que o sol se ponha
E faça-se noite para mim.

Mas, cuida de ser quem és quando estou perto.
Cuida de ser quem és em cada gota da tua essência!
Não me decepciona com gentilezas 
Nem com sutilezas sociais!

Cuida de manter vivas tuas virtudes,
- Aquelas que atraem meus olhares.
Tua força, tua altivez, teu senso de justiça e tua liberdade.
Também teu sorriso, tão raro de se ver...

Acima de tudo, mantém tua aguçada inteligência e perspicácia.
Tua dureza solene, aguda, cortante.
Tua doçura precisa - surpreendentemente compreensiva!

Deixa-me agora guardar, reter em mim
Tuas tantas faces, todas tão lindas...
Tão fascinantes!

Deixa que eu te guarde em mim,
Naquele abraço morno e ingênuo
Que jamais suspeitaria as súbitas despedidas!

Deixa-me ir, enfim, contigo... um pouco que seja.
Porque, ao partir,
Não precisarei olhar para trás para ver-te.
Levo-te comigo, de algum modo estranhamente íntimo,
Como quem, sem conhecer-te, sabe de ti o suficiente
E sem saber-te, conhece-te o bastante em si,
Impregnado em si.
No eco da tua voz em si.

Deixa-me ir.  Está ficando tarde, logo a noite cairá.

Mas, agora, ao por do sol,
Enquanto falsas chamas incendeiam as nuvens
Enrubescendo o horizonte,
Ainda há tempo para contemplar tua grandeza uma vez mais
E amar tuas virtudes, tuas palavras, teus saberes,
Beber lembranças, embriagar-me de possibilidades de vida
- Ao ocaso, que contradição!

Que bom que posso levar-te comigo, deixando-te ainda
Neste longo dia de ser, que se prolongará sobre a Terra
Aos homens santos que se agarram à vida.

Não ficarei em ti nem em qualquer outro homem santo.
Não ficarei, sequer, na memória de mármore!

Levarei de mim a carne, o sangue, a alma, o nome.
Para um lugar tão distante
Que nem tua lembrança ao mencionar que um dia existi
Me alcançará.

Mesmo assim, voltei aqui
Para beber de ti um gole a mais, extraído de minhas memórias.

Paro, contemplo o céu em chamas e lanço-me
No abismo escuro de um adeus solene, 
Feito de abraços mornos, inocentes...

Não podias imaginar que, ao dizer-te “obrigada”,
Não era por nada que fizeste, em específico.
Agradeci por uma existência inteira!

EmmyLibra

Sep 26, 2015 – 4:33 p.m.



Tuesday, June 16, 2015

Colibri

A felicidade visitou-me
Feito um colibri

Beijou-me à testa
– Gentilmente
Abraçou-me com suas asas
– Demoradamente
Depois se foi
– Celeremente

Deixou de si em mim
Uma lembrança morna,
Um cheiro de penas
E uma saudade dorida.
Nada mais.

Foi-se embora como veio:
Na pressa das horas do ocaso
Que desembocam em noite
Sem pausas para sonhar

Agora, vivo a cultivar lírios,
Esperando que um dia volte,
Quer seja na pressa
De qualquer hora de ocaso
Quando a noite urge chegar,
Quer seja na pressa da aurora,
Quando as estrelas adormecem
E os sonhos transformam-se em dia.

Espero a tua  visita, mesmo breve,
Lesta felicidade-pássaro!
Espero o farfalhar de tuas penas
E o lépido beijo em minha fronte.

Dá-me de ti teu cheiro de ave
E faz no meu jardim, de lírios,
Um pequeno instante de pouso,
Uma pequena pausa – em mim
Para que eu possa sonhar.

EmmyLibra
Jun 16, 2015 7:30pm


Monday, May 18, 2015

Caruaru


Foto: Divulgação (acessada em: www.caruarucultural.blogspot.com)


Amo muito esse lugar. Mas fiz uma promessa dolorosa: não mais voltarei. 
Porque dói muito voltar...
Dói insuportavelmente pensar que na cidade que tanto amo e onde passei bons anos da minha juventude não mais está uma das pessoas mais importantes da minha vida: a minha mãe.
No dia em que me despedi dela, despedi-me também do morro Bom Jesus, do São João mais lindo e colorido do mundo, da feira, do ponto dos músicos, da catedral, da igreja da Conceição, dos bonecos de Vitalino, das bonecas de pano com vestidos de chita, das mariolas, pitombas... Despedi-me de tudo que fazia parte daquele universo particular que construí em torno da minha amada. Despedi-me do cheiro do seu café, do som do seu riso, das suas piadas e do seu olhar inteligente.
Despedi-me também de mim, em certa medida.
Porque todas essas coisas que me constituíam e que agora me faltam, guardam em si pedaços do que fui, da minha história.
Vivo agora com uma enorme lacuna no coração, um porém sem fim.
Nada nem ninguém poderia preencher este espaço ou mudar o que sinto.
E eu prefiro assim. 
Porque, no vazio imenso que se fez onde outrora estivera aquele universo particular em que eu vivia, eu passei a cultivar flores. E com elas hei de presentear minha amada, quando um dia o Criador nos permitir o reencontro.
='(

EmmyLibra
May 18, 2015 - 8:33 a.m.


Monday, February 23, 2015

Dia vazio

Mais um dia vazio

Na boca um gosto de nada;
No peito um rasgo profundo
Por onde a alma tenta escapar.

Uma hora dessas talvez ela saia
Ou morra de fome, de frio,
De solidão, mesmo.

Então, em seu lugar, 
Instalarei uma engrenagem qualquer
Que mantenha meus passos,
Meus atos,
Minha aparência humana.

Quem sabe até engane a mim mesma
E me faça crer que ainda haja vida em mim...

Emmylibra
Feb 23, 2015 - 6:46 p.m.

Wednesday, January 28, 2015

Ausência


Um dia
A vida esvazia-se de sentido,
De tal modo doloroso e definitivo,
Que não há mais desejo.
Nem mesmo de morte, nem de existir.
Só um buraco onde antes houvera alma,
Onde antes houvera sonho,
Onde antes houvera o próprio ser...

Ele mesmo, o ser, vira uma lacuna
No espaço, no tempo de existir.
Uma insignificância, um passado.
Torna-se o passado de si mesmo,
O que já não é,
Nem poderá mais ser.

Não é mais que a ausência de si mesmo...


EmmyLibra
Jan 28, 2015 – 7:39 p.m.


Wednesday, December 10, 2014

Para Angélica

Você tem cara de natureza!

Dessas coisas boas que existem e que a poluição ainda não alcançou.

Tem cara de poesia, de dormir em rede, de pescar em rio, de banhar-se em cachoeira.

Tem jeito de flor.
E sua alma tem cheiro de mato, depois que a chuva fina molhou as folhas
e os passarinhos começaram a cantar.

Tem olhar de conhecer e ouvido de saber.
Tem ondas do mar nos seus cabelos e força de vendaval em seus desejos.

É grande, como árvore frondosa.
Delicada, como flor do campo.

Tem um quê de aconchego, como sombra em dia de sol quente,
e a gente tem vontade de quedar-se ali, no conforto de sua presença,
até que o dia anoiteça e as estrelas enfeitem seus cabelos de mar.

Tem som de córrego, em cujas margens as borboletas pousam para beber.
Tem cores de mundo e luz de compaixão.

E é em você, criatura moldada no barro de um sonho divino,
que repousam todas as formas que aos olhos e almas encantam.

Às vezes dá até medo contemplar a tua beleza!


EmmyLibra
Dec 10, 2014 - 10:15 a.m.

Tuesday, August 26, 2014

Carpe Diem!



Eu sou um ser humano.  Como qualquer outro que habita sobre a face da Terra, como qualquer outro que se reconheça na mesma categoria de seres vivos.

Eu como, bebo, solto pum, arroto, faço xixi e cocô como qualquer mortal que possua um aparelho digestório e um sistema excretor. Às vezes eu ronco quando durmo e quase sempre espirro quando estou gripada. Como qualquer pessoa. 


Quando tenho pesadelos, acordo chorando. Quando tenho sonhos bons, acordo sorrindo.

Eu me sinto cansada, às vezes. Exausta, mesmo. E não é só da exaustão física, mas também da mental, da emocional, da sentimental.

Eu sinto dores – graças a Deus! – e elas são meu alerta-vermelho de que há algo errado acontecendo comigo. Mas é, também, meu alerta verde de que estou viva.

Eu tenho sonhos, faço planos, elaboro ideias – tantas, que muitas vezes nem cabem mais na minha cabeça, tão grandes e numerosas se tornam!

Eu amo. Profundamente.

Amo muitas pessoas e fatos, pensamentos e sons, sendo que, do amor, eu não me sinto repleta nunca!

Há no amor uma matemática muito louca, na qual quanto mais amor ocupando meu coração, mais amor cabe dentro dele. Uma dilatação dos espaços, uma multiplicação de mim mesma.

Mas eu também sofro. E me ressinto de ausências. Também permito ao meu corpo sentir o vazio e a solidão dessas ausências que se refletem em êxtases irrealizados, incompletos, insaciados...

As presenças que a vida me oferta são sorvidas com força para dentro de mim, sem hesitações.  Porque, uma vez que já sentimos fome de um afeto ou de uma sensação, uma vez que já experimentamos as ausências, nos acostumamos a ter pressa de viver e de sentir.

O ontem nos rouba celeremete os recursos da juventude; o amanhã é tão incerto quanto um passo na escuridão de um pântano.  Resta-nos o agora.

É no dia de hoje, no momento presente, neste exato instante em que a vida flui em mim, que quero estar viva e experimentar cada gole de emoção que esta existência me entrega em seu cálice dourado.

Carpe Diem!

EmmyLibra

Aug 25, 2014 - 8:22 a.m.


Sunday, June 08, 2014

Parêntesis

Eu gostaria de poder viver de arte! – acho que é a undécima milésima vez que digo isso nos últimos dez dias!

A arte tem sempre uma surpresa, algo fora do comum, onde podemos viver do novo, constantemente!

Estou farta da rotina, dos compromissos, das prestações de contas, dos julgamentos alheios, dos desejos alheios a controlarem os meus...

Tem momentos que parece que o mundo emborca sobre mim! Tudo urge, tudo me chama, tudo me arrasta!

Nessas horas eu preciso abrir um parêntesis na vida. Paro tudo, abandono compromissos, desligo o celular, entro no Parque Municipal e fico lá, sentada ao lado de uma nascente, só ouvindo o barulhinho da água. 



O mundo pode estar louco lá fora, mas sempre encontro naquela fonte de águas cristalinas um refúgio, para onde eu vou quando quero me libertar do stress

Fico desconectada de tudo por umas duas horas. E quando saio de lá, a vida continua a mesma, com os mesmos velhos problemas, o mesmo trânsito insuportavelmente congestionado, a urgência das coisas... Mas – que bom!– ninguém morreu porque estive fora por duas horas! 

O mundo não se acabou, nenhuma bomba atômica destruiu a humanidade, ninguém ficou mais rico nem mais pobre, nem mais louco nem mais são porque me ausentei. 

Quanto a mim... Ah! Eu não sou mais a mesma de duas horas antes!

Sinto-me como se fosse um pouco mais "dona" de mim mesma, menos sujeita às decisões, horários e agendas dos outros, menos sufocada. É como dizer ao mundo: "Ei! você não manda em mim tanto assim! Posso desconectar quando quero, ouviu?"

Mas tudo isso é ridículo e você é muito boba! – você há de dizer.  Porque eu continuo escrava das agendas dos outros, do ritmo alucinado da vida urbana, dos compromissos inadiáveis... Basta sair daquele parêntesis e tudo volta a ser como antes.

Mas a sensação de leveza que experimento por duas horas me ajuda a conservar minha identidade, em meio ao caos. Me ajuda a repor energias para suportar a mesmice, a rotina, os deveres, os mil diferentes conflitos que há dentro de mim, quando vejo o mundo inteirinho à minha volta como se estivesse sempre prestes a ruir, pela fragilidade dos laços com que as pessoas atam suas vidas, hoje em dia.

São duas horas de um parêntesis que me permito abrir.  E dentro desse parêntesis não cabem celulares, compromissos, medos, anseios, dores, sofrimentos, inquietações. 

Dentro desse parêntesis não cabe mais nada além de mim mesma, do som da água da fonte caindo sobre as pedras, alguns peixinhos me cumprimentando, de vez em quando... E também  a paz – imensa, morna e acolhedora paz! – e o silêncio que cultivo dentro de mim, nesse instante, quando calo até meus pensamentos, só para ouvir aquele barulhinho suave da água nas pedras. 

Eu, água, pedras, peixes, paz e silêncio interior, mergulhados em meu parêntesis sagrado, em meio a um parque que está encrustado no coração do caos, numa das maiores cidades deste país!

Eu, água, pedras, peixes, paz e silêncio inerior. Um silêncio quase mortal, mas no qual reabasteço-me de mim mesma, reconheço minha real identidade: aquela que, para imergir no social, travisto de mil diferentes papéis, mas que não são o que sou ou, pelo menos, não são tudo o que sou.

Eu, água, pedras, peixes, paz e silêncio interior. Por duas sagradas horas eu me encontro comigo mesma e me permito ficar ali, isolada da vida que urge e me arrasta.  A salvo do caos, por duas horas. A salvo de tudo que fere minha condição de humanidade e que me condena a uma vida em que até nossas escolhas são moldadas pelo que nos é exterior, e não pelos nossos reais desejos. 

Eu gostaria de viver de arte... Mas minhas escolhas foram moldadas dentro do possível, dentro dos encaixes dos desejos alheios, dos espaços que minha história pessoal circunscreveu para a morada da minha alma.

Então, por duas horas apenas, escolho viver dentro de um parêntesis sagrado... 

Às vezes, preciso dizer ao mundo: "Ei! você não manda em mim tanto assim! Posso desconectar quando quero, ouviu?".  E ser dona de mim.  Nem que seja por duas horas apenas. 

Já que por aqui não se consegue viver de arte e "ser" está condicionado aos espaços que nossa história pessoal circunscreve para nós...



EmmyLibra

Jun 8, 2014 - 3:09 p.m.

Friday, May 16, 2014

Tua grandeza

Sinto falta do tempo em que eu te bebia. 
Bebia teu conteúdo, tuas ideias, teus saberes.
Bebia tua genialidade, diluída em palavras e gestos.

Era muito bom sentir o teu gosto em minha saliva!
Alimentava-me.  Fazia-me sentir como se um dia, de tanto beber o que eras, eu pudesse, enfim, reter em mim um pouco de ti — ao menos o suficiente para fazer parte do teu mundo, de algum modo, embora certa de que jamais conseguiria ser tão grande quanto és, ter essa imensidão da tua alma inquieta.

Tua grandeza me encanta!
Estou apaixonada por ela...
— Dei-me permissão para estar!
Permiti ao meu coração amar-te, amar teu gosto.

E, sempre que for possível, voltarei a ti, como a uma fonte, para enganar a sede que me persegue: de saber, de conhecer, de conhecer-te;  de possuir em minha própria existência uma pequena porção do precioso material de que te constituis e cujo nome desconheço, mas que me sacia!

Conta-me, então: de que és feito, afinal?  
De dor?  De sonhos?  De Filosofia?
Não consigo saber, sem que me digas.
Só sei que te faz existir além do corpo.  Além, mesmo, do que chamam de alma!

És maior do que tua própria pele!
Nunca te apercebeste?
Eu percebi.  E senti. 
E tocar-te é como tocar o inefável!


EmmyLibra
May 16, 2014 – 10:57am



Wednesday, April 16, 2014

Prioridades

O mundo, as pessoas do mundo, as vontades das pessoas do mundo... tudo isso é geralmente tão pequeno, tão insignificante, perto do que sonhamos...

Somos, incontáveis vezes, cruéis e inescrupulosos, na busca de nossas satisfações pessoais – queremos e queremos. E não nos importa se passamos sobre os outros, pisando e machucando, para agarrarmos um melhor bocado do que desejamos.

Somos mestres em criar necessidades! Amarramos nossos pés a pesadas pedras de desejos irrealizáveis e arrastamos essas enormes rochas pelas curvas do nosso caminho.

Às vezes, alguém que está ao nosso lado deseja apenas um prato de comida ou um pedaço de pão... Mas nós queremos voar e achamos complicado saciar a fome do outro. 

É mais fácil comprar asas!

EmmyLibra
(Data incerta)

Monday, March 31, 2014

Rebanho

Vejo hoje em dia muitos "cidadãos" que, na verdade não passam de reses de um rebanho cego, sem opinião embasada, que ontem batia panelas nas ruas, hoje segue algum movimento mais barulhento, amanhã outro... sem rumo, sem saber por que está seguindo, por puro modismo! 

Não há convicção, não há integridade – e é bom lembrar que para cobrar integridade dos políticos é preciso também tê-la em nossos atos! – não há verdadeira cidadania, na raiz da palavra. Por isso me refiro a "cidadãos", usando aspas. Porque é fácil bater panelas, mas é difícil, no dia-a-dia, ser honesto para ter moral de cobrar honestidade de quem nos governa. É fácil gritar "jargões self-service", mas é difícil ponderar sobre o voto que vai depositar nas urnas. É fácil parecer cidadão, mas há uma distância enorme entre essa máscara de pessoa engajada e correta e o que podemos chamar de verdadeira participação política.

Aí, vem copa do mundo, e já sabemos: futebol leva a cervejada, que leva a festa, que leva a alegriazinhas fugazes... E quando chegarem as eleições, o povo ainda nem se curou da bebedeira, vai lá querer pensar em política? Vota de qualquer jeito, "nas coxas", seguindo qualquer pesquisa de opinião que for divulgada, sem vontade de mudar as coisas.

Quer saber? Deve estar muito bom! Enquanto houver futebol e cerveja, a massa vai empurrando a cidadania com a barriga, e quando alguém questionar isso, é só sair às ruas, batendo panelas com os jargões da moda, que tudo fica lindo e todos viram "patriotas" novamente.

E no domingo, é só dizer "Amém, irmãos!" numa igreja qualquer, e "todos os pecados estarão lavados"... inclusive o da cômoda omissão, da qual muitos morrem todos os dias nos becos e vielas do nosso país.

EmmyLibra
Mar 31, 2014 - 3:31p.m.


Saturday, March 15, 2014

Efêmero

Sob estrelas lânguidas
De brilho pálido
Amores frívolos
Se anunciam

Olhares ávidos
E passos trôpegos
Suspiros sôfregos
– Uma euforia!

Um vento tépido
Sussurros lúbricos
Palavras mágicas
Um despertar

O rosto cálido
As mãos tão gélidas!
Desejos súbitos
De se entregar

Contatos físicos
– Bem mais que físicos!
O corpo em êxtase
Quase um torpor!

O peito em música
A boca úmida
Momento único
A vida em flor

Mas, já por último,
O dia próximo
Fala de um tétrico
Alvorecer

O que era próspero
Se mostra efêmero
Se vai tão rápido
Que faz doer...

O ar hiálico
O sol a píncaro
Alma em desânimo
Preenche o ser       

E o que era lírico
Se torna lúgubre
Se esvai em célere
Entardecer

EmmyLibra
Mar 14, 2014 – 11:09 a. m.




Monday, November 25, 2013

Basta!


Estou farta da vida comedida, dos limites, portas, regras.  Me falta a aventura, o sal das incertezas, o nonsense e o abstrato.  
Faltam as montanhas, os desertos, os mares profundos — Falta profundeza!
Faltam cores escuras se misturando com as claras.  Faltam os carmins cheios das mágicas e arrebatadoras paixões que nos fazem cometer loucuras.  Falta o desejo de um beijo que me roube o fôlego e em cuja saliva eu me queira afogar.
Estou cansada da rotina segura e previsível, de tudo o que é morno e calmo, do tédio, da estabilidade irritante e da estagnação mortal.
Quero vida correndo em minhas veias, ao invés de sangue!  
Quero o descomprometimento da loucura e a força natural dos bichos.  Quero o poder criador e destruidor da natureza em meu ventre, para morrer na exaustão de cada dia e renascer ao canto mágico dos pássaros.
Quero a sofreguidão; o açoite do vento no meu corpo nu.
Quero o imoral habitando meu seio e o despudor de um beijo roubado habitando meu sonho.
Tenho saudades de um tempo em que eu gostava de voltar pra casa... Mas é como ter saudades do que nunca tive.
Preciso afrouxar os nós, descalçar os sapatos, me lançar num abismo.  Preciso arrancar minhas raízes e abrir as asas de minh’alma para voar sobre minhas angústias — Quero ter alma de pássaro!
Prefiro um milhão de culpas doces que justifiquem minha viagem ao inferno!  Porque é vergonhoso ser condenado por cometer pequenos erros e pagar o alto preço do remorso por uma vida não vivida.
Se na urgência de existir que sinto agora eu não encontrar meu coração, que se perdeu em nuvens de tempestade, sei que morrerei — não de tristeza, que ainda seria doce! —, mas, pura e simplesmente por falta de vontade de viver.

EmmyLibra
April 26, 2008 - ‏‎10:26pm


Sunday, September 15, 2013

Vida Eterna


A pergunta foi direta, a resposta foi claríssima:


“E eis que se levantou certo doutor da lei e, para o experimentar, disse: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Perguntou-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como lês tu?
Respondeu-lhe ele: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
Tornou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isso, e viverás.
Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo?
Jesus, prosseguindo, disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.  Casualmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e vendo-o, passou de largo. De igual modo também um levita chegou àquele lugar, viu-o, e passou de largo.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou perto dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão; e aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar.
Qual, pois, destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
Respondeu o doutor da lei: Aquele que usou de misericórdia para com ele. 
Disse-lhe, pois, Jesus: Vai, e faze tu o mesmo.”

Lucas 10:25-37


Então...  Alguém ainda pode ter a cara de pau de dizer que “basta crer”?!
A resposta de Jesus, em NENHUM MOMENTO dizia que basta crer!  Se não AGIRMOS na demonstração do Amor ao próximo, a fé é infrutífera.
Não é “crer” em Deus, mas AMAR a Deus, sobre todas as coisas, e ao próximo, como a si.  Não sou eu quem está dizendo! Esta foi a resposta clara e direta de Jesus, diante da pergunta igualmente clara e direta que lhe foi feita: “Que farei para herdar a vida eterna?”
Um detalhe importantíssimo:  Amar não é verbo passivo e inútil, segundo Ele, mas, ao contrário, é verbo ativo e produtivo:  limpar feridas, alimentar, vestir, cuidar. 
Estamos mesmo preparados, cheios dessa generosidade, somos mesmo tão capazes desse Amor produtivo, para MERECERMOS vida eterna?
Eu não sou.  Sem falsa modéstia, sem drama, sem falsa humildade.  Eu não sou.  Estou até beeeeem longe dessa tal vida eterna que tantos vivem buscando e VENDENDO nos púlpitos! 
Mas, ao contrário de muitos, não me iludo pensando que só a minha fé em Deus supre o necessário para merecê-la, nem pagamentos, nem cultos, nem rituais, nem palavreado bonito, nem mesmo preces...
Jesus não teria mentido, nem teria aumentado ou diminuído as coisas na hora de falar.  Ele disse tudo na justa medida do correto.  Ele, definitivamente, não seria irresponsável, passando para as pessoas ali presentes uma fórmula falsa de salvação!  Não ensinaria o caminho errado para que fosse seguido, nem mencionaria estas coisas, se elas não fossem o verdadeiro meio de alcançar a vida eterna. 
Portanto, a ideia de que a fé é suficiente é errônea, ilusória.
A única certeza que tenho, depois de ler o trecho supracitado, é que não estou entre os que passaram sobre a Terra, até os dias de hoje, que pareçam ter compreendido e sobretudo PRATICADO o amor ao próximo, conforme Jesus esperava que fôssemos capazes de fazer.  Definitivamente, eu não estou.
Mas, se há alguém que tenha presunção suficiente pra dizer que está, que me atire a primeira pedra!


EmmyLibra
Sep 15, 2013 – 8:21 p.m.



Sunday, September 01, 2013

Breves...

Minhas tristezas, alegrias, raivas, ódios, temores, coragens, medos, frios e calores duram menos do que o bater do coração de um colibri.
São breves demais e alternam-se tão avidamente dentro de mim, que me confundem. 
Nem sempre sei o que estou sentindo, porque quando penso que entendi, é o instante seguinte, e já sinto outras coisas... 
Só os amores que nascem já não morrem mais.  Por mais que eu precise que eles não estejam mais morando em mim, eles não se vão. E me acumulam tanto, que me fazem sentir ânsia de viver, multiplicando minha existência.

EmmyLibra
Sep 1st, 2013 - 10:06 p.m.


Saturday, August 17, 2013

Seu olhar

Seu olhar,
Ah! Esse seu olhar...
Me fala de coisas lindas que nunca vi, 
Me fala de sonhos que nem ousei sonhar... 

Seu olhar,
Ah! Esse seu olhar...
Me conta histórias de um tempo perdido 
Entre o espaço e o medo, 
Entre o desejo e a dor... 

Ah! Esse seu olhar...

EmmyLibra
Aug 17, 2013 - 8:57 p.m.

Tuesday, August 06, 2013

...


Pobres de nós, seres humanos, 
que precisamos ter mais 
do que nossos ombros 
podem carregar!


EmmyLibra
Data incerta



Duelo

Felizes aqueles que em tenra idade despedem-se da vida.  Esses não sentiram a angústia de serem disputados a ferro e a fogo por dois cavaleiros de armaduras reluzentes: o desejo e o temor.

A esses dois cavaleiros muitos dão diferentes nomes, como: mal e bem, id e superego, coração e razão.  E entre eles, nossa pequena alma se encolhe, à espera de que seu duelo um dia termine, para que haja novamente paz e silêncio dentro de nós.

Aqueles que da vida se afastam antes de ouvirem o tilintar das espadas desses dois bravos lutadores sobre suas cabeças são os verdadeiros felizes da Terra! Talvez por isso Jesus certa feita tenha dito que o reino divino pertencia a quem se lhes assemelhasse.  Porque, uma vez conhecidos por nós esses cavaleiros, nunca mais sentiremos a calmaria da inocência dentro do peito.  E o reino divino é, antes de tudo, reflexo de nossa paz interior.  Enquanto ela não se faz, o inferno está estabelecido em nossas entranhas, como um fogo inextinguível.  

EmmyLibra
Aug 6, 2013 - 2:35 p.m.


Monday, August 05, 2013

Aprendi...

Aprendi que...

I

Casamento não é sociedade.  Não é negócio. Não pode ser tratado como tal. 
A partir do momento em que um casal briga por questões financeiras, levando a discussão a influenciar sua relação pessoal, ou seja, a arranhar o que chamam de "amor", então já não há mais um casamento.  Há, sem que percebam, uma relação de prostituição.  
Ao fazer com que o dinheiro que circula na manutenção da vida a dois se torne centro de suas atenções e motivo de suas discórdias, estão dizendo, um ao outro, que esse é o sangue que corre nas veias da família.
Alguém já está se vendendo – e nem percebe!
Não transforme seu casamento numa negociata na qual quem ganha mais manda. A partir do momento em que alguém manda em alguém, isso por si só já desconfigura o que podemos chamar de casamento. E a partir do momento em que alguém se submete por valores financeiros, isso por si só já se pode chamar de prostituição.
Como profissão, a prostituição é válida. Não estou aqui a censurá-la ou a quem a pratica. O que quero dizer é que a pessoa que faz dela uma escolha de vida deve estar consciente do que isso representa, inclusive no que tange à recriminação que ainda impera sobre a profissão. Mas quem lhe compra como um serviço prestado precisa estar também consciente do que está pagando e do que espera receber, como em qualquer negócio. Para que, além da recriminação preconceituosa advinda de fatores culturais, religiosos e morais, não recaia sobre quem se vende a culpa real de uma negociação escusa, desonesta, imoral. 
O casamento, portanto, precisa estabelecer para o dinheiro seu devido valor e importância, deixando-o a cargo de manter as necessidades materiais da família.  Não se pode permitir que o amor seja trocado por moeda, ou teremos que considerar para essa relação outra nomenclatura, que não a de conjugal.


EmmyLibra
Aug 5, 2013 - 8:31 a.m.




II

Casamento não é moleta. Não é escora, tipoia, bengala.
O outro não pode ser visto como "nossa metade", porque casamento não pode ser feito por duas pessoas pela metade!
As pessoas precisam estar (ser) inteiras numa relação, para que seja uma relação saudável. Não podem colocar sobre os ombros do outro a responsabilidade por sua felicidade.  O outro pode ser co-responsável, colaborador da sua felicidade, mas não tem, em absoluto, nenhuma obrigação de ser a razão dela.  É injusto sobrecarregar alguém com esse dever, porque cabe a cada um de nós buscar em nossa própria essência, motivos para sorrir e para ser feliz.  Ao dependermos do outro para isso, o que será de nós se o outro se for para sempre?
Interdependência não é dependência!  É estar presente, fazer parte, interagir. É co-autoria, é co-participação, cooperação.  Não se pode confundir interdepender com depender, porque este segundo nada mais é do que ser carregado nos ombros do outro!
O casamento precisa de equilíbrio. Quando as duas partes caminham juntas, de mãos dadas, plantando felicidade ao longo do caminho, ambos se auxiliarão e se apoiarão quando necessário.  Mas se um caminha levando o outro sobre os ombros, sem descanso, dia chegará que estará cansado demais, e se sentirá velho e exausto, caindo à margem do caminho que traçaram, sem nunca ter sentido o perfume das flores, porque jamais teve os braços livres para semear do seu lado da estrada.
Alguém vai sair perdendo nessa história!
Pessoas que se amam, verdadeiramente, não se permitem ser estorvo para o outro.  Se cai em doença ou impossibilidade, o amor do outro lhe dá forças e pernas, lhe apoiando. É diferente!  A necessidade material de ajuda não tem nenhuma relação com a necessidade psíquica. A primeira vem de fatalidades e requer cuidados reais. A segunda vem de fantasias e enganos, e só causa fadiga e empobrecimento na outra parte.  É injusta, desonesta!
Caminhar pelos próprios pés, sem sobrecarregar o outro, é sinal de maturidade.  Não se pode pensar que o casamento se mantém das ilusões de que o outro, por amor, sempre nos carregará no colo, porque um dia o outro cansa-se (de nós?!) e cairemos, ambos, sem chegar a lugar nenhum.


EmmyLibra
Aug 5, 2013 - 8:31 a.m.